Monday, May 30, 2005

Monday, May 23, 2005

efeito charro

Felizmente há também aqueles momentos em que a caixinha mágica nos deixa concentrar todos os neurónios nas excentricidades alheias – Sete Palmos de Terra.

nem só de pão vive o homem…

Reportagem na TVI (faço sempre um esforço para perder estes momentos magníficos mas desta vez a televisão estava sintonizada no canal 4): benfiquista, dono de café, aumenta o preço das refeições após promessa de 8 anos. Pois então, não é verdade que existe neste país um energúmeno que desde 1997 cobrava 5 euros por refeição, à custa dos campeonatos não ganhos pelo Benfica! Aparentemente, “bóia” completa incluindo o bagacito terminal – e viva o preciosismo jornalístico. Está claro que o editorial da mais generalista (o que quer dizer esta palavra?) das tevês cá da terrinha não ia perder a oportunidade de continuar a estupidificar as massas com mais este petisco. Aposto que em poucos minutos houve pelo menos dois ou três lagartos, donos de tascas, a fazerem os seus votos de repasto ou bicazita a preço constante até à próxima vitória do Sporting.

Explicação simplista do que foi a Idade Média: período negro da História entre o final dos jogos de Circo e a descoberta do Futebol. (durante o Renascimento, havia o Palio)

sound-bytes

1990 foi o ano em que, juntando os tostões amealhados dos presentes monetários de tios e avós, comprei a minha primeira aparelhagem com leitor de CD. Era uma Sony baixa-gama de três blocos que me custou exactamente 100.000 escudos numa loja das Amoreiras e tinha uns magníficos 45 watts de potência. (pura curiosidade, acabei de encontrar o modelo à venda no eBay com base de licitação de 2,5 euros!).
Veio substituir o gira-discos que me ocupava metade de um bloco de armário, em que a garantia de som quasi contínuo era assegurada por um objecto único, em forma de caneta, cujo mecanismo incompreensível permitia ouvir sequencialmente três discos vinyl, ou melhor, as três faces que ficavam para cima quando se montava “a pizza”. Pois a bela da Sony foi devidamente amortizada ao longo de 9 anos – sujeitando-se a pelo menos dois arranjos que devem ter custado tanto quanto o preço original – passando à reforma com a aquisição da compacta Denon de 100 watts – evidentemente, com três imprescindíveis gavetas de CD capazes de assegurar o som do menino horas a fio, i.e., em rotação contínua até fartar.
Ora se ao longo desses anos foi necessário alimentar os apetites vorazes destas máquinas, com visitas frequentes à Valentim de Carvalho (ainda existe?) e à Fnac, a partir do momento em que a boa da Denon se deixou ligar ao PC cá da casa, deu-se a transição radical para o .mp3. A colecção formato Compact Disc acumula pó ou faz viagens ocasionais de popó e a ligação ADSL assegura o download de sound-bytes suficientes para uma vida eterna.
E hoje, encontrei uma preciosidade memorável: o concerto dos Trovante no Pavilhão Atlântico em 1999, cheio das eco-anomalias (aqueles sons estridentes do microfone demasiado próximo do altifalante) e da intensidade da causa timorense de que me recordo, e senti a mesma estranheza da altura quando o Represas e meia dúzia de alentejanos começam com o militante “Chão nosso libertado / revoltado / agitado…”.

Tuesday, May 17, 2005

ópio do povo

Dou um giro pela blogosfera e concluo que, como não poderia deixar de ser, na bela nação à beira mar plantada o tema do momento é o derby do fim-de-semana. Como não pretendo falar de bola no Ripples, limito-me a dizer: eu estive lá! Lá, na “catedral” que até aos 83’ mais parecia um sepulcro e que depois aguentou em pé até ao apito final. Se o merecíamos? Em boa verdade, não. Mas depois de aturarmos a “lagartagem” semanas a fio, soube-me bem esta segunda-feira em que sem xingar os verde-brancos lhes pude mostrar o meu sorrisinho pepsodent-cínico-nº-1-0. Embora não vislumbre o paralelismo, rendo-me ao erudito “tio Marcelo” com o seu: Audaces Fortuna Juvat. E zuca… já está!

Friday, May 13, 2005

deus do céu!

Ora aí está um candidato a pior filme do ano: Kingdom of Heaven ou "Reino dos Céus". Valeu a companhia, boa e cheirosinha.

Wednesday, May 11, 2005

Babel

Gosto da alegoria bíblica da Torre de Babel. Basicamente, a humanidade do tempo em que a Terra ainda era hipoteticamente plana decidiu unir-se em torno de uma grande causa e construir uma magnífica torre para chegar ao Céu.

The view from here's breathtaking
My visions all surrounding
The humans look like insects
There is only one way down
But it's cold and lonely in this stratosphere

Deus, chateado com a presunção do Homem, decidiu confundir a linguagem e pôs os construtores a falarem diversos idiomas. Os homens deixaram de se fazer entender e a torre ruiu.

And it's whispered that soon, if we all call the tune
Then the piper will lead us to reason
And a new day will dawn for those who stand long
And it makes me wonder...

Tuesday, May 10, 2005

já fui brilhante

Esta manhã dei por mim, a caminho do escritório, a constatar que “já fui brilhante”. Mas já não sou. Já não sou mais. Tive a porra de uma entrevista telefónica com o director de qualquer coisa semelhante ao “Internal consultancy department” de uma das maiores multinacionais do planeta, uma mesmo do top30 do ranking Business Week 2004, para uma posição daquelas que devem dar mesmo pica – reporting directo a nível do VP, interacções por essa Europa fora e nos States, package até 55kGBP, etc. Pois, como está bem de ver durante os 30 minutos de tempo de antena, parecia um borrego afectado por encefalopatia espongiforme. Enrolei o meu inglês todo, disse duas ou três banalidades e cheguei ao final a desejar que o suplício terminasse rapidamente. Já no outro dia, quando decidi rever os brilhantes reports que produzia há uns anos atrás, tinha tido esta estranha sensação. Hoje em dia, praticamente não sou capaz de produzir nada de verdadeiramente útil sem me inspirar em coisas que fiz (ou outrem fez) no passado e recorrer ao “copy-paste”. Sou um zero à esquerda. Acabou-se. E se me vou safando em estilo é porque ainda sou um “favorito da fortuna”, i.e., a sorte protege-me. Mas porquê? Na escolinha primária era tão bom que me dava ao luxo de ser “distraído” – pelo menos é o adjectivo que me ficou das cadernetas escolares e até servi de case-study a uma grupeta de psicólogos estagiários. Até ao 9º ano, era, em parceria com outro Ricardo, o 2º melhor da turminha – quase tudo cincos e despreocupado porque achava a “número um” um encanto. Do 10º ao 12º mantive-me nos 20% do topo – os outros eram mais ou menos nerds (sorry folks!) excepto a minha namoradinha. Entrei para a universidade sem muito estudar e ainda assim com 15 pontinhos de margem – é certo que contando com 6 da bonificação. Por lá me arrastei em desespero – quem maus hábitos cria… E depois, viva o mercado de trabalho: desde que se goste disto, é sempre a subir e viva os aumentos chorudos. Mas a verdade é que o brilhantismo se perde por volta dos 27 – como demonstrado no Pravda do capitalismo moderno:

Bom, no caminho para casa tive um assomo do brilhantismo perdido e decidi escrever ao senhor entrevistador – que ainda para mais era excepcionalmente simpático – a destacar as excelentes capacidades – que já não possuo – e que o devem convencer a contratar-me. Pois, como diria o outro: “Alea jacta est”.

Sunday, May 8, 2005

céu de baunilha

Chego a casa e dou por mim a ver a última parte do “Vanilla Sky” na TV. Há uns anos atrás vi o original “Abre los ojos” após recomendação de um amigo espanhol cinéfilo. Pareceu-me básico mas ainda assim encantador. Em síntese, gostei. O adultério da versão “américa” põe-me a pensar se este espaço-tempo de vida vivida numa sociedade condenada à visão hollywoodesca das coisas resultará em algo de positivo?

Buscando resposta, embora contrariado, recorro a “postar” uma das mais belas musiquinhas dos James (estes pelo menos são bifes) – Alaskan Pipeline:

You might as well surrender now
You'll never hold that stance
With all my words
I can't find one
To help you understand
It's not too late
Take up the cup
Put down your weapons and choose
But you say," life's so unfair"
All you say is "life's so unfair."
Oh you can ill afford to hold to these views
Oh you need something to blame
But it's you, yes it's you
It's your truth

Someone made you
I don't know if you're sick
I comfort. You runaway
My sympathy. You twist it.
You're reflex. Gets in the way.
You Mother me. I son you.
You act up. I can't get through.
These footsteps so ancient.
In your eyes I'm your infant.
Your ancient. Full circle.
In my eyes You're my infant.
Dead ball in our court
We've got a dead fall in our court

You just say, "life's so unfair."
You just say, "life's so unfair."
You need something to blame
But it's you, yes it's you
It's your truth

Wednesday, May 4, 2005

And the winner is…

Isto de se ganhar um projecto grande tem mesmo um gostinho especial. Não é bem como uma gala de entrega de prémios mas para os cinco da vida airada que passámos o início de Abril em maratona a fazer proposta e o resto do mês a produzir intermináveis adendas de esclarecimentos, o telefonema desta tarde trouxe ânimo e vontade de comemorar. E depois a notícia propaga-se e é ver as faces risonhas dos mais novatos a sentirem a “pica” do sucesso e o maldito – só funciona quando as coisas correm bem – corporativismo da consultoria. Até parece que esta vidinha faz sentido!

Thursday, April 28, 2005

the Board

“Gestores de topo portugueses estão entre os que recebem salários mais baixos na Europa…”
- rezava o dinheirodigital há uns dias atrás

Apesar de ainda curta, a minha carreirinha profissional tem-me dado oportunidade de ir contactando amiúde com alguns destes “gestores de topo portugueses”. Em alguns casos até os vi vir e ir mas quanto ao vencer…
Já conheci daqueles que se preocupavam com a demasiado bela vista que a grupeta dos consultores desfrutava do alto das “suas” torres envidraçadas. Dos que prolongavam eternamente as reuniões para vencerem pelo cansaço a oposição. E dos outros que se vingavam dos almoços solitários fazendo rolar cabeças. São, regra geral (ou pelo menos a partir da minha amostra), gente solitária e ao mesmo tempo muito sociável. Sempre demasiado distantes da realidade dos factos e conhecedores apenas da superfície supérflua dos temas e ainda assim com pretensões de tomarem as decisões estratégicas correctas – valha-lhes a boa intenção. Com eles aprendi, e pretendo não esquecer, que mais vale um bom líder do que um futurologista iluminado. Que as grandes ideias vêm sempre de baixo, em particular, das mentes não viciadas. Que em qualquer fórum há que agitar as águas para se ver o lodo de forma clara. E que nos exércitos nem sargentos nem tribunos podem “perder a face”. Como disse o velhinho Drucker: “O desafio do gestor é obter um total maior do que o somatório das suas partes” – paguem-lhes então por isso.


Monday, April 25, 2005

1974

Peguei em dois CDs da Rickie Lee Jones e saí de cada inspirado pela noite de lua quasi cheia num céu descoberto. Coloquei o “Pop Pop” no leitor e arranquei a caminho do cafezito com os amigos. Um pouco de conversa da treta e rumámos ao Estado Líquido. Praticamente vazio, parece que Lisboa se mudou para o Algarve. Sai um vodka limão e dois dedos de conversa fútil. Música demasiado alta e estômagos vazios, vamos ao pão-com-choriço. Mal cozido, sabe bem. Calçada do Combro. Empatados pelo carro do lixo. Apesar de haver pouca gente não tá fácil arranjar lugar para estacionar. Parque com ele. Largo do Carmo, festa comemorativa do 25. Ouve-se mais castelhano do que português. Apetece-me gritar “viva Salazar” só para provocar – e verificar se alguém decifra a língua de Camões. Não o faço, sou cobarde. Vamos lá ao Suave. Mais “pouca gente”. Whisky & Cola, para variar. Voltinha ao quarteirão, para ver se está mais animado. Nem por isso, muitos miúdos na Tasca do Xico e os gays do costume no Slide. De volta ao Suave. Isto não anima. Falta a conversa, vamos mas é para casa. Ainda há resquícios da comemoração no Carmo mas já não me apetece fazer a experiência. Conduzo ao som de “Spring Can Really Hang You Up the Most”, parece-me apropriado. Encontro a Maria no messenger e gosto da conversa – Lost in translation. Bom feriado. Espero que faça sol para ir comer umas amêijoas até uma praia qualquer.

Saturday, April 23, 2005

keep it simple

Um dia pensei tornar-me simples, desisti… tive medo de deixar de ser humano.
- by nídio amado



É bem verdade: progresso rima com complexo.

Pergunto-me muitas vezes o que faria um espécimen culto dos tempos actuais se recuasse uns séculos. Assim tipo, um engenheiro com um mínimo de conhecimento sobre os princípios do motor / máquina a vapor, teletransportado (ou será tempotransportado?) para a Idade Média. Arranjaria uma panela e alguma forma de a vedar – muito bem! Deixaria a água ferver até se transformar em vapor e depois tentaria canalizá-la para um pistão. Pistão? Mas que raio significa um “pistão” em plena Idade Média!? Como construir um pistão / êmbolo sem as técnicas de fundição que demoraram centenas de anos a aperfeiçoar?

Mais complexo? Electricidade. Vamos lá então tentar produzir (sem falar no dar uso a) energia eléctrica na época dos imperadores romanos. Pois é fácil, faz-se um papagaio de papiro, aguarda-se por uma bela tempestade de trovoada e lança-se o dito cujo preso com fio de arame. Fio de arame, no tempo dos romanos? D’oh! Como raio se faz um simples fio de arame levezinho!? Pelo menos não há choques para ninguém, valha-nos isso. (Excluo a hipótese de produzir energia eléctrica a partir de um moinho de vento ou de água porque um Dínamo é ainda mais complexo de arranjar)

Menos complexo? A Roda na pré-história. Pois, é só arranjar um pedacinho de pedra jeitoso e lascar a coisa durante uns meses largos – enquanto o companheiro do lado se dedica a desencantar alimento para o pretenso engenhocas – até se conseguir um fabuloso monociclo. Serve para quê, mesmo?

Ora se o bom do Leonardo da Vinci, ou outros génios anónimos, foram tempotransportados, devem ter sido cá uns frustrados.
Não passamos de uns simbióticos, inteiramente dependentes do supermercado da esquina e dos produtos made in China, quais formiguinhas alojadas num torrão de areia.


Thursday, April 21, 2005

Haagen-Dazs

Crescemos a comer gelados. No início dos tempos era o “Epá”, sabia a nata e trazia uma pastilha dura de trincar no fundo – adorava a mescla do corante-pastilha-cor-azul com o gelado derretido. Nos dias mais abafados comiam-se 2 e 3 daqueles gelados só de água e sabores de laranja ou ananás que custavam 2 escudos e quinhentos e consumiam a parca semanada. Na praia, deixava-se o belo do “SuperMax” meio derretido substituir o açúcar lambuzado das bolas de Berlim e ao final do dia atrevíamo-nos a experimentar as riscas garridas do belo do “Perna-de-Pau”. Aos fins-de-semana havia esporádicas visitas à Pindô, que era então a melhor geladaria de Lisboa. Isto antes de se comprovar que definitivamente não havia melhor do que o copinho de limão e chocolate do Santini em Cascais. Nas férias, o delírio passava pela visita nocturna às geladarias da marina de Vilamoura. E depois, por alturas da idade das parvoíces, apareceu o “Calippo” de que se guardavam religiosamente os últimos blocos de gelo, para derreterem, e se matar a sede no final. Na idade dos amores eternos eram as “Conchanatas” da Avenida da Igreja e o arrebatador Magnum cuja versão amêndoa esgotava demasiado depressa. E finalmente fomos invadidos pelos muito mais evoluídos Baskin&Robbin e pela Haagen-Dazs – o que eu não dava para morar mesmo por cima duma lojinha da Haagen-Dazs, para poder descer em cada noite e deleitar-me com um crepezinho Belgian Chocolate, topping de nata e amêndoas torradas regado com chocolate fudge. Seria feliz.

Tuesday, April 19, 2005

time is the unique real illusion

The objects that astronomers study have only been in existence for the past 5 billion years, a mere quarter to half of the age of the Universe.

Sunday, April 17, 2005

placebos

The human mind is quite astonishing. There are those times when you feel so absorbed by an idea or thought that everything else seems to pass you by and then, when you’re not ready at all for the unexpected, someone just comes your way and you forget all the worries and start afresh. Placebos are that great.

Saturday, April 16, 2005

black Swan

PR num barzinho catita da rua das janelas verdes - smells like teen spirit and Nivea body-milk!

Friday, April 15, 2005

Bom filme

The Interpreter. Mais do que pela beleza demasiado estereotipada da Nicole Kidman, em companhia da cara-tirem-me-deste-filme do Sean Penn, vale pela moral da cena final – ou porque os ditadores africanos perdem a inocência dos ideais Maio de 68 e se transformam em usurpadores da dignidade humana. Afinal de contas, tudo resulta da crueldade dos instintos animais que persistem no espírito do Homo Sapiens mesmo após alguns milhares de anos de destilação.

Wednesday, April 13, 2005

Gross National Happiness

Leio num número já antigo do Economist que no reino do Butão – encravado entre a Índia e o Tibete, à longitude do Bangladesh – o monarca castiço aplica o indicador da Gross National Happiness (GNH), por oposição ao GNP, para medir o grau de felicidade existencial dos seus súbditos. O conceito atrai-me.
Por estes dias em que se começa a sentir o cheiro da Primavera a chegar, quando as melhores horas do dia correm, ainda céleres, entre as 7 da tarde e as 9 da noite, período em que a brisa que vem do mar / rio invade lentamente o abafo do dia citadino, parece-me que talvez não ficássemos mal posicionados nas estatísticas GNH.


Tuesday, April 12, 2005

and I keep on counting sheep

“Love makes the world go round and I want it to spin like never before”
- by Rute

Well it kept on spinning, for you and for me. Happy birthday, my love. And blauen Blumen too.


Monday, April 11, 2005

Aftermath

Hate the stupid sensation when, after spending a fortnight working like hell, all too suddenly a vacuum appears in my schedule and there’s enough time left to read postponed email messages and to think about professional goals or expectations. Because then, you realize that maybe things aren’t going the way you desired and you’ve probably been wasting lifetime.
As every chemist or alcoholic knows, Quality dilutes when there are too many – must try to keep this in my mind.


Sunday, April 10, 2005

mais um Carneiro

Parabéns Pai, hoje fazes 61 e creio que tens sido feliz à tua maneira. Como qualquer progenitor fizeste do "barro" obra e como eu não mudava nada da minha personalidade, saíste-te bem. Obrigado.

Friday, April 8, 2005

Pareto Principle & Lavoisier Law

Dois princípios básicos para a compreensão da causa das coisas.

Vilfredo Pareto viveu no final do séc. XIX numa bela Itália em tons de ocre, acabadinha de ser unificada pelo bom do Guiseppe Garibaldi (Guiseppe é fabuloso, não é?).

Antoine Lavoisier divertiu-se à grande (e à francesa) a fazer experiências químicas na época de la Revolution Française.

Ora o bom do Vilfredo, filho de boas famílias (era marquês), depois de ter estudado umas matemáticas lá para as bandas de Torino e de se ter posto a analisar a produtividade da Itália rural, chegou à brilhante conclusão de que 80% da terra cultivável era propriedade de 20% da população mas no entanto 80% da produção agrícola provinha dos 20% que não estavam nas mãos dos tais 20%.
Confuso? Bem, esta é a explicação simplista da coisa, porque na realidade havia por aqui um pouco de crítica social aos lorpas da aristocracia que não faziam nenhum com os 80% das terras que possuíam (isto para não complicar ainda mais, porque às tantas o menino deu três piruetas e decidiu aplicar a teoria aos pobres dos italianos e serviu de ideólogo ao regime fascista que estava para vir).
Aplicação prática da teoria: significa que, por aproximação (ou mais correctamente aplicando a Distribuição de Pareto), 80% das receitas de uma empresa estão concentrados em 20% dos produtos que produz ou vende.
Outra: 20% dos colaboradores de uma organização fazem 80% do trabalho da mesma. Nice to know it, hem?
Eu pessoalmente aplico-a aos investimentos: 20% do capital em aplicações de risco à espera que gerem 80% dos rendimentos (never happened, D’oh!).

De volta ao Antoine, enquanto observava as cabecinhas a rolarem na guilhotina (final também aplicado à sua bela melena) formulou a seguinte teoria: “no Universo, nada se perde nada se forma, tudo se transforma”. Belo, simples e acima de tudo verdadeiro. Em termos menos simplistas, corresponde à lei do equilíbrio químico ou da conservação da massa.
Aplicação prática (subvertida para fazer rimar Lavoisier com Pareto):
1) A empresa duraria pouco se deixasse de produzir os 80% menos rentáveis;
2) A organização não sobreviveria apenas com os 20% mais produtivos;
3) Para eu ganhar algum com os 20% do capital de risco, alguém tem que perder o seu.

It’s a beautiful World!


Tattoos

Esta noite fui ao teatro. A peça era divertida com umas actrizes engraçaditas da nossa praça, entretidas a mostrarem as barriguitas, eis senão quando descortino uma piquena tatuagem pregada a escassos 5 cm. do umbigo da giraça de serviço.
Não consigo entender porque cada vez mais gente adere à tattoo – em particular as miúdas. Faz-me confusão como alguém decide “imprimir” na própria pele um qualquer símbolo, quiçá carregado de significado momentâneo e no entanto consciente de que se trata de uma marca para todo o sempre. Dizem que é uma forma de expressão. Parece-me primitiva e recorda-me sempre um filme qualquer em que a protagonista gravava, à custa de pigmento, “John” numa nádega, para afirmar a sua convicção de amor eterno e por causa disso não conseguia assentar com nenhum dos amores seguintes até ter a sorte de conseguir adaptar a coisa para “Johnatan”.


Wednesday, April 6, 2005

Clientes e Fregueses…

Na antiga Roma um Cliente era alguém que dependia da protecção de um Patrício. Tratava-se, muitas vezes, de um escravo livre que não possuindo o estatuto de cidadão, recorria à boa vontade do patrono para ascender socialmente ou simplesmente sobreviver, pagando um tributo quer em espécie quer através da prestação de serviços – um arranjinho em muito parecido ao do mundo da Máfia. Vá-se lá saber porque razão, ao longo dos tempos a palavra assumiu lentamente novo significado e com a maturidade do Capitalismo o Cliente tornou-se rei. No belo mundo da consultoria, durante os primeiros 100 anos, também existiram “Clients” que, subitamente, por volta dos idos de 90, se transformaram em “Customers”. A diferença? Basicamente, as duas palavras são sinónimas mas em termos práticos o Cliente-rei, que aceitava tudo o que lhe enfiavam pela tripa, ganhou inteligência e passou a querer produtos e serviços à medida. Libertou-se, desta forma, da protecção benévola e desatou a exigir o impossível. Como nestes tempos sagrados o impossível é palavra proibida, o bom do consultor adaptou-se, para sobreviver, e aprendeu a fazer das tripas coração uma rotina. Pelo caminho perdeu-se, está-se mesmo a ver, a inocência e consequentemente a qualidade. Nós por cá temos ainda um sinónimo mais perigoso que é o Freguês (por esta pago direitos de autor ao PJ). Ora o freguês está, para mim, definitivamente associado aquela imagem do velhote encostado ao balcão da taberna a debitar conversa sem nexo, enquanto pede mais um copo de tinto ou uma nova sandes de couratos, para no final pagar a fiado. Pois o freguês abunda por estas paragens e lentamente faz-nos retroceder ao estado característico do Portugal do século XIX. Existirá maneira de nos vermos livres deles?

Monday, April 4, 2005

parabéns princesa

Muitos parabéns Silvia!

Sunday, April 3, 2005

Sleep well my “friend”

I’m quite sure this is the theme of the day in the blogsphere. Anyway, my “friend” Karol is dead – as a 7 or 8 year old kid, I was kissed in my forehead by the Man in white. Since there are a couple of scientists – the most trustworthy class on Earth – who say that J.C. died on the 3rd of April of 33 A.D. – date determined because the moon went red on that long gone day (a moon eclipse tends to filter all light outside the red spectrum) – I was fearing that the ever-adapting Vatican could be trying to postpone the announcement for some hours! Anyway, religion scares me and I’ll get back to this subject some day – right now I’m to sleepy to get on with it.

Sleep well my “friend”.

Friday, April 1, 2005

bring back the bicycles!

Beijing traffic jams get worse by the day as ever more people own cars. So impatient and unskilled are most drivers that a typical visitor will witness several collisions a day...

just browsing... beautiful photos

Tabacaria

Wednesday, March 30, 2005

Back to atoms - LEg GOdt

“Deus não joga aos dados mas não recusou algures na sua infinita infância inventar mundos de Lego”

Mede 9,6 por 32 por 16 mm, o que resulta em qualquer coisa como 4,9152 cm3. Foi-lhe atribuída a patente 92683 nos idos de 1958. É de plástico, de que outra matéria poderia ser uma das peças que sustentam este século XX? Sabemos, de fonte segura, que Deus não joga aos dados. Não recusou, contudo, algures na sua infinita infância inventar mundos de Lego – que tem origem no dinamarquês LEg GOdt, brincar bem, mas que em latim significa “eu junto”, um símbolo desde logo.
No princípio era a madeira, pequenas peças que o carpinteiro Ole Kirk Kristiansen, na pequena cidade dinamarquesa de Billbund, construía desde 1932 a pensar nos mais pequenos. Veio a guerra e com ela o revolucionário plástico. Os anos cinquenta viram nascer uma série de elementos interligáveis que reduziam à escala de uma mão veículos, árvores e figuras. Os outros sistemas queriam mudar o mundo ou apenas conservá-lo, o “sistema Lego” reproduzia-o. Mas faltava ainda uma ideia, os pinos que permitiriam a maravilha: o encaixe. Por coincidência, a década da contestação seria a mesma da imaginação. Só então o Criador pôde descansar. Os mundos estavam entregues aos miúdos.
As linhas da peça possuem a beleza e estabilidade de uma coluna clássica, mas feita de ABE (acrilonitrilo butadieno estireno), um novo produto que é mais estável e possui melhores cores. E a possibilidade de as colar umas às outras tem a natural genialidade de uma célula. Simples como um pedaço de madeira, estimulante como uma escultura, ágil como um braço mecânico, a peça de Lego de oito pinos é uma espécie de ADN da imaginação. Permite tudo: ser arquitecto das alturas ou demiurgo pisador, traficante de armas fabulosas ou escultor desmedido, inventor de catástrofes ou mecânico de automóveis, piloto de naves espaciais ou criador de monstros genéticos. São 102981500 as combinações possíveis com seis peças de oito pinos da mesma cor… Com três peças passam a 1060 hipóteses e, com duas, serão apenas 24 as possibilidades. Parece pouco.
As palavras dos especialistas dirão do bem que faz aprender a pegar nas peças, descobrir como as juntar, combinar as cores, saborear tudo, destruir e reorganizar, enfim, gastar horas eternas a brincar. Neste momento, duas gerações depois do fundador, a Lego é um gigante da economia mundial enquanto fabricante de brinquedos, gerindo parques de atracções e linhas de roupa, mas isso são detalhes. Apesar dos inúmeros prémios que o carácter pedagógico arrecadou, está por avaliar a mudança no entendimento acerca das possibilidades das coisas deste mundo que o Lego motivou em sucessivas infâncias.
Algum do encanto se foi perdendo à medida que se complicava o simples, por exemplo com a roda (1961), o comboio (1966), Duplo (1967), as figuras (1973), Technic (1977), Legoland (1978), Light & Sound (1986). Era inevitável, mas manda a esperança que se olhe com atenção para Mindstorms, que soma as possibilidades do computador às infinitas possibilidades do design. A peça que suportou grandes mundos pode agora, por via da robótica, mover-se, agir e até decidir por sua conta e assim construir uma ponte entre milénios. Precisará para isso da imaginação. A mesma que “já fazia” mover, agir e até decidir por sua conta a pequena peça de plástico.
- Autor desconhecido

Sai um plágio. Monumental peça de escrita publicada no bom do Indy, quando este ainda era o meu jornal de referência – como então me dei ao trabalho de o copiar, parece-me apropriado eternizá-lo no etéreo da blogosfera.

Tuesday, March 29, 2005

Parlem una mica da català?

"Bilinguisme es feixisme"
- Graffiti on a wall, Barcelona 2001

A tribute to all my friends in Catalonia. After spending a whole day listening to the rude language of Cervantes, I must admit that “bilinguisme” must have been a pane in the ass to grow up with – no offense fellow Castilians!


1st things first:

Parabéns Rodrigo!

Monday, March 28, 2005

Olhó belo do atum no mercado de Guangzhou!


Ramirez prepara entrada na China e adopta lata «mais patriótica»

Os EUA e Canadá são as mais recentes apostas na exportação das conservas Ramirez, depois de concluídos os morosos processos junto das autoridades alimentares. A empresa adaptou sabores e já vende para o Japão, e este ano quer encontrar um distribuidor quecoloque os seus produtos nos lares dos 1,3 mil milhões de chineses, noticia o Expresso na edição desta sexta-feira.

Além dos objectivos da exportação, o artigo refere que a empresa conserveira vai passar a exibir as cores da bandeira nacional nas suas latas de conservas, para vincar a origem portuguesa. O logótipo, em tons de vermelho, surgirá num novo fundo verde, «num sinal de orgulho patriótico, sublinhado pela assinatura taste pt», refere o Expresso. O novo visual chegará este mês ao mercado, com o novo lançamento do mais recente produto da Ramirez, os filetes de sardinha, que eleva para 55 o número de referências. A mudança estender-se-á depois a todas as suas conservas, desaparecendo o fundo azul de mar ou amarelo.

Com unidades em Leça da Palmeira e Peniche, a conserveira vende por ano 40 milhões de latas, distribuídas pelas suas 14 marcas, algumas das quais criadas para mercados específicos como o árabe ou do Benelux. A facturação é de 20 milhões de euros.

Ainda, segundo a mesma fonte, a marca Ramirez tem uma facturação de 20 milhões de euros, representa metade do volume de vendas e exporta 45% da produção.
- In diáriodigital



Pois, tá-se mesmo a ver o bom do chinês a vaguear pelo mercadinho de Guangzhou, repleto de iguarias – exóticas para o bárbaro do ocidental: gafanhoto, louva-a-deus, libelinha gigante, cogumelo seco-ao-sol, gatinho riscado ou tartaruguinha de olho vermelho – a coçar o cocuruto perante a latinha vermelha e verde “taste pt” e a pensar para os seus botões “humm... Ramirez tuna fish, hadn’t seen this since the old sailor offered me that wonderful tin of Tenório, in the old sixties – got to buy it!”

Sunday, March 27, 2005

Blog this…blog that…



fact:
In 1984 a report by ..., a consultancy, claimed there would be fewer than 1 million wireless phone users by 2000. In fact, there were 740 millions.

Quanto a Blogs, as of March 2005, parece que existem mais de 7,8 milhões e que são criados entre 30 a 40 mil por dia – wow, impressive! Continhas à consultor: admitindo 6.000 milhões de alminhas na Terra, alfabetismo total, proliferação de acesso à internet, população constante (pois, pois!) e considerando que metade dos bloguistas teriam dois blogs... faltam exactamente 939 anos para que todos tenhamos um Blog – D'oh, not that impressive! Better start now...

sic



A physicist is the atoms’ way of thinking about atoms.
- Anonymous