Monday, June 27, 2005

Do It Yourself

Choose Life. Choose a job. Choose a career. Choose a family. Choose a fucking big television, choose washing machines, cars, compact disc players and electrical tin openers. Choose good health, low cholesterol, and dental insurance. Choose fixed interest mortgage repayments. Choose a starter home. Choose your friends. Choose leisurewear and matching luggage. Choose DIY and wondering who the fuck you are on a Sunday morning. Choose sitting on that couch watching mind-numbing, spirit-crushing game shows, stuffing fucking junk food into your mouth. Choose rotting away at the end of it all, pishing your last in a miserable home, nothing more than an embarrassment to the selfish, fucked up brats you spawned to replace yourself. Choose your future. Choose life...

Sunday, June 26, 2005

imperdível

para a gargalhada total: vitriolica webb's ite archive

vá para fora cá dentro

Sim, eu confesso. Tenho trabalho acumulado suficiente para me afundar até às orelhas. Uma “ToDo list” interminável que em cada semana parece crescer uns 400%. Documentação para analisar e apresentações para preparar. Três ou quatro pessoas à espera que lhes dê um OK para prosseguirem o que começaram a fazer. E no entanto, este fim-de-semana vinguei-me. Dos últimos 11 dias de labuta incansável, entenda-se. Desforrei-me e passei todas as horinhas de papo-pró-ar. Num doce faz nada, fiel à encantadora expressão “dolce fare niente”. A beber caipirinhas numa praia, longínqua da metrópole. A comer amêijoas à Dom Bulhão Pato. A regar uma feijoada de marisco com um tinto novo. A conduzir Alentejo fora com converseta e boa música em pano de fundo ou simplesmente com os amiguitos a dormitarem presos pelo cinto-de-segurança. Fui ao Bairro e ao cinema também. Explorei as funcionalidades do telemóvel novo (sim, desta vez saiu-me um nokia – estou contrariado mas rendido à razão das maiorias). Naveguei pelos blogs vizinhos e devorei o da neurótica. Esparramei-me no sofá a ver o Desperate Housewives. Deleitei-me com joaquinzinhos de dimensões proibitivas segundo as normativas comunitárias – encarnando o infanticida-piscícola. Apanhei algum sol. Não cumpri os limites de velocidade na estrada e até li qualquer coisita do “Espesso”. Em suma, aproveitei algumas das coisinhas boas, únicas e fúteis deste Portugalzinho com o IVA ainda nos 19%.

Tuesday, June 21, 2005

seize the moment

Estou no restaurante onde se come o melhor peixinho grelhado de Portugal. Debruçado sobre o Tejo, ao final de um dia solarengo. A brisa entra pelas janelas semi-abertas. Do lado de fora, na esplanada, está um casal com os seus dois filhotes. Dividem um jarro de sangria branca e uma travessa de amêijoas. Parecem entretidos a responder às interrogações inquisitórias dos catraios bem comportados. Ela é extremamente bonita e tem aquele ar afectuoso que se deseja para a mãe dos nossos filhos. Estou em modo “real-time” e gosto da sensação. Oblívio à converseta na minha mesa, vivo o momento. Desfruto o presente em compassos pequeníssimos de tempo. Gostava que a obsessão pelo presente fosse mais prosaica.

Thursday, June 16, 2005

do contra

Aviso já que hoje estou do contra e o blog serve de escapatória. Há cerca de um mês iniciaram umas “magníficas” obras cá na rua, à beirinha da minha janela. Parecia coisa simples. Basicamente, plantar uma ilha de calçada portuguesa no meio do alcatrão, instalar 4 ou 5 semáforos e respectivas passagens para peões. Como estas coisas obrigam a processos muito mais complexos do que passaria por qualquer cabecinha mentecapta, os notáveis trabalhadores da CML começaram por montar o belo do contentor chapa-de-zinco junto à obra – e eu pensei para os meus botões: por que raio montam uma casota para um “projecto” de uma semana!? Está bem de ver que deve servir de apoio às belas patuscadas de sardinhas assadas pela hora do almoço. Passados uns dias, apareceu uma cratera de dimensões consideráveis no meio da rua – obviamente, mal sinalizada como que a querer dizer ao motorista incauto: enfie aqui o seu carrito, se fizer favor. Mais uma semanita e já lá estava a bela da ilha toda calcetadinha – claramente desalinhada da que já lá existia uns metros mais à frente. Mais um dia ou dois e tinham espetado os postes dos futuros semáforos na dita ilha – ficando as pedrinhas espalhadas por todo o lado. Algum tempo depois, os postes ganharam o colorido daquelas caixinhas de “peão-aperta-aqui-o-botão-a-ver-se-o-sinal-fica-verde-ou-se-apanhas-choque”. Ao fim deste tempo todo, os postes já têm fios a sair pela parte de cima mas os semáforos propriamente nem vê-los. E assim continuamos à espera de ver a coisa concluída.


Bem sei que a vida anda dura. Que estamos em crise. Que as últimas semanas pareceram o pino do verão e a perspectiva da subida dos impostos dá cabo da motivação do trabalhador. Mas se qualquer um dos candidatos a presidente da Câmara prometer o outsourcing total das “grandes empreitadas municipais” (vulgo: tapar buracos, pintar marcações nas ruas ou garantir que a iluminação pública funciona) leva o meu voto. E se complementar com a promessa de uma esplanada em cada esquina e o fim de novos viadutos e túneis, até faço campanha.

Monday, June 13, 2005

Another Day on Earth

Isto é muito estranho: hoje é 13 de Junho e estou para aqui a ouvir o último disco do Brian Eno que, supostamente, só vai ser lançado… amanhã! Chama-se “Another Day on Earth” e, como seria de esperar, é mais uma obra-prima (atenção, esta opinião pode ser muito pouco consensual) – a começar pela metáfora da capa:


Brian Eno é a eminência parda da história da música nos últimos 40 anos. É assim como que uma espécie de arquitecto das sonoridades mais influentes do final do séc. XX. Começou por fazer parte dos Roxy Music antes destes se tornarem “foleiros”, emparelhou várias vezes com John Cale, participou no magnânimo “The Lamb Lies Down on Broadway” dos Genesis, ainda com Peter Gabriel, compôs os acordes para o peculiar “Ruth is stranger than Richard” do Robert Wyatt (1975), para além de ter trabalhado com Michael Nyman, David Bowie (muito), com os Camel, Talking Heads & David Byrne, ter ajudado os miúdos dos U2 a ser quem são e produzido com os James (a lista é quase interminável: INXS, Depeche Mode, Laurie Anderson, Suede, etc.). Para perceberem bem a omnipresença do “rapaz”, a música do start-up no Windows’95 é dele, influenciou a banda sonora do Trainspotting, do macabro Lost Highway e tudo o que os travestis Passengers ajudaram a projectar na tela. Trata-se portanto de um monstro – toda a gente já pensou: “eh pá, esta música é mesmo gira!” sem saber quem estava por detrás da coisa – mas não aprecia tributos.

Sunday, June 12, 2005

spokeneasy

Noite agradável. Jantar no La Trattoria com os amiguitos – não recomendo, a relação preço / qualidade deixa a desejar, embora o Chianti fosse de qualidade (e me fizesse recordar a passagem pelos campos amarelos da Toscânia / Toscana e uma noite bem dormida numa qualquer pousada de juventude entre Florença e Siena, em que a hospitalária de serviço nos tentou impingir umas garrafitas do belo néctar com o seu inglese macarrónico) – e música ao vivo num Speakeasy repleto de “cotas” encostados ao balcão em tentativa de engate casual. Para o final da noite, encontro um velho grande amigo de infância que não via há séculos e fico com este gostinho especial de quem já viveu uma vida inteira e tem lembranças de há meia vida atrás.

Friday, June 10, 2005

sinergia

O descaramento desta gente incomoda-me. Fui ver o filmezinho “soft” (andava a precisar de “menor profundidade”) da musa Scarlett Johansson com o Dennis Quaid a fazer de papá e a temática dos efeitos M&A em pano de fundo. É um bom filme, dentro do género. Um bocadinho previsível, como convém, e com situações hilariantes em número suficiente para descontrair. O “probleminha” é que a legendagem em português tratou de plantar a palavrinha “cinergia” umas oito ou dez vezes na tela. E eu pergunto: mas será que ninguém controla estas coisas? Não será isto motivo suficiente para o despedimento com justa causa da tradutor(a) analfabruto(a). Como faço para reclamar a indemnização por me tentarem estupidificar?

Oh Camões, perdoa-nos por gozarmos o belo do feriado e lentamente assassinarmos a bela língua que ajudaste a consagrar.

Wednesday, June 8, 2005

oficialmente verão

34 graus Celsius e os pinhais a arder no início de Junho. É oficialmente verão e o país começa a derreter qual pedaço de chocolate ao sol. Não me recordo de como era a vida sem o ar condicionado. Tenho vagas memórias da indecisão entre conduzir auto-estrada fora com as janelas totalmente abertas ou fechadas, quando o popó não oferecia luxos. Faz muito calor. Demasiado. E o último do Douglas Coupland deixa-me depré.

Outros “ilustres” nascidos neste dia (escolhidos a dedo da Wiki):

1625 - Giovanni Domenico Cassini, scientist
1724 - John Smeaton, civil engineer
1810 - Robert Schumann, composer
1867 - Frank Lloyd Wright, architect
1903 - Marguerite Yourcenar, author
1916 - Francis Crick, scientist, Nobel laureate, helped discover the molecular structure of DNA
1955 - Tim Berners-Lee, inventor of the World Wide Web
1957 - Scott Adams, cartoonist ("Dilbert")
1966 - Julianna Margulies, actress (ER)

Wednesday, June 1, 2005

spinning around

Vá-se lá entender certas coisas. Os franceses dizem “non” e fica tudo na mesma. Nem as bolsas caem nem o povo rejubila. E eu bem precisava de fazer uns investimentos.
É fácil amar-se esta manta de retalhos e não se desejar grandes progressos federalistas. Gosto desta visão periférica de suburbano a quem basta uma viagenzita de 2 horas para um banho de civilização. Para uma imersão desprendida no cadinho das culturas que fizeram o mundo. Gosto da diversidade enraizada nestes povos e das probabilidades de ser surpreendido quando os caracteres inovadores parecem ter migrado para outros continentes. Gosto também da sensação peculiar de aterrar em Lisboa e parecer que se acabou de entrar numa “película” sul-americana. Da binária excitação afrodisíaca da ida para paragens mais amenas e do regresso ao calor semi-tropical. Gosto do fatalismo irónico dos portugueses, do bairrismo expansionista dos espanhóis, do intelectualismo pretensioso dos franceses, do caos funcional dos italianos, da organização liderada dos alemães, da libertinagem controlada dos holandeses, do tradicionalismo cosmopolita dos britânicos e da tristeza poética dos irlandeses. Estamos bem assim. Semi-abertos ao mundo mas preservando identidades e costumes, sem edulcorantes e com conservantes q.b.. Às voltinhas no carrossel Terra. A orbitar ordeiramente o pai Sol. Perdidos na espiral da Via Láctea.

Tuesday, May 31, 2005

da consultoria

A shepherd was herding his flock in a remote pasture when suddenly a brand-new BMW advanced out of the dust cloud towards him. The driver, a young man in a Broni suit, Gucci shoes, Ray Ban sunglasses and YSL tie, leaned out the window and asked the shepherd,..........
-"If I tell you exactly how many sheep you have in your flock, will you give me one?"
The shepherd looked at the man, obviously a yuppie, then looked at his peacefully-grazing flock and calmly answered, "Sure."
The yuppie parked his car, whipped out his IBM Thinkpad and connected it to a cell phone, then he surfed to a NASA page on the internet where he called up a GPS satellite navigation system, scanned the area, and then opened up a database and an Excel spreadsheet with complex formulas. He sent an email on his Blackberry and, after a few minutes, received a response. Finally, he prints out a 130 page report on his miniaturized printer then turns to the shepherd and says,.........
-"You have exactly 1586 sheep".
-"That is correct; take one of the sheep" said the shepherd.
He watches the young man select one of the animals and bundle it into his car.
Then the shepherd says: "If I can tell you exactly what your business is, will you give me back my animal?"
-"OK, why not" answered the young man.
-"Clearly, you are a consultant" said the shepherd.
-"That's correct" says the yuppie, "but how did you guess that?"
-"No guessing required" answers the shepherd. "You turned up here although nobody called you. You want to get paid for an answer I already knew, to a question I never asked, and you don't know crap about my business.... Now give me back my dog".


Yep. New project. Full-day. CTM meeting. Kick-Off meeting. A load of brand-new 3-letter acronyms and I'm feeling... hollow.


Monday, May 30, 2005

Monday, May 23, 2005

efeito charro

Felizmente há também aqueles momentos em que a caixinha mágica nos deixa concentrar todos os neurónios nas excentricidades alheias – Sete Palmos de Terra.

nem só de pão vive o homem…

Reportagem na TVI (faço sempre um esforço para perder estes momentos magníficos mas desta vez a televisão estava sintonizada no canal 4): benfiquista, dono de café, aumenta o preço das refeições após promessa de 8 anos. Pois então, não é verdade que existe neste país um energúmeno que desde 1997 cobrava 5 euros por refeição, à custa dos campeonatos não ganhos pelo Benfica! Aparentemente, “bóia” completa incluindo o bagacito terminal – e viva o preciosismo jornalístico. Está claro que o editorial da mais generalista (o que quer dizer esta palavra?) das tevês cá da terrinha não ia perder a oportunidade de continuar a estupidificar as massas com mais este petisco. Aposto que em poucos minutos houve pelo menos dois ou três lagartos, donos de tascas, a fazerem os seus votos de repasto ou bicazita a preço constante até à próxima vitória do Sporting.

Explicação simplista do que foi a Idade Média: período negro da História entre o final dos jogos de Circo e a descoberta do Futebol. (durante o Renascimento, havia o Palio)

sound-bytes

1990 foi o ano em que, juntando os tostões amealhados dos presentes monetários de tios e avós, comprei a minha primeira aparelhagem com leitor de CD. Era uma Sony baixa-gama de três blocos que me custou exactamente 100.000 escudos numa loja das Amoreiras e tinha uns magníficos 45 watts de potência. (pura curiosidade, acabei de encontrar o modelo à venda no eBay com base de licitação de 2,5 euros!).
Veio substituir o gira-discos que me ocupava metade de um bloco de armário, em que a garantia de som quasi contínuo era assegurada por um objecto único, em forma de caneta, cujo mecanismo incompreensível permitia ouvir sequencialmente três discos vinyl, ou melhor, as três faces que ficavam para cima quando se montava “a pizza”. Pois a bela da Sony foi devidamente amortizada ao longo de 9 anos – sujeitando-se a pelo menos dois arranjos que devem ter custado tanto quanto o preço original – passando à reforma com a aquisição da compacta Denon de 100 watts – evidentemente, com três imprescindíveis gavetas de CD capazes de assegurar o som do menino horas a fio, i.e., em rotação contínua até fartar.
Ora se ao longo desses anos foi necessário alimentar os apetites vorazes destas máquinas, com visitas frequentes à Valentim de Carvalho (ainda existe?) e à Fnac, a partir do momento em que a boa da Denon se deixou ligar ao PC cá da casa, deu-se a transição radical para o .mp3. A colecção formato Compact Disc acumula pó ou faz viagens ocasionais de popó e a ligação ADSL assegura o download de sound-bytes suficientes para uma vida eterna.
E hoje, encontrei uma preciosidade memorável: o concerto dos Trovante no Pavilhão Atlântico em 1999, cheio das eco-anomalias (aqueles sons estridentes do microfone demasiado próximo do altifalante) e da intensidade da causa timorense de que me recordo, e senti a mesma estranheza da altura quando o Represas e meia dúzia de alentejanos começam com o militante “Chão nosso libertado / revoltado / agitado…”.

Tuesday, May 17, 2005

ópio do povo

Dou um giro pela blogosfera e concluo que, como não poderia deixar de ser, na bela nação à beira mar plantada o tema do momento é o derby do fim-de-semana. Como não pretendo falar de bola no Ripples, limito-me a dizer: eu estive lá! Lá, na “catedral” que até aos 83’ mais parecia um sepulcro e que depois aguentou em pé até ao apito final. Se o merecíamos? Em boa verdade, não. Mas depois de aturarmos a “lagartagem” semanas a fio, soube-me bem esta segunda-feira em que sem xingar os verde-brancos lhes pude mostrar o meu sorrisinho pepsodent-cínico-nº-1-0. Embora não vislumbre o paralelismo, rendo-me ao erudito “tio Marcelo” com o seu: Audaces Fortuna Juvat. E zuca… já está!

Friday, May 13, 2005

deus do céu!

Ora aí está um candidato a pior filme do ano: Kingdom of Heaven ou "Reino dos Céus". Valeu a companhia, boa e cheirosinha.

Wednesday, May 11, 2005

Babel

Gosto da alegoria bíblica da Torre de Babel. Basicamente, a humanidade do tempo em que a Terra ainda era hipoteticamente plana decidiu unir-se em torno de uma grande causa e construir uma magnífica torre para chegar ao Céu.

The view from here's breathtaking
My visions all surrounding
The humans look like insects
There is only one way down
But it's cold and lonely in this stratosphere

Deus, chateado com a presunção do Homem, decidiu confundir a linguagem e pôs os construtores a falarem diversos idiomas. Os homens deixaram de se fazer entender e a torre ruiu.

And it's whispered that soon, if we all call the tune
Then the piper will lead us to reason
And a new day will dawn for those who stand long
And it makes me wonder...

Tuesday, May 10, 2005

já fui brilhante

Esta manhã dei por mim, a caminho do escritório, a constatar que “já fui brilhante”. Mas já não sou. Já não sou mais. Tive a porra de uma entrevista telefónica com o director de qualquer coisa semelhante ao “Internal consultancy department” de uma das maiores multinacionais do planeta, uma mesmo do top30 do ranking Business Week 2004, para uma posição daquelas que devem dar mesmo pica – reporting directo a nível do VP, interacções por essa Europa fora e nos States, package até 55kGBP, etc. Pois, como está bem de ver durante os 30 minutos de tempo de antena, parecia um borrego afectado por encefalopatia espongiforme. Enrolei o meu inglês todo, disse duas ou três banalidades e cheguei ao final a desejar que o suplício terminasse rapidamente. Já no outro dia, quando decidi rever os brilhantes reports que produzia há uns anos atrás, tinha tido esta estranha sensação. Hoje em dia, praticamente não sou capaz de produzir nada de verdadeiramente útil sem me inspirar em coisas que fiz (ou outrem fez) no passado e recorrer ao “copy-paste”. Sou um zero à esquerda. Acabou-se. E se me vou safando em estilo é porque ainda sou um “favorito da fortuna”, i.e., a sorte protege-me. Mas porquê? Na escolinha primária era tão bom que me dava ao luxo de ser “distraído” – pelo menos é o adjectivo que me ficou das cadernetas escolares e até servi de case-study a uma grupeta de psicólogos estagiários. Até ao 9º ano, era, em parceria com outro Ricardo, o 2º melhor da turminha – quase tudo cincos e despreocupado porque achava a “número um” um encanto. Do 10º ao 12º mantive-me nos 20% do topo – os outros eram mais ou menos nerds (sorry folks!) excepto a minha namoradinha. Entrei para a universidade sem muito estudar e ainda assim com 15 pontinhos de margem – é certo que contando com 6 da bonificação. Por lá me arrastei em desespero – quem maus hábitos cria… E depois, viva o mercado de trabalho: desde que se goste disto, é sempre a subir e viva os aumentos chorudos. Mas a verdade é que o brilhantismo se perde por volta dos 27 – como demonstrado no Pravda do capitalismo moderno:

Bom, no caminho para casa tive um assomo do brilhantismo perdido e decidi escrever ao senhor entrevistador – que ainda para mais era excepcionalmente simpático – a destacar as excelentes capacidades – que já não possuo – e que o devem convencer a contratar-me. Pois, como diria o outro: “Alea jacta est”.

Sunday, May 8, 2005

céu de baunilha

Chego a casa e dou por mim a ver a última parte do “Vanilla Sky” na TV. Há uns anos atrás vi o original “Abre los ojos” após recomendação de um amigo espanhol cinéfilo. Pareceu-me básico mas ainda assim encantador. Em síntese, gostei. O adultério da versão “américa” põe-me a pensar se este espaço-tempo de vida vivida numa sociedade condenada à visão hollywoodesca das coisas resultará em algo de positivo?

Buscando resposta, embora contrariado, recorro a “postar” uma das mais belas musiquinhas dos James (estes pelo menos são bifes) – Alaskan Pipeline:

You might as well surrender now
You'll never hold that stance
With all my words
I can't find one
To help you understand
It's not too late
Take up the cup
Put down your weapons and choose
But you say," life's so unfair"
All you say is "life's so unfair."
Oh you can ill afford to hold to these views
Oh you need something to blame
But it's you, yes it's you
It's your truth

Someone made you
I don't know if you're sick
I comfort. You runaway
My sympathy. You twist it.
You're reflex. Gets in the way.
You Mother me. I son you.
You act up. I can't get through.
These footsteps so ancient.
In your eyes I'm your infant.
Your ancient. Full circle.
In my eyes You're my infant.
Dead ball in our court
We've got a dead fall in our court

You just say, "life's so unfair."
You just say, "life's so unfair."
You need something to blame
But it's you, yes it's you
It's your truth