Sunday, July 17, 2005

anicha aqui

Ainda não percebi bem porquê mas dei por mim a tirar um livrinho bem antigo da prateleira poeirenta para o voltar a ler. “A Causa das Coisas”, by MEC. Li-o, pela primeira vez num verão distante de 1988, numas férias passadas entre o esturricar ao sol no monte de areia, diante da Anicha, o mergulho refrescante no final de cada crónica e a impaciência pela saída noctívaga até ao Seagull. Um verão descontraído de passeios de bicicleta com uma namoradinha estival de nome Benedita e peras verdes apanhadas directamente das árvores. Mas o engraçado é que as croniquetas do Miguel Esteves Cardoso, escritas em meados da década de 80 e retratando as peculiaridades do povo português permanecem impecavelmente válidas. Substituídos os escudos por euros e a CEE pela União Europeia, os estereótipos e figurões actuais estão lá todos, como se as “Coisas” tivessem permanecido estáticas ao longo destes vinte anos e as “Causas” fizessem parte do código genético desta Nação. E eu digo: podemos ter todos os defeitos do mundo mas temos também as virtudes de uma personalidade forte – sejam elas quais forem. Valha-nos isto!



Tuesday, July 12, 2005

human imperfection

It was one of those days. Woke up wandering why on earth did my dear soul end up trapped inside this imperfect body capsule. Hadn’t slept 10 minutes in a row during the night and spent the whole day wishing I was like “Marsellrebelldesosa”, who seems to be able to sleep only 4 hours a night. At 9h30 as I was finally reaching my REM stage, the damn phone rang: a hysterical secretary trying to get me on time to a recruiting session – it wasn’t my turn, obviously. Got dressed and went to “the bunker”. Nobody around and I was just going to nap over the laptop when a colleague arrived and switched the lights on – “Good morning!” Yeah, and I hate you bastard. The phone strikes again and I have to deal with half an hour of consulting bullshit on a low-coverage area, while feeling the brain getting fried next to my ear. Tried to work a bit and here comes the phone again: quality auditing to my project. Not during the next two weeks, pleeease… Keeping my eyelids in a horizontal position and guess what, the fucking phone rings again. Bad news, this time: a friend’s father just died last night, while sleeping. A father who had that kind of unique relationship with his daughter, so it seemed. Not that old, I believe. A “special parent” so it used to be commented. And I get to that inner line of thought on “how to deal with dead” and “why do we have to sleep”. Human imperfection, that’s it.


copyright: vitriolica

Friday, July 8, 2005

warum?

Impressionante! Graças ao “poder dos fotologs” soube rapidamente que toda a gente que conheço em Londres estava bem e fiquei descansado. Mas no “bunker” em que me encontro a trabalhar, havia um “bife” de um outro projecto absolutamente desesperado a tentar telefonar para a família para saber como estavam. Felizmente, bem. O mesmo homem que ainda ontem pulava de contente por causa dos jogos olímpicos, passou a manhã inteira agarrado ao telemóvel para conseguir saber notícias. E estas coisas deixam-nos a pensar. Se Alá é grande, se somos todos filhos de um Deus menor ou se o fortuito manda.

Copyright: abox

Sunday, July 3, 2005

Manager

Pois é, para acabar com o mau humor dos últimos tempos, saiu-me no sapatinho a promoção desejada. E agora que a poeira já assentou sobre a novidade, fica a listinha de intenções para o novo desafio. Seis, está bem de ver, porque é este o número que faz toda a diferença – mas a ordem é perfeitamente irrelevante:

1) Chegar a partner em 3 anos (ou em 5, no limite) – sou totalmente a favor da ambição, esta é o sal da vida e o motor do progresso, mas sem confusões com ganância.
2) Ser um exemplo a seguir – creio que ao longo da vida, em particular da profissional, predomina o aprender pela negativa, isto é o evitar reproduzir o que os outros fazem mal. Como é evidente, isto implica uma dupla operação: discernir entre o malfeito e o bem-feito e estabelecer a forma correcta de fazer. É complexo e ineficiente. Quero, por isso, que quem trabalhe comigo aprenda pela positiva.
3) Incentivar o “pro bono” – poucas pessoas sabem mas as empresas de consultoria, para além de cobrarem rios de dinheiro, também desenvolvem actividades de filantropia. Tipo, dedicarem horas úteis a desenvolver projectos para Organizações e Instituições sem orçamento para nos contratarem. Quero fazer disto.
4) Tratar os “mentorados” nas palminhas – em boa verdade toda a gente precisa dum estímulo inicial e depois recorrente, de uma energia de activação para poder vencer, principalmente para quem saiu fresquinho da escola e não faz a menor ideia do que é executar. Mais do que pagar almocinhos quero mostrar caminhos.
5) Gerar resultados – esta é egocêntrica mas há lá coisa que dê mais pica do que fazer o negócio crescer, fazer prosperar e garantir futuros.
6) Não vender “gato por lebre” – isto é, não tentar vender o que o Cliente não precisa realmente ou gerar necessidades artificiais. Odeio publicidade enganosa e o marketing do supérfluo ou inútil.

Ui, até já estou assustado. Boa sorte para mim.

Friday, July 1, 2005

alcateias

Já contei esta estória(*) antes mas para o comum dos mortais, vulgo povão, que se levanta de manhã e apanha o metropolitano de Lisboa (a pior empresa pública do país – mas não me vou pôr a dissertar sobre isto) a sensação de déjà vu a cada ceguinho (em politicus correctus: invisual) que entra pela porta do fundo no preciso instante em que o anterior saiu pela porta da outra extremidade – normalmente auxiliado por uma qualquer alma pacóvio-caridosa – só pode suscitar um pensamento: alcateia. Alcateia, sem querer ofender os lobos mas na literal definição de “quadrilha de ladrões facinorosos”. E eu pergunto: os invisuais não pagam passe? Ou será um bom negócio!?

E já que estamos nesta onda pessimistico-desabafa-aqui. Existem na bela Lisboa uma série de personagens típicos. Ele é o homem do saco de plástico a acenar no Saldanha (por acaso no outro dia vi-o às compras no Corte Inglês, mas isso agora não interessa para nada). Ele é o velho rasta e andrajoso a fingir-se de bêbado no Bairro. Ele é o jovem aprumado a pedir dinheiro para o chuto nos sinais das Amoreiras. E há também os dezenas / centenas de Cais a tentarem impingir as revistinhas. Bom, no metro do Marquês (lá está, este semi-jovem consultor é utilizador frequente do comboio subterrâneo – quando este funciona ou não lhe engole o bilhetinho à 3ª viagem das 10 já pagas. Gatunos!) há um dos ditos Cais dos seus 30 e tal aninhos, traços meio sul-americanos e óculos, que deve ser, muito provavelmente, a pessoa que mais sorriu para mim. Está por ali, junto à passadeira rolante, parado e sorridente de revistinha na mão, enquanto o povão passa e ele sorri, sorri, sorri… Fazendo umas continhas rápidas: desde os meus tempos de universidade e admitindo que andei uns 100 dias / ano de metro dá uns 1.300 sorrisos. É obra! E eu pergunto: o que é que a Cais fez ou faz por este ser? Proporciona sorrisos gratuitos ao povão? Opa lá lá, atribua-se desde já um subsídio à Cais!
E pergunto mesmo mais: será que vou sentir a falta do sorriso idiota e enjoativo da criatura no dia em que esta desaparecer?
Ufa!

(*) e não se ponham com estórias sobre o “estória” versus “história” senão passo a escrever tudo em inglês!

Tuesday, June 28, 2005

preacher’s son

Era uma daquelas noites de verão intenso em que o suor faz a camisa colar-se ao peito. Marcelino cantava agarrado ao microfone no único café-karaoke do Entroncamento, como se todo o sucesso da sua vida dependesse do acerto vocal naquela noite. Sentia-se meio Che Guevara, com a barba por fazer, e simultaneamente o melhor vendedor de automóveis usados do mundo com a gravata, bordeaux, semi-desapertada a querer alcançar o cinto de camurça entrelaçada que lhe segurava as calças do fato de linho azul. E num inglês polido debitava:

Billy-ray was a preacher’s son
And when his daddy would visit he’d come along
When they gathered round and started talkin’
That’s when billy would take me walkin’
A-through the back yard we’d go walkin’
Then he’d look into my eyes
Lord knows to my surprise

The only one who could ever reach me
Was the son of a preacher man
The only boy who could ever teach me
Was the son of a preacher man
Yes he was, he was, mmm, yes he was

Being good isn’t always easy
No matter how hard I try
When he started sweet-talkin’ to me
He’d come and tell me everything is all right
He’d kiss and tell me everything is all right
Can I get away again tonight?

O personagem encantava Constança, encostada ao balcão do bar com uma garrafa de super-bock green na mão e o pezinho a bater ao ritmo da música. Ao seu lado, Ezequiel e Raquel trocavam carícias mão na mão e mão no antebraço.

The only one who could ever reach me
Was the son of a preacher man
The only boy who could ever teach me
Was the son of a preacher man
Yes he was, he was, lord knows he was

How well I remember
The look that was in his eyes
Stealin’ kisses from me on the sly
Takin’ time to make time
Tellin’ me that he’s all mine
Learnin’ from each other’s knowing
Lookin’ to see how much we’ve grown

Constança esperava mais da vida. Deixar o ribatejo e ir viver para Lisboa. Largar o estereótipo de filha da cabeleireira local e embrenhar-se na cidade. Conhecer os bares da moda e cruzar-se com os famosos das novelas.

And the only one who could ever reach me
Was the son of a preacher man
The only boy who could ever teach me
Was the son of a preacher man
Yes he was, he was, oh, yes he was
He was the sweet-talking son of a preacher man
I guessed he was the son of a preacher man
Sweet-lovin’ son of a preacher man
Ahh, move me

Desde o liceu que fantasiava conhecer um médico ou um estudante de medicina, que tivesse um descapotável e uma casa no Algarve. Daqueles que conhecem os porteiros das discotecas e que sabia existirem para os lados de Cascais. Alguém que a arrancasse definitivamente do estatuto da classe-média semi-rural e que lhe permitisse os luxos das idas ao ginásio e ao solário em cada fim de tarde. E no entanto, ali estava ela compenetrada a despegar o autocolante da garrafa que segurava na mão, com as unhas bem pintadas, e a deixar-se fascinar pela voz rouca de Marcelino. Nunca o tinha visto antes e achava que ele tinha uma certa pinta. E então ele topou-a. Cruzaram os olhares e ela não se fez tímida. Ofereceu-lhe a expressão que treinara vezes sem conta de frente para o espelho e sentiu-se segura. Marcelino sorriu para ela enquanto deixava o estrado, passando o microfone ao cantante seguinte. Dirigiu-se para ela num passo firme e também cauteloso. Chegou-se bem perto e disse-lhe ao ouvido: tu és linda de morrer! E ela apaixonou-se.

Monday, June 27, 2005

Do It Yourself

Choose Life. Choose a job. Choose a career. Choose a family. Choose a fucking big television, choose washing machines, cars, compact disc players and electrical tin openers. Choose good health, low cholesterol, and dental insurance. Choose fixed interest mortgage repayments. Choose a starter home. Choose your friends. Choose leisurewear and matching luggage. Choose DIY and wondering who the fuck you are on a Sunday morning. Choose sitting on that couch watching mind-numbing, spirit-crushing game shows, stuffing fucking junk food into your mouth. Choose rotting away at the end of it all, pishing your last in a miserable home, nothing more than an embarrassment to the selfish, fucked up brats you spawned to replace yourself. Choose your future. Choose life...

Sunday, June 26, 2005

imperdível

para a gargalhada total: vitriolica webb's ite archive

vá para fora cá dentro

Sim, eu confesso. Tenho trabalho acumulado suficiente para me afundar até às orelhas. Uma “ToDo list” interminável que em cada semana parece crescer uns 400%. Documentação para analisar e apresentações para preparar. Três ou quatro pessoas à espera que lhes dê um OK para prosseguirem o que começaram a fazer. E no entanto, este fim-de-semana vinguei-me. Dos últimos 11 dias de labuta incansável, entenda-se. Desforrei-me e passei todas as horinhas de papo-pró-ar. Num doce faz nada, fiel à encantadora expressão “dolce fare niente”. A beber caipirinhas numa praia, longínqua da metrópole. A comer amêijoas à Dom Bulhão Pato. A regar uma feijoada de marisco com um tinto novo. A conduzir Alentejo fora com converseta e boa música em pano de fundo ou simplesmente com os amiguitos a dormitarem presos pelo cinto-de-segurança. Fui ao Bairro e ao cinema também. Explorei as funcionalidades do telemóvel novo (sim, desta vez saiu-me um nokia – estou contrariado mas rendido à razão das maiorias). Naveguei pelos blogs vizinhos e devorei o da neurótica. Esparramei-me no sofá a ver o Desperate Housewives. Deleitei-me com joaquinzinhos de dimensões proibitivas segundo as normativas comunitárias – encarnando o infanticida-piscícola. Apanhei algum sol. Não cumpri os limites de velocidade na estrada e até li qualquer coisita do “Espesso”. Em suma, aproveitei algumas das coisinhas boas, únicas e fúteis deste Portugalzinho com o IVA ainda nos 19%.

Tuesday, June 21, 2005

seize the moment

Estou no restaurante onde se come o melhor peixinho grelhado de Portugal. Debruçado sobre o Tejo, ao final de um dia solarengo. A brisa entra pelas janelas semi-abertas. Do lado de fora, na esplanada, está um casal com os seus dois filhotes. Dividem um jarro de sangria branca e uma travessa de amêijoas. Parecem entretidos a responder às interrogações inquisitórias dos catraios bem comportados. Ela é extremamente bonita e tem aquele ar afectuoso que se deseja para a mãe dos nossos filhos. Estou em modo “real-time” e gosto da sensação. Oblívio à converseta na minha mesa, vivo o momento. Desfruto o presente em compassos pequeníssimos de tempo. Gostava que a obsessão pelo presente fosse mais prosaica.

Thursday, June 16, 2005

do contra

Aviso já que hoje estou do contra e o blog serve de escapatória. Há cerca de um mês iniciaram umas “magníficas” obras cá na rua, à beirinha da minha janela. Parecia coisa simples. Basicamente, plantar uma ilha de calçada portuguesa no meio do alcatrão, instalar 4 ou 5 semáforos e respectivas passagens para peões. Como estas coisas obrigam a processos muito mais complexos do que passaria por qualquer cabecinha mentecapta, os notáveis trabalhadores da CML começaram por montar o belo do contentor chapa-de-zinco junto à obra – e eu pensei para os meus botões: por que raio montam uma casota para um “projecto” de uma semana!? Está bem de ver que deve servir de apoio às belas patuscadas de sardinhas assadas pela hora do almoço. Passados uns dias, apareceu uma cratera de dimensões consideráveis no meio da rua – obviamente, mal sinalizada como que a querer dizer ao motorista incauto: enfie aqui o seu carrito, se fizer favor. Mais uma semanita e já lá estava a bela da ilha toda calcetadinha – claramente desalinhada da que já lá existia uns metros mais à frente. Mais um dia ou dois e tinham espetado os postes dos futuros semáforos na dita ilha – ficando as pedrinhas espalhadas por todo o lado. Algum tempo depois, os postes ganharam o colorido daquelas caixinhas de “peão-aperta-aqui-o-botão-a-ver-se-o-sinal-fica-verde-ou-se-apanhas-choque”. Ao fim deste tempo todo, os postes já têm fios a sair pela parte de cima mas os semáforos propriamente nem vê-los. E assim continuamos à espera de ver a coisa concluída.


Bem sei que a vida anda dura. Que estamos em crise. Que as últimas semanas pareceram o pino do verão e a perspectiva da subida dos impostos dá cabo da motivação do trabalhador. Mas se qualquer um dos candidatos a presidente da Câmara prometer o outsourcing total das “grandes empreitadas municipais” (vulgo: tapar buracos, pintar marcações nas ruas ou garantir que a iluminação pública funciona) leva o meu voto. E se complementar com a promessa de uma esplanada em cada esquina e o fim de novos viadutos e túneis, até faço campanha.

Monday, June 13, 2005

Another Day on Earth

Isto é muito estranho: hoje é 13 de Junho e estou para aqui a ouvir o último disco do Brian Eno que, supostamente, só vai ser lançado… amanhã! Chama-se “Another Day on Earth” e, como seria de esperar, é mais uma obra-prima (atenção, esta opinião pode ser muito pouco consensual) – a começar pela metáfora da capa:


Brian Eno é a eminência parda da história da música nos últimos 40 anos. É assim como que uma espécie de arquitecto das sonoridades mais influentes do final do séc. XX. Começou por fazer parte dos Roxy Music antes destes se tornarem “foleiros”, emparelhou várias vezes com John Cale, participou no magnânimo “The Lamb Lies Down on Broadway” dos Genesis, ainda com Peter Gabriel, compôs os acordes para o peculiar “Ruth is stranger than Richard” do Robert Wyatt (1975), para além de ter trabalhado com Michael Nyman, David Bowie (muito), com os Camel, Talking Heads & David Byrne, ter ajudado os miúdos dos U2 a ser quem são e produzido com os James (a lista é quase interminável: INXS, Depeche Mode, Laurie Anderson, Suede, etc.). Para perceberem bem a omnipresença do “rapaz”, a música do start-up no Windows’95 é dele, influenciou a banda sonora do Trainspotting, do macabro Lost Highway e tudo o que os travestis Passengers ajudaram a projectar na tela. Trata-se portanto de um monstro – toda a gente já pensou: “eh pá, esta música é mesmo gira!” sem saber quem estava por detrás da coisa – mas não aprecia tributos.

Sunday, June 12, 2005

spokeneasy

Noite agradável. Jantar no La Trattoria com os amiguitos – não recomendo, a relação preço / qualidade deixa a desejar, embora o Chianti fosse de qualidade (e me fizesse recordar a passagem pelos campos amarelos da Toscânia / Toscana e uma noite bem dormida numa qualquer pousada de juventude entre Florença e Siena, em que a hospitalária de serviço nos tentou impingir umas garrafitas do belo néctar com o seu inglese macarrónico) – e música ao vivo num Speakeasy repleto de “cotas” encostados ao balcão em tentativa de engate casual. Para o final da noite, encontro um velho grande amigo de infância que não via há séculos e fico com este gostinho especial de quem já viveu uma vida inteira e tem lembranças de há meia vida atrás.

Friday, June 10, 2005

sinergia

O descaramento desta gente incomoda-me. Fui ver o filmezinho “soft” (andava a precisar de “menor profundidade”) da musa Scarlett Johansson com o Dennis Quaid a fazer de papá e a temática dos efeitos M&A em pano de fundo. É um bom filme, dentro do género. Um bocadinho previsível, como convém, e com situações hilariantes em número suficiente para descontrair. O “probleminha” é que a legendagem em português tratou de plantar a palavrinha “cinergia” umas oito ou dez vezes na tela. E eu pergunto: mas será que ninguém controla estas coisas? Não será isto motivo suficiente para o despedimento com justa causa da tradutor(a) analfabruto(a). Como faço para reclamar a indemnização por me tentarem estupidificar?

Oh Camões, perdoa-nos por gozarmos o belo do feriado e lentamente assassinarmos a bela língua que ajudaste a consagrar.

Wednesday, June 8, 2005

oficialmente verão

34 graus Celsius e os pinhais a arder no início de Junho. É oficialmente verão e o país começa a derreter qual pedaço de chocolate ao sol. Não me recordo de como era a vida sem o ar condicionado. Tenho vagas memórias da indecisão entre conduzir auto-estrada fora com as janelas totalmente abertas ou fechadas, quando o popó não oferecia luxos. Faz muito calor. Demasiado. E o último do Douglas Coupland deixa-me depré.

Outros “ilustres” nascidos neste dia (escolhidos a dedo da Wiki):

1625 - Giovanni Domenico Cassini, scientist
1724 - John Smeaton, civil engineer
1810 - Robert Schumann, composer
1867 - Frank Lloyd Wright, architect
1903 - Marguerite Yourcenar, author
1916 - Francis Crick, scientist, Nobel laureate, helped discover the molecular structure of DNA
1955 - Tim Berners-Lee, inventor of the World Wide Web
1957 - Scott Adams, cartoonist ("Dilbert")
1966 - Julianna Margulies, actress (ER)

Wednesday, June 1, 2005

spinning around

Vá-se lá entender certas coisas. Os franceses dizem “non” e fica tudo na mesma. Nem as bolsas caem nem o povo rejubila. E eu bem precisava de fazer uns investimentos.
É fácil amar-se esta manta de retalhos e não se desejar grandes progressos federalistas. Gosto desta visão periférica de suburbano a quem basta uma viagenzita de 2 horas para um banho de civilização. Para uma imersão desprendida no cadinho das culturas que fizeram o mundo. Gosto da diversidade enraizada nestes povos e das probabilidades de ser surpreendido quando os caracteres inovadores parecem ter migrado para outros continentes. Gosto também da sensação peculiar de aterrar em Lisboa e parecer que se acabou de entrar numa “película” sul-americana. Da binária excitação afrodisíaca da ida para paragens mais amenas e do regresso ao calor semi-tropical. Gosto do fatalismo irónico dos portugueses, do bairrismo expansionista dos espanhóis, do intelectualismo pretensioso dos franceses, do caos funcional dos italianos, da organização liderada dos alemães, da libertinagem controlada dos holandeses, do tradicionalismo cosmopolita dos britânicos e da tristeza poética dos irlandeses. Estamos bem assim. Semi-abertos ao mundo mas preservando identidades e costumes, sem edulcorantes e com conservantes q.b.. Às voltinhas no carrossel Terra. A orbitar ordeiramente o pai Sol. Perdidos na espiral da Via Láctea.

Tuesday, May 31, 2005

da consultoria

A shepherd was herding his flock in a remote pasture when suddenly a brand-new BMW advanced out of the dust cloud towards him. The driver, a young man in a Broni suit, Gucci shoes, Ray Ban sunglasses and YSL tie, leaned out the window and asked the shepherd,..........
-"If I tell you exactly how many sheep you have in your flock, will you give me one?"
The shepherd looked at the man, obviously a yuppie, then looked at his peacefully-grazing flock and calmly answered, "Sure."
The yuppie parked his car, whipped out his IBM Thinkpad and connected it to a cell phone, then he surfed to a NASA page on the internet where he called up a GPS satellite navigation system, scanned the area, and then opened up a database and an Excel spreadsheet with complex formulas. He sent an email on his Blackberry and, after a few minutes, received a response. Finally, he prints out a 130 page report on his miniaturized printer then turns to the shepherd and says,.........
-"You have exactly 1586 sheep".
-"That is correct; take one of the sheep" said the shepherd.
He watches the young man select one of the animals and bundle it into his car.
Then the shepherd says: "If I can tell you exactly what your business is, will you give me back my animal?"
-"OK, why not" answered the young man.
-"Clearly, you are a consultant" said the shepherd.
-"That's correct" says the yuppie, "but how did you guess that?"
-"No guessing required" answers the shepherd. "You turned up here although nobody called you. You want to get paid for an answer I already knew, to a question I never asked, and you don't know crap about my business.... Now give me back my dog".


Yep. New project. Full-day. CTM meeting. Kick-Off meeting. A load of brand-new 3-letter acronyms and I'm feeling... hollow.


Monday, May 30, 2005

Monday, May 23, 2005

efeito charro

Felizmente há também aqueles momentos em que a caixinha mágica nos deixa concentrar todos os neurónios nas excentricidades alheias – Sete Palmos de Terra.

nem só de pão vive o homem…

Reportagem na TVI (faço sempre um esforço para perder estes momentos magníficos mas desta vez a televisão estava sintonizada no canal 4): benfiquista, dono de café, aumenta o preço das refeições após promessa de 8 anos. Pois então, não é verdade que existe neste país um energúmeno que desde 1997 cobrava 5 euros por refeição, à custa dos campeonatos não ganhos pelo Benfica! Aparentemente, “bóia” completa incluindo o bagacito terminal – e viva o preciosismo jornalístico. Está claro que o editorial da mais generalista (o que quer dizer esta palavra?) das tevês cá da terrinha não ia perder a oportunidade de continuar a estupidificar as massas com mais este petisco. Aposto que em poucos minutos houve pelo menos dois ou três lagartos, donos de tascas, a fazerem os seus votos de repasto ou bicazita a preço constante até à próxima vitória do Sporting.

Explicação simplista do que foi a Idade Média: período negro da História entre o final dos jogos de Circo e a descoberta do Futebol. (durante o Renascimento, havia o Palio)