Já dizia o poeta perspicaz – apesar da pala – que “todo o mundo é composto de mudança, tomando sempre novas qualidades…”. Pois, nos últimos tempos sobe-me a mostarda ao nariz cada vez que alguém próximo decide exigir de mim grandes planos, estratégias de vida renovadas ou intenções de porvir. Compreenda-se que considero escusado, ou demasiado, o tempo que investimos a conjecturar sobre o futuro próprio e alheio, a traçar grandes objectivos sem colher benefícios palpáveis. Que estou bem, agora e aqui, e me apetece viver por um bocadinho o presente. Que as grandes mudanças das vidas dos outros não têm obrigatoriamente que encontrar paralelos na minha própria vida, qual efeito-borboleta. Que as lógicas do tempo certo para se fazer isto e aquilo são impostas por regras de uma sociedade longe de perfeita. E que embora utópica me lembro muitas vezes da história de vida de um certo Douglas Bader, que li quando era pequeno, absorto à tentativa de pensar um dia de cada vez, sem desígnios intensos. O tempo das mudanças voltará, naturalmente, mas por agora apetece-me degustar o presente tal e qual como ele se apresenta, sem tirar nem pôr.


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