Monday, December 17, 2007

Pi-nó-ni...pi-nó-ni…

Ah, e esta agora de Lisboa parecer ter sido geminada com Nova Iorque e todo o maldito carro da polícia e a santa ambulância – em ambos os casos o número de voitures parece ter aumentado exponencialmente nos últimos tempos – não serem capazes de circular sem a bela da sirene a azucrinar os frágeis tímpanos do povão!?!

Friday, December 7, 2007

Portugal pós-moderno


Em definitivo, o que me faz subir a mostarda ao nariz neste Portugal pós-moderno:

1) Jornais gratuitos

Já não bastava a péssima imprensa paga (e pesada em termos de papel mal-gasto) e não é que decidiram importar a ideia da distribuição gratuita de jornais em cada semáforo de Lisboa. Existirá uma boa meia-dúzia de pasquins sofregamente entregues por brasileiros mal-pagos, miúdos andrajosos e raparigas produzidas (em plena competição!) aos estremunhados e mais que muitos solitários automobilistas que tentam chegar (ou nem por isso?) ao trabalho (ou será emprego!?).


2) Iluminações de Natal

Em cada ano que passa, começam mais cedo e são mais feias (o termo técnico é mesmo feias). Deve tratar-se de um negócio da China, sem demonstração prática do benefício directo para os enganados comerciantes que supostamente pagam a respectiva instalação sem pensarem que provavelmente as vendas da quadra natalícia seriam exactamente iguais sem as estrelinhas a piscar rua sim, rua sim.


3) Sensação de insegurança latente e não provada

Essa ideia mal engendrada de que é perigoso ou existem riscos em andar pela cidade à noite, como se em cada esquina fosse saltar um perigoso gatuno ou assassino com vontade de assediar o transeunte incauto (e para mais o discurso já gasto de que não se vê um polícia na rua!). Arranjem lá melhor desculpa para ficarem fechados em casa a justificarem as humildes existências, porque para dito peditório não é a Sociedade do “bora lá ver TV” que vai encontrar respostas.


4) Proibido fumar

Num país em que pelo menos metade do parque automóvel é constituído por fenomenais bólides a diesel, sempre com os injectores mal cuidados, a deitarem baforosas doses de fumos negros pelos escapes (já sem falar nos magníficos táxis Mercedes década de 80 que parecem saídos de um qualquer filme turco) está toda a gente muito preocupada com o fuminho dos SG Ventil e com a reserva de espaços para os imaculados pulmões da arraia.


Sunday, October 14, 2007

Unlikely.


Does the Universe Have a Purpose?

Perhaps you hoped for a stronger statement, one way or the other. But as a scientist I don't believe I can make one. While nothing in biology, chemistry, physics, geology, astronomy, or cosmology has ever provided direct evidence of purpose in nature, science can never unambiguously prove that there is no such purpose. As Carl Sagan said, in another context: Absence of evidence is not evidence of absence.

Of course, nothing would stop science from uncovering positive evidence of divine guidance and purpose if it were attainable. For example, tomorrow night if we look up at the stars and they have been rearranged into a pattern that reads, "I am here," I think even the most hard-nosed scientific skeptic would suspect something was up.

But no such unambiguous signs have been uncovered among the millions and millions of pieces of data we have gleaned about the natural world over centuries of exploration. And this is precisely why a scientist can conclude that it is very unlikely that there is any divine purpose. If a creator had such a purpose, she could choose to demonstrate it a little more clearly to the inhabitants of her creation.

One is always free, as some people do, to interpret the laws of nature as signs of purpose, as for example Pope Pius did when Belgian physicist-priest George Lemaitre demonstrated that Einstein's general theory of relativity implied the universe had a beginning. The Pope interpreted this as scientific proof of Genesis, but Lemaitre asked him to stop saying this. The big bang, as it has become known, can be interpreted in terms of a divine beginning, but it can equally be interpreted as removing God from the equation entirely. The conclusion is in the mind of the beholder, and it is outside of the realm of scientific theory and prediction.

Finally, even if the universe has a hidden purpose, everything we know about the cosmos suggests that we do not play a central role in it. We are, as a planet, cosmically insignificant. Life on Earth will end, as it has probably done on countless planets in the past, and will do in the future. And all the stars and all the galaxies we see could disappear in an instant and the universe would go on behaving more or less as it is doing right now. Nature seems as uncaring as it is unyielding.

Thus, organized religions, which put humanity at the center of some divine plan, seem to assault our dignity and intelligence. A universe without purpose should neither depress us nor suggest that our lives are purposeless. Through an awe-inspiring cosmic history we find ourselves on this remote planet in a remote corner of the universe, endowed with intelligence and self-awareness. We should not despair, but should humbly rejoice in making the most of these gifts, and celebrate our brief moment in the sun.


by Lawrence M. Krauss, Professor of Physics and Astronomy (in conversations about the “Big Questions” the John Templeton Foundation is conducting among leading scientists and scholars)



Thursday, September 13, 2007

Memento ou será que os peixinhos morriam de saudade?

A common misconception that goldfish only have a three second memory has been proven completely false. Research by the School of Psychology at the University of Plymoth in 2003 demonstrated that goldfish have a memory-span of at least three months and can distinguish between different shapes, colours and sounds. They were trained to push a lever to earn a food reward; when the lever was fixed to work only for an hour a day, the fish soon learned to activate it at the correct time.
Scientific studies done on the matter have shown that goldfish have strong associative learning abilities, as well as social learning skills. In addition, their strong visual acuity allows them to distinguish between different humans. It is quite possible that owners will notice the fish react favorably to them (swimming to the front of the glass, swimming rapidly around the tank, and going to the surface mouthing for food) while hiding when other people approach the tank. Over time, goldfish should learn to associate their owners and other humans with food, often "begging" for food whenever their owners approach.




E assim se acaba com uma das mais bonitas intenções da natureza a de que o belo do peixinho dentro do aquário redondo olhava(*) para nós a cada 3 segundos como se fossemos um novo amiguito, estilo: olha um novo amiguito...(3s)...olha um novo amiguito...(3s)...olha um novo amiguito...

(*) devo ter tido uma meia-dúzia, durante a minha longa adolescência, aos pares ou solitários e nenhum deles terá durado mais de 3 meses!


Wednesday, September 12, 2007

Against the wall

What we have
What we give
What we take
Who we are
What we have
What we give
What we take
What we have
What we give
What we take
Who we are
What we have
What we give all away
Always
What we do if we throw it all away
All away
Always
What we do
If we throw it all away

by Nitin Sawhney, Philtre, Throw




Tuesday, September 11, 2007

for men that mean business

Férias “veranengas” em Bilbao. Hotel-giro-design-com-vista-para-o-Guggenheim. Chuva a cair lá fora e a estragar as fiestas da terrinha. Entre as revistinhas e livrinhos estrategicamente disponibilizados na prateleira de charme do hotel há uma Esquire de Setembro de 2007, preço em libras esterlinas(*). Folheio-a, descobrindo rapidamente que apesar do peso desproporcionado da publicidade página sim, página não – fundamentalmente dedicada a automóveis e relógios de pulso – e de ter sido fundada em 1933 se trata de mais uma tentativa condenada ao fracasso de convencer os homens a lerem revistinhas metrosexuais... women’s imagination at work!



(*) “esterlinas” – sempre quis dar uso a esta palavra – é linda, não é!?

Thursday, July 26, 2007

What makes perfect

Acredito que a verdadeira distinção entre o racional e o irracional tem a ver com a percepção da perfeição. A capacidade de juntar partes do todo para obter momentos perfeitos de harmonia e satisfação. Assim como quando se está perfeitamente rodeado de amigos a beber copos na noite e tudo, mesmo tudo, o que toda a gente diz ou faz parece sinfónico. Ou quando nos apanhamos a ver aquele filme mesmo ajustado ao estado da alma na companhia da cara-metade. Ou quando se sai para jantar e nos saem aquelas amêijoas temperadas com a dose exacta de coentros enquanto o sol se põe num mar tranquilo. Ou então quando com a alma pesada olhamos um céu carregado de amarelo e de repente desata a chover torrencialmente. Ou simplesmente quando damos por nós a conduzir com o carro cheio de gente a dormitar e a rádio decide tocar a musiquinha perfeita que nos faz sentir verdadeiramente vivos.




Tuesday, July 24, 2007

Insomnia

It all starts with an airplane flying over Alaskan thick ice. And it is the best film start one could imagine.
Good things in life come with good music.
Playwrights that make you feel alive and shining.
Endeavours of images you haven’t captured with a camera but that you’ve pictured in your mind.
Sensations you’ll definitively remember the second your soul expires. Because, just because, you’ll remember those strong images of amazing places you’ve been when shivering was still perceptive to your young age and time did not seem to pass by as quickly as it does as you become aged. A time when looking at the night sky felled like reaching the stars.


Sunday, March 4, 2007

Wednesday, December 27, 2006

Who Is "J" Anyway?

Há uns anos atrás aconteceu-me uma daquelas completamente inexplicáveis. Estava no meu segundo ou terceiro ano de consultoria, entretido com a ideia de que iria contribuir para mudar algumas coisas, criar valor, melhorar as empresas nacionais, blablabla, blablabla, quando um dia ao chegar a casa tenho à minha espera na caixa do correio uma carta. Dirigida a mim, nome e morada escritos “à máquina” sem remetente, selo postal das Filipinas, Pasay City 1300… Estranho, pensei: não me lembro de conhecer ninguém que ande pelas Filipinas. Abro o envelope e lá dentro apenas uma folha de revista rasgada da dita, não identificável, com um artigo «How Top Executives Manage to ‘Do it all’», e um post-it, daqueles tipicamente amarelos 3M, escrito à mão a dizer “Ricardo. Try this. It’s really good!”, assinatura não decifrável mas parecida com um “J”. De forma resumida, o artigo publicitava um livro chamado “The Organized Executive” e marcava pontos com um “If you still measure success by the hours you spend working, you’re missing the point. Success today is the time you spend doing what you want.”.


Está claro que não encomendei o livro mas durante este tempo me interroguei quem seria a alma preocupada que me pregara uma valente partida, de passagem pelas Filipinas, até que há uns dias atrás me lembrei de googlar e encontrei «Who Is “J” Anyway?»

Pareto’s once again

“…almost all of us believe ourselves to be in the top 20% of the population when it comes to driving, pleasing a partner, or managing a business…”

Sunday, October 29, 2006

Tarantino’s style

Nove e vinte de sexta-feira, encurralado no pára-arranca do eixo Norte-Sul a tentar alcançar a ponte. Para completar um dia de cão, parecia-lhe que meia Lisboa e arredores decidira partilhar a ideia de aproveitar a semana de feriado no Algarve. E ali estavam todos metidos nas suas caixas de metal de fabrico estrangeiro apoiadas sobre rodas. Sentia-se frustrado, desmotivado e cansado, a precisar definitivamente de recarregar baterias, no seu – e de muitos outros também, a avaliar pelo tráfego – refúgio algarvio. O seu T2 a dois blocos da linha da praia, perto de Lagos, que comprara com os ganhos da bolsa nos idos de 97…bons tempos. Infelizmente, as miúdas também lá estariam durante o fim-de-semana. Após a acalorada discussão telefónica da hora de almoço, Isabel seguira com as crianças pelas seis da tarde, e era certo e seguro que as três fêmeas lá de casa não o iam deixar sossegado durante sábado e domingo. Mas na segunda-feira ficaria sozinho, para se dedicar à leitura do último de Noam Chomsky, divagar um pouco e passar pelas brasas em horário de trabalho. Enfim, deixava para trás a azáfama do escritório, as intrigas palacianas dos colegas e a poluição sonora da capital. Estava realmente farto de tudo e de todos, dos compromissos que assumira, da vida persistentemente repetitiva, de acordar, trabalhar, ir buscar as miúdas ao colégio, fazer conversa ao jantar com Isabel, dormitar diante da televisão e deitar. Tinha dias em que lhe apetecia mesmo… Por isso, e por outros motivos mais, jogava compulsivamente no euromilhões, tal como anteriormente no totoloto. Todas as semanas empatava entre vinte e trinta euros nos jogos de azar popular – no passado ia também regularmente ao casino mas com o nascimento das miúdas tivera que se deixar disso. E naquela sexta-feira, tinha tido que aguardar meia-hora na fila interminável para meter os boletins e candidatar-se aos 113 milhões. Acelerava já na auto-estrada junto da Marateca, quando se lembrou de sintonizar o rádio para saber a chave – “e os números da chave vencedora do concurso desta semana do euromilhões são 3, 4, 8, 44 e 50, e as estrelas o 7 e o 8” – fixou-os de memória e puxou da carteira onde guardava religiosamente os boletins, concurso 42: “3 4 8 44 50 + 7 8” e naquele momento, lançou as mãos à cabeça e o carro fugiu para a vala de separação da auto-estrada…

Sociedade moderna


Segundo as estatísticas televisivas cá da terrinha existem cerca de 50 mil pessoas a trabalhar em Call Centers e Contact Centers em Portugal. Continhas de merceeiro: 4 turnos por dia, descontos de noite e fim-de-semana, em horário de expediente dá aproximadamente 10 mil marmelos a atenderem clientes e fregueses ou a fazerem contactos. Em permanência, existem sempre pelo menos uns 10 mil portugueses a fazerem pedidos, reclamações ou a serem vítimas do marketing enganoso ou não – i.e., em contacto com os outros 10 mil desgraçadinhos. É obra, e triste pensar ao que chegámos. E o comércio tradicional, o que é feito do comércio tradicional?

Wednesday, October 18, 2006

Awakening

Aparentemente falta cá na terrinha um pouco de tudo. Ele é o dinheirito para pagar as portagens nas Scut. Ele é o bom senso para deixar de prometer pensões de reforma que depois não são possíveis. Ele são as fontes de energia primária para impedir os incrementos desmesurados da electricidade. Ele é a “flexibilidade negocial” para ir ao encontro das reivindicações dos pobres professores e do seu magnânimo Estatuto da Carreira do Docento, vulgo ECD. Enfim, as coisas em geral vão tão mal que parece que também já faltam as maternidades e serviços de urgência com proximidade às parturientes e pacientes. Nesta época do ano, até nem o sol nos faz a vontadinha e temos que gramar a chuvinha a rodos.
Pensar em soluções para todas estas desgraças, necessidades e soluções também já não é causa a que muitos se dediquem – creio que por estas alturas também estamos todos mais ou menos conformados e confortáveis com a ideia de que o xico-espertismo genético vingará e passaremos todos mais ou menos incólumes pelas nossas humildes existências, apreciando pormenorizadamente os nossos próprios umbigos e fechando os olhos às agruras do vizinho do lado. Eu, pessoalmente, também já desisti de me pôr a gastar os neurónios a não ser que me paguem bom dinheiro pelo exercício. Assim sendo, e só porque me apetece – valha-nos a liberdade de irmos fazendo o que bem nos apetece – retomo a solução simples e imediata de copiar e plagiar ideias antigas de quando alguns de entre nós ainda se dedicavam a ter ideias radicais para dar a volta às coisas.



Baseando-me e acrescentando valor à magnífica ideia do “Europe’s West Coast” by BBDO, proponho:

- A construção de 10 ou 12 casinos à volta de Lisboa, para ajudar a malta a torrar os tostões que ainda restam enchendo os cofres do Estado, impedir a entrada das hordas de suburbanos nas noites de fim-de-semana, incentivar o turismo e com isto justificar o investimento no novo aeroporto e, duma forma geral, entreter a multidão mais regularmente do que com a espera pelos sorteios do euromilhões.

- Transformar toda a zona desde o Tejo até ao Douro num enorme espaço dedicado a urbanizações e lares para a terceira idade, para a nossa e para a dos outros. Há que ter visão para isto porque se trata do único futuro plausível: termas aqui e acolá, muita floresta cuidada, rios e serra q.b. para actividades ao ar livre não demasiado radicais, um pouco de praia atlântica para quem não gosta de ir a banhos, frutinha e vegetais de qualidade e vinho, muito vinho para ajudar a animar os espíritos. Emprego geriátrico para quem quiser e as pensões de reforma dos países ocidentais a entrarem em torrente.

- Fazer do belo Alentejo uma gigantesca hollywood, para produção de filmes, novelas e reality-shows também. Imaginem lá os montes alentejanos todos transformados em magníficos cenários de grandes produções, telenovelas mexicanas ou casas big-brother ou similar. Os velhotes indígenas a verem passar as estrelas, mais uns quantos resorts para entreter as ditas, meia-dúzia de aeródromos para os jatinhos particulares e toda a gente satisfeita a papar umas migas e a trincar costeletinhas de borrego. Uma delícia!

Enfim, com o Algarve já não temos que nos preocupar, as ilhas poderiam continuar a ser subsidiadas à custa do cash-flow do continente e para norte do Douro, poderíamos sempre ir pensando num parque jurássico. Bora lá?

Sunday, September 24, 2006

O despertar dos mágicos


Disseste-me há muitos anos atrás duas coisas que me ficaram na memória:

“O próximo milénio será o do regresso ao misticismo.”

“O grande negócio dos próximos anos passa pelo entreter das massas.”


Oh adivinho incauto, parece que estão dados os primeiros passos para a veracidade das tuas predestinações. Se a segunda me serviria de muito não fora eu o fruto dos teus genes, limitado empreendedor e cumulativamente desdenhoso da noção democrática de que há que permitir tudo a todos, já a primeira me assusta desmesuradamente. Dizem os arautos da desgraça que a História se repete, em ciclos temporais matematicamente demarcados. Afirmam com certeza absoluta que regressam os tempos das cruzadas, do choque das religiões ou entre civilizações. E eu papalvo inconsciente agarro-me com firmeza à ideia de que a evolução nos trouxe por um caminho sem retorno em que o racional prevalecerá sobre o místico, desprezando em bom rigor o poder do espiritual, o medo infligido pela fé sobre a lógica dos homens e não querendo acreditar no paralelo entre o “entreter das massas” e a necessidade mentecapta dos meus pares, que não semelhantes, em alimentarem as almas com o pregão dos magos.

Monday, August 28, 2006

Project Mayhem

"GOOD morning, ladies and gentlemen. We are delighted to welcome you aboard Veritas Airways, the airline that tells it like it is. Please ensure that your seat belt is fastened, your seat back is upright and your tray-table is stowed. At Veritas Airways, your safety is our first priority. Actually, that is not quite true: if it were, our seats would be rear-facing, like those in military aircraft, since they are safer in the event of an emergency landing. But then hardly anybody would buy our tickets and we would go bust.
The flight attendants are now pointing out the emergency exits. This is the part of the announcement that you might want to pay attention to. So stop your sudoku for a minute and listen: knowing in advance where the exits are makes a dramatic difference to your chances of survival if we have to evacuate the aircraft. Also, please keep your seat belt fastened when seated, even if the seat-belt light is not illuminated. This is to protect you from the risk of clear-air turbulence, a rare but extremely nasty form of disturbance that can cause severe injury. Imagine the heavy food trolleys jumping into the air and bashing into the overhead lockers, and you will have some idea of how nasty it can be. We don't want to scare you. Still, keep that seat belt fastened all thesame.
Your life-jacket can be found under your seat, but please do not remove it now. In fact, do not bother to look for it at all. In the event of a landing on water, an unprecedented miracle will have occurred, because in the history of aviation the number of wide-bodied aircraft that have made successful landings on water is zero. This aircraft is equipped with inflatable slides that detach to form life rafts, not that it makes any difference. Please remove high-heeled shoes before using the slides. We might as well add that space helmets and anti-gravity belts should also be removed, since even to mention the use of the slides as rafts is to enter the realm of science fiction.
Please switch off all mobile phones, since they can interfere with the aircraft's navigation systems. At least, that's what you've always been told. The real reason to switch them off is because they interfere with mobile networks on the ground, but somehow that doesn't sound quite so good. On most flights a few mobile phones are left on by mistake, so if they were really dangerous we would not allow them on board at all, if you think about it. We will have to come clean about this next year, when we introduce in-flight calling across the Veritas fleet. At that point the prospect of taking a cut of the sky-high calling charges will miraculously cause our safety concerns about mobile phones to evaporate.
On channel 11 of our in-flight entertainment system you will find a video consisting of abstract imagery and a new-age soundtrack, with a voice-over explaining some exercises you can do to reduce the risk of deep-vein thrombosis. We are aware that this video is tedious, but it is not meant to be fun. It is meant to limit our liability in the event of lawsuits. Once we have reached cruising altitude you will be offered a light meal and a choice of beverages - a wordthat sounds so much better than just saying 'drinks', don't you think? The purpose of these refreshments is partly to keep you in your seats where you cannot do yourselves or anyone else any harm. Please consume alcohol in moderate quantities so that you become mildly sedated but not rowdy. That said, we can always turn the cabin air-quality down a notch or two to help ensure that you are sufficiently drowsy.
After take-off, the most dangerous part of the flight, the captain will say a few words that will either be so quiet that you will not be able to hear them, or so loud that they could wake the dead. So please sit back, relax and enjoy the flight. We appreciate that you have a choice of airlines and we thank you forchoosing Veritas, a member of an incomprehensible alliance of obscure foreign outfits, most of which you have never heard of. Cabin crew, please make sure we have remembered to close the doors. Sorry, I mean: 'Doors to automatic and cross-check'. Thank you for flying Veritas."

Tuesday, August 1, 2006

Wednesday, July 19, 2006

Autopista del mediterráneo (A-7)

Nasci há 17 anos em Boukar e fui bafejado pela sorte. O sopro de Alá, pois meus pais emigraram para França há 14 anos atrás, quando eu ainda não tinha 14 anos de idade. Meu pai sempre foi um homem simples, de cultura modesta e mãos de trabalhador mas com uma visão alargada da maneira de ser dos homens e uma abertura de espírito singular. Estas características únicas deixaram-no aceitar e apaixonar-se por uma mulher diferente do que seria expectável para um filho de um pastor da montanha. Conheceu minha mãe em 1978 por ocasião de uma feira de gado em Dar Ben Karricha el Behri, na noite de festas que inaugurava o evento. Ela era então uma miúda franzina de longos cabelos negros e encaracolados que desafiava as convenções por não usar véu e mostrar abertamente os seus redondos olhos verdes sob o olhar dos velhos árabes. Tinha ela então a mesma idade que eu agora e embora fosse alvo das atenções dos rapazes locais, os costumes locais não lhes permitiam entabular conversa com aquela rapariga de sangue mestiço e frontalidade europeia. A meu pai não importavam aquelas regras e costumes mais próprios da cidade desenvolvida do que do meio rural e rapidamente se deixou levar pelos instintos para a ficar a conhecer. Ao quarto e último dia da feira, conhecia-a melhor do que ninguém e compreendia até a complexidade do mestiço, determinada pela sua raiz familiar catalã num clima de cisma associado à guerra de libertação argelina. Casaram 5 anos mais tarde em ambiente de felicidade e abertura, após numerosas visitas de meu pai a Dar Ben e tiveram entretanto um filho, meu irmão, que sucumbiu a uma pneumonia por falta de cuidados médicos. Por esta razão, no dia em que nasci, forte e saudável, meus pais tomaram uma decisão de destino e emigraram para França. Vivemos em Poitiers desde então, onde meu pai abriu uma padaria, fidelizando uma clientela mista de bons franceses e marroquinos emigrados, deixando a minha mãe o tempo e espaço para se dedicar ao estudo da literatura árabe e à minha própria educação. E desde que me recordo da minha infância, percorremos ano após ano a autopista del mediterráneo, largando de Poitiers, passando por La Jonquera, torneando Barcelona e Valência, em passo acelerado ao largo de Almeria, Málaga e Marbella também, em direcção a Algeciras, aonde chegamos invariavelmente pela madrugada. Meu pai arruma cuidadosamente o Renault, que já foi uma 4L, no dorso do ferry e ficamos a aguardar a largada do navio, aproveitando a bela vista desde o convés, entre o raiar do sol e a penumbra que envolve os pilares de Hércules. Este é o momento por que mais anseio em cada ano. O turbilhão dos sons misturados do mar no estreito em que o Mediterrâneo das minhas origens se encontra com o Atlântico da minha vivência, as sirenes vibrantes do porto em que África e Europa se juntam e os lamentos das orações profundamente místicas dos meus compatriotas vindos de todos os pontos do continente europeu para reencontrarem as sombras e cheiros do Atlas onde nasceram.

Thursday, May 18, 2006

How do you sail the ship from the bottle?

Your Blogging Type Is Thoughtful and Considerate

You're a well liked, though underrated, blogger.
You have a heart of gold, and are likely to blog for a cause.
You're a peaceful blogger - no drama for you!
A good listener and friend, you tend to leave thoughtful comments for others.


Yeah, right! And I love being "an underrated blogger" as for the “heart of gold” I really have my doubts…



Thursday, April 13, 2006

Gato-tónico

Vivia sozinho, desde há uns meses, num T1 de paredes castanhas ali para os lados do antigo cinema Mundial que comprara graças à facilidade de crédito que o banco concedia a todos os seus empregados. Incluindo aos empregados de balcão como era o caso de Adriano. Não tinha grandes ambições na vida e sentia-se um pouco perdido desde que se mudara para Lisboa. Deixara para trás os companheiros de meninice da sua terrinha saloia, na esperança de encontrar um futuro diferente. Sentia-se solitário, desterrado no meio de uma cidade atafulhada de gentes durante o dia e vazia de almas quando a noite caía. Faziam-lhe falta os cumprimentos cordiais de quem por ele passava, os “bons-dias” imperfeitos vindos dos rostos que conhecia de toda a vida e que também o reconheciam a ele. Não tinha nada em comum com os colegas, todos com pelo menos mais duas dezenas de primaveras que ele, ou com os clientes carrancudos que atendia. Não pretendia dar parte fraca e, por isso, refugiava-se nos vodkas tónicos, de que se abastecia invariavelmente às três garrafas e duas paletes no supermercado dos bancários ao sábado de manhã, para suportar a aspereza das paredes da sua casa. Ficava para ali com o copo na mão, entre o final do jantar e a hora de se arrastar para a cama, mortificado diante da televisão, inevitavelmente entediante, e fumava também, Lucky Strike’s que comprava diariamente ao sair do trabalho, pelas seis da tarde, num quiosque de esquina cujo proprietário pelo menos o saudava.
Naquela tarde, tomara uma decisão de mudança: arranjar um gato, para companhia, e comprar bilhete para os The Gift no Coliseu. Ao entrar na loja de animais, não reparou de imediato na rapariga do outro lado do balcão. Agripina, debruçada sobre um livro de Estatística Elementar, e passando a mão sobre o piercing que tinha no umbigo, vagueava na leitura do texto do seu horóscopo no jornal de distribuição gratuita que lhe haviam dado à saída do buraco do metro – “…dia propício a encontrar a sua alma-gémea…aceite os convites que lhe fizerem, em particular, para concertos”. (the end)