Eu sei (ou imagino) pela tua ausência que quando regressas de viagem gostas de ler o meu blog...
Thursday, March 18, 2010
Wednesday, March 17, 2010
Palm Springs 2009
Nunca o calor do verão foi tanto. Tínhamos descido de San Francisco para LA num carro alugado ficando a conhecer o Big Sur, e apesar de não o recomendarem, decidíramos passar uns dias a descansar em Palm Springs. Escolheste, bem, o hotel e encontrámos um sítio encantador com poucos hóspedes e um staff atencioso q.b.. Fazia um calor insuportável durante o dia, com uma aragem seca vinda do deserto, mas as noites eram agradáveis. Tínhamos duas piscinas catitas por nossa conta e água com limão à discrição por debaixo dos chapéus-de-sol de triângulos amarelos. Mas apesar de tudo, do conforto, do teu carinho e da sensação de férias eu não me sentia relaxado, nem feliz. Sentia saudades do que fôramos no passado, das sensações fortes de aventura de outras férias que passámos juntos noutros destinos. E assim, mesmo sem intenção, começou o fim do que éramos, debaixo do sol abrasador e das palmeiras da Califórnia, sem sentido.
Tuesday, March 16, 2010
Tunbridge Wells 1990
Nunca fui tão puto como naquela noite. Tínhamos escapado aos alarmes de incêndio do palácio, saltando perigosamente pela janela do quarto que tinha papel-de-parede aos elefantes. Corrêramos tão rapidamente quanto nos era permitido, sem fazer barulho, para o pavilhão junto à piscina onde alguns do grupo optaram por um banho nocturno. Estava uma noite perfeita, com uma lua nova que emanava aquela claridade única, apenas possível à meia altura do hemisfério norte. Alguém trazia uma garrafa de champanhe e copos de plástico, e para não termos que partilhar, fugimos para uma das salas de aula mais isolada. Ainda em grupo, passámos horas a jogar ao “se eu fosse um animal, seria...”. Tu querias ser um golfinho, obviamente assentava-te bem, e eu uma gaivota – que animal tão estúpido – creio que induzido pela música do Zeca Afonso que alguém te ensinara e tentavas cantar em português. E quando os outros já recolhiam com o despontar da alvorada, nós deixámo-nos ficar mais um pouco. Dançámos um slow, mesmo que com música imaginária, e eu passei-te a mão pelo rosto, fixando-te o olhar e arrastando-te o cabelo curto, cor de prata com aquela luz, para detrás da orelha, e beijei-te com todo o amor que tinha para dar.
Dali 2002
Nunca fui tão infeliz como naquela noite. Perdidos no meio do Yunnan, desidratado por uma violenta intoxicação alimentar que a dimicina insistia em não debelar, num estranhamente moderno hotel encerrado entre muralhas, decidiste rejeitar-me, pôr-me na ordem e mandar-me de volta para a minha cama, naquele quarto que era só de nós dois. Creio que chovia lá fora, e eu sob o torpor do meu mal-estar físico, passei a noite acordado, a soluçar para dentro, para que não me ouvisses, e a desejar que o meu mundo acabasse ali mesmo, sem contemplações. A pensar, exageradamente, que nada mais fazia sentido. Que não queria voltar a ver o sol nascer. Que não merecias que alguém gostasse assim tanto de ti e que eu não merecia aquele sofrimento atroz. E então, para meu espanto completo, quando a lua já ia alta no sudoeste asiático e a chuva tinha, finalmente, parado de cair, deste por mim, e vieste deitar-te sobre o meu corpo e dormimos juntos aquelas horas que restavam.
Monday, March 15, 2010
Paris 1989
Nunca fui tão feliz como naquele verão em Paris. O meu pai tinha um apartamento alugado sobre o Sena e eu um passe RATP que me deixava deambular por toda a cidade de “Mêtro”, autobus ou RER. Na flor da minha adolescência, com francês suficiente para impressionar e mesada paga em francos, era livre e fiquei a conhecer a capitale du monde como poucos. Eles celebravam o bicentenário da revolutión com espectáculos e festividades improvisadas e eu possuía um walkman com as duas cassetes do ao vivo “Supertramp à Paris”. Perdia-me entre as novidades dos Les Halles, viajava furiosamente até à La Défense, “papava” os filmes 3D na Géode, passava tardes no jardim do Rodin, invariavelmente, escalava a Eiffel ou observava as gentes nas corridas de Longchamps. Os almoços eram, normalmente, compostos de croque-madame, acompanhados de Orangine, os pequenos-almoços de croissants não mergulhados no café-au-lait, e os jantares experimentando os restaurantes exóticos do Quartier latin. Na biblioteca da La Villette ou no Pompidou, em que se entrava à borla, trocava conversas com belas francesas da minha idade, enquanto assistíamos às exibições de jograis ou músicos africanos. Paris 1989.
Sunday, March 14, 2010
not today
Eixo Norte-Sul 8h30 da manhã em sentido contrário ao trânsito: não concebo como será viver em prédios justamente colocados sobre a via rápida ou aturar-se, dia após dia, meia hora de tráfego entre o Lumiar e Sete Rios.
Vasco da Gama com amanhecer de sol: sinto saudades de um Inverno menos chuvoso em que diariamente atravessava a ponte rumo ao sul, despertando para o dia a 120 km/h sobre as brumas do Tejo.
Silêncios do Alentejo: fascinante como custa adormecer no meio do silêncio do campo mas como se acorda revigorado depois de uma noite sem o ruído constante da cidade.
Pequeno-almoço de Pousada: luxo seria poder comer sempre ovos mexidos acamados sobre uma fatia de queijo em cima de pão de forno com sabor a província.
Auto-estrada em cruise-control: hipnose total induzida pelas curvas e tracejados no alcatrão, abusando nos decibéis dos Siouxsie & Banshees.
Wednesday, March 10, 2010
youth
Embarco no Bruxelas - Lisboa, depois de um fim-de-semana prolongado passado com uma “ex” por terras do norte da Alemanha, de carro alugado, em que tínhamos descoberto mais um lugar místico para a colecção – Schwerin, ainda com alguns resquícios do jugo da RDA e por isso ainda encantadora. Ao meu lado senta-se uma miúda gira, de piercing na orelha, e alguns anos mais nova do que eu. Decide meter conversa durante o voo: tinha estado a fazer Erasmus, regressava agora a Lisboa, já tinha saudades da terrinha, os Belgas assim-assim, mas os colegas estrangeiros eram “porreiros” e Ghent tinha uma vida fantástica. O que tinha eu ido fazer à Alemanha, o que tinha achado de Hamburgo, pormenores de Schwerin, etc. e tal... 2 horas de converseta não muito profunda mas entretida. Aterramos em Lisboa, esperamos juntos pela bagagem e quando estou para me despedir envolve-me com os braços e espeta-me uma “beijoca molhada”, dizendo-me adeus com um: tchauu, até à próxima!
Sunday, March 7, 2010
Get a life...
Fim-de-semana entretido com o último do Philip Roth e as suas recordações da infância judia. Um pouco insípidas demais para este descendente de Suevos e Cristãos-novos perdido na vida...
Wednesday, March 3, 2010
Nick Hornby’s top-lists-technique
Há uns anos atrás apaixonei-me violentamente, puerilmente e temporariamente, por uma jornalista catalã que trabalhava na Bloomberg em Londres. Conheci-a numa festa tresloucada a bordo de um barco no Tamisa. Impressionaram-me os seus olhos castanhos e grandes, o seu sorriso único, a sua imersão no auge do estilo de vida da capital inglesa em formato capitalista, a forma orgulhosa como perspectivava o futuro, a gentileza das suas referências dos portugueses e a Barcelona. Enfim, depois de um par de horas passado na companhia dela estava futilmente apaixonado. De regresso a Lisboa, escrevi-lhe uma carta de amor – apenas um excerto, da parte não (muito) lamechas da coisa:
“I guess I’m quite friendly, considered a nice person by most people. My closest friends consider me a bit of an arrogant – they tend to say that I always act as if I have an answer for everything. I’m really timid, at least by portuguese or spanish standards. A seeker of knowledge, an humanist, non-superstitious, a believer in equilibriums who thinks to have found some answers for the big questions.
What else? Adopting Nick Hornby’s top-lists-technique, as a way to get to know someone else – and hoping that you find some references within these. Favourite movies: “Until the end of the world”, by Wim Wenders, “In the name of the father”, by Jim Sheridan, and “Cinema Paradiso” – latest best, “Lost in Translation”. Books: definitively nº1 is “Hadrian Memories”, by Marguerite Yourcenar, then “Focault’s Pendulum”, by Umberto Eco and on the entertaining front, Douglas Coupland’s anarchic stories. Music: I guess I’m a pop fan, James (ever heard of them?), Peter Gabriel, Suzanne Vega (as a sample) and more recently Air and some portuguese bands, I also like it classic, Purcell, Bach and Brahms, or Michael Nyman and Ryuichi Sakamoto. On the cities front: Rome, Lisbon and Barcelona. Countries: Ireland, Italy and China. Art: although my mother is nowadays becoming a professional painter, I don’t have it in my genes and am utterly incapable of drawing an apple, but as a child I wanted to become an architect.”
Tuesday, March 2, 2010
E o tempo importa?
Saturday's Chile earthquake was so powerful that it likely shifted an Earth axis and shortened the length of a day, NASA announced Monday.
By speeding up Earth's rotation, the magnitude 8.8 earthquake – the fifth strongest ever recorded, according to the USGS – should have shortened an Earth day by 1.26 millionths of a second, according to new computer-model calculations by geophysicist Richard Gross of NASA's Jet Propulsion Laboratory in California.
E isto significa que as nossas vidinhas se encurtam? É uma preciosidade da espécie humana, esta obsessão pelo tempo e a forma como medimos as nossas existências pelas voltinhas que damos em volta de um corpo celeste. Heliocêntricos, como somos, viajamos a 108 mil km/hora em volta do Sol, mas na dimensão maior, aceleramos a qualquer coisa como 220 km/segundo à volta do centro da galáxia – pelo menos é o que diz a Wiki!
E tu hoje disseste-me da altivez da tua idade ainda jovem “...estamos a ficar velhos” como só se aplicasse a mim e eu olhei para ti e pensei para os meus botões: um destes dias ainda me apaixono por ti.
Monday, March 1, 2010
Miguel Sousa Tavares – o Torquemada
Apanhei agorinha o novo programa do Miguel Sousa Tavares, de quem gosto q.b.. Será impressão minha ou decidiu encarnar o grande inquisidor general qual Torquemada renascido? E o formato da coisa não faz lembrar os Gato Fedorento e o “Esmiuça aqui, esmiuça ali”. Miguel, estás a ficar velhote... (e eu ando a ver demasiada tv)
Sunday, February 28, 2010
Chuva (de euros) na Madeira
É impressão minha ou o Alberto João (grande personagem!) acabou de inflacionar o pedido de há uns dias atrás dos 1.000 milhões de euros para 1,3 biliões – à americana, espera-se! Ele há gente com lata...
Nota: A Despesa Pública prevista para 2010 na dita Região Autónoma, antes da tempestade, era de 1,6 mil milhões de euros.
Friday, February 26, 2010
you are now untouchable
Tens agora 26 anos e apesar de mais madura permaneces criança. Amuas, fazes beicinho, encostas a mão à cara evidenciando as tuas faces rosáceas. Olhas para mim com cara de má quando me dirijo a ti. E ao mesmo tempo fixas-me com o olhar carregando as pálpebras e dás-me o teu “look” de miúda rebelde. Não sei o que fazes nos teus tempos livres mas imagino-te, imagino-nos muitas vezes no loft em dias quentes, com o sol do final da manhã a entrar pelas janelas, eu agarrado a ti, deitados, tu sobre mim. Abraço-te e agarro-te, tu de costas para mim, e tu rodas o pescoço, bonito, olhando para mim, com carinho, com as pestanas longas e arrebitadas, como a dizer que me amas também.
you are the brightest diamond
i can see you shining for miles and miles
i can see you shining
you are the brightest diamond hidden in my pocket
oh how glorious you must feel splendid
you must feel splendid
you are the brightest diamond hidden on my wrist
you are now untouchable
now untouchable
reaching through the space between your universe and mine a warm light shines
Wednesday, February 24, 2010
Strange songs
Eu cá chego sempre atrasado a estas coisas, as novidades do que melhor se vai fazendo pela música neste (ainda) início de século. Há umas semanas atrás descobri os “Animal Collective”, excelente banda em consagração com o magnânimo (e único) “Merriweather Post Pavilion”. Como diria alguém que conheço “... highly recommended!” e repare-se na ilusão óptica (capa do álbum):
Desde já, também se recomendam o “Strawberry Jam” e “Fall Be Kind” - em EP. Atente-se ainda na sagacidade (e subtileza) de um dos rapazinhos da banda:
In 2004, [Noah] Lennox [aka as Panda Bear] moved from New York to Lisbon, after he went there for the first time at the end of a long Animal Collective tour with Dave Portner in 2003 for a short vacation. Lennox says about Lisbon: "Since I got off the airplane here [for the first time] I had a good feeling about this place." ... Lennox eventually decided to move to Europe because he also felt “connected to the European way of life”, considering himself as a “slow moving kind of person” and Lisbon as a “slow moving kind of place”.
Monday, February 22, 2010
Saturday, February 20, 2010
Wednesday, February 17, 2010
made in China
Há uns anos atrás, na época da euforia dos mercados devem ter sido publicados umas dezenas de livros com o título “Made in China”. Ora eu, para além de poder dizer que a China é linda, pelo menos antes do advento do capitalismo (photo taken in Tiananmen square), tenho a experiência de que o “made in China” ain´t that good. Há umas semanas atrás, tive que substituir o chuveiro cá de casa. Solução óbvia, a loja do chinês onde o belo do chuveiro “made in China” custou uma ninharia de 6,90 euros. Pois, durante aproximadamente um mês, o duche da manhã soube-me a pouco e neste carnaval decidi ir até ao AKI, onde por 20 e poucos euros adquiri o bom do chuveiro “made in Germany”. Regalo meu, desde há 2 dias o banhinho sabe-me a doce paraíso, água em queda constante. Ele há coisas fantásticas, não há? E eu certamente estaria disposto a investir muito mais pelo prazer de tomar boas banhocas todos os dias do ano.
Tuesday, February 16, 2010
Until the End of the World
Claire persegue Sam “até ao fim do mundo”. Conhecem-se em França, depois de ela ter passado pelo belo túnel do Monte Branco, reencontram-se em Berlim, amam-se em Lisboa (com a Amália, eléctricos amarelos e uma filmagem debaixo da ponte sobre o Tejo anterior às feias Docas), Moscovo (filmada no antigo cinema Éden), Transiberiano, Tóquio, San Francisco e chegam ao fim do mundo no continente Australiano. Sam roubou uma câmara que lhe permite gravar o que o cérebro “sente” quando os olhos vêem, para que a sua mãe possa “ver” apesar de cega. Ele acaba por apaixonar-se por Claire. Ela ama-o. Gene, o ex dela, deseja que ele a ame também, e escreve um romance em narrativa. E os dois, Claire e Sam, partem num cessna em voo sobre o deserto da Austrália quando o Mundo decide abater o satélite indiano que se encontra à deriva com uma explosão nuclear no espaço e o mundo parece acabar mesmo, em voo planado ao som do “Blood of Eden” do Peter Gabriel. E depois, no refúgio aborígene, ambos ficam obcecados com as imagens que gravam dos seus próprios sonhos. Quem não ficaria? Imagens bioquímicas da “alma a cantar para si própria” – e isto não é ficção científica. O filme passa-se em 1999 e a 31 de Dezembro, festeja-se o facto de o Mundo não ter acabado... lindo!
Until the End of the World, 1991, by Wim Wenders – the most brilliant movie in the World.
Monday, February 15, 2010
So what’s so special about Vancouver?
Sonho muito com Vancouver. Considerada vários anos seguidos como a melhor cidade para se viver no planeta, marcou-me pela arquitectura fria de altos edifícios envidraçados e pela simpatia de me fazer sentir próximo da vida simples de quem lá vive. Apesar do urbanismo acessível em esquadria tem bairros e recantos. Zonas fashion e condomínios tranquilos. Restaurantes de nouvelle cuisine e cafés de artistas. Um parque magnificamente verde e um percurso de bicicleta que permite dar a volta toda à cidade, sempre junto ao mar. Sente-se que é uma cidade cosmopolita e por isso erudita. Com muitos mendigos drogaditos a par dos executivos. Watching the Olympics on the tv.
Wednesday, February 10, 2010
pastilhas de nicotina
Vidinha de consultor, passei o dia de volta de um .ppt a fazer gráficos para uma apresentação importante amanhã – em luta permanente com os bugs que os geeks da Microsoft decidiram plantar no Office 2007 – e a lembrar-me, recorrentemente, do que uma consultora “importada” de Espanha – apaixonou-se por um tuga e decidiu pedir transferência para a minha Equipa – me disse há uns dias durante o Project Review: “...nunca tinha trabalhado com um Manager que fizesse .ppts”.
Eis senão quando chega o meu companheiro do lado, que vai ser pai daqui por uns meses e anda a tentar deixar de fumar – com pouco sucesso, diga-se – e decido cravar-lhe uma pastilha de nicotina. E ele diz-me: “mastiga devagar”. Sim, pois, está claro... resultado: speed total, gráficos lindos, quiçá demasiado coloridos, antropomórficos e em catadupa.
Eis senão quando chega o meu companheiro do lado, que vai ser pai daqui por uns meses e anda a tentar deixar de fumar – com pouco sucesso, diga-se – e decido cravar-lhe uma pastilha de nicotina. E ele diz-me: “mastiga devagar”. Sim, pois, está claro... resultado: speed total, gráficos lindos, quiçá demasiado coloridos, antropomórficos e em catadupa.
Vai ser bonito, vai!
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