Sunday, April 11, 2010

Casa dos Espíritos

Como esta tarde recordavas, eu e tu entramos num filme: “A Casa dos Espíritos”. Não é um bom filme, tal como o livro também não é grande coisa, e apesar do elenco fabuloso nem sequer recebeu uma nomeação para os óscares. Mas ainda assim é um filme muito conhecido e na cena em que a Winona reencontra o Banderas, filmada na Praça do Município, lá estamos nós, eu e tu, a beijarmo-nos como nos pediram. Eu com uma camisola de rugby da Escócia que, por acaso, foste tu que me ofereceste, completamente desajustada para a época que se pretendia, e tu com um vestido às flores, plausível. E naquela altura, já não éramos mais que tudo, um para o outro, mas “sacrificámo-nos pelo espírito da 7ª arte”.

Saturday, April 10, 2010

Primeiras amêijoas do ano

Aniversário do progenitor. Almoço sobre o rio. Dia de sol e de regatas no Tejo. Primeiras amêijoas do ano cozinhadas com coentros frescos, grandes e carnudas, daquelas que há que comer com o garfo. Peixinho grelhado e vinho branco. Saudades de fazer vela como em Inglaterra. Os primeiros dias soalheiros à séria são sempre uma maravilha.

Thursday, April 8, 2010

il gattopardo

Saio de uma reunião no Taguspark com o sol ainda alto neste final de tarde. Faz calor e, porque vi o mar brilhante à ida, hesito em arriscar um pulinho à praia mas estou de fato e gravata e opto pela A5. Num instantinho estou em Lisboa. Encontro facilmente um lugar no Chiado e aproveito para ir à Fnac. Tenho presentes de aniversário em falta para os carneiros da minha vida, escolho livros e uns Moleskine originais para cada um. Por cima do expositor dos romances estrangeiros uma miúda loirinha faz-me olhinhos quando o altifalante anuncia “dentro de momentos, Tiago Bettencourt ao vivo no café Fnac” e ela... sai disparada – o sucesso do menino bate aos pontos o meu “efeito executivo”, e não podias ser tu. Reparo no “O Leopardo” de Giuseppe Tomasi di Lampedusa, sei que o tenho a ganhar pó numa prateleira lá em casa e lembro-me que quem mo ofereceu, no último natal, escreveu na dedicatória: “Duvido que algum dia venhas a ler este livro...”. Eu adoro dedicatórias inscritas na primeira página dos livros, e gosto ainda mais de desafios. Vamos lá, il gattopardo.

Wednesday, April 7, 2010

Sintomático ou a vida sorri

Eu que nunca acordo antes do despertador, despertei cedo e com vontade de mais um dia. Passo muito tempo debaixo do chuveiro até dar conta de que estou com o sorriso parvo. Quando pretendo fazer a barba, percebo que se acabou o gel e recorro à espuma dos kits de viagem – mas não me importo. Coloco um bocadinho do Allure aftershave e escolho bem a gravata porque hoje há sessão de fotografia no escritório – estou farto do meu sorriso pepsodente nas revistas profissionais mas passa-me ao lado. No elevador encontro o avô coronel com a sua neta Beatriz que olha para mim com os olhos esbugalhados – é gira a criança. O VW está com umas rotações perfeitas – adoro os motores a gasolina alemães e a música que passa na Radar. Estou atrasado, eu sei, mas abrando ao passar à porta da Versailles – e sorrio. Tenho uma entrevista com uma ex-BCG que não lhe corre bem mas eu aturo-a – porque recebo uma mensagem tua no BB. Almoço com um mentorado afável e decido levá-lo ao Suntory – hoje estou um mãos largas. Sessão-fotográfica-sorriso-pepsodente – estas vão sair bem. Saio para um cliente cujo CA quer um desconto de 17% na última proposta – saldos, era o que faltava! Passo 3 horas a orientar o delivery das minhas equipas – quero que se sintam confortáveis, consultoria é mesmo giro! Saio para um jantar – mas antes passo por uma lojinha de conveniência para comprar gel para a barba. Envias-me nova mensagem – e eu acho que estás com saudades. Um destes dias, isto desenlaça-se...

Tuesday, April 6, 2010

relógios de bolso

O meu avô materno era muito alto e encorpado também. Tinha uns olhos do azul mais profundo que a Terra já viu, um azul que não reflectia o céu nos dias de sol mas que tomava tons de cinza nos dias de tempestade. Sentava-se numa grande poltrona, que era só dele, e ficava para ali a observar os campos de oliveiras, por entre a esquadria de madeira que compunha a janela, a olhar para a serra de Bornes à distância. Bafejado comerciante num meio rural, possuía a sagacidade do judeu, para os negócios, mas era antes de tudo um descendente dos godos, respeitado e correcto com todos. Importava nitratos do Chile que chegavam ao destino em magníficos comboios a vapor, que eu insistia em ir ver à estação, embora me assustassem ao perto. Abastado que era, para a época, e desligado das questões políticas do tempo, passava férias em família no Palace Hotel do Vidago e quando se deslocava ao Porto, a negócios, instalava-se no imponente Grande Hotel de Paris. Mesmo sendo gentio, permitiu-lhe a fortuna que casasse com minha avó, filha da “petite noblesse” transmontana. Como ficava bem naquela altura, possuía um belo relógio de bolso, encrostado numa caixa de ouro branco que polia cuidadosamente contra o colete – ele usava sempre colete – cada vez que decidia ver as horas. No próprio dia em que faleceu, a minha avó ofereceu o dito relógio ao meu primo António que, recém-entrado na adolescência e pouco mais velho do que eu, acompanhara estoicamente o meu avô na sua última viagem para o Porto, numa ambulância. Naquele dia de tristeza e legados, também eu recebi o relógio de bolso que pertencera ao meu tio-avô Daniel, homem de letras e fiel irmão de meu avô, de quem sempre ouvi o melhor, apesar de o não ter conhecido. E é essa a beleza dos relógios de bolso, que hoje já ninguém usa, repletos da vida e brilhantes do polimento pelas mãos trémulas dos nossos avós.

Monday, April 5, 2010

Quem dera que ainda fosse dia...

E com o cair da noite e o sentir do frio primaveril chegou aquela insegurança repleta de “what if?”, “now what?” e o turbilhão de questões que acompanham um aperto do coração – vá-se lá saber porque é que nestas coisas, apesar de se pensar com a cabeça é o peito que dói. Química, tem que ser química e se esta não resultar, pés no chão e aproveita mas é a sensação, Ricardo.
E vou ter que roubar o post de uma “amiguita” aqui do lado porque, mesmo sem ela saber, hoje acertou em cheio:

Saturday, April 3, 2010

Kaffeehaus, Chiado

A mente prega-nos cada partida! Não é que sonhei contigo e acordei (sem vontade de acordar) com um sorriso parvo. Basta propor um estímulo minimamente plausível e os neuróticos dos neurónios arranjam logo uma panaceia irresponsável. Fazia sol (e hoje até choveu lá) e tu chegavas ao encontro marcado, com um sorriso aberto e lindo. Muito descontraída e com um andar afirmativo. Eu não sabia se eras tu mas, está claro, tu sabias ao que vinhas, confiante, arranjada mas não pretensiosa. Simpática, cumprimentaste-me – “Olá Ricardo”, e disseste-me o teu nome. Sentaste-te ao meu lado e, antes de tudo, inquiriste a empregada sobre o bolo do dia que encomendaste juntamente com um chá exótico, olhando para mim pelo canto do olho. E eu ali parado e fraco, estarrecido com a situação, embevecido com a novidade, a tentar manter o fluxo de oxigénio dos malditos neurónios. E falámos, muito tempo e muito, sem nos atropelarmos e sem nos colocarmos as questões idiotas a que os recém-conhecidos se dedicam. Mais no presente do que sobre o passado. E era como se tudo encaixasse, como se estivesse destinado a ser assim mesmo. E em segundo pensamento, eu reparava como eras giraça: o rosto delicado, o cabelo loiro bonito, os olhos encantadores semi-escondidos pelas pestanas e aquele sorriso magnífico. E notava que, mesmo não parecendo surpreendida, também tu gostavas do miúdo que tinhas pela frente a ganhar confiança. E sem medo, agarrei-te ao de leve na mão, por debaixo da mesa, para comprovar a compatibilidade que como sei começa com a facilidade do toque e o sentir agradável do contacto da minha mão na tua mão. E eu, miúda, que nem sou muito de me lembrar dos sonhos, estou para aqui a recordar a partida que os sagrados neurónios me pregaram (e a matar mais alguns com 0,9 mg de nicotina), novamente com um sorriso parvo enquanto escrevo isto, e a encomendar-lhes a cena dos próximos capítulos.

Friday, April 2, 2010

fragments of an Easter season

O que eu mais gosto na Páscoa – logo a seguir às amêndoas envoltas em chocolate – é desta sensação de imensidão de tempo para escrever. Três dias inteirinhos de calmaria quase absoluta numa cidade praticamente despida de gente – mesmo que meio invadida por espanholitos na semana santa deles – sem grandes compromissos sociais ou festividades em formato de obrigações familiares. Tranquilidade quase suficiente para retomar o enredo do romance que me apetece pôr no papel há tantos anos e a facilidade de fazer pausas não programadas para ir dar uma volta até ao Chiado ou pousar numa qualquer esplanada com os amigos que também por cá decidiram ficar.

Thursday, April 1, 2010

And now for something completely different… (and very macho?)

Gosto imensamente de alguns personagens que cruzam a minha vida. Não sou um animal de hábitos mas fora algumas temporadas passadas no estrangeiro, vou ao mesmo barbeiro desde que deixei de deixar que me cortassem o cabelo à tigela. O local é conhecido como o barbeiro dos engenheiros (o que me assenta bem) e é uma daquelas barbearias tradicionais que ainda existem em Lisboa, e onde alguns dos ditos ainda vão mesmo fazer a barba. O meu barbeiro dá pelo nome de Jorge (nome que lhe assenta na perfeição) e é um personagem. Para além de tratar das melenas de algumas cabeças de IQ superior, é um audiófilo convicto. Daqueles que alugam salas de som, para ouvir o som cristalino do último vinil, tomam beberagens de filtros para apurar o ouvido e não acreditam na fidelidade do CD quanto mais do mp3. No tempo em que ainda se compravam Hi-Fi systems (i.e., antes do advento do Wi-Fi e das músicas partilhadas em bytes) foi ele quem me recomendou a bela Denon D-M7S cá de casa à qual ligo o Pod (shame on me, sou um herege). Invariavelmente, quando vou cortar o cabelo (situação em que a maior parte dos homens troca conversa de circunstância sobre bola com o seu barbeiro) eu e o Jorge trocamos ideias sobre as últimas tecnologias do bom som, ele informa-me sobre o último vinil que comprou, sobre a pureza da voz da Ella Fitzgerald ou, intelectualmente, sobre o estado da arte dos últimos tenores portugueses, porque é um apreciador de ópera. E eu adoro o privilégio, e orgulho-me por ser um dos clientes de um barbeiro com uma paixão destas, que verdadeiramente aprecia o Barbeiro de Sevilha.


Wednesday, March 31, 2010

Ainda afectado... sai um post de “gaja” mas no masculino – os perfumes da minha vida (ui, isto promete!)

Na adolescência o arrebata corações Drakkar Noir...




No início da idade adulta, aventura a rodos com o Antaeus...



No fase dos trinta, montes de charme com o Allure...

Monday, March 29, 2010

partiu para parte incerta

O que eu gosto desta cidade quando apesar do frio e da ameaça de chuva parece que Lisboa partiu para parte incerta e a lateral da Avenida da República se faz em menos de 2 minutinhos mesmo com os carros em segunda fila à porta da Versailles.

Sunday, March 28, 2010

Bairro de encontros

Já há muito que não me aguentava no Bairro até os bares começarem a fechar – o facto de a hora mudar também ajudou. Mas é certo que quando se apanha uma daquelas noites loucas, em que circular pelas ruas e vielas se torna complicado por causa da multidão incandescente, o Bairro é o sítio para se reencontrar gente que não se vê há muito. Entre o velhinho Suave e o mais recente Maria Caxuxa, reencontram-se amigos da escola, colegas da universidade e conhecidos com quem nos divertimos, muito, entre copos, quando o Bairro era o poiso recorrente duas ou três noites por semana. É claro que também há muitos ausentes, que imaginamos recatados em casa, a cuidar dos filhos, e que estamos mais velhos, e sem paciência para o fluxo circulante dos “miúdos” agarrados a copos que parecem baldes de cerveja – como alguém dizia, “isto hoje está uma macacada” – mas mesmo assim, há gente gira q.b. e conversa interessante para as noites de primavera.

Saturday, March 27, 2010

très très bon...

Estes são do mais catita que há na música contemporânea. Daqueles que se eu tivesse uma sala para concertos ao vivo, gostaria que lá tocassem noite após noite de primavera – Nouvelle Vague em acústico, ao vivo no Olga Cadaval (excelente sala, com um som magnífico).

Wednesday, March 24, 2010

Temple Bar 1995

Recordo-me que naquele verão Dublin estava pejada de crianças, os irlandeses pareciam assemelhar-se a martas na época do cio e passeavam os filhotes em carrinhos chicco pelos parques verdes da cidade. Naquela noite, passada entre pubs de desventura nas margens do Liffey, experimentando copos de Paddy whiskey misturados com pints de Kilkenny, encontrei-te a ti, com as tuas sardas e o teu cabelo ruivo de miúda anglo-saxónica no meio da multidão feliz de Temple Bar. E foi assim, sem aviso, que retive o teu rosto na memória todo o tempo em que recém-encartado e meio alucinado, conduzi pelas estradas em volta da bela ilha esmeralda, clockwise e em sensação de contra-mão, e sonhei contigo numa terrinha encantadora do Donegal chamada Letterkenny, mística até à exaustão.

Tuesday, March 23, 2010

write a book

You asked me to write a book and I thought about all my life self-contained in a movie, fast-forwarding the scenes where you didn’t play a role. Seeing you as the Best Actress award winner, on the podium, proud to make the speech, not that tall on your high-heels, with your curly dark hair beautifully dressed, just proud to be there and have all those photographers produce their digital cameras from the stand, trying to take that unique picture of you that would make the morning magazine cover. How amazing this life has been, either travelling around the World and sensing it spin-around or discovering those unpretentious tiny places, where our minds captured images that make the spine go crazy and burst a shiver through my earthling body.

Monday, March 22, 2010

amêndoas da Páscoa

More than 80% of the world’s almonds are grown in California and, to pollinate them, the 7,000 or so growers hire about 1.4m of America’s 2.3m commercial hives. Thousands of trucks deliver the hives in February - from Maine, Florida, the Carolinas and elsewhere - and will soon pick them up again. The bees’ job is to flit from one blossom to the next, gorging themselves and in the process spreading the trees’ sexual dust.

Since 2006, however, bees have been suffering from “colony collapse disorder” (CCD), a mysterious affliction that has drastically reduced their numbers. Its cause may be mobile-telephony radiation, viruses, fungi, mites and pesticides - or none of the above.

O mundo deve estar doido e só me faltava mais esta. Eu que sou apaixonado por amêndoas, simples ou, particularmente, cobertas de chocolate, e que só regozijo com a chegada da Páscoa por causa da tradicional fartura das ditas, vejo assim ameaçado mais um dos prazeres da vida...

Thursday, March 18, 2010

Eu sei pela tua ausência que quando regressas de viagem gostas de ler o meu blog...

Eu sei (ou imagino) pela tua ausência que quando regressas de viagem gostas de ler o meu blog...


Wednesday, March 17, 2010

Palm Springs 2009

Nunca o calor do verão foi tanto. Tínhamos descido de San Francisco para LA num carro alugado ficando a conhecer o Big Sur, e apesar de não o recomendarem, decidíramos passar uns dias a descansar em Palm Springs. Escolheste, bem, o hotel e encontrámos um sítio encantador com poucos hóspedes e um staff atencioso q.b.. Fazia um calor insuportável durante o dia, com uma aragem seca vinda do deserto, mas as noites eram agradáveis. Tínhamos duas piscinas catitas por nossa conta e água com limão à discrição por debaixo dos chapéus-de-sol de triângulos amarelos. Mas apesar de tudo, do conforto, do teu carinho e da sensação de férias eu não me sentia relaxado, nem feliz. Sentia saudades do que fôramos no passado, das sensações fortes de aventura de outras férias que passámos juntos noutros destinos. E assim, mesmo sem intenção, começou o fim do que éramos, debaixo do sol abrasador e das palmeiras da Califórnia, sem sentido.

Tuesday, March 16, 2010

Tunbridge Wells 1990

Nunca fui tão puto como naquela noite. Tínhamos escapado aos alarmes de incêndio do palácio, saltando perigosamente pela janela do quarto que tinha papel-de-parede aos elefantes. Corrêramos tão rapidamente quanto nos era permitido, sem fazer barulho, para o pavilhão junto à piscina onde alguns do grupo optaram por um banho nocturno. Estava uma noite perfeita, com uma lua nova que emanava aquela claridade única, apenas possível à meia altura do hemisfério norte. Alguém trazia uma garrafa de champanhe e copos de plástico, e para não termos que partilhar, fugimos para uma das salas de aula mais isolada. Ainda em grupo, passámos horas a jogar ao “se eu fosse um animal, seria...”. Tu querias ser um golfinho, obviamente assentava-te bem, e eu uma gaivota – que animal tão estúpido – creio que induzido pela música do Zeca Afonso que alguém te ensinara e tentavas cantar em português. E quando os outros já recolhiam com o despontar da alvorada, nós deixámo-nos ficar mais um pouco. Dançámos um slow, mesmo que com música imaginária, e eu passei-te a mão pelo rosto, fixando-te o olhar e arrastando-te o cabelo curto, cor de prata com aquela luz, para detrás da orelha, e beijei-te com todo o amor que tinha para dar.

Dali 2002

Nunca fui tão infeliz como naquela noite. Perdidos no meio do Yunnan, desidratado por uma violenta intoxicação alimentar que a dimicina insistia em não debelar, num estranhamente moderno hotel encerrado entre muralhas, decidiste rejeitar-me, pôr-me na ordem e mandar-me de volta para a minha cama, naquele quarto que era só de nós dois. Creio que chovia lá fora, e eu sob o torpor do meu mal-estar físico, passei a noite acordado, a soluçar para dentro, para que não me ouvisses, e a desejar que o meu mundo acabasse ali mesmo, sem contemplações. A pensar, exageradamente, que nada mais fazia sentido. Que não queria voltar a ver o sol nascer. Que não merecias que alguém gostasse assim tanto de ti e que eu não merecia aquele sofrimento atroz. E então, para meu espanto completo, quando a lua já ia alta no sudoeste asiático e a chuva tinha, finalmente, parado de cair, deste por mim, e vieste deitar-te sobre o meu corpo e dormimos juntos aquelas horas que restavam.