Monday, May 3, 2010

Enternecedor

Continuo cheio de vontade de escrever mas estou cansado do meu registo. Apetece-me um bocadinho da vida dos outros e é por aí que vou.
Ontem à noite quando chegava a casa e estacionava o carro na garagem quase fui atropelado por um puto que conheço desde os meus 15 anos e que hoje é apresentador da MTV. E é ele que me reconhece, salta do carro, com o seu ar de “twenty-ager” ainda rebelde, cabelo comprido e barba de uma semana, para me cumprimentar efusivamente, enquanto me explica que é o “baixo” da banda dele que mora no meu prédio e que veio só deixar o material. Da última vez que o tinha visto, há uns anos atrás, a situação foi ainda mais engraçada: estávamos a chegar ao Meco quase no final da tarde, e a praia continuava cheia, excepto aquele espacinho ao pé do parzinho meloso de serviço e nós conformámo-nos, eis senão quando ele (o puto) desagarra a miúda para me vir falar e acaba a oferecer-nos convites para os MTV Awards.
Esta noite fui ver “a bola” para casa de um amigo que se juntou com uma miúda divorciada e já com dois filhos. É certo que o jogo não nos foi favorável, nem particularmente animado, mas às tantas dou por ele (o meu amigo) estirado na cadeira a pretender fechar os olhos, com o “filho” mais novo já a dormir profundamente sobre a barriga. Enternecedor, digo eu.


Sunday, May 2, 2010

excertos #5

9
Think of a time when you accomplished something challenging – something you were proud of… What emotions can you remember? Who did you rely on to make it happen? - write down the names
- Peter Senge


Naquela época eu apaixonei-me a sério. No dia em que as incertezas me invadiram o coração dorido, juntei-me com o Tomás na esplanada do Bamako e, ao contrário do meu costume nestas coisas do amor, contei-lhe tudo o que havia para contar:
- Sabes Tomás, ela surgiu-me do nada. Sem contexto, sem processos de apresentação, sem histórias pré-concebidas. E isto encanta-me, a descoberta absolutamente casual do que pode ser uma “alma-gémea”. E tu sabes como eu sou com estas coisas, completamente amansado pelas desilusões acumuladas na vida. Totalmente descrente das possibilidades da fortuna.
- Mas como foi que a conheceste?
- Isso não interessa para nada. Como te disse foi do nada, sem expectativas nem influências alheias. Foi porque ia acontecer e como tu imaginas, apesar de disponível, eu nem andava à procura. Queria algum sossego e estava farto dos “happy-endings” de que tu gostas tanto nos teus filmes.
- Humm, e qual é o “ending” que tu imaginas para esse teu filme?
- Sabes Tomás, quando se chega a esta fase das nossas vidas, agradece-se um acontecimento destes, mesmo que seja só pelas sensações que julgávamos perdidas. E na circunstância arrisca-se muito, mesmo sabendo que pode não dar em nada, apenas porque faz todo o sentido deixarmo-nos levar, à procura da realidade com que sempre pretendemos sonhar.
- E como é ela?
- Ela é, obviamente, linda! Mas como tu bem sabes, não é isso que faz a diferença para mim. É tudo o resto e o todo, o puzzle no conjunto, os pequenos pormenores que encaixam na perfeição. A forma e os movimentos juntos e acumulados com as histórias encantadoras que tem para me contar. Mas apesar de fazer parte, não é o passado, não são as vivências que me fazem vibrar, são muito mais as sensações do momento presente. O charme total e próprio como sorri para mim, a capacidade que tem de me deslumbrar e pôr a pensar, sem conceitos formados, como um céu imenso para pintar.
- E ela o que sente por ti? Como é que esse argumento se vai desenlaçar?
- Sabes Tomás, eu estou sempre a sentir que já não estou com ela há demasiadas horas, e por estranho que pareça é esta nossa ausência que me traz a segurança de já a amar. Mas quando estamos juntos, só dou por mim a confirmar isto mesmo, sem receio nenhum do que se vai seguir e ao mesmo tempo sei que não vale de nada correr, porque tudo vai acontecer quando tiver que ser.

And so it is (definitivamente lamecha)

E foi assim que entraste definitivamente na minha vida, pronta e convicta em deixar a tua marca como o reflexo da lua nova sobre o Tejo. Águas calmas mas completamente diferentes de tudo o que conhecia até esta noite. O teu olhar sorridente e aquele abraço confuso, indelével. Aquela sensação única do teu cheiro misturado com as minhas palavras atabalhoadas. O conforto de estar com alguém que ainda não se conhece mas que sabemos ter tanto para nos dar. A vontade imediata de voltar a abraçar-te, ainda que imperfeitamente, enquanto se conduz para casa. A certeza de que a vida pode ser mesmo muito mais. A cumplicidade aceite de que a realidade se sobrepõe ao que te escrevo. E a música que me ecoa no espírito:

And so it is
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time
And so it is
The shorter story
No love, no glory
No hero in her sky

I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you

Friday, April 30, 2010

My new life...

My new life is surprisingly imperfect. Time seems to fall short and synchronism fails us, again. I dream of you and me laying very still on a beach. Both of us enjoying the perfect sound of the waves and each other’s presence. I picture us kissing warmly while the sun sets on the sea horizon. I see us wishing for a future that is still to come. You feeling sleepy while my right hand caresses your golden long hair. You smiling and me desiring you, your semi-tanned skin and its sweet scent that flutters my existence. The strange shadows your beautiful body casts over my own skin. The small talk of kids playing with sand. The sense of happiness all-around. The extent of perfection drawn upon the curves of your neck. Your eyes searching for mine.

os códigos

Encontrou-a no meio do deserto de gente anónima. Deixou-se seduzir por ela, entre os estereótipos que a tinham conhecido e abraçado ao longo do tempo. Sentiu-se apaixonar pelos códigos que eram só deles os dois. Amou as entrelinhas e as perspectivas a que ela dava tamanha importância. Não hesitou em viciar-se naquelas conversas ao final da noite. Apreciou cada minuto miúdo que passou com ela ao sol ou nas primeiras noites quentes do ano. Ofereceu-lhe o livro que para ele era sagrado, inscrevendo cuidadosamente a dedicatória que seria só dela. Soltaram-se com um abraço e gostaram do primeiro beijo imperfeito. Gostam do aconchego quando dormem juntos e ele sonha com ela mesmo deitada a seu lado. Amam-se com tudo o que a vida já lhes ensinou e quando ela lhe pergunta se é para sempre, ele sente-se eternamente apaixonado pelo seu sorriso único.

Wednesday, April 28, 2010

a novela mexicana (ou o reality-show?)

Ele acordou mal dormido mas ainda assim descansado. Ainda macambúzio, reconheceu-se no espelho e reparou nas grandes olheiras que trazia do sono. Tomou o seu duche matinal e quando se plantou, novamente, diante do espelho para fazer a barba deu-se conta do magnífico terçolho que assolava o seu olho esquerdo. Sentiu-se arreliado e inconsistente. Já fazia muito calor naquela manhã, demasiado verão para o mês de Abril. Aconchegou-o o CD tocado no carro: “This is not a love song... I'm adaptable and I like my new role...”. Por oposição, desconfortável com a queda da bolsa e o dinheiro que perdia em menos de 2 horas de mercado. Recebeu o primeiro SMS já passava da tarde e sentiu-se novamente adolescente por cada vez que escolheu o “Send” em mais uma mensagem para ela. Apaixonado, até ver. Quem sabe, para sempre. Sentiu-se apanhado pelo grande sorriso que lhe rasgava o rosto e recordou com vontade a meiguice dela, imaginando-a ao sol a olhar o mar com o telemóvel na mão...

Monday, April 26, 2010

melancólico até à exaustão

Naquele verão voei para Berlim sentado no lugar 23F de um Fokker 100 sem ninguém a fazer-me companhia. Passei as 3 horas da viagem a espreitar pela janela, desperto pelo ruído monótono e ensurdecedor dos motores, a observar a paisagem por entre um céu cristalino sem a sombra de uma única nuvem. Sentia-me vazio e absolutamente insensível, incapaz de me deixar maravilhar pela imagem dos campos da Alemanha – ninguém deveria deixar de viver sem ver os campos da planície alemã a 30.000 pés – esplendor máximo de civilização entrecortados a castanho e verde. Pensava em mim, puramente em mim, e onde o destino perdido me levava. Sem qualquer fulgor da alma, sem qualquer resquício da minha personalidade. Ausente naquela manhã de ausência com o sol nascente pela frente. Era eu e só eu, a imaginar vidas passadas, até que na distância surgiu a metrópole espraiada pela imensidão da Prússia e cortada pelas curvas do Spree e eu acordei para a vida real.

Sunday, April 25, 2010

não sabe a nada

É oficial, sair à noite depois de “ontem” não sabe a nada. Procuro-te em vão entre as caras que passam, cheio de esperança e de vontade que me venhas resgatar. Consulto o BB a cada sensação de vibração, na expectativa de mais um “aqui, agora” que me faça abandonar a causa dos copos com os amigos. Aposto na probabilidade ínfima do “por acaso” mantendo o sorriso adolescente porque estou mas é a pensar em ti. Entretenho a conversa porque me sinto feliz, em modo agri-doce, quando na realidade anseio pela teu sorriso e companhia novamente. E gosto tanto disto, da sensação dos químicos auto-gerados e das endorfinas únicas que despertaste em mim.

Saturday, April 24, 2010

O teu charme

Tu tens aquela graciosidade que me faz acreditar na perfeição. A maneira de estar que me faz sonhar. O sorriso que é tudo o que se pode pedir à vida e a gargalhada bem colocada. A destreza transformada em beleza e a expressão leve como o levante quente, vindo do sul. Emanas felicidade e vens cheia de complexidade. Trazes contigo o aroma do deserto perdido no castanho e verde dos teus olhos. És sofisticada mas gostas de chá com casca de limão. As tuas histórias conduzem-me suavemente pelo desconhecido e ao desejo de saber mais. És impertinentemente meiga e suave quando me ofereces o conforto de uma almofada. Quero deixar-me levar e apaixonar-me. Apetece-me dar-te a mão e mimar-te até à exaustão.


In a Manner of speaking
I just want to say
That I could never forget the way
You told me everything
By saying nothing

In a manner of speaking
I don't understand
How love in silence becomes reprimand
But the way that i feel about you
Is beyond words

Oh give me the words
Give me the words
That tell me nothing
Ohohohoh give me the words
Give me the words
That tell me everything

In a manner of speaking
Semantics won't do
In this life that we live we only make do
And the way that we feel
Might have to be sacrified

So in a manner of speaking
I just want to say
That just like you I should find a way
To tell you everything
By saying nothing.

Oh give me the words
Give me the words
That tell me nothing
Ohohohoh give me the words
Give me the words
That tell me everything

Thursday, April 22, 2010

Verão 1991

Naquele ano eu quase me afoguei em São Martinho. Eu e o Francisco, fizemo-nos ao mar na baía mas este estava calmo demais e a brisa era pouca. Demos por nós parados bem no meio da concha quando o barquito começou a meter água. Saltámos borda fora para não afundarmos a embarcação e nadámos sem coletes com a barcaça a reboque. Quando alcançámos a praia estava enregelado até aos ossos e sentia a barriga cheia de água salgada. Naquele verão eu portei-me mal contigo. Deixei-me enfeitiçar por uma loirinha gira, perdi ao ping-pong com o “outro amor da minha vida” e deslumbrei-me com a liberdade das férias de rapazes. Fizemos muitos disparates: alta-velocidade pelos pinhais de São Pedro de Muel sem luzes, confusões nos torneios de snooker da Foz do Arelho, banhos de espuma na Green Hill, ao som do “Losing my Religion”, sem fé nenhuma, e desintoxicações no hospital das Caldas. No dia em que me foste visitar, convidei-te para um jantar romântico com vista para a baía mas acabámos a discutir numa tasca da vila. Tu fugiste para Palma de Maiorca e eu fui de visita para Roma que amei. Quando regressámos, eu vinha doente com uma pleurisia e tu com a pele esturricada pelo sol e chamei-te ovo estrelado. Caímos nos braços um do outro, nos jardins do Campo Grande, e tu estavas tão bonita e eras tudo o que eu pedia à vida, mas nada, nunca mais, voltaria a ser como dantes. E eu hoje, abraçava-te enquanto caminhávamos, e pensava para os meus botões, porque nos perdemos em 1991...

A minha montanha russa (ainda lamechas, isto passa-me)

Na minha montanha russa tu és a equilibrista. Quando parece que vou cair, tu hesitas. Quando vamos a subir, tu encantas-me. Quando o carrinho acelera e eu anseio por saber o que vem a seguir, perdemo-nos em subterfúgios. Quando o ar custa a respirar, deixamo-nos levar e a imensidão do tempo que falta parece maior do que o espaço que nos separa. Falta-nos o sincronismo e falha-nos a vontade. Eu gosto da emoção do desconhecido e tu gostas da certeza do adquirido. Mais uma voltinha? Está bem, vamos lá!


Monday, April 19, 2010

Suavemente lamecha (para não variar)

Cheguei a casa depois de uma noite “suave”. Fui jantar ao restaurante da moda e gostei muito. Isto pode não parecer romântico, mas pensei em ti entre cada garfada dos filetes de linguado enrolados em vieira. Lembrei-me da tua gargalhada a cada história engraçada que me contavam. Especulei o nosso “por acaso” em cada loirinha que me olhava. Insistiram em falar-me da vista do Silk e eu ri-me a bandeiras despregadas. Gritaram o teu nome ao longe e eu corri para ver se eras tu. Pareço um adolescente demente e isso reflecte-se no excesso da minha produção literária de fraca qualidade. Se a minha vida podia andar mais baralhada do que isto? Poder podia, mas não seria tão divertida.

Sunday, April 18, 2010

Schwarz-Weiß-Welt

Quando eu nasci não havia televisão em casa dos meus pais – deviam achar-se muito intelectuais ou hippie-fashion e só tocavam música no gira-discos. Talvez para o miúdo não ficar totalmente alienado, quando tinha uns 4 anos fizeram-me o favor de comprar um pequeno aparelho Grundig-design cuja parte da frente era toda ecrã, a que eu chamava de cubo branco – muito precoce com as formas geométricas! – e onde via os desenhos animados que vinham da Checoslováquia. Por alturas da invasão Espanhola com o “Naranjito” e o “Verão Azul” o cubo branco foi substituído por uma televisão a cores que me levou a perguntar se o mundo real era a cores ou a preto e branco – meio retardado com a percepção das cores! E hoje estava a ver uma tele-reportagem sobre o advento da televisão 3D made in Korea e a imaginar se os miúdos se colocarão a mesma questão sobre as dimensões do mundo...

BlackBerry Blinking

As I was wakening, the red LED blinked at me four times. As it happens ever since I fell for you, it was your beautiful smile I thought of, definitively wishing for some news, a new text message or e-mail. Sigur Ros was playing on the radio and a strange character was sitting by my side. I didn’t feel like talking but the man needed to be listened to. He introduced himself but I was unable to catch his foreign name. He started talking about the end of the world because on the southern part of Iceland Eyjafjallajökull had abruptly erupted and it was meant to cast a new age of darkness over the continent. He made remarks about what a beautiful place Europe was and I agreed. He went on, predicting that as the cloud of dust fills the sky, people will turn themselves inward once again, and mysticism become king. That human spirit shall surrender itself to the wilderness of times to come. That even if everyone dreams of “par-delà les nuages”, there will be no more sun over the Mediterranean beaches. And all this kind of demise he was describing made sense to me as a return to the 19th century. It’s the end of the world as we know it (And I Feel Fine).


boatos

Muito pior do que os rótulos, de que até gosto, são as conclusões absolutistas e finais que me irritam. Hoje disseram-me que um velho amigo está “agarrado” à cocaína e que outro menos íntimo é alcoólico. E eu que nestas coisas não sou de me ficar e dar por aceites as certezas de quem traz as novidades, ponho-me a desfazer o novelo para facilmente concluir que o diz que disse (fundamental para manter a atenção da audiência) não passa, a maior parte das vezes, de uma premonição frugal de quem tende a entreter-se com as desgraças alheias (e que quem conta um conto, acrescenta um ponto). “So what?” se o meu velho amigo frequenta festinhas animadas pelo pó branco, isso não faz dele um drogadito e o menos íntimo também não caiu em desgraça só porque frequenta reuniões de anónimos, porque por si só isso demonstra consciência. E eu gosto de pessoas bem formadas e não suporto boatos.


Saturday, April 17, 2010

hoje

Quero um sábado tranquilo. Curar a ressaca e afastar-te da cabeça, tirar-te do sistema. Doem-me as órbitas dos olhos e falta-me o sentido do equilíbrio. Quero parar um bocadinho, ficar quietinho a sentir-me vazio. Não sei nada de ti há demasiadas horas. Como eu, deves ter passado a noite na rambóia ou então voaste para longe. Quando cheguei tu não estavas e eu queria tanto que nos tivéssemos encontrado. Mas hoje não sou boa companhia, tenho o sangue por destilar. E apesar de tudo, sinto-te a falta.

Friday, April 16, 2010

You're the measure of my dreams

Isto está a ficar pior que mau. Entre o desejo, o querer e a expectativa, para além de viverem alucinados com o "dance with me... little stranger" a tocar no iPod, os meus neurónios decidiram entrar na fase da fantasia semi-erótica. Imaginam-nos em carícias entre lençóis muito brancos. Eu a beijar-te o pescoço cheiroso, encostando-te cuidadosamente contra a parede. Nós a caminho da praia, ora contigo a conduzir e eu concentrado em ti, maravilhado com o teu sorriso, ora comigo ao volante e tu a achares graça à conversa. Eu e tu a descermos as dunas com as mãos presas apenas pelas pontas dos dedos. Tu a resmungar carinhosamente comigo porque queres companhia para ir a água e eu a insistir no esturricar. Tu encostada no meu regaço a folhear uma leitura qualquer. Eles a partilharem os headphones contigo, apreciando a música em mono, satisfeitos. Nós de regresso à cidade com a brisa a correr sobre o rio. Eu e tu a sacudirmos a areia dos pés, em competição pela água tépida do chuveiro. Eu a passar-te o sabão pelas costinhas e a reparar na textura bonita da tua pele, enquanto seguras o cabelo. Nós a sairmos para jantar, fresquinhos apesar do calor do verão. Tu de vestido giro, eu de bermudas com a pele a estalar. E Lisboa cheira bem, como nem sempre acontece, a alfazema e a água doce. Nós a caminhar de mãos dadas, apaixonados pelo que a vida tem para nos dar.

Thursday, April 15, 2010

Hi Ricardo! Here is your Daily Horoscope…

Sei que despertei 1 hora depois, olhei para o relógio vi 4h06 e desesperei atordoado a pensar que ainda não tinha dormido nada. Na verdade era apenas 1h06 e quando acordei mesmo, perto das 8, sentia-me fresco que nem uma alface. Duche, barba, gravata e corrida para o escritório. Estive muito bem na reunião com o COO global e com o CEO cá do burgo. Marquei os pontos todos e senti-me brilhante. Eu gosto de me sentir brilhante, fico confiante e com vontade de desafios. Aproveito para enviar um mail pertinente para o CBDO – isto dos “chiefs” disto-e-daquilo diverte-me! Fast-lunch by Go natural e entrevista com uma candidata que espero venha a ser a nova Manager da equipa, em crescimento. “Tiro a tarde” para ir ouvir um dos capitalistas de sucesso em Portugal, num evento promovido por uma faculdade. Conta a história de quando começou como trainee na Alemanha e não gostava da Schnaps que lhe ofereciam. Está velhote mas ainda assim é brilhante e encanta a assistência repleta de estudantes, que espero também venham a ser brilhantes. Passo por um supermercado e divirto-me a observar uma jovem “veggie” que arruma cuidadosamente os brócolos, a beringela e a salada “ready-made” no seu cesto ecológico de serapilheira. Estranhamente, tem um poodle que deixou “atracado” junto à caixa. Encarno o espírito, e a sugestão de quem acredita nestas coisas, e procuro o meu horóscopo na web – curiosamente, tem tudo a ver:

“Strangely, you don't seem to care much at all whether your new crush is mutual -- you're just enjoying the ride. Your motives are pure and your actions are direct, so you're definitely on the right path.”


Sunday, April 11, 2010

Casa dos Espíritos

Como esta tarde recordavas, eu e tu entramos num filme: “A Casa dos Espíritos”. Não é um bom filme, tal como o livro também não é grande coisa, e apesar do elenco fabuloso nem sequer recebeu uma nomeação para os óscares. Mas ainda assim é um filme muito conhecido e na cena em que a Winona reencontra o Banderas, filmada na Praça do Município, lá estamos nós, eu e tu, a beijarmo-nos como nos pediram. Eu com uma camisola de rugby da Escócia que, por acaso, foste tu que me ofereceste, completamente desajustada para a época que se pretendia, e tu com um vestido às flores, plausível. E naquela altura, já não éramos mais que tudo, um para o outro, mas “sacrificámo-nos pelo espírito da 7ª arte”.

Saturday, April 10, 2010

Primeiras amêijoas do ano

Aniversário do progenitor. Almoço sobre o rio. Dia de sol e de regatas no Tejo. Primeiras amêijoas do ano cozinhadas com coentros frescos, grandes e carnudas, daquelas que há que comer com o garfo. Peixinho grelhado e vinho branco. Saudades de fazer vela como em Inglaterra. Os primeiros dias soalheiros à séria são sempre uma maravilha.