Monday, May 31, 2010

amigos

Proponho uma esplanada para nos encontrarmos a apanhar sol. Sei que tenho andado desaparecido mas também sei que para vocês isso é bom sinal. Não foi hoje que nos consegui juntar, uns optam pela praia e outros pela festa da criança no Museu da Electricidade. Acabo por passar a tarde com apenas uma parte, num magnífico recanto de Lisboa à sombra desta magnífica árvore:

[o espaço chama-se “Fabric Infinit”, Rua D. Pedro V ao Príncipe Real – highly recommended]

Sunday, May 30, 2010

Caras comentaristas anónimas:

1) Arrelia-me a falta de coragem para se darem a conhecer – aliás, sou irascível no que toca a perseguições
2) Não estou disponível e muito menos “à procura” – como bem se percebe pelo que escrevo, estou apaixonado, como tal as vossas provocações não me trazem nada
3) O conceito BILF assusta-me – vá-se lá saber como alguém se pode tornar sexualmente apetecível pelo que escreve, quando muito BILL
4) Por estas e por outras é que este blog já teve que mudar de casa umas quantas vezes – há também a opção dos comentários censurados ou desactivados mas eu sou a favor da liberdade de expressão, não me obriguem a isso
e já agora:
5) Não gosto da coisa dos “selinhos”
6) Também não alinho em “desafios postados”
Fiquem bem!

ps- Eu não escrevo neste blog para que me leiam, muito menos para ser descoberto enquanto BILF, BILL ou qualquer outra coisa. Escrevo porque gosto, e publico aqui porque sou suficientemente arrogante para querer partilhar metade do que me passa pela alma.

Saturday, May 29, 2010

“A inspiração não me importa para nada...”

Eu lá sou miúdo de ídolos e cultos... mas se me dessem a escolher conhecer, conversar, discorrer longamente, tranquilamente, com alguém, nem hesitava: Oscar Ribeiro de Almeida Niemeyer Soares Filho, 102 anos vividos a criar eternidades num tempo que já não está para estas causas. Senador da Humanidade, por direito próprio – digo eu! – é para além de um grande Arquitecto, o verdadeiro pensador, com quem eu trocaria alegremente a vida vivida. Atente-se na perspicácia (contraditória quanto basta) do Senhor:
“Na vida, nada é importante, somos pequenos demais em relação ao Universo.”
“Não me sinto importante. Arquitectura é meu jeito de expressar meus ideais: ser simples, criar um mundo igualitário para todos, olhar as pessoas com optimismo. Eu não quero nada além da felicidade geral.”
“Não é o ângulo recto que me atrai. Nem a linha recta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual. A curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, nas nuvens do céu, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o Universo. O Universo curvo de Einstein.”
“Acho o optimismo uma coisa ridícula, uma coisa que não leva a nada. Nós não queremos o niilismo, mas queremos uma vida dentro do que existe, não é? É duro, mas existe realismo.”
“Sou pessimista diante da ideia de que o homem, quando nasce, já começa a morrer... é preciso, então, aproveitar o lado bom da vida, usufruir o melhor possível e aceitar os outros como eles são. Sempre digo: o importante é o homem sentir como é insignificante, é o homem olhar para o céu e ver como somos pequeninos.”
“Todo mundo tem um lado bom e um lado ruim. O homem nasce numa lotaria: é bom, é ruim, é inteligente ou não. Se a gente aceita este facto como uma condição inevitável, a gente tem de ser mais paciente com as pessoas, aceitá-las como elas são.”
“Acredito na natureza: tudo começou não se sabe quando nem como. Eu bem que gostaria de acreditar em Deus. Mas não. Sou pessimista diante da vida e do homem.”
“Quando eu estava em Paris, andava sempre com um grupo do qual fazia parte um cientista, um físico muito inteligente que tinha sido incumbido de estudar a lua, no laboratório em que trabalhava... nos mostrou pedrinhas brancas da lua. O engraçado é que era uma pedrinha como outra qualquer. Tive vontade de ficar com uma daquelas pedrinhas...”
“A gente tem que sonhar, senão as coisas não acontecem.”

O Talentoso Mr. Ridley

Matt Ridley possui uma daquelas qualidades que tornam os homens ímpares: a capacidade de decifrar para o comum dos mortais a essência da vida, expondo-a prosaicamente em palavras inscritas no papel. Parece que decidiu voltar a fazê-lo, e depois de há muitos anos atrás este humilde miúdo de ciências ter devorado o “Genome: The Autobiography of a Species in 23 Chapters”, apetece-me entrar de férias e dedicar-me ao “The Rational Optimist: How Prosperity Evolves”.
Pequena lista de outras obras monumentais, muito recomendadas para a compreensão das coisas (porque a divulgação científica é, mesmo, uma arte):
The Periodic Table, Primo Levi
Deep Simplicity, John Gribbin
Guns, Germs, and Steel, Jared Diamond
(e ainda, num registo muito próprio: Calvin and Hobbes, Bill Watterson)

tiro e queda

E foi logo ali, enquanto regressava pela 2ª circular, ligeiramente acima da velocidade permitida e a olhar o azul do céu compassado pela lua quase cheia, um crepúsculo que mais parecia saído do filme do Bertolucci, que tive a certeza de que iria escrever muito por estes dias, e também procurar um refúgio no Adriático ou no Egeu para acordarmos juntos, quando tu quiseres.

Friday, May 28, 2010

acelerado

Ponho-me a ouvir My Brightest Diamond e apetece-me gravar-te este CD: “A Thousand Shark's Teeth” – “Inside a boy”. Hoje estou acelerado, apetece-me escrever para ti, para nós...

Inside a boy (that’s me)
I found a universe (this is us)
And in his eyes (or your eyes)
Are a thousand stars (and you’re the special one)
On a dark sky (not that dark)

We are clouds (aren’t we?)
We are whispers (like we do it when we ML)
Like fawns and shape-shifters
Our edges can never be found out
No, our edges keep moving further out (that’s why we fit so well)

We are stars colliding (yes we are!)
Now we crash
Like lightning into love
Love

In his arms (my arms)
I’m unwinding (relaxing…)
Under his kiss (my kisses)
I'm falling into love (are you, really?)

We are stars colliding
Now we crash
Like lightning into love

We are stars colliding
Now we crash
Like lightning into love
Love

Thursday, May 27, 2010

When the world opens your eyes

When the world opens your eyes you realize that you’ve spent your whole life seeking for the unimaginary. Looking for it in familiar places where you surely wouldn’t find love. Dreaming of that slow motion “déjà vu” fitting upon your body and making your soul rejoice. And then... you already miss the taste of mango and vanilla sweetly kissing your lips and you wonder if this is real life or if you’ve just been dreaming of togetherness with your soul-mate. And you choose not to wake up and just keep quiet while sensing her smooth skin on your fingers.

Wednesday, May 26, 2010

A paixão nos tempos da blogosfera

Nos tempos inóspitos os amantes escreviam longas cartas de amor, profundas de palavras pensadas e dedicadas, elegantemente assinadas com pena de pato, cuidadosamente dobradas e firmemente lacradas. Sabendo que cada uma expedida, demoraria dias a chegar ao destino, arriscavam escrevê-las em catadupa, diariamente, sem a facilidade da resposta mas apostando na devoção permitida pela paixão, sem saber o que o correio já trazia no caminho. Eu ainda vivi no tempo da transição das cartas escritas à mão para a propagação do e-mail, do messenger e dos blogs. É diferente, sem dúvida, muito mais tempo real, pergunta e resposta, dedicatória, comentário aposto, provocação e glória, anónima ou declarada. E a paixão fiel adapta-se aos tempos modernos, com a mesma esperança de um dia se tornar certeza, vã ou verdadeira.

Monday, May 24, 2010

Veredicto paralelo

Ela - Explica…
Eu - Há uns dias atrás estávamos juntos, de mãos dadas, e disseram uma frase cheia de significado que me pôs a pensar: “Uma vida perfeita é uma sucessão de acasos de sorte”. Tu és isso para mim, um enorme acaso que me faz sentir pleno de sorte. Alguém de quem apetece cuidar muito e bem, e essa não é uma sensação que aconteça muitas vezes durante uma vida.
Ela - Humm Ricardo, isso parece uma daquelas tuas respostas de “porque não” ou “porque sim”…
Eu - Sim miúda, e no fundo é dessas mesmas que se trata. Gostar de alguém a sério não vem com argumentos, vem carregado de misticismo, difícil de verbalizar, difícil de racionalizar. Por isso é tão bom e único, porque foge às leis da física, como flutuar no espaço sem regras ou referenciais cartesianos. Entendes?
Ela - Humm, não me convenceste…


Saturday, May 22, 2010

o pretenso alternativo e a sofisticada

O amor pleno surgiu-lhes quando já não acreditavam ou não o desejavam. Apaixonaram-se suavemente por entre as melodias e o cheiro do verão. Namoriscam a pele um do outro com desejo. Ela tem as costas mais perfeitas que ele já sonhou, ele o regaço confortável onde ela gosta de se aninhar. Perdem-se no tempo com os cafunés dedicados um ao outro. Brincam, muito, com os corpos e palavras de amor segredadas ao ouvido. Enroscadinhos pela manhã, ela quer as legendas do que ele pensa, enquanto ele deseja aquele olhar meigo à distância dos dedos. São felizes, mesmo, o pretenso alternativo e a sofisticada.

Tuesday, May 18, 2010

Oia

E foi quando vi a tua fotografia no Facebook, tirada por mim, iluminada pelo mais fantástico pôr-do-sol da Terra que me apercebi da tristeza romântica da nossa relação passada e porque choravas há uns dias atrás. Naquele dia, de que eu gostei imenso, tínhamos passeado muito. Eu ao volante do Jimny percorrendo estreitas estradas à beira dos precipícios encantadores da ilha, ultrapassando furiosamente os autocarros de turistas. Tu, divertida, com a máquina fotográfica a disparar, sem parar, imagens, muitas imagens, que mais tarde seleccionarias com o “delete-confirm-delete”. E o mar de gente, de diferentes povos e nacionalidades, que naquela noite, depois do sol posto, se deixaria encantar pela justaposição de Vénus a querer esconder-se da Lua crescente.



Monday, May 17, 2010

naquela noite

Aproveitei aqueles momentos só meus. Esperava por ti mas apetecia-me escrever mais uma história e as palavras brotavam ao som da música que ouvia. Era o final de mais uma noite, o início de um novo dia, e o ritmo do meu coração acelerava. Queria ver-te, mais do que tudo queria sentir-te perto de mim, outra vez. Queria as sensações, também, outra vez, mesmo que calmas, queria o teu cheiro e a tua meiguice para me deixar levar. Mas sentia-te assustada, mais do que com a profundidade do mar. Pensava se te teria afectado o equilíbrio, tão teu. Sentia-nos tão diferentes, eu com os meus altos e baixos, tu com a tua maneira de ser, ponderada. Mas eu queria-te, apetecias-me. E as palavras não acompanhavam o que eu queria dizer-te, naquela noite, embalada. Pensava também se te perderia por entre as palavras do texto, mas ainda assim deixava-me levar pela facilidade de escrever, pela miríade do que tinha para te dizer, inconformado, naquela noite.

Thursday, May 13, 2010

as nossas praias

A tua praia tem uma vista deslumbrante – 270º de amplitude sobre a cidade reluzente e muita exclusividade. A minha praia tem ruas estreitas e gente diferente – muitos peixinhos diversos e bem com a vida. As nossas praias são próximas e dão para o mesmo mar. Quando a chuva cai é a mesma água que as molha e nós encontramo-nos a caminhar sobre a calçada cheia de histórias para partilharmos, suavemente, sob o encanto do toque das nossas mãos dadas e felizes.

Wednesday, May 12, 2010

Não quero “Um caso mais”

Não gosto do efémero. Já o tinha experimentado e hoje percebo que me deixou a marca do não terno na alma. Não entendo o gosto pelo futuro acabado ou simplesmente adiado, para sempre. Surrealismo total com umas pinceladas de niilismo à mistura, não quero a minha vida feita disto...


Enquanto foi só um bom momento, deu
Enquanto foi só um pensamento meu
Deu só num caso forte a mais

Enquanto achávamos graça ao que se escondeu
E as horas eram mais longas do que a verdade fez
Para ser só outro caso mais

Enquanto for só ternura de verão, eu vou
Enquanto a excitação der para um carinho eu dou
Traz... essa leveza, ai!
Mas concerteza eu dou, um outro melhor Bom dia!

Já trocámos nortadas por vento sul
Enquanto demos risadas foi-se o azul
Nem sei qual deles foi azul demais

Mas não ficará só a sensação de cor
Nem sei o que o coração irá dizer decor
Se o inverno for depois duro demais

Enquanto for só ternura de verão, eu vou
Enquanto a excitação der para um carinho eu dou
Traz... essa leveza, ai!
Mas concerteza eu dou, um outro melhor Bom dia!


In - Trovante - Uma Noite Só

Tuesday, May 11, 2010

Num mundo paralelo

Eu - Porque estás tão calada?
Ela - Porque tenho medo…
Eu - Medo de quê? De não gostares de mim?
Ela - Não Ricardo, medo de me apaixonar por ti.
Eu - Ah miúda, mas isso é justo e só tens que deixar-te levar, porque eu já estou cá à tua espera…

Monday, May 10, 2010

the story within the story

Ele escrevia sem senso em novos ficheiros. Histórias de amor vividas ou imaginadas. Cenas a dois, românticas e apaixonadas. Momentos únicos para recordar. Ele deixava-se deslumbrar com tudo o que tinha para lhe dizer, mesmo em silêncio. Pequenas metragens por coreografar, os movimentos daqueles dois corpos prontos para agradar. E da sua janela perscrutava o céu com vontade de a amar. Ele sentia-se a divagar, por entre os personagens cuidadosamente criados, pelas altas horas da noite. A esperar por mais uma mensagem dela. Ele lembrava-se com desejo daquele corpo sedoso. Aquelas sensações absolutamente únicas antes da madrugada. O seu braço envolvendo-a enquanto ela dormia, profundamente. O acordar sobressaltado e com calor ao movimento brusco do corpo dela. O beijá-la no ombro redondo como a dizer “já gosto tanto de ti”. O olhá-la pela escuridão, enquanto se vestia. O caminhar pelo recanto, observando o banco no jardim onde tinham pousado horas antes, lábios nos lábios. E os pássaros a chilrear quando a noite ainda ia alta e ele já sentia saudades dela.

Saturday, May 8, 2010

Agora a sério

Vacilar não é um verbo muito comum na minha vida. Contam-se pelos dedos as situações em que dei por mim a pensar que deveria ter procedido de outra forma, tomado outro caminho ou opção. Isso faz de mim um miúdo um bocadinho arrogante, sempre com demasiada certeza nas palavras que digo e nas decisões que tomo. Afirmativo e convicto, embora haja quem prefira classificar-me como convencido. Faz ainda com que me falte o tacto ou a sensibilidade para antever certas coisas.
Estranhamente, hoje, para além dos “pormaiores” que gostaria que tivessem sido diferentes e de tudo o que me apeteceu fazer de outra forma nas últimas horas, dou por mim a desejar que houvesse uma opção “rewind” na minha vida, e já agora também um “replay in slow-motion” para a maravilha da noite de ontem. Certamente, também não teria ido jogar squash com a fúria acumulada que agora me faz doer o ombro, nem discutido com um amigo por causa de nada. Apetecia-me sim, ter-te levado ao teatro para assistirmos a um dos melhores textos do Tom Stoppard (“The Real Thing”), de mãos dadas e sorrisos apaixonados.

a chuva de volta a Lisboa

A dream of togetherness
Turned into a brighter mess
A faint sign my spoken best
Now, now

Make way for the simple hours
No finding the time its ours
A fate or it's a desire
I know

So I was the lucky one
Reading letters, not writing them
Taking pictures of anyone
I know

So let the sunshine
So let the sunshine
So let the sunshine let it come
To show us that tomorrow is eventual
We know it when the day is done

Thursday, May 6, 2010

Saint-Exupéry

Ainda tenho 10 minutos e perdo-me em ti, qual principezinho, andando, andando através das areias, das rochas e das neves, até por fim descobrir uma estrada, a estrada que me leva mesmo a ti, para me deixar “cativar”. – Cativa-me, por favor, com aquele teu sorriso, cheio de surpresas...

Wednesday, May 5, 2010

As minhas aventuras na República Portuguesa (ou, eu quero o mundo privatizado)

Afortunadamente nunca tive que fazer projectos para clientes do Sector Público. Esta manhã em solidariedade com um colega dei por mim numa reunião numa Agência do Estado criada pelo nosso Primeiro. “Dei por mim” é como quem diz, porque antes da dita tivemos direito a todo um cerimonial de espera e contra-espera com direito a visita ao “bar” onde se concentra toda a produtividade inútil dos nossos funcionários públicos para um cafézinho matinal (às 10 horas da manhã, entenda-se). Entre a parcimónia da espera pelo 2º pequeno-almoço, deles, feito do pãozinho-de-leite com fiambre e rematado pelo belo do galão à portuguesa, encontrei uma preciosidade da arcaica realidade sindical, que não resisti em trazer como “recuerdo”:


De saída da dita reunião, que se prolongou por horas infindáveis sem objectivo aparente, dei por mim perdido no mais suburbano dos bairros sociais que já tive oportunidade de “visitar”. Prédios que mais parecem caixas de cartão, paredes muito sujas, gentes descuidadas à porta das casas. Manfios à porta do café-tasca do bairro, a palitar os dentes, com ar de quem vai devorar o incauto consultor perdido à procura da saída dali para fora.
Serviu-me a experiência para estabelecer que, nesta República Portuguesa, não troco a civilização do Business District por nada, e que os clientes do sector privado são o melhor que há.