Sunday, April 18, 2010

BlackBerry Blinking

As I was wakening, the red LED blinked at me four times. As it happens ever since I fell for you, it was your beautiful smile I thought of, definitively wishing for some news, a new text message or e-mail. Sigur Ros was playing on the radio and a strange character was sitting by my side. I didn’t feel like talking but the man needed to be listened to. He introduced himself but I was unable to catch his foreign name. He started talking about the end of the world because on the southern part of Iceland Eyjafjallajökull had abruptly erupted and it was meant to cast a new age of darkness over the continent. He made remarks about what a beautiful place Europe was and I agreed. He went on, predicting that as the cloud of dust fills the sky, people will turn themselves inward once again, and mysticism become king. That human spirit shall surrender itself to the wilderness of times to come. That even if everyone dreams of “par-delà les nuages”, there will be no more sun over the Mediterranean beaches. And all this kind of demise he was describing made sense to me as a return to the 19th century. It’s the end of the world as we know it (And I Feel Fine).


boatos

Muito pior do que os rótulos, de que até gosto, são as conclusões absolutistas e finais que me irritam. Hoje disseram-me que um velho amigo está “agarrado” à cocaína e que outro menos íntimo é alcoólico. E eu que nestas coisas não sou de me ficar e dar por aceites as certezas de quem traz as novidades, ponho-me a desfazer o novelo para facilmente concluir que o diz que disse (fundamental para manter a atenção da audiência) não passa, a maior parte das vezes, de uma premonição frugal de quem tende a entreter-se com as desgraças alheias (e que quem conta um conto, acrescenta um ponto). “So what?” se o meu velho amigo frequenta festinhas animadas pelo pó branco, isso não faz dele um drogadito e o menos íntimo também não caiu em desgraça só porque frequenta reuniões de anónimos, porque por si só isso demonstra consciência. E eu gosto de pessoas bem formadas e não suporto boatos.


Saturday, April 17, 2010

hoje

Quero um sábado tranquilo. Curar a ressaca e afastar-te da cabeça, tirar-te do sistema. Doem-me as órbitas dos olhos e falta-me o sentido do equilíbrio. Quero parar um bocadinho, ficar quietinho a sentir-me vazio. Não sei nada de ti há demasiadas horas. Como eu, deves ter passado a noite na rambóia ou então voaste para longe. Quando cheguei tu não estavas e eu queria tanto que nos tivéssemos encontrado. Mas hoje não sou boa companhia, tenho o sangue por destilar. E apesar de tudo, sinto-te a falta.

Friday, April 16, 2010

You're the measure of my dreams

Isto está a ficar pior que mau. Entre o desejo, o querer e a expectativa, para além de viverem alucinados com o "dance with me... little stranger" a tocar no iPod, os meus neurónios decidiram entrar na fase da fantasia semi-erótica. Imaginam-nos em carícias entre lençóis muito brancos. Eu a beijar-te o pescoço cheiroso, encostando-te cuidadosamente contra a parede. Nós a caminho da praia, ora contigo a conduzir e eu concentrado em ti, maravilhado com o teu sorriso, ora comigo ao volante e tu a achares graça à conversa. Eu e tu a descermos as dunas com as mãos presas apenas pelas pontas dos dedos. Tu a resmungar carinhosamente comigo porque queres companhia para ir a água e eu a insistir no esturricar. Tu encostada no meu regaço a folhear uma leitura qualquer. Eles a partilharem os headphones contigo, apreciando a música em mono, satisfeitos. Nós de regresso à cidade com a brisa a correr sobre o rio. Eu e tu a sacudirmos a areia dos pés, em competição pela água tépida do chuveiro. Eu a passar-te o sabão pelas costinhas e a reparar na textura bonita da tua pele, enquanto seguras o cabelo. Nós a sairmos para jantar, fresquinhos apesar do calor do verão. Tu de vestido giro, eu de bermudas com a pele a estalar. E Lisboa cheira bem, como nem sempre acontece, a alfazema e a água doce. Nós a caminhar de mãos dadas, apaixonados pelo que a vida tem para nos dar.

Thursday, April 15, 2010

Hi Ricardo! Here is your Daily Horoscope…

Sei que despertei 1 hora depois, olhei para o relógio vi 4h06 e desesperei atordoado a pensar que ainda não tinha dormido nada. Na verdade era apenas 1h06 e quando acordei mesmo, perto das 8, sentia-me fresco que nem uma alface. Duche, barba, gravata e corrida para o escritório. Estive muito bem na reunião com o COO global e com o CEO cá do burgo. Marquei os pontos todos e senti-me brilhante. Eu gosto de me sentir brilhante, fico confiante e com vontade de desafios. Aproveito para enviar um mail pertinente para o CBDO – isto dos “chiefs” disto-e-daquilo diverte-me! Fast-lunch by Go natural e entrevista com uma candidata que espero venha a ser a nova Manager da equipa, em crescimento. “Tiro a tarde” para ir ouvir um dos capitalistas de sucesso em Portugal, num evento promovido por uma faculdade. Conta a história de quando começou como trainee na Alemanha e não gostava da Schnaps que lhe ofereciam. Está velhote mas ainda assim é brilhante e encanta a assistência repleta de estudantes, que espero também venham a ser brilhantes. Passo por um supermercado e divirto-me a observar uma jovem “veggie” que arruma cuidadosamente os brócolos, a beringela e a salada “ready-made” no seu cesto ecológico de serapilheira. Estranhamente, tem um poodle que deixou “atracado” junto à caixa. Encarno o espírito, e a sugestão de quem acredita nestas coisas, e procuro o meu horóscopo na web – curiosamente, tem tudo a ver:

“Strangely, you don't seem to care much at all whether your new crush is mutual -- you're just enjoying the ride. Your motives are pure and your actions are direct, so you're definitely on the right path.”


Sunday, April 11, 2010

Casa dos Espíritos

Como esta tarde recordavas, eu e tu entramos num filme: “A Casa dos Espíritos”. Não é um bom filme, tal como o livro também não é grande coisa, e apesar do elenco fabuloso nem sequer recebeu uma nomeação para os óscares. Mas ainda assim é um filme muito conhecido e na cena em que a Winona reencontra o Banderas, filmada na Praça do Município, lá estamos nós, eu e tu, a beijarmo-nos como nos pediram. Eu com uma camisola de rugby da Escócia que, por acaso, foste tu que me ofereceste, completamente desajustada para a época que se pretendia, e tu com um vestido às flores, plausível. E naquela altura, já não éramos mais que tudo, um para o outro, mas “sacrificámo-nos pelo espírito da 7ª arte”.

Saturday, April 10, 2010

Primeiras amêijoas do ano

Aniversário do progenitor. Almoço sobre o rio. Dia de sol e de regatas no Tejo. Primeiras amêijoas do ano cozinhadas com coentros frescos, grandes e carnudas, daquelas que há que comer com o garfo. Peixinho grelhado e vinho branco. Saudades de fazer vela como em Inglaterra. Os primeiros dias soalheiros à séria são sempre uma maravilha.

Thursday, April 8, 2010

il gattopardo

Saio de uma reunião no Taguspark com o sol ainda alto neste final de tarde. Faz calor e, porque vi o mar brilhante à ida, hesito em arriscar um pulinho à praia mas estou de fato e gravata e opto pela A5. Num instantinho estou em Lisboa. Encontro facilmente um lugar no Chiado e aproveito para ir à Fnac. Tenho presentes de aniversário em falta para os carneiros da minha vida, escolho livros e uns Moleskine originais para cada um. Por cima do expositor dos romances estrangeiros uma miúda loirinha faz-me olhinhos quando o altifalante anuncia “dentro de momentos, Tiago Bettencourt ao vivo no café Fnac” e ela... sai disparada – o sucesso do menino bate aos pontos o meu “efeito executivo”, e não podias ser tu. Reparo no “O Leopardo” de Giuseppe Tomasi di Lampedusa, sei que o tenho a ganhar pó numa prateleira lá em casa e lembro-me que quem mo ofereceu, no último natal, escreveu na dedicatória: “Duvido que algum dia venhas a ler este livro...”. Eu adoro dedicatórias inscritas na primeira página dos livros, e gosto ainda mais de desafios. Vamos lá, il gattopardo.

Wednesday, April 7, 2010

Sintomático ou a vida sorri

Eu que nunca acordo antes do despertador, despertei cedo e com vontade de mais um dia. Passo muito tempo debaixo do chuveiro até dar conta de que estou com o sorriso parvo. Quando pretendo fazer a barba, percebo que se acabou o gel e recorro à espuma dos kits de viagem – mas não me importo. Coloco um bocadinho do Allure aftershave e escolho bem a gravata porque hoje há sessão de fotografia no escritório – estou farto do meu sorriso pepsodente nas revistas profissionais mas passa-me ao lado. No elevador encontro o avô coronel com a sua neta Beatriz que olha para mim com os olhos esbugalhados – é gira a criança. O VW está com umas rotações perfeitas – adoro os motores a gasolina alemães e a música que passa na Radar. Estou atrasado, eu sei, mas abrando ao passar à porta da Versailles – e sorrio. Tenho uma entrevista com uma ex-BCG que não lhe corre bem mas eu aturo-a – porque recebo uma mensagem tua no BB. Almoço com um mentorado afável e decido levá-lo ao Suntory – hoje estou um mãos largas. Sessão-fotográfica-sorriso-pepsodente – estas vão sair bem. Saio para um cliente cujo CA quer um desconto de 17% na última proposta – saldos, era o que faltava! Passo 3 horas a orientar o delivery das minhas equipas – quero que se sintam confortáveis, consultoria é mesmo giro! Saio para um jantar – mas antes passo por uma lojinha de conveniência para comprar gel para a barba. Envias-me nova mensagem – e eu acho que estás com saudades. Um destes dias, isto desenlaça-se...

Tuesday, April 6, 2010

relógios de bolso

O meu avô materno era muito alto e encorpado também. Tinha uns olhos do azul mais profundo que a Terra já viu, um azul que não reflectia o céu nos dias de sol mas que tomava tons de cinza nos dias de tempestade. Sentava-se numa grande poltrona, que era só dele, e ficava para ali a observar os campos de oliveiras, por entre a esquadria de madeira que compunha a janela, a olhar para a serra de Bornes à distância. Bafejado comerciante num meio rural, possuía a sagacidade do judeu, para os negócios, mas era antes de tudo um descendente dos godos, respeitado e correcto com todos. Importava nitratos do Chile que chegavam ao destino em magníficos comboios a vapor, que eu insistia em ir ver à estação, embora me assustassem ao perto. Abastado que era, para a época, e desligado das questões políticas do tempo, passava férias em família no Palace Hotel do Vidago e quando se deslocava ao Porto, a negócios, instalava-se no imponente Grande Hotel de Paris. Mesmo sendo gentio, permitiu-lhe a fortuna que casasse com minha avó, filha da “petite noblesse” transmontana. Como ficava bem naquela altura, possuía um belo relógio de bolso, encrostado numa caixa de ouro branco que polia cuidadosamente contra o colete – ele usava sempre colete – cada vez que decidia ver as horas. No próprio dia em que faleceu, a minha avó ofereceu o dito relógio ao meu primo António que, recém-entrado na adolescência e pouco mais velho do que eu, acompanhara estoicamente o meu avô na sua última viagem para o Porto, numa ambulância. Naquele dia de tristeza e legados, também eu recebi o relógio de bolso que pertencera ao meu tio-avô Daniel, homem de letras e fiel irmão de meu avô, de quem sempre ouvi o melhor, apesar de o não ter conhecido. E é essa a beleza dos relógios de bolso, que hoje já ninguém usa, repletos da vida e brilhantes do polimento pelas mãos trémulas dos nossos avós.

Monday, April 5, 2010

Quem dera que ainda fosse dia...

E com o cair da noite e o sentir do frio primaveril chegou aquela insegurança repleta de “what if?”, “now what?” e o turbilhão de questões que acompanham um aperto do coração – vá-se lá saber porque é que nestas coisas, apesar de se pensar com a cabeça é o peito que dói. Química, tem que ser química e se esta não resultar, pés no chão e aproveita mas é a sensação, Ricardo.
E vou ter que roubar o post de uma “amiguita” aqui do lado porque, mesmo sem ela saber, hoje acertou em cheio:

Saturday, April 3, 2010

Kaffeehaus, Chiado

A mente prega-nos cada partida! Não é que sonhei contigo e acordei (sem vontade de acordar) com um sorriso parvo. Basta propor um estímulo minimamente plausível e os neuróticos dos neurónios arranjam logo uma panaceia irresponsável. Fazia sol (e hoje até choveu lá) e tu chegavas ao encontro marcado, com um sorriso aberto e lindo. Muito descontraída e com um andar afirmativo. Eu não sabia se eras tu mas, está claro, tu sabias ao que vinhas, confiante, arranjada mas não pretensiosa. Simpática, cumprimentaste-me – “Olá Ricardo”, e disseste-me o teu nome. Sentaste-te ao meu lado e, antes de tudo, inquiriste a empregada sobre o bolo do dia que encomendaste juntamente com um chá exótico, olhando para mim pelo canto do olho. E eu ali parado e fraco, estarrecido com a situação, embevecido com a novidade, a tentar manter o fluxo de oxigénio dos malditos neurónios. E falámos, muito tempo e muito, sem nos atropelarmos e sem nos colocarmos as questões idiotas a que os recém-conhecidos se dedicam. Mais no presente do que sobre o passado. E era como se tudo encaixasse, como se estivesse destinado a ser assim mesmo. E em segundo pensamento, eu reparava como eras giraça: o rosto delicado, o cabelo loiro bonito, os olhos encantadores semi-escondidos pelas pestanas e aquele sorriso magnífico. E notava que, mesmo não parecendo surpreendida, também tu gostavas do miúdo que tinhas pela frente a ganhar confiança. E sem medo, agarrei-te ao de leve na mão, por debaixo da mesa, para comprovar a compatibilidade que como sei começa com a facilidade do toque e o sentir agradável do contacto da minha mão na tua mão. E eu, miúda, que nem sou muito de me lembrar dos sonhos, estou para aqui a recordar a partida que os sagrados neurónios me pregaram (e a matar mais alguns com 0,9 mg de nicotina), novamente com um sorriso parvo enquanto escrevo isto, e a encomendar-lhes a cena dos próximos capítulos.

Friday, April 2, 2010

fragments of an Easter season

O que eu mais gosto na Páscoa – logo a seguir às amêndoas envoltas em chocolate – é desta sensação de imensidão de tempo para escrever. Três dias inteirinhos de calmaria quase absoluta numa cidade praticamente despida de gente – mesmo que meio invadida por espanholitos na semana santa deles – sem grandes compromissos sociais ou festividades em formato de obrigações familiares. Tranquilidade quase suficiente para retomar o enredo do romance que me apetece pôr no papel há tantos anos e a facilidade de fazer pausas não programadas para ir dar uma volta até ao Chiado ou pousar numa qualquer esplanada com os amigos que também por cá decidiram ficar.

Thursday, April 1, 2010

And now for something completely different… (and very macho?)

Gosto imensamente de alguns personagens que cruzam a minha vida. Não sou um animal de hábitos mas fora algumas temporadas passadas no estrangeiro, vou ao mesmo barbeiro desde que deixei de deixar que me cortassem o cabelo à tigela. O local é conhecido como o barbeiro dos engenheiros (o que me assenta bem) e é uma daquelas barbearias tradicionais que ainda existem em Lisboa, e onde alguns dos ditos ainda vão mesmo fazer a barba. O meu barbeiro dá pelo nome de Jorge (nome que lhe assenta na perfeição) e é um personagem. Para além de tratar das melenas de algumas cabeças de IQ superior, é um audiófilo convicto. Daqueles que alugam salas de som, para ouvir o som cristalino do último vinil, tomam beberagens de filtros para apurar o ouvido e não acreditam na fidelidade do CD quanto mais do mp3. No tempo em que ainda se compravam Hi-Fi systems (i.e., antes do advento do Wi-Fi e das músicas partilhadas em bytes) foi ele quem me recomendou a bela Denon D-M7S cá de casa à qual ligo o Pod (shame on me, sou um herege). Invariavelmente, quando vou cortar o cabelo (situação em que a maior parte dos homens troca conversa de circunstância sobre bola com o seu barbeiro) eu e o Jorge trocamos ideias sobre as últimas tecnologias do bom som, ele informa-me sobre o último vinil que comprou, sobre a pureza da voz da Ella Fitzgerald ou, intelectualmente, sobre o estado da arte dos últimos tenores portugueses, porque é um apreciador de ópera. E eu adoro o privilégio, e orgulho-me por ser um dos clientes de um barbeiro com uma paixão destas, que verdadeiramente aprecia o Barbeiro de Sevilha.


Wednesday, March 31, 2010

Ainda afectado... sai um post de “gaja” mas no masculino – os perfumes da minha vida (ui, isto promete!)

Na adolescência o arrebata corações Drakkar Noir...




No início da idade adulta, aventura a rodos com o Antaeus...



No fase dos trinta, montes de charme com o Allure...

Monday, March 29, 2010

partiu para parte incerta

O que eu gosto desta cidade quando apesar do frio e da ameaça de chuva parece que Lisboa partiu para parte incerta e a lateral da Avenida da República se faz em menos de 2 minutinhos mesmo com os carros em segunda fila à porta da Versailles.

Sunday, March 28, 2010

Bairro de encontros

Já há muito que não me aguentava no Bairro até os bares começarem a fechar – o facto de a hora mudar também ajudou. Mas é certo que quando se apanha uma daquelas noites loucas, em que circular pelas ruas e vielas se torna complicado por causa da multidão incandescente, o Bairro é o sítio para se reencontrar gente que não se vê há muito. Entre o velhinho Suave e o mais recente Maria Caxuxa, reencontram-se amigos da escola, colegas da universidade e conhecidos com quem nos divertimos, muito, entre copos, quando o Bairro era o poiso recorrente duas ou três noites por semana. É claro que também há muitos ausentes, que imaginamos recatados em casa, a cuidar dos filhos, e que estamos mais velhos, e sem paciência para o fluxo circulante dos “miúdos” agarrados a copos que parecem baldes de cerveja – como alguém dizia, “isto hoje está uma macacada” – mas mesmo assim, há gente gira q.b. e conversa interessante para as noites de primavera.

Saturday, March 27, 2010

très très bon...

Estes são do mais catita que há na música contemporânea. Daqueles que se eu tivesse uma sala para concertos ao vivo, gostaria que lá tocassem noite após noite de primavera – Nouvelle Vague em acústico, ao vivo no Olga Cadaval (excelente sala, com um som magnífico).

Wednesday, March 24, 2010

Temple Bar 1995

Recordo-me que naquele verão Dublin estava pejada de crianças, os irlandeses pareciam assemelhar-se a martas na época do cio e passeavam os filhotes em carrinhos chicco pelos parques verdes da cidade. Naquela noite, passada entre pubs de desventura nas margens do Liffey, experimentando copos de Paddy whiskey misturados com pints de Kilkenny, encontrei-te a ti, com as tuas sardas e o teu cabelo ruivo de miúda anglo-saxónica no meio da multidão feliz de Temple Bar. E foi assim, sem aviso, que retive o teu rosto na memória todo o tempo em que recém-encartado e meio alucinado, conduzi pelas estradas em volta da bela ilha esmeralda, clockwise e em sensação de contra-mão, e sonhei contigo numa terrinha encantadora do Donegal chamada Letterkenny, mística até à exaustão.

Tuesday, March 23, 2010

write a book

You asked me to write a book and I thought about all my life self-contained in a movie, fast-forwarding the scenes where you didn’t play a role. Seeing you as the Best Actress award winner, on the podium, proud to make the speech, not that tall on your high-heels, with your curly dark hair beautifully dressed, just proud to be there and have all those photographers produce their digital cameras from the stand, trying to take that unique picture of you that would make the morning magazine cover. How amazing this life has been, either travelling around the World and sensing it spin-around or discovering those unpretentious tiny places, where our minds captured images that make the spine go crazy and burst a shiver through my earthling body.

Monday, March 22, 2010

amêndoas da Páscoa

More than 80% of the world’s almonds are grown in California and, to pollinate them, the 7,000 or so growers hire about 1.4m of America’s 2.3m commercial hives. Thousands of trucks deliver the hives in February - from Maine, Florida, the Carolinas and elsewhere - and will soon pick them up again. The bees’ job is to flit from one blossom to the next, gorging themselves and in the process spreading the trees’ sexual dust.

Since 2006, however, bees have been suffering from “colony collapse disorder” (CCD), a mysterious affliction that has drastically reduced their numbers. Its cause may be mobile-telephony radiation, viruses, fungi, mites and pesticides - or none of the above.

O mundo deve estar doido e só me faltava mais esta. Eu que sou apaixonado por amêndoas, simples ou, particularmente, cobertas de chocolate, e que só regozijo com a chegada da Páscoa por causa da tradicional fartura das ditas, vejo assim ameaçado mais um dos prazeres da vida...

Thursday, March 18, 2010

Eu sei pela tua ausência que quando regressas de viagem gostas de ler o meu blog...

Eu sei (ou imagino) pela tua ausência que quando regressas de viagem gostas de ler o meu blog...


Wednesday, March 17, 2010

Palm Springs 2009

Nunca o calor do verão foi tanto. Tínhamos descido de San Francisco para LA num carro alugado ficando a conhecer o Big Sur, e apesar de não o recomendarem, decidíramos passar uns dias a descansar em Palm Springs. Escolheste, bem, o hotel e encontrámos um sítio encantador com poucos hóspedes e um staff atencioso q.b.. Fazia um calor insuportável durante o dia, com uma aragem seca vinda do deserto, mas as noites eram agradáveis. Tínhamos duas piscinas catitas por nossa conta e água com limão à discrição por debaixo dos chapéus-de-sol de triângulos amarelos. Mas apesar de tudo, do conforto, do teu carinho e da sensação de férias eu não me sentia relaxado, nem feliz. Sentia saudades do que fôramos no passado, das sensações fortes de aventura de outras férias que passámos juntos noutros destinos. E assim, mesmo sem intenção, começou o fim do que éramos, debaixo do sol abrasador e das palmeiras da Califórnia, sem sentido.

Tuesday, March 16, 2010

Tunbridge Wells 1990

Nunca fui tão puto como naquela noite. Tínhamos escapado aos alarmes de incêndio do palácio, saltando perigosamente pela janela do quarto que tinha papel-de-parede aos elefantes. Corrêramos tão rapidamente quanto nos era permitido, sem fazer barulho, para o pavilhão junto à piscina onde alguns do grupo optaram por um banho nocturno. Estava uma noite perfeita, com uma lua nova que emanava aquela claridade única, apenas possível à meia altura do hemisfério norte. Alguém trazia uma garrafa de champanhe e copos de plástico, e para não termos que partilhar, fugimos para uma das salas de aula mais isolada. Ainda em grupo, passámos horas a jogar ao “se eu fosse um animal, seria...”. Tu querias ser um golfinho, obviamente assentava-te bem, e eu uma gaivota – que animal tão estúpido – creio que induzido pela música do Zeca Afonso que alguém te ensinara e tentavas cantar em português. E quando os outros já recolhiam com o despontar da alvorada, nós deixámo-nos ficar mais um pouco. Dançámos um slow, mesmo que com música imaginária, e eu passei-te a mão pelo rosto, fixando-te o olhar e arrastando-te o cabelo curto, cor de prata com aquela luz, para detrás da orelha, e beijei-te com todo o amor que tinha para dar.

Dali 2002

Nunca fui tão infeliz como naquela noite. Perdidos no meio do Yunnan, desidratado por uma violenta intoxicação alimentar que a dimicina insistia em não debelar, num estranhamente moderno hotel encerrado entre muralhas, decidiste rejeitar-me, pôr-me na ordem e mandar-me de volta para a minha cama, naquele quarto que era só de nós dois. Creio que chovia lá fora, e eu sob o torpor do meu mal-estar físico, passei a noite acordado, a soluçar para dentro, para que não me ouvisses, e a desejar que o meu mundo acabasse ali mesmo, sem contemplações. A pensar, exageradamente, que nada mais fazia sentido. Que não queria voltar a ver o sol nascer. Que não merecias que alguém gostasse assim tanto de ti e que eu não merecia aquele sofrimento atroz. E então, para meu espanto completo, quando a lua já ia alta no sudoeste asiático e a chuva tinha, finalmente, parado de cair, deste por mim, e vieste deitar-te sobre o meu corpo e dormimos juntos aquelas horas que restavam.



Monday, March 15, 2010

Paris 1989

Nunca fui tão feliz como naquele verão em Paris. O meu pai tinha um apartamento alugado sobre o Sena e eu um passe RATP que me deixava deambular por toda a cidade de “Mêtro”, autobus ou RER. Na flor da minha adolescência, com francês suficiente para impressionar e mesada paga em francos, era livre e fiquei a conhecer a capitale du monde como poucos. Eles celebravam o bicentenário da revolutión com espectáculos e festividades improvisadas e eu possuía um walkman com as duas cassetes do ao vivo “Supertramp à Paris”. Perdia-me entre as novidades dos Les Halles, viajava furiosamente até à La Défense, “papava” os filmes 3D na Géode, passava tardes no jardim do Rodin, invariavelmente, escalava a Eiffel ou observava as gentes nas corridas de Longchamps. Os almoços eram, normalmente, compostos de croque-madame, acompanhados de Orangine, os pequenos-almoços de croissants não mergulhados no café-au-lait, e os jantares experimentando os restaurantes exóticos do Quartier latin. Na biblioteca da La Villette ou no Pompidou, em que se entrava à borla, trocava conversas com belas francesas da minha idade, enquanto assistíamos às exibições de jograis ou músicos africanos. Paris 1989.

Sunday, March 14, 2010

not today

Eixo Norte-Sul 8h30 da manhã em sentido contrário ao trânsito: não concebo como será viver em prédios justamente colocados sobre a via rápida ou aturar-se, dia após dia, meia hora de tráfego entre o Lumiar e Sete Rios.

Vasco da Gama com amanhecer de sol: sinto saudades de um Inverno menos chuvoso em que diariamente atravessava a ponte rumo ao sul, despertando para o dia a 120 km/h sobre as brumas do Tejo.

Silêncios do Alentejo: fascinante como custa adormecer no meio do silêncio do campo mas como se acorda revigorado depois de uma noite sem o ruído constante da cidade.

Pequeno-almoço de Pousada: luxo seria poder comer sempre ovos mexidos acamados sobre uma fatia de queijo em cima de pão de forno com sabor a província.

Auto-estrada em cruise-control: hipnose total induzida pelas curvas e tracejados no alcatrão, abusando nos decibéis dos Siouxsie & Banshees.

Wednesday, March 10, 2010

youth

Embarco no Bruxelas - Lisboa, depois de um fim-de-semana prolongado passado com uma “ex” por terras do norte da Alemanha, de carro alugado, em que tínhamos descoberto mais um lugar místico para a colecção – Schwerin, ainda com alguns resquícios do jugo da RDA e por isso ainda encantadora. Ao meu lado senta-se uma miúda gira, de piercing na orelha, e alguns anos mais nova do que eu. Decide meter conversa durante o voo: tinha estado a fazer Erasmus, regressava agora a Lisboa, já tinha saudades da terrinha, os Belgas assim-assim, mas os colegas estrangeiros eram “porreiros” e Ghent tinha uma vida fantástica. O que tinha eu ido fazer à Alemanha, o que tinha achado de Hamburgo, pormenores de Schwerin, etc. e tal... 2 horas de converseta não muito profunda mas entretida. Aterramos em Lisboa, esperamos juntos pela bagagem e quando estou para me despedir envolve-me com os braços e espeta-me uma “beijoca molhada”, dizendo-me adeus com um: tchauu, até à próxima!

Sunday, March 7, 2010

Get a life...

Fim-de-semana entretido com o último do Philip Roth e as suas recordações da infância judia. Um pouco insípidas demais para este descendente de Suevos e Cristãos-novos perdido na vida...

Wednesday, March 3, 2010

Nick Hornby’s top-lists-technique

Há uns anos atrás apaixonei-me violentamente, puerilmente e temporariamente, por uma jornalista catalã que trabalhava na Bloomberg em Londres. Conheci-a numa festa tresloucada a bordo de um barco no Tamisa. Impressionaram-me os seus olhos castanhos e grandes, o seu sorriso único, a sua imersão no auge do estilo de vida da capital inglesa em formato capitalista, a forma orgulhosa como perspectivava o futuro, a gentileza das suas referências dos portugueses e a Barcelona. Enfim, depois de um par de horas passado na companhia dela estava futilmente apaixonado. De regresso a Lisboa, escrevi-lhe uma carta de amor – apenas um excerto, da parte não (muito) lamechas da coisa:

“I guess I’m quite friendly, considered a nice person by most people. My closest friends consider me a bit of an arrogant – they tend to say that I always act as if I have an answer for everything. I’m really timid, at least by portuguese or spanish standards. A seeker of knowledge, an humanist, non-superstitious, a believer in equilibriums who thinks to have found some answers for the big questions.
What else? Adopting Nick Hornby’s top-lists-technique, as a way to get to know someone else – and hoping that you find some references within these. Favourite movies: “Until the end of the world”, by Wim Wenders, “In the name of the father”, by Jim Sheridan, and “Cinema Paradiso” – latest best, “Lost in Translation”. Books: definitively nº1 is “Hadrian Memories”, by Marguerite Yourcenar, then “Focault’s Pendulum”, by Umberto Eco and on the entertaining front, Douglas Coupland’s anarchic stories. Music: I guess I’m a pop fan, James (ever heard of them?), Peter Gabriel, Suzanne Vega (as a sample) and more recently Air and some portuguese bands, I also like it classic, Purcell, Bach and Brahms, or Michael Nyman and Ryuichi Sakamoto. On the cities front: Rome, Lisbon and Barcelona. Countries: Ireland, Italy and China. Art: although my mother is nowadays becoming a professional painter, I don’t have it in my genes and am utterly incapable of drawing an apple, but as a child I wanted to become an architect.”

Tuesday, March 2, 2010

E o tempo importa?

Saturday's Chile earthquake was so powerful that it likely shifted an Earth axis and shortened the length of a day, NASA announced Monday.

By speeding up Earth's rotation, the magnitude 8.8 earthquake – the fifth strongest ever recorded, according to the USGS – should have shortened an Earth day by 1.26 millionths of a second, according to new computer-model calculations by geophysicist Richard Gross of NASA's Jet Propulsion Laboratory in California.


E isto significa que as nossas vidinhas se encurtam? É uma preciosidade da espécie humana, esta obsessão pelo tempo e a forma como medimos as nossas existências pelas voltinhas que damos em volta de um corpo celeste. Heliocêntricos, como somos, viajamos a 108 mil km/hora em volta do Sol, mas na dimensão maior, aceleramos a qualquer coisa como 220 km/segundo à volta do centro da galáxia – pelo menos é o que diz a Wiki!

E tu hoje disseste-me da altivez da tua idade ainda jovem “...estamos a ficar velhos” como só se aplicasse a mim e eu olhei para ti e pensei para os meus botões: um destes dias ainda me apaixono por ti.




Monday, March 1, 2010

Miguel Sousa Tavares – o Torquemada

Apanhei agorinha o novo programa do Miguel Sousa Tavares, de quem gosto q.b.. Será impressão minha ou decidiu encarnar o grande inquisidor general qual Torquemada renascido? E o formato da coisa não faz lembrar os Gato Fedorento e o “Esmiuça aqui, esmiuça ali”. Miguel, estás a ficar velhote... (e eu ando a ver demasiada tv)


Sunday, February 28, 2010

Chuva (de euros) na Madeira

É impressão minha ou o Alberto João (grande personagem!) acabou de inflacionar o pedido de há uns dias atrás dos 1.000 milhões de euros para 1,3 biliões – à americana, espera-se! Ele há gente com lata...

Nota: A Despesa Pública prevista para 2010 na dita Região Autónoma, antes da tempestade, era de 1,6 mil milhões de euros.

Friday, February 26, 2010

you are now untouchable

Tens agora 26 anos e apesar de mais madura permaneces criança. Amuas, fazes beicinho, encostas a mão à cara evidenciando as tuas faces rosáceas. Olhas para mim com cara de má quando me dirijo a ti. E ao mesmo tempo fixas-me com o olhar carregando as pálpebras e dás-me o teu “look” de miúda rebelde. Não sei o que fazes nos teus tempos livres mas imagino-te, imagino-nos muitas vezes no loft em dias quentes, com o sol do final da manhã a entrar pelas janelas, eu agarrado a ti, deitados, tu sobre mim. Abraço-te e agarro-te, tu de costas para mim, e tu rodas o pescoço, bonito, olhando para mim, com carinho, com as pestanas longas e arrebitadas, como a dizer que me amas também.

you are the brightest diamond
i can see you shining for miles and miles
i can see you shining

you are the brightest diamond hidden in my pocket
oh how glorious you must feel splendid
you must feel splendid

you are the brightest diamond hidden on my wrist
you are now untouchable
now untouchable

reaching through the space between your universe and mine a warm light shines





Wednesday, February 24, 2010

Strange songs

Eu cá chego sempre atrasado a estas coisas, as novidades do que melhor se vai fazendo pela música neste (ainda) início de século. Há umas semanas atrás descobri os “Animal Collective”, excelente banda em consagração com o magnânimo (e único) “Merriweather Post Pavilion”. Como diria alguém que conheço “... highly recommended!” e repare-se na ilusão óptica (capa do álbum):




Desde já, também se recomendam o “Strawberry Jam” e “Fall Be Kind” - em EP. Atente-se ainda na sagacidade (e subtileza) de um dos rapazinhos da banda:

In 2004, [Noah] Lennox [aka as Panda Bear] moved from New York to Lisbon, after he went there for the first time at the end of a long Animal Collective tour with Dave Portner in 2003 for a short vacation. Lennox says about Lisbon: "Since I got off the airplane here [for the first time] I had a good feeling about this place." ... Lennox eventually decided to move to Europe because he also felt “connected to the European way of life”, considering himself as a “slow moving kind of person” and Lisbon as a “slow moving kind of place”.



Monday, February 22, 2010

So what’s so cool about Hank Moody?

Pessimistic, self-loathing, loving, spontaneous, brutally honest most of the time…



Saturday, February 20, 2010

boring rain

É impressão minha ou já merecíamos um bocadinho de sol e temperaturas amenas cá na terrinha?





Wednesday, February 17, 2010

made in China

Há uns anos atrás, na época da euforia dos mercados devem ter sido publicados umas dezenas de livros com o título “Made in China”. Ora eu, para além de poder dizer que a China é linda, pelo menos antes do advento do capitalismo (photo taken in Tiananmen square), tenho a experiência de que o “made in China” ain´t that good. Há umas semanas atrás, tive que substituir o chuveiro cá de casa. Solução óbvia, a loja do chinês onde o belo do chuveiro “made in China” custou uma ninharia de 6,90 euros. Pois, durante aproximadamente um mês, o duche da manhã soube-me a pouco e neste carnaval decidi ir até ao AKI, onde por 20 e poucos euros adquiri o bom do chuveiro “made in Germany”. Regalo meu, desde há 2 dias o banhinho sabe-me a doce paraíso, água em queda constante. Ele há coisas fantásticas, não há? E eu certamente estaria disposto a investir muito mais pelo prazer de tomar boas banhocas todos os dias do ano.



Tuesday, February 16, 2010

Until the End of the World

Claire persegue Sam “até ao fim do mundo”. Conhecem-se em França, depois de ela ter passado pelo belo túnel do Monte Branco, reencontram-se em Berlim, amam-se em Lisboa (com a Amália, eléctricos amarelos e uma filmagem debaixo da ponte sobre o Tejo anterior às feias Docas), Moscovo (filmada no antigo cinema Éden), Transiberiano, Tóquio, San Francisco e chegam ao fim do mundo no continente Australiano. Sam roubou uma câmara que lhe permite gravar o que o cérebro “sente” quando os olhos vêem, para que a sua mãe possa “ver” apesar de cega. Ele acaba por apaixonar-se por Claire. Ela ama-o. Gene, o ex dela, deseja que ele a ame também, e escreve um romance em narrativa. E os dois, Claire e Sam, partem num cessna em voo sobre o deserto da Austrália quando o Mundo decide abater o satélite indiano que se encontra à deriva com uma explosão nuclear no espaço e o mundo parece acabar mesmo, em voo planado ao som do “Blood of Eden” do Peter Gabriel. E depois, no refúgio aborígene, ambos ficam obcecados com as imagens que gravam dos seus próprios sonhos. Quem não ficaria? Imagens bioquímicas da “alma a cantar para si própria” – e isto não é ficção científica. O filme passa-se em 1999 e a 31 de Dezembro, festeja-se o facto de o Mundo não ter acabado... lindo!


Until the End of the World, 1991, by Wim Wenders – the most brilliant movie in the World.

 

Monday, February 15, 2010

So what’s so special about Vancouver?

Sonho muito com Vancouver. Considerada vários anos seguidos como a melhor cidade para se viver no planeta, marcou-me pela arquitectura fria de altos edifícios envidraçados e pela simpatia de me fazer sentir próximo da vida simples de quem lá vive. Apesar do urbanismo acessível em esquadria tem bairros e recantos. Zonas fashion e condomínios tranquilos. Restaurantes de nouvelle cuisine e cafés de artistas. Um parque magnificamente verde e um percurso de bicicleta que permite dar a volta toda à cidade, sempre junto ao mar. Sente-se que é uma cidade cosmopolita e por isso erudita. Com muitos mendigos drogaditos a par dos executivos. Watching the Olympics on the tv.


Wednesday, February 10, 2010

pastilhas de nicotina

Vidinha de consultor, passei o dia de volta de um .ppt a fazer gráficos para uma apresentação importante amanhã – em luta permanente com os bugs que os geeks da Microsoft decidiram plantar no Office 2007 – e a lembrar-me, recorrentemente, do que uma consultora “importada” de Espanha – apaixonou-se por um tuga e decidiu pedir transferência para a minha Equipa – me disse há uns dias durante o Project Review: “...nunca tinha trabalhado com um Manager que fizesse .ppts”.
Eis senão quando chega o meu companheiro do lado, que vai ser pai daqui por uns meses e anda a tentar deixar de fumar – com pouco sucesso, diga-se – e decido cravar-lhe uma pastilha de nicotina. E ele diz-me: “mastiga devagar”. Sim, pois, está claro... resultado: speed total, gráficos lindos, quiçá demasiado coloridos, antropomórficos e em catadupa.

Vai ser bonito, vai!



Tuesday, February 9, 2010

Ainda do contra (com sorte, a coisa passa-me daqui a uns dias)

Admirei profundamente o Professor José Hermano Saraiva quando numa qualquer entrevista – creio que ao velho Indy – afirmou com convicção e do alto da sua sapiência que apenas 20% da Humanidade é constituída por seres pensantes, dos restantes, 40% limitam-se a raciocinar e os que sobram estão apenas habilitados para trabalho manual. Não serão exactamente estes os números mas parece-me uma prova de honestidade e acima de tudo um legado exemplar ser capaz de o dizer apesar de parecer – e ser – completamente “politicamente incorrecto” afirmá-lo nos tempos que correm.

Convicto que sou da demonstração prática da natureza das coisas através da História, não posso deixar de reconhecer que o velho Professor é bem capaz de ter razão.

Sunday, February 7, 2010

Happiness is overrated

O que eu queria mesmo era qualidade de vida. Porque gosto de dormir até tarde nos dias de fim de semana e desde que o casalinho de juizes do andar de cima decidiu ter filhotes (amorosos, aliás), não há manhã de sossego que me deixe desfrutar o Ricardo dorminhoco. Porque a senhora que faz as compras cá para casa, me decidiu comprar um gel de banho aloé vera e eu já não suporto o cheiro da coisa (mas também não me apetece ser eu a ir ao supermercado). Porque a chuva em Lisboa insiste em cair à noite e eu sou um animal noctívago. Porque tenho que trocar os pneus da frente do VW e cada vez que chego à Rio de Janeiro tenho demasiada gente à minha frente (e venho-me embora, está claro). Enfim, porque se as coisas não mudam rapidamente, ainda fico tão rezingão como o personagem do último do Woody Allen.




 

Friday, February 5, 2010

estado “solteiro”

A chatice de se voltar ao estado “solteiro” na fase dos trinta é que os amigos já não estão para mais do que um “vamos tomar café logo à noite” e apesar do desejo de aventura, a energia dissipa-se quando se fala em rambóia nocturna... boring!




Monday, February 1, 2010

eu camaleão

Gosto de mudanças e narcisicamente, gosto de mudar. Dizem os astros que sou gémeos do mais puro que há, nascido no ponto mais ou menos intermédio do dito signo, dizem que sou adaptável e versátil, comunicativo e original, intelectual e eloquente, jovial e animado. Pela negativa, superficial e inconsistente. Por outro lado sou Ricardo, que dizem significar líder forte. Tenho ainda um segundo nome próprio, comum a todos os rapazes da minha família pelo lado da materno, também de origem germânica que significa nobre ou puro. Mais uma vez narcisicamente, acho que dá uma combinação interessante. E no entanto, ando cansado. Cansado da minha inconsistência quase pagã. Da minha falta de rumo e da mutabilidade do que quero hoje e já não quero, ou vou querer, amanhã. Apetecia-me ser mais simples. Mais rectilíneo. Acreditar mais nas causas dos outros. Arriscar menos. Encostar-me mais. Ser menos versátil e mais paciente ou constante. Afinal, o tempo não pára e isso só por si pesa. Enfim, devaneios.




Saturday, January 30, 2010

Maldita hora em que decidi sair.

Vi-a esta noite e ela encontrou-me no meio da multidão. Decidiu vir falar-me e espetou-me um beijo na face. Logo ali me arrependi de ter decidido sair. Está linda (ou continua linda). Mantém o estilo dócil mas provocador de quando a conheci. Com um olhar imediatamente desaprovador, forçou-me a apresentar-lhe a minha companhia. Deixou-me incómodo e a sentir-me perdido, como quando era miúdo. Perguntei-lhe pela vida e só me saíram palavras ocas. Fez questão de me passar a mão pelo cabelo, puxando-o ao de leve e dizendo-me que estava comprido. Lembrei-me de quando lhe dizia que devia ser ela a cortar-mo. Contou-me brevemente a sua última viagem, que esteve pela Ásia e que se lembrou de mim. Disse-me que tinha visto paisagens incríveis. Fez questão de incluir a minha companhia na conversa, como que a testar. E depois afastou-se, despedindo-se para se juntar à sua grupeta. E eu fiquei disperso, sem asa e sem vontade de continuar naquela rua. Já sei que vou sonhar com ela. Maldita hora em que decidi sair.




Thursday, January 28, 2010

A mais bela cena de amor

[Passa-se no Pilade, a enoteca de eleição para os intelectuais de esquerda de Milão - Ripa di Porta Ticinese, nº 5]

Veio ter com ele Lorenza Pellegrini. “Levas-me a casa?”
“Porquê eu, hoje?” perguntou-lhe.
“Porque és o homem da minha vida.”
Corou, como só ele conseguia corar, olhando para outro lado. Disse-lhe: “Temos uma testemunha.” E para mim: “Sou o homem da vida dela. Lorenza.”
“Ciao”
“Ciao”
Levantou-se e sussurrou qualquer coisa ao ouvido de Lorenza.
“O que tem a ver?” disse ela. “Só te pedi se me levavas a casa de carro”
“Ah” disse ele. E para mim: “Desculpe, tenho de fazer de taxi driver para a mulher da vida de não sei quem.”
“Parvo”, disse ela com ternura, e beijou-o na face.



Wednesday, January 27, 2010

Playtime... (inscrito no moleskine durante um fastidioso Lisboa - São Paulo, há alguns anos atrás, sob o efeito séptico de três doses de mau whisky servido em saquinhos de polietileno)

Viagens de avião despertam sempre em mim o que me resta da pouca inocência de consultor mas também o fascínio que sempre exerceram sobre o meu espírito irrequieto os aeroportos, em particular, e o mundo da aviação em geral. Não no sentido do “voar” ou da sensação de liberdade que leva muitos miúdos a aspirarem a vida de piloto mas no sentido “arquitectónico” do tema, dos aeroportos, das companhias de aviação e do mundo do transporte aéreo constituir em si mesmo o paraíso do espírito obcecado pela arrumação do complexo.

(Em criança, eu colocava torrões de açúcar na varanda para capturar formigas e não descansei até possuir o meu formigueiro particular, inspirado por um personagem de uma série televisiva italiana que dava pelo nome de “La Piovra” – na versão Portuguesa, “O Polvo”)



É que o mundo de oportunidades que se abre a um espírito como o meu quando encontra um ambiente “Playtime à la Jacques Tati” como acontece em qualquer aeroporto com mais de 10 milhões de transeuntes por ano não é apenas fascinante mas também viciante.

(Há uns anos atrás de visita à livraria da faculdade de arquitectura de Roterdão, vi e perdi a oportunidade de adquirir o livro mais fascinante sobre o tema, inteiramente dedicado à arquitectura e organização dos aeroportos históricos do planeta, com direito a resenha histórica desde o fascinante Berlin Tempelhof dos anos 30, passando pelo Los Angeles LAX dos 80, ao moderníssimo Hong Kong International)



Porque para além de traduzir as mudanças provocadas pela massificação do transporte aéreo, a combinação de personalidades, vontades, exigências, motivações e opções presentes nas alminhas que passam por qualquer aeroporto internacional fazem destes o lugar perfeito para um consultor perspicaz.
(No meu caso, em modo viajante-solitário-intratável-e-no-mínimo-mal-disposto)

1) Porque é que, sem excepção, quem embarca num avião parece definitivamente mal-encarado.

2) Porque raio a fila dos passaportes “EU Citizens” é sempre mais longa e mais lenta do que a dos “Other Nationalities” (em Lisboa, entenda-se!).

3) Porque existem 10 portas para “passaportes electrónicos” – automáticas e sem fiscal de alfândega – e apenas 6 cabinas para “passaportes-não-electrónicos-mas-obrigatoriamente-OCR-porque-assim-até-te-deixam-entrar-nos-States-senão-necessitarias-de-visto” (em Lisboa, entenda-se!) – como se a adesão aos ditos fosse massiva e um país com altos índices de analfabetismo se auto-propusesse conseguir que os mesmos utilizem de forma eficaz (já sem dizer eficiente) as máquinas que obrigam a tirar o retrato e comparar com a fotografia do passaporte.

4) Porque a nossa transportadora aérea nacional (carinhosamente, TAP) não percebe que quando tenho o cuidado de pedir no tele-check-in um lugar na saída de emergência (porque apesar de tudo ainda sou mais jovem que a mediana dos passageiros e necessito de mais espaço para esticar os meus 1,88 m) considere apropriado instalar nas filas adjacentes toda a santa criança de berço ou de colo que insiste em desafiar a paciência dos meus tímpanos durante as malditas 8 horas de voo – como se os mesmos possuíssem a extrema autonomia de escaparem do avião em chamas caso me coubesse a mim, em acto voluntarioso, abrir a porta de emergência.

5) Porque a mesma TAP decide colocar nos ecrãs comuns do velhinho A340 um programa do Oliver, ainda jovem e entusiasta, a cozinhar galinha com um molinho de açafrão e tomate que até me cheira aqui, enquanto nos serve (a TAP) uma amostra de perna de perú “no forno” que sabe acima de tudo a glutamato de sódio com um pretensioso arroz árabe de passas raquíticas.



6) Ou, finalmente, porque mais uma vez a carinhosa TAP, não é capaz de entender que enfrento melhor estas viagens de 9 horas e 50 minutos (insistindo em frisar bem os 50 minutos através dos altifalantes, como se se tratasse de uma qualquer promoção a 9,99 euros mas sem perceber que o efeito é nefasto) devidamente embriagado entre copos de vinho branco e whisky do que sóbrio que nem uma madalena para que cumpram (mais uma vez, a TAP) a normativa comunitária xpto que restringe o consumo de bebidas alcoólicas a bordo mesmo em voos transatlânticos.

Enfim, em jeito de conclusão, voar já teve outro glamour e há de certeza demasiada gente “enlatada” a 22.000 pés pelos céus deste planeta fora, para a coisa apresentar outros fascínios além do conseguir “transportar formigas” através do ar.



Tuesday, January 26, 2010

Chuva forte em Lisboa

Observava-a enquanto fumava pacificamente o seu último cigarro. O sorriso dela em conversa com uma amiga enchia-lhe o olhar e a imaginação. Tinha um rosto perfeito e um cabelo suave, preso atrás da nuca pela combinação de dois lápis. Não deveria ter mais de 30 anos mas parecia-lhe uma mulher feita. Alegre e claramente erudita, com lábios carnudos daqueles que apetece provar. Despretensiosa e ainda assim charmosa. Afrodite de pleno direito. Decidiu arriscar. Pegou numa carteira de fósforos que se encontrava em cima do balcão e rabiscou furiosamente no papel áspero. Chamou o barman e pediu-lhe que a entregasse acompanhada de uma flute de champanhe. Quando ela se virou e lhe fixou o olhar, ele tremeu por dentro. Arrepiou-se com a sensação de déjà vu, reconhecendo-a de múltiplos sonhos passados. Sentiu o sangue a fugir-lhe do cérebro como se estivesse a flutuar. Atirou com duas notas para cima do balcão e saiu porta fora. A chuva caia forte em Lisboa. Ela não lhe telefonou.


Monday, January 25, 2010

il vico

Fim de semana passado entre o delírio da febre e o torpor provocado pelo antigripal... que desperdício de vida.





Wednesday, January 20, 2010

Madrid me mata

Eu odeio ir e vir a Madrid num mesmo dia. Odeio o despropósito do sono interrompido às 5h30 da manhã para apanhar o avião. Detesto o ambiente do aeroporto às primeiras horas da manhã. Faço caretas aos seres inúteis que exercem autoridade para nos deixarem passar incólumes no detector de metais. Rogo pragas aos “executivos” que pensam ser high-flyers porque viajam até à capital da “Ibéria” de semana a semana. Não suporto a prepotência de Barajas e os minutos que se passam a rolar desde a aterragem até à manga do T2. Não gosto dos taxistas madrileños, tão mais civilizados e asseadinhos do que os colegas de Lisboa. Vomito as pausas para “cafés-cortados” sem as quais os espanhóis não passam. Desdenho os “filetes de ternera” mal-passados que insistem em servir, como segundo prato, nos almoços profissionais. Desprezo as conversas crónicas sobre as reportagens que passaram nas têvês castelhanas.


Há anos atrás passei uma longa temporada a trabalhar em Barcelona. Apanhar o aviãozinho catita e pequenino da saudosa Portugália em cada 2ª feira era um charme. Ser recebido pelos, realmente gentis, taxistas catalães no El Prat e ouvi-los debitar as proezas do Figo, música para os ouvidos. Percorrer a Via de les Corts Catalanes enquanto os indígenas despertavam para mais um dia de “feina”, um prazer único. Comer um belo de um croissant pleno de influência francesa no Passeig de Gràcia, um deleite. Ouvir “bon dia” pelo início da manhã, um delírio.

Barcelona me encanta

Monday, January 18, 2010

Empty as a blank .ppt

Porque será que depois de ter passado o fim-de-semana quase inteirinho de volta de um .ppt (coisa que este consultorzinho já não tinha que fazer há muito tempo) me estou a sentir tão vazio?



Sunday, January 17, 2010

Das noites loucas de Lisboa (e da moda das botas altas)

Aqui a capital do rectângulo padece de noites peculiares de quando em vez. Tipicamente, quando se reúnem as condições propícias – meio da época de exames (?), primeiro sábado de temperatura amena e sem chuva desde o início da saison, e algum concerto menos mau no Coliseu – a fauna sai à rua.
Ontem, foi uma dessas noites: meia população de Lisboa na rua e a invasão dos bárbaros vindos dos subúrbios – já disse aqui que sou totalmente a favor de portagens à entrada da cidade?
Isto dá em três horas para se descer do Chiado até à disco da moda, o Bairro “lleno” de gentalha a querer experimentar o que mais parece um comício e muita gente feia nos locais do culto nocturno.
Ah, mas eu e a grupeta divertimo-nos à bessa com a nova moda das botas altas a que o povo no feminino se devotou este inverno. Ele há o parzinho de botas a passar do joelho (perna curta...), os belos dos botins que ninguém usaria senão para andar no campo (entre os animais, está certo...), as botinhas caneleiras mal ensebadas (que se usavam nos idos 80...), as de camurça demasiado largas (muito propícias para a temporada, sim senhora... e ao pé-frio) e, muito ocasionalmente, as que realmente assentam em pernas perfeitas, com não mais de dois dedos para o joelho (realmente giras...). Acho que não faltou muito para vermos galochas a circular (ou se calhar até sim... noutro sentido).


[imagem roubada daqui pink4leafclover - sorry!]


ps- ainda à volta com coisas de “gaja”... influências da blogosfera.

Thursday, January 14, 2010

Relatividade

Astronomers’ latest estimates put the age of the universe at about 13.7 billion years. That is three times as long as the Earth has existed and about 100,000 times the lifespan of modern humanity as a species. The true size of the universe is still unknown. Its age, and the finite speed of light, means no astronomer can look beyond a distance of 13.7 billion light-years. But it is probably bigger than that.

Nor does reality necessarily end with this universe. Physics, astronomy’s dutiful daughter, suggests that the object that people call the universe, vast though it is, may be just one of an indefinite number of similar structures, governed by slightly different rules from each other, that inhabit what is referred to, for want of a better term, as the multiverse.

In “As important as Darwin” published on August 15th, we said that no astronomer can look beyond a distance of 13.7 billion lightyears. This was incorrect. The universe has expanded during the 13.7 billion years that light has been zipping across it and, as a consequence, astronomers can see to distances of perhaps as far as 47 billion lightyears.



[The core of the spectacular globular cluster Omega Centauri glitters with the combined light of 2 million stars. The entire cluster contains 10 million stars, and is among the biggest and most massive of some 200 globular clusters orbiting the Milky Way Galaxy.]


According to a recent study, smoking kills an average of 55 Iraqis a day, compared to a current average of ten deaths daily from terrorist shootings or bombings. So the government argues that it is perfectly reasonable to outlaw smoking on public-health grounds.


The capital of Haiti, Port-au-Prince, suffered a devastating earthquake measuring 7.0 magnitude on Tuesday January 12th. Much of the city was flattened and at least hundreds-and probably thousands-of people have been killed.


Monday, January 11, 2010

ex-lovers (or something else)

R. foi a primeira “mulher” da minha vida, tínhamos 5 anos. Íamos casar, eu seria polícia da GNR com botas de cano alto e ela, já não me recordo. (Ainda hoje me dou com a R, encontramo-nos em jantares de colegas do colégio. Curiosamente, casou com um Ricardo e têm 2 filhos, acho eu)

M. foi a primeira “mulher” com quem “dormi”, era minha prima em 2º grau e explorámos o corpo um do outro, como só as crianças o sabem fazer. Era uma miúda linda, também atrevida, e fomos apanhados pela minha tia na troca de camas partilhadas num verão muito quente em São Pedro de Muel. (Não sei nada da M há muitos anos mas aposto que é feliz)

S. foi a minha primeira paixão. Eu achava-a mais bonita do que a Bruna Lombardi, que naquela altura estava na moda, mas não deu em nada. (Hoje somos bons amigos e encontramo-nos em jantares todos os anos. É também daquelas pessoas que nunca se esquece de me telefonar no meu aniversário)

C. foi a minha primeira “namorada de mão dada e beijos diários”. Era meio francesa e tinha o cabelo encaracolado. Não sobrevivemos às férias do verão.

M. foi o meu primeiro amor. Amor à séria, daqueles que se esperam retomar durante anos e que geram ciúmes às namoradas. (Está casada há uns bons anos também com um Ricardo e da última vez que estive com eles, iam no 3º rebento)

B. foi uma namorada estival. Era linda de morrer e adorava observá-la a dormitar na praia e beijá-la na varanda do Seagull, nas noites de festas. (Depois daquele verão, nunca mais tive notícias da B)

A. foi a primeira namorada do verão do desassossego, durou menos de um mês. (Não sei nada dela)

Seguiu-se a P. Éramos ambos animadores numa colónia de férias para miúdos e escapávamos para trás das dunas. Durou enquanto houve actividades.

Veio então a S., morena e vistosa de cabelo aos caracóis. Foi a minha primeira “namorada oficial” com apresentação aos pais e tudo. Namorávamos intensamente nas festas nocturnas pela Arrábida, isolávamo-nos em passeios de barco porque ela tinha carta de marinheiro e ensinou-me a fazer ski aquático. Também dávamos longos passeios a cavalo pela Serra. Nesta fase o namoro durou uns 3 meses e até sobreviveu ao meu devaneio adolescente de 2 semanas em Paris rodeado dos encantos das francesas.

Depois veio a R. Três anos de namoro sério, alguns mais apaixonados do que os outros. Oficialmente a coisa começou ao som de um slow do Phil Collins. Durou e durou, apesar das traições de parte a parte, dos ciúmes, das birras, dos beicinhos, das diferenças de opiniões bem vincadas sobre tudo aquilo que parece importante quando se chega à idade adulta. Parecia que era para a vida, porque então era aquela a vida. Terminou com a entrada para a universidade, embora tenha havido “retomares” vários e intenções ao longo dos anos. (Hoje ela vive no estrangeiro e apesar de morena tem uma filha loira, linda. Preocupamo-nos em saber um do outro, fazemos por estar juntos, mas muitas vezes pergunto-me se a nossa amizade não se deverá mais aos resquícios do que fomos, do que ao que somos no presente... tão diferentes)

Pelo meio, houve “uma noite só” com a E. num retiro espiritual, porque se proporcionou e o sentido de aventura assim o exigia. (Nunca mais soube nada dela)

Houve também a A. Sueca e talvez a miúda mais bonita que já conheci e que nem sequer foi “uma noite” mas mais uma madrugada. (Sim, gostaria voltar a encontrar)

Retomou-se então a S. anterior. Porque tinha que ser, porque para ela a história não estava fechada e eu, bem, eu precisava de acreditar. Naturalmente, não durou. (Não estou com a S há algum tempo mas lembro-me de a ter encontrado já casada, num casamento, e de ter ficado a pensar que poderia ser minha. Tenho a certeza de que é feliz, porque ambicionava felicidade)

Por esta altura surgiu a J. era amiga da S. Bastante mais nova do que eu, para aquela idade, e facilmente deslumbrável. Como tal, demasiado fascinada por mim e não podia durar. (Sou bom amigo do irmão dela, que é uma figura pública, e da última vez que me deu novidades da J. andava pelo mundo e mandava saudades)

Seguiram-se os anos das aventuras, apenas entrecortados pela M., namorada de 3 meses. Muito gira mas também demasiado miúda. (Deram-me notícias dela há pouco tempo, ia no 2º casamento)

Houve a M. e a N. numa noite de excessos na temporada em Barcelona. Houve a A., exótica, numa noite passada dentro do carro com os vidros embaciados. Houve a fixação pela G., espanhola que nunca me ligou de volta. Houve a S., diferente, que me ocupou o pensamento durante meses e se revelou uma desilusão.

Finalmente, na fase da procura pela estabilidade houve a S. Durou 4 anos, conhecemos parte do mundo junto e creio que fomos felizes a maior parte do tempo. Mas não estava destinado a ser o que, cada um por si, queríamos que fosse e por isso tinha que terminar.


E sim, este é um post demasiadamente nostálgico e também revelador ou íntimo (quase poderia ser de “gaja” – deve ser uma fase)... what’s next?

Wednesday, January 6, 2010

“Mulher moderna”

Ser mulher moderna em 2010 implica carregar nos ombros um século de emancipação, mais coisa menos coisa. Ter sido melhor que os rapazes na escola. Ter competido e ganho a outras miúdas na universidade. Ter conseguido passar as entrevistas no masculino na procura do emprego. Ser capaz de pensar, analisar e chefiar no trabalho. Entender as entrelinhas. Gostar de moda. Gostar de pintura no rosto. Gostar de saídas nocturnas. Conhecer as músicas que estão a dar. Gostar de dançar. Deixar as bebidas brancas. Aprender a gostar de um bom vinho. Gostar de comer pouco. Saber estar. Saber conversar. Deixar de chorar no cinema. Ter um blog e/ou muitos amiguinhos no Facebook. Viajar. Folhear revistas fúteis mas não só. Estar a par. Filtrar olhares. Flirtar sem acomodar. Distinguir piropos de palavras sinceras. Saber resistir. Gostar de experimentar. Saber jogar. Gostar de gostar. Conseguir apaixonar. Deixar-se apaixonar. Saber fingir. Amar. Saber perder. Tomar a iniciativa. Voltar a perder. Sofrer. Saber sofrer. Deixar de gritar. Abdicar. Ser amiga. Perder o orgulho. Reconquistar. Voltar a amar. Resistir a pressões. Eliminar o factor tempo. Ser séria. Ser divertida. Ser criança como nós gostamos. Mimar. E tudo isto, não necessariamente por esta ordem, compensa? Elas lá saberão...



Tuesday, January 5, 2010

Mad Men

Roger: “I know marriage isn’t a natural state, but you do it.”

Don: “Why?”

Roger shrugs: “Kids?”
.

Monday, January 4, 2010

Seagulls

Morava a dois passos do Tejo e despertava em cada manhã com os guinchos das gaivotas. Ainda de pijama gravava cuidadosamente o CD do dia que escutaria a partir do pôr-do-sol. As tardes passava-as a deambular por Lisboa, entre lojas, lanches com as amigas, visitas a galerias e exposições de fotografia. Por vezes fazia-se acompanhar da máquina fotográfica de filme que usava em ruas e vielas da cidade ocre ou em miradouros com vista para o rio. Tinha um mini descapotável verde que a levava para todo o lado e também para os antros da noite onde sempre conhecia um novo amor. Homens que rapidamente se deixavam seduzir pelo seu olhar de miúda-mulher e que sem acanho a convidavam para os seus apartamentos de solteiros. E com eles fazia amor, carinhoso mas ardente, pelas horas intermédias da noite. Inevitavelmente, ela deixava-os no leito ainda noite escura, saindo de mansinho e substituindo o seu corpo pelo CD gravado naquela manhã.





Tuesday, December 29, 2009

envidia

Este verão por terras de Boston fiz um bom amigo. De nacionalidade espanhola, nascido num pequeno pueblo não muito distante de Badajoz e por isso com o coração cheio de referências a Portugal, o bom do Manuel é, sem tirar nem pôr, a personificação do estereótipo que eu imagino para um espanhol castiço: estatura baixa, ossos vincados no queixo, tez morena mas caucasiana, arguto, convicto, argumentativo, excelente pessoa e amigo dos seus amigos. Depois de ter iniciado a sua carreira em Madrid, mudou-se, há alguns anos atrás, de armas mas sem muita bagagem, para a Cidade do México, onde subiu até Director-Geral da representação de uma multinacional espanhola. Fez muito negócio pelos Estados Unidos e ter-se-á apaixonado por uma mexicana de nome Arantxa com quem chegou a viver. Conheci-o num curso repleto de gente brilhante dos quatro cantos do mundo e, como sempre acontece quando se encontram portugueses e hermanos nestas situações, tornámo-nos compinchas. O bom do Manuel, em fase de recuperação do amor perdido, encontrava-se numa encruzilhada da vida, sem pretender saber o que faria depois do MIT. Voltámos a falar há uns dias atrás e o Manuel anda de viagem pelo Mundo durante os próximos meses, por agora pela América do Sul qual Che Guevara...




Monday, December 28, 2009

Counter-economics

À falta de informação interessante e de mais notícias parvas tão típicas da saison, os telejornais da terrinha enchem-nos com as estatísticas dos levantamentos e pagamentos multibanco (ao minuto, ao dia e ao cartão) para passarem a mensagem de que “a crise” acabou porque os portugueses “levantaram mais”, “pagaram mais” e, conclusão própria de jornalista letrado mas analfabruto “gastaram mais” (em presentes de Natal, entenda-se). Será que ninguém lhes explica que “antes” existiam menos cartões e mais dinheiro que não passava pelos caixas automáticos... é que se calhar, só se calhar, gastaram o mesmo...


Em formato similar, corre no meio internacional – bastião dessa minha favorita que é a The Economist – a tese de que o download ilegal de música diminuiu a olhos vistos nos últimos anos, e que tal se deve à maturidade dos iTunes, Spotify, bem como dos 2 ou 3 casos de condenações de piratas incautos. Até que alguém mais perspicaz:

SIR – Your article jogged me out of my headphone slumber. I suggest that a reduction in music piracy is not, in fact, due to “smarter” or “harsher” policing, but because most downloaders have filled their boots by now. They have already obtained as much music as they desire and are now merely drip-feeding their hard disks with new releases.

Shaun Askey
Annecy-le-Vieux, France


Isto é, se calhar, mas só mesmo se calhar, já todos “sacámos” musiquinha para uma vida inteira de iPod no ouvido! Counter-economics is a beautiful science...

Sunday, December 13, 2009

excertos #4

7
Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!

Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro.
- Mário de Sá Carneiro


Tomás sofria da ocasional depressão, sempre que lhe comunicavam o falecimento de alguém conhecido. Era nestas ocasiões assolado pelo discurso catastrofista de que a vida dos vivos, não mais passava do que de uma sucessão de anunciações de novas mortes. Impressionava-o que quanto mais a ciência moderna contribuía para a longevidade da vida mais sofridas eram as vidas dos que continuamente viam “partir” amigos, familiares e personagens das suas gerações. Invariavelmente, fazia-me sair mais cedo do trabalho, convocando-me para um café de início de noite no Bamako ou no Nouakchott e discorria sobre o tema por entre coca-colas servidas com gelo e limão:
- Tu já viste como apesar de toda a evolução da espécie a Humanidade continua a não saber lidar com uma coisa básica como a morte? Morre uma pessoa, e o que fazem as pessoas – reúnem-se em capelas claustrofóbicas, beijam-se e abraçam-se apresentando condolências, em redor de um paralelepípedo de madeira contendo um corpo. Fazem um cortejo fúnebre atrás do carro da funerária e chegados ao cemitério, percorrem silenciosamente as vielas formadas por jazigos de família há muito abandonados, lendo de quando em quando, penitenciosamente, os nomes de quatro e cinco palavras de anteriores defuntos. Cerimoniosamente, vêem enterrar, pelos coveiros, o dito paralelepípedo num buraco de terra, em seguida coberto pelos nem sempre tristes arranjos florais propositadamente preparados para a ocasião. E tudo aquilo me parece mal, mal arranjado, mal organizado, mal ambientado. Com vistas deslumbrantes – vá-se lá saber porque, os cemitérios têm sempre, tentativamente, vistas espectaculares sobre as cidades, vilas ou aldeias, como que a tentarem chegar aos céus, rodeados dessas magníficas árvores ciprestes.
E nesta fase, inevitavelmente, a nossa conversa divergia para as vantagens e desvantagens da cremação, a beleza dos cemitérios em redor das antigas igrejas anglicanas e para o pedido testamenteiro do Tomás:
- No dia em que eu morrer, por favor, assegura-te de que lançam o meu corpo ao mar.

Sunday, September 13, 2009

Plaza Mayor

Deception – que os imaginativos senhores-que-em-Portugal-se-encarregam-destas-coisas decidiram (vá-se lá saber porquê) nomear de “No Limite da Ilusão” é Ewan McGregor no seu melhor: auditor de carreira, cabelo sempre extremamente bem-penteadinho, pretensamente bem-comportadinho, solitário até à exaustão numa NY que poucos vislumbramos quando de visita, plena de escritórios de luzes acesas pela noite fora na Midtown, carregada de almas desgarradas, workaholics do capitalismo moderno. Uma cena preciosamente real na partilha de um charro com o senhor Australia, apenas possível a quem se dedicou à causa e sabe perfeitamente o efeito que induz num diálogo. Uma antevisão do que poderá trazer o futuro com um clube de sexo pelo sexo, anónimo, nos hotéis de Manhattan. O brilhantismo do personagem devidamente isolado em salas de reuniões e temido pelos pares das empresas a quem presta serviços. O cliché das diferenças entre as vidas dos outros, do outro lado do Atlântico, e a facilidade da felicidade sentida no quotidiano de uma Madrid representativa das características da Europa latina.
Não é um grande filme – acaba bem e andamos fartos de finais felizes – mas vale o tempo investido pelas 2 ou 3 ideias ou constatações que me deixou.

Sunday, September 6, 2009

sic transit gloria mundi

Assim vão os tempos que correm: fui literalmente empurrado para ir ver o filmezito cor-de-rosa do momento (*) ... “ABC da Sedução”.
Para além de fútil – ora não se tratasse de um argumento absolutamente dirigido para as massas femininas de índole urbana –, também futilmente previsível e despretensiosamente composto por uma sequência inaudita de cliché atrás de cliché, é com toda a certeza o filme mais ordinareco que já vi. Os impropérios cautelosamente traduzidos para as legendas em português sucedem-se a um ritmo alucinante assustando a projecção na tela e mereceriam uma nova classificação por parte de quem-quer-que-seja-que-trata-destas-coisas: interdito a menores de 18 anos e não recomendável para maiores de 38...

(*) troca por troca do fabuloso e espectacularmente demente Inglourious Basterds, o último do magnânimo Quentin Tarantino.

Thursday, September 3, 2009

Silly season goes on...

Chego a casa cedo depois de um jantar rápido na Zucchero – a propósito, servem as melhores pizzas do momento em Lisboa – e descubro que a silly season deste ano ameaça prolongar-se por todo o período eleitoral que nos espera.
Manuela Moura Guedes não poderá apresentar o Jornal Nacional de 6ª feira amanhã, porque nos pretendia presentear com uma qualquer peça escaldante sobre o “caso Freeport”... So what? Who cares? Não têm mais nada com que nos entreter as vidinhas insignificantes do que mais uns avanços sobre as malvadezas dos governantes do momento? Não haverá causas mais interessantes ou temas mais significantes para alimentar o neurónio?


Friday, August 28, 2009

and so it is...



Dexter has a new depressed-maniac girlfriend, the global economy seems to be rebounding, although China lies about its GDP growth, the nights are still way too hot to sleep early, Lisbon traffic jams will definitively get worse next week and I do need a new life…