E hoje sou eu que chego a casa exausto mas com muita vontade de ti. Com muito desejo da tua meiguice e de voltar a adormecer com o teu cheiro nas minhas mãos...
Wednesday, June 16, 2010
Monday, June 14, 2010
à beira do chafariz
Foi um momento muito especial e muito nosso. Como tu me dizes, eu sou melhor com as palavras escritas e apetece-me registar aquela sensação muito especial. O graffiti meio apagado no chafariz iluminado gritava “Cláudia”. E eu, por um minuto, pus-me a pensar naquela alma apaixonada que um dia decidira empoleirar-se bem alto para gritar ao mundo o nome da amada, escrevendo-o em azul sobre a pedra branca. Dei então por mim a observar a multidão muito alegre a cantar ao som da música, gente bonita de Lisboa, e a ver-te aos pulos de contente, e a pensar para os meus botões como te assemelhas à perfeição, para mim. E então, tu vieste, aproximaste-te esplendorosa, e beijaste-me de forma deslumbrante, completando-me infinitamente o pensamento e abraçando-me com um aperto meigo que me diz muito mais do que qualquer palavra.
Wednesday, June 9, 2010
Chuva de Junho
Abro a torneira de água tépida e processo H2O por entre os dedos. Mergulho o rosto nas mãos cheias e arrebito as pestanas com as pontas dos dedos. Coloco um pouco de gel nas falanges e espalho-o pela pele húmida. É um gel de cheiro neutro que me faz lembrar uma mistura de aromas entre o sabão-macaco e o gin vertido sobre água tónica. Um bocadinho inebriante. Como por magia, o gel transforma-se em espuma e olho-me no espelho com o rosto coberto de branco. Adorno as patilhas com a lâmina, primeiro a esquerda depois a direita. Produzo movimentos rápidos ora de cima para baixo, ora de baixo para cima. Termino com mais água atirada para a cara e arrebito mais uma vez as pestanas. Volto a olhar-me no espelho mas desta vez vejo-me. Concluo que persisto no estado apaixonado.
Tuesday, June 8, 2010
Home is where the heart is… too many miles away
Já não me recordo há quantos anos não passava este dia em Lisboa. No ano passado estava em Boston. Há dois anos em Paris. Há três anos em Atenas. Há quatro anos em Oreposa. E logo este ano é que me havia de apetecer estar num outro lugar... many miles away... home is, definitively, where your heart is.
Monday, June 7, 2010
Awkward love ou a crise da meia-idade
Ele estava habituado a ser bem tratado. Nas palminhas, costumava pensar. Tinha uma certa dose de sucesso, especialmente entre as mulheres de vinte e alguns que se deixavam deslumbrar pelo charme. Ele encantava-as, quando era isso o que queria. Não pela aparência, não pelo embrulho. Mas se decidia meter conversa no seu estado espirituoso, era certo que ao fim de uns minutos, vá 1/2 hora, as coisas estariam encaminhadas para o que ele quisesse. Com o passar dos anos, foi percebendo que não queria muito, ou que o queria poucas vezes. Ficava-se pelo sabor do sucesso e, ocasionalmente, por uma ou outra relação infrutífera que depois trabalhava em sentido inverso, de forma a que o esquecessem sem mágoa. Ele gostava dessa sua capacidade, de fazer esquecer ou reduzir as relações passadas a recordações carinhosas. Chegava a considerar essa sua capacidade uma virtude. O seu dom. Gostava disso em si e aturava temporalmente as perseguições até alcançar o resultado pretendido.
Ah, mas ele não estava preparado para provar do seu próprio veneno. E descobriu-o quando se deixou encantar. Compreendeu então que afinal gostava pouco de montanhas-russas, porque se transformavam em circuitos fechados. E ele queria mais possibilidades. Caminhos de liberdade, sem destino. Então, encheu-se de coragem, ponderou o desconhecido e a viagem sem bússola. Sentiu-se um valente e deixou-se levar. Passou a amar.
Ah, mas ele não estava preparado para provar do seu próprio veneno. E descobriu-o quando se deixou encantar. Compreendeu então que afinal gostava pouco de montanhas-russas, porque se transformavam em circuitos fechados. E ele queria mais possibilidades. Caminhos de liberdade, sem destino. Então, encheu-se de coragem, ponderou o desconhecido e a viagem sem bússola. Sentiu-se um valente e deixou-se levar. Passou a amar.
Sunday, June 6, 2010
My Rijksmuseum’s t-shirt
Depois de Canal Street embrenhámo-nos no Soho. Final de tarde em New York. Chegamos a Tribeca e reencontramos o Michael Imperioli com a sua mulher, a filha pela mão e o filho às cavalitas, a passearem, alegres e contentes. Entramos numa loja fashion e uma cliente gaba-me a t-shirt, como se eu fosse um modelito e ela a quisesse comprar... it’s from Rijksmuseum, Amsterdam.
Gajo alheado em post fútil
Obrigado por hoje me terem explicado o significado do 2 coberto de “lantejoulas” que de há uns dias para cá me intrigava ali plantado no Saldanha – Sex and the City 2. Hummpf!
Thursday, June 3, 2010
Sweet May
Chego a casa cansado mas ainda sem sono. Ligo o iPod e sai-me expressamente Au Revoir Simone – “Through the Backyards of Our Neighbors”: Baby tell me please, Is this a dream, Spending the night with you, Beneath the cherry trees, Just make a wish and everything comes true… (esta sei que já a ouvi enquanto deixávamos os nossos corpos brincar um com o outro, e o CD a tocar na sala ao lado). Ponho-me a ler Maio no blog e constato que foi o mês recorde, 25 posts em apenas 31 dias – estado de alma: apaixonado. Produção literária não particularmente destacável, mas ainda assim muito cheia de significado. E dou por mim a pensar em ti, e sinto-me deliciado com o que Maio me (nos) deu, em crescendo...
Wednesday, June 2, 2010
non-mainstream
Tenho para mim que a maior parte dos que vivemos nesta época contemporânea não chegamos a dar-nos conta da maravilha dos tempos que correm. Findo o apogeu da globalização, é possível usufruir de quase tudo, em qualquer lugar. A sensação provocada pela liberdade do acesso a praticamente tudo o que faz o mundo é uma recompensa única para as aflições que nos traz o excesso de informação. Desde que se ganhe uma certa capacidade de abstracção, este início de século tem tudo de bom para se viver. O meu eu conservador mantém-se um profundo apreciador dos tempos do pós-modernismo, mas hoje dou por mim embevecido por tudo aquilo que a vida tem para dar. Viaja-se muito. Lê-se o que se quer. Descobrem-se novos ritmos e melodias. É possível ser-se original. Existem menos tabus. Observa-se tudo. Conhece-se o que se quer. Pouco se esconde. Há não muitos anos atrás, estávamos condenados ao “mainstream”. Toda a gente ia de férias para sul. Liam-se os clássicos. A música era imposta pela FM. Vestia-se o que estava na moda. A imprensa nacional ditava o pensamento. Existia censura a rodos, marcada pelo estado da civilização a que chegáramos. Hoje, vivemos como queremos e as escolhas são infinitas, desde que não se assuma o espírito da “carneirada”.
ps- dei por mim a concluir isto enquanto te “enchia” o .mp3 player de música indie, alternativa ou clássica não convencional, de que tenho a certeza que vais gostar!
Tuesday, June 1, 2010
A parvoeira dos trópicos
A geografia importa muito. Mesmo quando se vive na amenidade do clima mediterrânico, quando se acorda para os primeiros dias a 30º C já se sabe que o rectângulo à beira mar plantado vai ficar infestado de criaturinhas com pouco que fazer e com calor demais para ficarem quietas no seu canto. Subitamente, parece que meio-mundo fica afectado pela parvoeira dos trópicos e decide sair da casca. Depois de passarem o inverno quietinhos a carpirem as mágoas, sentem-se despertos pela temperatura e convertem-se em arrojados “stalkers” prontos a chatear o vizinho. Não tenho paciência para isto e acabei de ligar o modo censura no blog. Sorry!
As regras do jogo
Ela não conhecia as regras, as regras daquele jogo de palavras juntas em frases bonitas. Ela tinha passado incólume pela idade dos amores, provavelmente sempre convicta do seu namoro. Ela não tinha vivido e sofrido o amor do início da idade adulta ou o do final da adolescência. Ela não sabia que a um “gosto de ti” se responde com amor sincero mesmo de palavras feitas. E eu quis ensinar-lhe tudo o que tinha aprendido, muito devagarinho. Mas afinal quem me mostrava o caminho era ela, porque sabia agradar-me como ninguém...
How I tried to catch you while
You ran ahead of me, I lassoed Mars
To see if you were hiding there
But you'd already ran past Jupiter to Pluto's moon
And my rope won't reach that moon
This a state of electrical shock
You were so beautiful
I thought you'd last forever
But you came and you went
When the lights went out
You went like you came
In a lightning bolt
Why did you go like this?
I slam against the wall
It's crushing my skull
Why did you go like this?
I slam against the wall
Of permanence, permanence
Permanence
Why did you go like this?
I slam against the wall
It's crushing my skull
Why did you go like this?
I slam against the wall
Of permanence, permanence
And like a ghost
I'm spinning with you
In circles
The dance of Pluto's moon
Monday, May 31, 2010
amigos
Proponho uma esplanada para nos encontrarmos a apanhar sol. Sei que tenho andado desaparecido mas também sei que para vocês isso é bom sinal. Não foi hoje que nos consegui juntar, uns optam pela praia e outros pela festa da criança no Museu da Electricidade. Acabo por passar a tarde com apenas uma parte, num magnífico recanto de Lisboa à sombra desta magnífica árvore:
[o espaço chama-se “Fabric Infinit”, Rua D. Pedro V ao Príncipe Real – highly recommended]
Sunday, May 30, 2010
Caras comentaristas anónimas:
1) Arrelia-me a falta de coragem para se darem a conhecer – aliás, sou irascível no que toca a perseguições
2) Não estou disponível e muito menos “à procura” – como bem se percebe pelo que escrevo, estou apaixonado, como tal as vossas provocações não me trazem nada
3) O conceito BILF assusta-me – vá-se lá saber como alguém se pode tornar sexualmente apetecível pelo que escreve, quando muito BILL
4) Por estas e por outras é que este blog já teve que mudar de casa umas quantas vezes – há também a opção dos comentários censurados ou desactivados mas eu sou a favor da liberdade de expressão, não me obriguem a isso
e já agora:
5) Não gosto da coisa dos “selinhos”
6) Também não alinho em “desafios postados”
Fiquem bem!
ps- Eu não escrevo neste blog para que me leiam, muito menos para ser descoberto enquanto BILF, BILL ou qualquer outra coisa. Escrevo porque gosto, e publico aqui porque sou suficientemente arrogante para querer partilhar metade do que me passa pela alma.
ps- Eu não escrevo neste blog para que me leiam, muito menos para ser descoberto enquanto BILF, BILL ou qualquer outra coisa. Escrevo porque gosto, e publico aqui porque sou suficientemente arrogante para querer partilhar metade do que me passa pela alma.
Saturday, May 29, 2010
“A inspiração não me importa para nada...”
Eu lá sou miúdo de ídolos e cultos... mas se me dessem a escolher conhecer, conversar, discorrer longamente, tranquilamente, com alguém, nem hesitava: Oscar Ribeiro de Almeida Niemeyer Soares Filho, 102 anos vividos a criar eternidades num tempo que já não está para estas causas. Senador da Humanidade, por direito próprio – digo eu! – é para além de um grande Arquitecto, o verdadeiro pensador, com quem eu trocaria alegremente a vida vivida. Atente-se na perspicácia (contraditória quanto basta) do Senhor:
“Na vida, nada é importante, somos pequenos demais em relação ao Universo.”
“Não me sinto importante. Arquitectura é meu jeito de expressar meus ideais: ser simples, criar um mundo igualitário para todos, olhar as pessoas com optimismo. Eu não quero nada além da felicidade geral.”
“Não é o ângulo recto que me atrai. Nem a linha recta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual. A curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, nas nuvens do céu, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o Universo. O Universo curvo de Einstein.”
“Acho o optimismo uma coisa ridícula, uma coisa que não leva a nada. Nós não queremos o niilismo, mas queremos uma vida dentro do que existe, não é? É duro, mas existe realismo.”
“Sou pessimista diante da ideia de que o homem, quando nasce, já começa a morrer... é preciso, então, aproveitar o lado bom da vida, usufruir o melhor possível e aceitar os outros como eles são. Sempre digo: o importante é o homem sentir como é insignificante, é o homem olhar para o céu e ver como somos pequeninos.”
“Todo mundo tem um lado bom e um lado ruim. O homem nasce numa lotaria: é bom, é ruim, é inteligente ou não. Se a gente aceita este facto como uma condição inevitável, a gente tem de ser mais paciente com as pessoas, aceitá-las como elas são.”
“Acredito na natureza: tudo começou não se sabe quando nem como. Eu bem que gostaria de acreditar em Deus. Mas não. Sou pessimista diante da vida e do homem.”
“Quando eu estava em Paris, andava sempre com um grupo do qual fazia parte um cientista, um físico muito inteligente que tinha sido incumbido de estudar a lua, no laboratório em que trabalhava... nos mostrou pedrinhas brancas da lua. O engraçado é que era uma pedrinha como outra qualquer. Tive vontade de ficar com uma daquelas pedrinhas...”
“A gente tem que sonhar, senão as coisas não acontecem.”
O Talentoso Mr. Ridley
Matt Ridley possui uma daquelas qualidades que tornam os homens ímpares: a capacidade de decifrar para o comum dos mortais a essência da vida, expondo-a prosaicamente em palavras inscritas no papel. Parece que decidiu voltar a fazê-lo, e depois de há muitos anos atrás este humilde miúdo de ciências ter devorado o “Genome: The Autobiography of a Species in 23 Chapters”, apetece-me entrar de férias e dedicar-me ao “The Rational Optimist: How Prosperity Evolves”.
Pequena lista de outras obras monumentais, muito recomendadas para a compreensão das coisas (porque a divulgação científica é, mesmo, uma arte):
The Periodic Table, Primo Levi
The Dragons of Eden, Carl Sagan
A Short History of Nearly Everything, Bill Bryson
Deep Simplicity, John Gribbin
Guns, Germs, and Steel, Jared Diamond
(e ainda, num registo muito próprio: Calvin and Hobbes, Bill Watterson)
tiro e queda
E foi logo ali, enquanto regressava pela 2ª circular, ligeiramente acima da velocidade permitida e a olhar o azul do céu compassado pela lua quase cheia, um crepúsculo que mais parecia saído do filme do Bertolucci, que tive a certeza de que iria escrever muito por estes dias, e também procurar um refúgio no Adriático ou no Egeu para acordarmos juntos, quando tu quiseres.
Friday, May 28, 2010
acelerado
Ponho-me a ouvir My Brightest Diamond e apetece-me gravar-te este CD: “A Thousand Shark's Teeth” – “Inside a boy”. Hoje estou acelerado, apetece-me escrever para ti, para nós...
Inside a boy (that’s me)
I found a universe (this is us)
And in his eyes (or your eyes)
Are a thousand stars (and you’re the special one)
On a dark sky (not that dark)
We are clouds (aren’t we?)
We are whispers (like we do it when we ML)
Like fawns and shape-shifters
Our edges can never be found out
No, our edges keep moving further out (that’s why we fit so well)
We are stars colliding (yes we are!)
Now we crash
Like lightning into love
Love
In his arms (my arms)
I’m unwinding (relaxing…)
Under his kiss (my kisses)
I'm falling into love (are you, really?)
We are stars colliding
Now we crash
Like lightning into love
We are stars colliding
Now we crash
Like lightning into love
Love
Thursday, May 27, 2010
When the world opens your eyes
When the world opens your eyes you realize that you’ve spent your whole life seeking for the unimaginary. Looking for it in familiar places where you surely wouldn’t find love. Dreaming of that slow motion “déjà vu” fitting upon your body and making your soul rejoice. And then... you already miss the taste of mango and vanilla sweetly kissing your lips and you wonder if this is real life or if you’ve just been dreaming of togetherness with your soul-mate. And you choose not to wake up and just keep quiet while sensing her smooth skin on your fingers.
Wednesday, May 26, 2010
A paixão nos tempos da blogosfera
Nos tempos inóspitos os amantes escreviam longas cartas de amor, profundas de palavras pensadas e dedicadas, elegantemente assinadas com pena de pato, cuidadosamente dobradas e firmemente lacradas. Sabendo que cada uma expedida, demoraria dias a chegar ao destino, arriscavam escrevê-las em catadupa, diariamente, sem a facilidade da resposta mas apostando na devoção permitida pela paixão, sem saber o que o correio já trazia no caminho. Eu ainda vivi no tempo da transição das cartas escritas à mão para a propagação do e-mail, do messenger e dos blogs. É diferente, sem dúvida, muito mais tempo real, pergunta e resposta, dedicatória, comentário aposto, provocação e glória, anónima ou declarada. E a paixão fiel adapta-se aos tempos modernos, com a mesma esperança de um dia se tornar certeza, vã ou verdadeira.
Monday, May 24, 2010
Veredicto paralelo
Ela - Explica…
Eu - Há uns dias atrás estávamos juntos, de mãos dadas, e disseram uma frase cheia de significado que me pôs a pensar: “Uma vida perfeita é uma sucessão de acasos de sorte”. Tu és isso para mim, um enorme acaso que me faz sentir pleno de sorte. Alguém de quem apetece cuidar muito e bem, e essa não é uma sensação que aconteça muitas vezes durante uma vida.
Ela - Humm Ricardo, isso parece uma daquelas tuas respostas de “porque não” ou “porque sim”…
Eu - Sim miúda, e no fundo é dessas mesmas que se trata. Gostar de alguém a sério não vem com argumentos, vem carregado de misticismo, difícil de verbalizar, difícil de racionalizar. Por isso é tão bom e único, porque foge às leis da física, como flutuar no espaço sem regras ou referenciais cartesianos. Entendes?
Ela - Humm, não me convenceste…
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