Thursday, June 3, 2010

Sweet May

Chego a casa cansado mas ainda sem sono. Ligo o iPod e sai-me expressamente Au Revoir Simone – “Through the Backyards of Our Neighbors”: Baby tell me please, Is this a dream, Spending the night with you, Beneath the cherry trees, Just make a wish and everything comes true… (esta sei que já a ouvi enquanto deixávamos os nossos corpos brincar um com o outro, e o CD a tocar na sala ao lado). Ponho-me a ler Maio no blog e constato que foi o mês recorde, 25 posts em apenas 31 dias – estado de alma: apaixonado. Produção literária não particularmente destacável, mas ainda assim muito cheia de significado. E dou por mim a pensar em ti, e sinto-me deliciado com o que Maio me (nos) deu, em crescendo...

Wednesday, June 2, 2010

non-mainstream

Tenho para mim que a maior parte dos que vivemos nesta época contemporânea não chegamos a dar-nos conta da maravilha dos tempos que correm. Findo o apogeu da globalização, é possível usufruir de quase tudo, em qualquer lugar. A sensação provocada pela liberdade do acesso a praticamente tudo o que faz o mundo é uma recompensa única para as aflições que nos traz o excesso de informação. Desde que se ganhe uma certa capacidade de abstracção, este início de século tem tudo de bom para se viver. O meu eu conservador mantém-se um profundo apreciador dos tempos do pós-modernismo, mas hoje dou por mim embevecido por tudo aquilo que a vida tem para dar. Viaja-se muito. Lê-se o que se quer. Descobrem-se novos ritmos e melodias. É possível ser-se original. Existem menos tabus. Observa-se tudo. Conhece-se o que se quer. Pouco se esconde. Há não muitos anos atrás, estávamos condenados ao “mainstream”. Toda a gente ia de férias para sul. Liam-se os clássicos. A música era imposta pela FM. Vestia-se o que estava na moda. A imprensa nacional ditava o pensamento. Existia censura a rodos, marcada pelo estado da civilização a que chegáramos. Hoje, vivemos como queremos e as escolhas são infinitas, desde que não se assuma o espírito da “carneirada”.


ps- dei por mim a concluir isto enquanto te “enchia” o .mp3 player de música indie, alternativa ou clássica não convencional, de que tenho a certeza que vais gostar!

Tuesday, June 1, 2010

A parvoeira dos trópicos

A geografia importa muito. Mesmo quando se vive na amenidade do clima mediterrânico, quando se acorda para os primeiros dias a 30º C já se sabe que o rectângulo à beira mar plantado vai ficar infestado de criaturinhas com pouco que fazer e com calor demais para ficarem quietas no seu canto. Subitamente, parece que meio-mundo fica afectado pela parvoeira dos trópicos e decide sair da casca. Depois de passarem o inverno quietinhos a carpirem as mágoas, sentem-se despertos pela temperatura e convertem-se em arrojados “stalkers” prontos a chatear o vizinho. Não tenho paciência para isto e acabei de ligar o modo censura no blog. Sorry!

As regras do jogo

Ela não conhecia as regras, as regras daquele jogo de palavras juntas em frases bonitas. Ela tinha passado incólume pela idade dos amores, provavelmente sempre convicta do seu namoro. Ela não tinha vivido e sofrido o amor do início da idade adulta ou o do final da adolescência. Ela não sabia que a um “gosto de ti” se responde com amor sincero mesmo de palavras feitas. E eu quis ensinar-lhe tudo o que tinha aprendido, muito devagarinho. Mas afinal quem me mostrava o caminho era ela, porque sabia agradar-me como ninguém...


How I tried to catch you while
You ran ahead of me, I lassoed Mars
To see if you were hiding there
But you'd already ran past Jupiter to Pluto's moon
And my rope won't reach that moon

This a state of electrical shock
You were so beautiful
I thought you'd last forever
But you came and you went
When the lights went out
You went like you came
In a lightning bolt

Why did you go like this?
I slam against the wall
It's crushing my skull
Why did you go like this?
I slam against the wall
Of permanence, permanence
Permanence

Why did you go like this?
I slam against the wall
It's crushing my skull
Why did you go like this?
I slam against the wall
Of permanence, permanence

And like a ghost
I'm spinning with you
In circles
The dance of Pluto's moon

Monday, May 31, 2010

amigos

Proponho uma esplanada para nos encontrarmos a apanhar sol. Sei que tenho andado desaparecido mas também sei que para vocês isso é bom sinal. Não foi hoje que nos consegui juntar, uns optam pela praia e outros pela festa da criança no Museu da Electricidade. Acabo por passar a tarde com apenas uma parte, num magnífico recanto de Lisboa à sombra desta magnífica árvore:

[o espaço chama-se “Fabric Infinit”, Rua D. Pedro V ao Príncipe Real – highly recommended]

Sunday, May 30, 2010

Caras comentaristas anónimas:

1) Arrelia-me a falta de coragem para se darem a conhecer – aliás, sou irascível no que toca a perseguições
2) Não estou disponível e muito menos “à procura” – como bem se percebe pelo que escrevo, estou apaixonado, como tal as vossas provocações não me trazem nada
3) O conceito BILF assusta-me – vá-se lá saber como alguém se pode tornar sexualmente apetecível pelo que escreve, quando muito BILL
4) Por estas e por outras é que este blog já teve que mudar de casa umas quantas vezes – há também a opção dos comentários censurados ou desactivados mas eu sou a favor da liberdade de expressão, não me obriguem a isso
e já agora:
5) Não gosto da coisa dos “selinhos”
6) Também não alinho em “desafios postados”
Fiquem bem!

ps- Eu não escrevo neste blog para que me leiam, muito menos para ser descoberto enquanto BILF, BILL ou qualquer outra coisa. Escrevo porque gosto, e publico aqui porque sou suficientemente arrogante para querer partilhar metade do que me passa pela alma.

Saturday, May 29, 2010

“A inspiração não me importa para nada...”

Eu lá sou miúdo de ídolos e cultos... mas se me dessem a escolher conhecer, conversar, discorrer longamente, tranquilamente, com alguém, nem hesitava: Oscar Ribeiro de Almeida Niemeyer Soares Filho, 102 anos vividos a criar eternidades num tempo que já não está para estas causas. Senador da Humanidade, por direito próprio – digo eu! – é para além de um grande Arquitecto, o verdadeiro pensador, com quem eu trocaria alegremente a vida vivida. Atente-se na perspicácia (contraditória quanto basta) do Senhor:
“Na vida, nada é importante, somos pequenos demais em relação ao Universo.”
“Não me sinto importante. Arquitectura é meu jeito de expressar meus ideais: ser simples, criar um mundo igualitário para todos, olhar as pessoas com optimismo. Eu não quero nada além da felicidade geral.”
“Não é o ângulo recto que me atrai. Nem a linha recta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual. A curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, nas nuvens do céu, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o Universo. O Universo curvo de Einstein.”
“Acho o optimismo uma coisa ridícula, uma coisa que não leva a nada. Nós não queremos o niilismo, mas queremos uma vida dentro do que existe, não é? É duro, mas existe realismo.”
“Sou pessimista diante da ideia de que o homem, quando nasce, já começa a morrer... é preciso, então, aproveitar o lado bom da vida, usufruir o melhor possível e aceitar os outros como eles são. Sempre digo: o importante é o homem sentir como é insignificante, é o homem olhar para o céu e ver como somos pequeninos.”
“Todo mundo tem um lado bom e um lado ruim. O homem nasce numa lotaria: é bom, é ruim, é inteligente ou não. Se a gente aceita este facto como uma condição inevitável, a gente tem de ser mais paciente com as pessoas, aceitá-las como elas são.”
“Acredito na natureza: tudo começou não se sabe quando nem como. Eu bem que gostaria de acreditar em Deus. Mas não. Sou pessimista diante da vida e do homem.”
“Quando eu estava em Paris, andava sempre com um grupo do qual fazia parte um cientista, um físico muito inteligente que tinha sido incumbido de estudar a lua, no laboratório em que trabalhava... nos mostrou pedrinhas brancas da lua. O engraçado é que era uma pedrinha como outra qualquer. Tive vontade de ficar com uma daquelas pedrinhas...”
“A gente tem que sonhar, senão as coisas não acontecem.”

O Talentoso Mr. Ridley

Matt Ridley possui uma daquelas qualidades que tornam os homens ímpares: a capacidade de decifrar para o comum dos mortais a essência da vida, expondo-a prosaicamente em palavras inscritas no papel. Parece que decidiu voltar a fazê-lo, e depois de há muitos anos atrás este humilde miúdo de ciências ter devorado o “Genome: The Autobiography of a Species in 23 Chapters”, apetece-me entrar de férias e dedicar-me ao “The Rational Optimist: How Prosperity Evolves”.
Pequena lista de outras obras monumentais, muito recomendadas para a compreensão das coisas (porque a divulgação científica é, mesmo, uma arte):
The Periodic Table, Primo Levi
Deep Simplicity, John Gribbin
Guns, Germs, and Steel, Jared Diamond
(e ainda, num registo muito próprio: Calvin and Hobbes, Bill Watterson)

tiro e queda

E foi logo ali, enquanto regressava pela 2ª circular, ligeiramente acima da velocidade permitida e a olhar o azul do céu compassado pela lua quase cheia, um crepúsculo que mais parecia saído do filme do Bertolucci, que tive a certeza de que iria escrever muito por estes dias, e também procurar um refúgio no Adriático ou no Egeu para acordarmos juntos, quando tu quiseres.

Friday, May 28, 2010

acelerado

Ponho-me a ouvir My Brightest Diamond e apetece-me gravar-te este CD: “A Thousand Shark's Teeth” – “Inside a boy”. Hoje estou acelerado, apetece-me escrever para ti, para nós...

Inside a boy (that’s me)
I found a universe (this is us)
And in his eyes (or your eyes)
Are a thousand stars (and you’re the special one)
On a dark sky (not that dark)

We are clouds (aren’t we?)
We are whispers (like we do it when we ML)
Like fawns and shape-shifters
Our edges can never be found out
No, our edges keep moving further out (that’s why we fit so well)

We are stars colliding (yes we are!)
Now we crash
Like lightning into love
Love

In his arms (my arms)
I’m unwinding (relaxing…)
Under his kiss (my kisses)
I'm falling into love (are you, really?)

We are stars colliding
Now we crash
Like lightning into love

We are stars colliding
Now we crash
Like lightning into love
Love

Thursday, May 27, 2010

When the world opens your eyes

When the world opens your eyes you realize that you’ve spent your whole life seeking for the unimaginary. Looking for it in familiar places where you surely wouldn’t find love. Dreaming of that slow motion “déjà vu” fitting upon your body and making your soul rejoice. And then... you already miss the taste of mango and vanilla sweetly kissing your lips and you wonder if this is real life or if you’ve just been dreaming of togetherness with your soul-mate. And you choose not to wake up and just keep quiet while sensing her smooth skin on your fingers.

Wednesday, May 26, 2010

A paixão nos tempos da blogosfera

Nos tempos inóspitos os amantes escreviam longas cartas de amor, profundas de palavras pensadas e dedicadas, elegantemente assinadas com pena de pato, cuidadosamente dobradas e firmemente lacradas. Sabendo que cada uma expedida, demoraria dias a chegar ao destino, arriscavam escrevê-las em catadupa, diariamente, sem a facilidade da resposta mas apostando na devoção permitida pela paixão, sem saber o que o correio já trazia no caminho. Eu ainda vivi no tempo da transição das cartas escritas à mão para a propagação do e-mail, do messenger e dos blogs. É diferente, sem dúvida, muito mais tempo real, pergunta e resposta, dedicatória, comentário aposto, provocação e glória, anónima ou declarada. E a paixão fiel adapta-se aos tempos modernos, com a mesma esperança de um dia se tornar certeza, vã ou verdadeira.

Monday, May 24, 2010

Veredicto paralelo

Ela - Explica…
Eu - Há uns dias atrás estávamos juntos, de mãos dadas, e disseram uma frase cheia de significado que me pôs a pensar: “Uma vida perfeita é uma sucessão de acasos de sorte”. Tu és isso para mim, um enorme acaso que me faz sentir pleno de sorte. Alguém de quem apetece cuidar muito e bem, e essa não é uma sensação que aconteça muitas vezes durante uma vida.
Ela - Humm Ricardo, isso parece uma daquelas tuas respostas de “porque não” ou “porque sim”…
Eu - Sim miúda, e no fundo é dessas mesmas que se trata. Gostar de alguém a sério não vem com argumentos, vem carregado de misticismo, difícil de verbalizar, difícil de racionalizar. Por isso é tão bom e único, porque foge às leis da física, como flutuar no espaço sem regras ou referenciais cartesianos. Entendes?
Ela - Humm, não me convenceste…


Saturday, May 22, 2010

o pretenso alternativo e a sofisticada

O amor pleno surgiu-lhes quando já não acreditavam ou não o desejavam. Apaixonaram-se suavemente por entre as melodias e o cheiro do verão. Namoriscam a pele um do outro com desejo. Ela tem as costas mais perfeitas que ele já sonhou, ele o regaço confortável onde ela gosta de se aninhar. Perdem-se no tempo com os cafunés dedicados um ao outro. Brincam, muito, com os corpos e palavras de amor segredadas ao ouvido. Enroscadinhos pela manhã, ela quer as legendas do que ele pensa, enquanto ele deseja aquele olhar meigo à distância dos dedos. São felizes, mesmo, o pretenso alternativo e a sofisticada.

Tuesday, May 18, 2010

Oia

E foi quando vi a tua fotografia no Facebook, tirada por mim, iluminada pelo mais fantástico pôr-do-sol da Terra que me apercebi da tristeza romântica da nossa relação passada e porque choravas há uns dias atrás. Naquele dia, de que eu gostei imenso, tínhamos passeado muito. Eu ao volante do Jimny percorrendo estreitas estradas à beira dos precipícios encantadores da ilha, ultrapassando furiosamente os autocarros de turistas. Tu, divertida, com a máquina fotográfica a disparar, sem parar, imagens, muitas imagens, que mais tarde seleccionarias com o “delete-confirm-delete”. E o mar de gente, de diferentes povos e nacionalidades, que naquela noite, depois do sol posto, se deixaria encantar pela justaposição de Vénus a querer esconder-se da Lua crescente.



Monday, May 17, 2010

naquela noite

Aproveitei aqueles momentos só meus. Esperava por ti mas apetecia-me escrever mais uma história e as palavras brotavam ao som da música que ouvia. Era o final de mais uma noite, o início de um novo dia, e o ritmo do meu coração acelerava. Queria ver-te, mais do que tudo queria sentir-te perto de mim, outra vez. Queria as sensações, também, outra vez, mesmo que calmas, queria o teu cheiro e a tua meiguice para me deixar levar. Mas sentia-te assustada, mais do que com a profundidade do mar. Pensava se te teria afectado o equilíbrio, tão teu. Sentia-nos tão diferentes, eu com os meus altos e baixos, tu com a tua maneira de ser, ponderada. Mas eu queria-te, apetecias-me. E as palavras não acompanhavam o que eu queria dizer-te, naquela noite, embalada. Pensava também se te perderia por entre as palavras do texto, mas ainda assim deixava-me levar pela facilidade de escrever, pela miríade do que tinha para te dizer, inconformado, naquela noite.

Thursday, May 13, 2010

as nossas praias

A tua praia tem uma vista deslumbrante – 270º de amplitude sobre a cidade reluzente e muita exclusividade. A minha praia tem ruas estreitas e gente diferente – muitos peixinhos diversos e bem com a vida. As nossas praias são próximas e dão para o mesmo mar. Quando a chuva cai é a mesma água que as molha e nós encontramo-nos a caminhar sobre a calçada cheia de histórias para partilharmos, suavemente, sob o encanto do toque das nossas mãos dadas e felizes.

Wednesday, May 12, 2010

Não quero “Um caso mais”

Não gosto do efémero. Já o tinha experimentado e hoje percebo que me deixou a marca do não terno na alma. Não entendo o gosto pelo futuro acabado ou simplesmente adiado, para sempre. Surrealismo total com umas pinceladas de niilismo à mistura, não quero a minha vida feita disto...


Enquanto foi só um bom momento, deu
Enquanto foi só um pensamento meu
Deu só num caso forte a mais

Enquanto achávamos graça ao que se escondeu
E as horas eram mais longas do que a verdade fez
Para ser só outro caso mais

Enquanto for só ternura de verão, eu vou
Enquanto a excitação der para um carinho eu dou
Traz... essa leveza, ai!
Mas concerteza eu dou, um outro melhor Bom dia!

Já trocámos nortadas por vento sul
Enquanto demos risadas foi-se o azul
Nem sei qual deles foi azul demais

Mas não ficará só a sensação de cor
Nem sei o que o coração irá dizer decor
Se o inverno for depois duro demais

Enquanto for só ternura de verão, eu vou
Enquanto a excitação der para um carinho eu dou
Traz... essa leveza, ai!
Mas concerteza eu dou, um outro melhor Bom dia!


In - Trovante - Uma Noite Só

Tuesday, May 11, 2010

Num mundo paralelo

Eu - Porque estás tão calada?
Ela - Porque tenho medo…
Eu - Medo de quê? De não gostares de mim?
Ela - Não Ricardo, medo de me apaixonar por ti.
Eu - Ah miúda, mas isso é justo e só tens que deixar-te levar, porque eu já estou cá à tua espera…

Monday, May 10, 2010

the story within the story

Ele escrevia sem senso em novos ficheiros. Histórias de amor vividas ou imaginadas. Cenas a dois, românticas e apaixonadas. Momentos únicos para recordar. Ele deixava-se deslumbrar com tudo o que tinha para lhe dizer, mesmo em silêncio. Pequenas metragens por coreografar, os movimentos daqueles dois corpos prontos para agradar. E da sua janela perscrutava o céu com vontade de a amar. Ele sentia-se a divagar, por entre os personagens cuidadosamente criados, pelas altas horas da noite. A esperar por mais uma mensagem dela. Ele lembrava-se com desejo daquele corpo sedoso. Aquelas sensações absolutamente únicas antes da madrugada. O seu braço envolvendo-a enquanto ela dormia, profundamente. O acordar sobressaltado e com calor ao movimento brusco do corpo dela. O beijá-la no ombro redondo como a dizer “já gosto tanto de ti”. O olhá-la pela escuridão, enquanto se vestia. O caminhar pelo recanto, observando o banco no jardim onde tinham pousado horas antes, lábios nos lábios. E os pássaros a chilrear quando a noite ainda ia alta e ele já sentia saudades dela.

Saturday, May 8, 2010

Agora a sério

Vacilar não é um verbo muito comum na minha vida. Contam-se pelos dedos as situações em que dei por mim a pensar que deveria ter procedido de outra forma, tomado outro caminho ou opção. Isso faz de mim um miúdo um bocadinho arrogante, sempre com demasiada certeza nas palavras que digo e nas decisões que tomo. Afirmativo e convicto, embora haja quem prefira classificar-me como convencido. Faz ainda com que me falte o tacto ou a sensibilidade para antever certas coisas.
Estranhamente, hoje, para além dos “pormaiores” que gostaria que tivessem sido diferentes e de tudo o que me apeteceu fazer de outra forma nas últimas horas, dou por mim a desejar que houvesse uma opção “rewind” na minha vida, e já agora também um “replay in slow-motion” para a maravilha da noite de ontem. Certamente, também não teria ido jogar squash com a fúria acumulada que agora me faz doer o ombro, nem discutido com um amigo por causa de nada. Apetecia-me sim, ter-te levado ao teatro para assistirmos a um dos melhores textos do Tom Stoppard (“The Real Thing”), de mãos dadas e sorrisos apaixonados.

a chuva de volta a Lisboa

A dream of togetherness
Turned into a brighter mess
A faint sign my spoken best
Now, now

Make way for the simple hours
No finding the time its ours
A fate or it's a desire
I know

So I was the lucky one
Reading letters, not writing them
Taking pictures of anyone
I know

So let the sunshine
So let the sunshine
So let the sunshine let it come
To show us that tomorrow is eventual
We know it when the day is done

Thursday, May 6, 2010

Saint-Exupéry

Ainda tenho 10 minutos e perdo-me em ti, qual principezinho, andando, andando através das areias, das rochas e das neves, até por fim descobrir uma estrada, a estrada que me leva mesmo a ti, para me deixar “cativar”. – Cativa-me, por favor, com aquele teu sorriso, cheio de surpresas...

Wednesday, May 5, 2010

As minhas aventuras na República Portuguesa (ou, eu quero o mundo privatizado)

Afortunadamente nunca tive que fazer projectos para clientes do Sector Público. Esta manhã em solidariedade com um colega dei por mim numa reunião numa Agência do Estado criada pelo nosso Primeiro. “Dei por mim” é como quem diz, porque antes da dita tivemos direito a todo um cerimonial de espera e contra-espera com direito a visita ao “bar” onde se concentra toda a produtividade inútil dos nossos funcionários públicos para um cafézinho matinal (às 10 horas da manhã, entenda-se). Entre a parcimónia da espera pelo 2º pequeno-almoço, deles, feito do pãozinho-de-leite com fiambre e rematado pelo belo do galão à portuguesa, encontrei uma preciosidade da arcaica realidade sindical, que não resisti em trazer como “recuerdo”:


De saída da dita reunião, que se prolongou por horas infindáveis sem objectivo aparente, dei por mim perdido no mais suburbano dos bairros sociais que já tive oportunidade de “visitar”. Prédios que mais parecem caixas de cartão, paredes muito sujas, gentes descuidadas à porta das casas. Manfios à porta do café-tasca do bairro, a palitar os dentes, com ar de quem vai devorar o incauto consultor perdido à procura da saída dali para fora.
Serviu-me a experiência para estabelecer que, nesta República Portuguesa, não troco a civilização do Business District por nada, e que os clientes do sector privado são o melhor que há.

Tuesday, May 4, 2010

Let’s get real...

Ela via-o quase todos os dias. Esperava por ele junto ao embarcadouro da Rialto. Percorria demoradamente as margens do Canal Grande pelo passadiço do lado do bairro de San Polo. Desesperava por vê-lo avançar ao final de cada tarde na sua lancha de madeira reluzente. Perdia-se a observar os pares de namorados e amantes, a maior parte turistas encantados pela sua cidade, que atravessavam a ponte de mãos dadas ou que se sentavam na pedra quente, enquanto se beijavam, com as pernas descaídas para a amurada à beira da água. E instintivamente, quando o via vir na sua direcção, invariavelmente de pé e apenas com uma mão a segurar o volante, sabia que também ele a observava, por detrás dos seus óculos escuros, que escondiam aqueles grandes olhos negros que ela tão bem conhecia. E pensava para si mesma: só quem nunca amou ao ponto de ter que saber conquistar, resiste assim ao que eu tenho para lhe dar.

shallow transurban myth (sai um post fútil!)

Parece que já chegou cá a modinha das “pulseirinhas mágicas”. Hoje ao jantar era esta a conversa. Um fulanito brilhante qualquer (que só pelo brilhantismo, merece ser recompensado) apostou no conceito básico da pulseirita de plástico que desperta ou induz o equilíbrio individual – de acordo com o texto um bocadinho charlatão: “Power Balance is performance technology that uses holograms embedded with frequencies that react positively with your body’s natural energy field”. Eu já experimentei uma, há uns tempos atrás, emprestada por uns minutos, e não sei se hipnotizado pelas descrição de quem emprestou, senti-me subitamente muito equilibrado – para a demonstração completa, puxaram-me os braços, antes e depois, e a coisa parece que faz mesmo efeito. Enfim, experimentem pela graça, mas não comprem!

Monday, May 3, 2010

Enternecedor

Continuo cheio de vontade de escrever mas estou cansado do meu registo. Apetece-me um bocadinho da vida dos outros e é por aí que vou.
Ontem à noite quando chegava a casa e estacionava o carro na garagem quase fui atropelado por um puto que conheço desde os meus 15 anos e que hoje é apresentador da MTV. E é ele que me reconhece, salta do carro, com o seu ar de “twenty-ager” ainda rebelde, cabelo comprido e barba de uma semana, para me cumprimentar efusivamente, enquanto me explica que é o “baixo” da banda dele que mora no meu prédio e que veio só deixar o material. Da última vez que o tinha visto, há uns anos atrás, a situação foi ainda mais engraçada: estávamos a chegar ao Meco quase no final da tarde, e a praia continuava cheia, excepto aquele espacinho ao pé do parzinho meloso de serviço e nós conformámo-nos, eis senão quando ele (o puto) desagarra a miúda para me vir falar e acaba a oferecer-nos convites para os MTV Awards.
Esta noite fui ver “a bola” para casa de um amigo que se juntou com uma miúda divorciada e já com dois filhos. É certo que o jogo não nos foi favorável, nem particularmente animado, mas às tantas dou por ele (o meu amigo) estirado na cadeira a pretender fechar os olhos, com o “filho” mais novo já a dormir profundamente sobre a barriga. Enternecedor, digo eu.


Sunday, May 2, 2010

excertos #5

9
Think of a time when you accomplished something challenging – something you were proud of… What emotions can you remember? Who did you rely on to make it happen? - write down the names
- Peter Senge


Naquela época eu apaixonei-me a sério. No dia em que as incertezas me invadiram o coração dorido, juntei-me com o Tomás na esplanada do Bamako e, ao contrário do meu costume nestas coisas do amor, contei-lhe tudo o que havia para contar:
- Sabes Tomás, ela surgiu-me do nada. Sem contexto, sem processos de apresentação, sem histórias pré-concebidas. E isto encanta-me, a descoberta absolutamente casual do que pode ser uma “alma-gémea”. E tu sabes como eu sou com estas coisas, completamente amansado pelas desilusões acumuladas na vida. Totalmente descrente das possibilidades da fortuna.
- Mas como foi que a conheceste?
- Isso não interessa para nada. Como te disse foi do nada, sem expectativas nem influências alheias. Foi porque ia acontecer e como tu imaginas, apesar de disponível, eu nem andava à procura. Queria algum sossego e estava farto dos “happy-endings” de que tu gostas tanto nos teus filmes.
- Humm, e qual é o “ending” que tu imaginas para esse teu filme?
- Sabes Tomás, quando se chega a esta fase das nossas vidas, agradece-se um acontecimento destes, mesmo que seja só pelas sensações que julgávamos perdidas. E na circunstância arrisca-se muito, mesmo sabendo que pode não dar em nada, apenas porque faz todo o sentido deixarmo-nos levar, à procura da realidade com que sempre pretendemos sonhar.
- E como é ela?
- Ela é, obviamente, linda! Mas como tu bem sabes, não é isso que faz a diferença para mim. É tudo o resto e o todo, o puzzle no conjunto, os pequenos pormenores que encaixam na perfeição. A forma e os movimentos juntos e acumulados com as histórias encantadoras que tem para me contar. Mas apesar de fazer parte, não é o passado, não são as vivências que me fazem vibrar, são muito mais as sensações do momento presente. O charme total e próprio como sorri para mim, a capacidade que tem de me deslumbrar e pôr a pensar, sem conceitos formados, como um céu imenso para pintar.
- E ela o que sente por ti? Como é que esse argumento se vai desenlaçar?
- Sabes Tomás, eu estou sempre a sentir que já não estou com ela há demasiadas horas, e por estranho que pareça é esta nossa ausência que me traz a segurança de já a amar. Mas quando estamos juntos, só dou por mim a confirmar isto mesmo, sem receio nenhum do que se vai seguir e ao mesmo tempo sei que não vale de nada correr, porque tudo vai acontecer quando tiver que ser.

And so it is (definitivamente lamecha)

E foi assim que entraste definitivamente na minha vida, pronta e convicta em deixar a tua marca como o reflexo da lua nova sobre o Tejo. Águas calmas mas completamente diferentes de tudo o que conhecia até esta noite. O teu olhar sorridente e aquele abraço confuso, indelével. Aquela sensação única do teu cheiro misturado com as minhas palavras atabalhoadas. O conforto de estar com alguém que ainda não se conhece mas que sabemos ter tanto para nos dar. A vontade imediata de voltar a abraçar-te, ainda que imperfeitamente, enquanto se conduz para casa. A certeza de que a vida pode ser mesmo muito mais. A cumplicidade aceite de que a realidade se sobrepõe ao que te escrevo. E a música que me ecoa no espírito:

And so it is
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time
And so it is
The shorter story
No love, no glory
No hero in her sky

I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you

Friday, April 30, 2010

My new life...

My new life is surprisingly imperfect. Time seems to fall short and synchronism fails us, again. I dream of you and me laying very still on a beach. Both of us enjoying the perfect sound of the waves and each other’s presence. I picture us kissing warmly while the sun sets on the sea horizon. I see us wishing for a future that is still to come. You feeling sleepy while my right hand caresses your golden long hair. You smiling and me desiring you, your semi-tanned skin and its sweet scent that flutters my existence. The strange shadows your beautiful body casts over my own skin. The small talk of kids playing with sand. The sense of happiness all-around. The extent of perfection drawn upon the curves of your neck. Your eyes searching for mine.

os códigos

Encontrou-a no meio do deserto de gente anónima. Deixou-se seduzir por ela, entre os estereótipos que a tinham conhecido e abraçado ao longo do tempo. Sentiu-se apaixonar pelos códigos que eram só deles os dois. Amou as entrelinhas e as perspectivas a que ela dava tamanha importância. Não hesitou em viciar-se naquelas conversas ao final da noite. Apreciou cada minuto miúdo que passou com ela ao sol ou nas primeiras noites quentes do ano. Ofereceu-lhe o livro que para ele era sagrado, inscrevendo cuidadosamente a dedicatória que seria só dela. Soltaram-se com um abraço e gostaram do primeiro beijo imperfeito. Gostam do aconchego quando dormem juntos e ele sonha com ela mesmo deitada a seu lado. Amam-se com tudo o que a vida já lhes ensinou e quando ela lhe pergunta se é para sempre, ele sente-se eternamente apaixonado pelo seu sorriso único.

Wednesday, April 28, 2010

a novela mexicana (ou o reality-show?)

Ele acordou mal dormido mas ainda assim descansado. Ainda macambúzio, reconheceu-se no espelho e reparou nas grandes olheiras que trazia do sono. Tomou o seu duche matinal e quando se plantou, novamente, diante do espelho para fazer a barba deu-se conta do magnífico terçolho que assolava o seu olho esquerdo. Sentiu-se arreliado e inconsistente. Já fazia muito calor naquela manhã, demasiado verão para o mês de Abril. Aconchegou-o o CD tocado no carro: “This is not a love song... I'm adaptable and I like my new role...”. Por oposição, desconfortável com a queda da bolsa e o dinheiro que perdia em menos de 2 horas de mercado. Recebeu o primeiro SMS já passava da tarde e sentiu-se novamente adolescente por cada vez que escolheu o “Send” em mais uma mensagem para ela. Apaixonado, até ver. Quem sabe, para sempre. Sentiu-se apanhado pelo grande sorriso que lhe rasgava o rosto e recordou com vontade a meiguice dela, imaginando-a ao sol a olhar o mar com o telemóvel na mão...

Monday, April 26, 2010

melancólico até à exaustão

Naquele verão voei para Berlim sentado no lugar 23F de um Fokker 100 sem ninguém a fazer-me companhia. Passei as 3 horas da viagem a espreitar pela janela, desperto pelo ruído monótono e ensurdecedor dos motores, a observar a paisagem por entre um céu cristalino sem a sombra de uma única nuvem. Sentia-me vazio e absolutamente insensível, incapaz de me deixar maravilhar pela imagem dos campos da Alemanha – ninguém deveria deixar de viver sem ver os campos da planície alemã a 30.000 pés – esplendor máximo de civilização entrecortados a castanho e verde. Pensava em mim, puramente em mim, e onde o destino perdido me levava. Sem qualquer fulgor da alma, sem qualquer resquício da minha personalidade. Ausente naquela manhã de ausência com o sol nascente pela frente. Era eu e só eu, a imaginar vidas passadas, até que na distância surgiu a metrópole espraiada pela imensidão da Prússia e cortada pelas curvas do Spree e eu acordei para a vida real.

Sunday, April 25, 2010

não sabe a nada

É oficial, sair à noite depois de “ontem” não sabe a nada. Procuro-te em vão entre as caras que passam, cheio de esperança e de vontade que me venhas resgatar. Consulto o BB a cada sensação de vibração, na expectativa de mais um “aqui, agora” que me faça abandonar a causa dos copos com os amigos. Aposto na probabilidade ínfima do “por acaso” mantendo o sorriso adolescente porque estou mas é a pensar em ti. Entretenho a conversa porque me sinto feliz, em modo agri-doce, quando na realidade anseio pela teu sorriso e companhia novamente. E gosto tanto disto, da sensação dos químicos auto-gerados e das endorfinas únicas que despertaste em mim.

Saturday, April 24, 2010

O teu charme

Tu tens aquela graciosidade que me faz acreditar na perfeição. A maneira de estar que me faz sonhar. O sorriso que é tudo o que se pode pedir à vida e a gargalhada bem colocada. A destreza transformada em beleza e a expressão leve como o levante quente, vindo do sul. Emanas felicidade e vens cheia de complexidade. Trazes contigo o aroma do deserto perdido no castanho e verde dos teus olhos. És sofisticada mas gostas de chá com casca de limão. As tuas histórias conduzem-me suavemente pelo desconhecido e ao desejo de saber mais. És impertinentemente meiga e suave quando me ofereces o conforto de uma almofada. Quero deixar-me levar e apaixonar-me. Apetece-me dar-te a mão e mimar-te até à exaustão.


In a Manner of speaking
I just want to say
That I could never forget the way
You told me everything
By saying nothing

In a manner of speaking
I don't understand
How love in silence becomes reprimand
But the way that i feel about you
Is beyond words

Oh give me the words
Give me the words
That tell me nothing
Ohohohoh give me the words
Give me the words
That tell me everything

In a manner of speaking
Semantics won't do
In this life that we live we only make do
And the way that we feel
Might have to be sacrified

So in a manner of speaking
I just want to say
That just like you I should find a way
To tell you everything
By saying nothing.

Oh give me the words
Give me the words
That tell me nothing
Ohohohoh give me the words
Give me the words
That tell me everything

Thursday, April 22, 2010

Verão 1991

Naquele ano eu quase me afoguei em São Martinho. Eu e o Francisco, fizemo-nos ao mar na baía mas este estava calmo demais e a brisa era pouca. Demos por nós parados bem no meio da concha quando o barquito começou a meter água. Saltámos borda fora para não afundarmos a embarcação e nadámos sem coletes com a barcaça a reboque. Quando alcançámos a praia estava enregelado até aos ossos e sentia a barriga cheia de água salgada. Naquele verão eu portei-me mal contigo. Deixei-me enfeitiçar por uma loirinha gira, perdi ao ping-pong com o “outro amor da minha vida” e deslumbrei-me com a liberdade das férias de rapazes. Fizemos muitos disparates: alta-velocidade pelos pinhais de São Pedro de Muel sem luzes, confusões nos torneios de snooker da Foz do Arelho, banhos de espuma na Green Hill, ao som do “Losing my Religion”, sem fé nenhuma, e desintoxicações no hospital das Caldas. No dia em que me foste visitar, convidei-te para um jantar romântico com vista para a baía mas acabámos a discutir numa tasca da vila. Tu fugiste para Palma de Maiorca e eu fui de visita para Roma que amei. Quando regressámos, eu vinha doente com uma pleurisia e tu com a pele esturricada pelo sol e chamei-te ovo estrelado. Caímos nos braços um do outro, nos jardins do Campo Grande, e tu estavas tão bonita e eras tudo o que eu pedia à vida, mas nada, nunca mais, voltaria a ser como dantes. E eu hoje, abraçava-te enquanto caminhávamos, e pensava para os meus botões, porque nos perdemos em 1991...

A minha montanha russa (ainda lamechas, isto passa-me)

Na minha montanha russa tu és a equilibrista. Quando parece que vou cair, tu hesitas. Quando vamos a subir, tu encantas-me. Quando o carrinho acelera e eu anseio por saber o que vem a seguir, perdemo-nos em subterfúgios. Quando o ar custa a respirar, deixamo-nos levar e a imensidão do tempo que falta parece maior do que o espaço que nos separa. Falta-nos o sincronismo e falha-nos a vontade. Eu gosto da emoção do desconhecido e tu gostas da certeza do adquirido. Mais uma voltinha? Está bem, vamos lá!


Monday, April 19, 2010

Suavemente lamecha (para não variar)

Cheguei a casa depois de uma noite “suave”. Fui jantar ao restaurante da moda e gostei muito. Isto pode não parecer romântico, mas pensei em ti entre cada garfada dos filetes de linguado enrolados em vieira. Lembrei-me da tua gargalhada a cada história engraçada que me contavam. Especulei o nosso “por acaso” em cada loirinha que me olhava. Insistiram em falar-me da vista do Silk e eu ri-me a bandeiras despregadas. Gritaram o teu nome ao longe e eu corri para ver se eras tu. Pareço um adolescente demente e isso reflecte-se no excesso da minha produção literária de fraca qualidade. Se a minha vida podia andar mais baralhada do que isto? Poder podia, mas não seria tão divertida.

Sunday, April 18, 2010

Schwarz-Weiß-Welt

Quando eu nasci não havia televisão em casa dos meus pais – deviam achar-se muito intelectuais ou hippie-fashion e só tocavam música no gira-discos. Talvez para o miúdo não ficar totalmente alienado, quando tinha uns 4 anos fizeram-me o favor de comprar um pequeno aparelho Grundig-design cuja parte da frente era toda ecrã, a que eu chamava de cubo branco – muito precoce com as formas geométricas! – e onde via os desenhos animados que vinham da Checoslováquia. Por alturas da invasão Espanhola com o “Naranjito” e o “Verão Azul” o cubo branco foi substituído por uma televisão a cores que me levou a perguntar se o mundo real era a cores ou a preto e branco – meio retardado com a percepção das cores! E hoje estava a ver uma tele-reportagem sobre o advento da televisão 3D made in Korea e a imaginar se os miúdos se colocarão a mesma questão sobre as dimensões do mundo...

BlackBerry Blinking

As I was wakening, the red LED blinked at me four times. As it happens ever since I fell for you, it was your beautiful smile I thought of, definitively wishing for some news, a new text message or e-mail. Sigur Ros was playing on the radio and a strange character was sitting by my side. I didn’t feel like talking but the man needed to be listened to. He introduced himself but I was unable to catch his foreign name. He started talking about the end of the world because on the southern part of Iceland Eyjafjallajökull had abruptly erupted and it was meant to cast a new age of darkness over the continent. He made remarks about what a beautiful place Europe was and I agreed. He went on, predicting that as the cloud of dust fills the sky, people will turn themselves inward once again, and mysticism become king. That human spirit shall surrender itself to the wilderness of times to come. That even if everyone dreams of “par-delà les nuages”, there will be no more sun over the Mediterranean beaches. And all this kind of demise he was describing made sense to me as a return to the 19th century. It’s the end of the world as we know it (And I Feel Fine).


boatos

Muito pior do que os rótulos, de que até gosto, são as conclusões absolutistas e finais que me irritam. Hoje disseram-me que um velho amigo está “agarrado” à cocaína e que outro menos íntimo é alcoólico. E eu que nestas coisas não sou de me ficar e dar por aceites as certezas de quem traz as novidades, ponho-me a desfazer o novelo para facilmente concluir que o diz que disse (fundamental para manter a atenção da audiência) não passa, a maior parte das vezes, de uma premonição frugal de quem tende a entreter-se com as desgraças alheias (e que quem conta um conto, acrescenta um ponto). “So what?” se o meu velho amigo frequenta festinhas animadas pelo pó branco, isso não faz dele um drogadito e o menos íntimo também não caiu em desgraça só porque frequenta reuniões de anónimos, porque por si só isso demonstra consciência. E eu gosto de pessoas bem formadas e não suporto boatos.


Saturday, April 17, 2010

hoje

Quero um sábado tranquilo. Curar a ressaca e afastar-te da cabeça, tirar-te do sistema. Doem-me as órbitas dos olhos e falta-me o sentido do equilíbrio. Quero parar um bocadinho, ficar quietinho a sentir-me vazio. Não sei nada de ti há demasiadas horas. Como eu, deves ter passado a noite na rambóia ou então voaste para longe. Quando cheguei tu não estavas e eu queria tanto que nos tivéssemos encontrado. Mas hoje não sou boa companhia, tenho o sangue por destilar. E apesar de tudo, sinto-te a falta.

Friday, April 16, 2010

You're the measure of my dreams

Isto está a ficar pior que mau. Entre o desejo, o querer e a expectativa, para além de viverem alucinados com o "dance with me... little stranger" a tocar no iPod, os meus neurónios decidiram entrar na fase da fantasia semi-erótica. Imaginam-nos em carícias entre lençóis muito brancos. Eu a beijar-te o pescoço cheiroso, encostando-te cuidadosamente contra a parede. Nós a caminho da praia, ora contigo a conduzir e eu concentrado em ti, maravilhado com o teu sorriso, ora comigo ao volante e tu a achares graça à conversa. Eu e tu a descermos as dunas com as mãos presas apenas pelas pontas dos dedos. Tu a resmungar carinhosamente comigo porque queres companhia para ir a água e eu a insistir no esturricar. Tu encostada no meu regaço a folhear uma leitura qualquer. Eles a partilharem os headphones contigo, apreciando a música em mono, satisfeitos. Nós de regresso à cidade com a brisa a correr sobre o rio. Eu e tu a sacudirmos a areia dos pés, em competição pela água tépida do chuveiro. Eu a passar-te o sabão pelas costinhas e a reparar na textura bonita da tua pele, enquanto seguras o cabelo. Nós a sairmos para jantar, fresquinhos apesar do calor do verão. Tu de vestido giro, eu de bermudas com a pele a estalar. E Lisboa cheira bem, como nem sempre acontece, a alfazema e a água doce. Nós a caminhar de mãos dadas, apaixonados pelo que a vida tem para nos dar.

Thursday, April 15, 2010

Hi Ricardo! Here is your Daily Horoscope…

Sei que despertei 1 hora depois, olhei para o relógio vi 4h06 e desesperei atordoado a pensar que ainda não tinha dormido nada. Na verdade era apenas 1h06 e quando acordei mesmo, perto das 8, sentia-me fresco que nem uma alface. Duche, barba, gravata e corrida para o escritório. Estive muito bem na reunião com o COO global e com o CEO cá do burgo. Marquei os pontos todos e senti-me brilhante. Eu gosto de me sentir brilhante, fico confiante e com vontade de desafios. Aproveito para enviar um mail pertinente para o CBDO – isto dos “chiefs” disto-e-daquilo diverte-me! Fast-lunch by Go natural e entrevista com uma candidata que espero venha a ser a nova Manager da equipa, em crescimento. “Tiro a tarde” para ir ouvir um dos capitalistas de sucesso em Portugal, num evento promovido por uma faculdade. Conta a história de quando começou como trainee na Alemanha e não gostava da Schnaps que lhe ofereciam. Está velhote mas ainda assim é brilhante e encanta a assistência repleta de estudantes, que espero também venham a ser brilhantes. Passo por um supermercado e divirto-me a observar uma jovem “veggie” que arruma cuidadosamente os brócolos, a beringela e a salada “ready-made” no seu cesto ecológico de serapilheira. Estranhamente, tem um poodle que deixou “atracado” junto à caixa. Encarno o espírito, e a sugestão de quem acredita nestas coisas, e procuro o meu horóscopo na web – curiosamente, tem tudo a ver:

“Strangely, you don't seem to care much at all whether your new crush is mutual -- you're just enjoying the ride. Your motives are pure and your actions are direct, so you're definitely on the right path.”


Sunday, April 11, 2010

Casa dos Espíritos

Como esta tarde recordavas, eu e tu entramos num filme: “A Casa dos Espíritos”. Não é um bom filme, tal como o livro também não é grande coisa, e apesar do elenco fabuloso nem sequer recebeu uma nomeação para os óscares. Mas ainda assim é um filme muito conhecido e na cena em que a Winona reencontra o Banderas, filmada na Praça do Município, lá estamos nós, eu e tu, a beijarmo-nos como nos pediram. Eu com uma camisola de rugby da Escócia que, por acaso, foste tu que me ofereceste, completamente desajustada para a época que se pretendia, e tu com um vestido às flores, plausível. E naquela altura, já não éramos mais que tudo, um para o outro, mas “sacrificámo-nos pelo espírito da 7ª arte”.

Saturday, April 10, 2010

Primeiras amêijoas do ano

Aniversário do progenitor. Almoço sobre o rio. Dia de sol e de regatas no Tejo. Primeiras amêijoas do ano cozinhadas com coentros frescos, grandes e carnudas, daquelas que há que comer com o garfo. Peixinho grelhado e vinho branco. Saudades de fazer vela como em Inglaterra. Os primeiros dias soalheiros à séria são sempre uma maravilha.

Thursday, April 8, 2010

il gattopardo

Saio de uma reunião no Taguspark com o sol ainda alto neste final de tarde. Faz calor e, porque vi o mar brilhante à ida, hesito em arriscar um pulinho à praia mas estou de fato e gravata e opto pela A5. Num instantinho estou em Lisboa. Encontro facilmente um lugar no Chiado e aproveito para ir à Fnac. Tenho presentes de aniversário em falta para os carneiros da minha vida, escolho livros e uns Moleskine originais para cada um. Por cima do expositor dos romances estrangeiros uma miúda loirinha faz-me olhinhos quando o altifalante anuncia “dentro de momentos, Tiago Bettencourt ao vivo no café Fnac” e ela... sai disparada – o sucesso do menino bate aos pontos o meu “efeito executivo”, e não podias ser tu. Reparo no “O Leopardo” de Giuseppe Tomasi di Lampedusa, sei que o tenho a ganhar pó numa prateleira lá em casa e lembro-me que quem mo ofereceu, no último natal, escreveu na dedicatória: “Duvido que algum dia venhas a ler este livro...”. Eu adoro dedicatórias inscritas na primeira página dos livros, e gosto ainda mais de desafios. Vamos lá, il gattopardo.

Wednesday, April 7, 2010

Sintomático ou a vida sorri

Eu que nunca acordo antes do despertador, despertei cedo e com vontade de mais um dia. Passo muito tempo debaixo do chuveiro até dar conta de que estou com o sorriso parvo. Quando pretendo fazer a barba, percebo que se acabou o gel e recorro à espuma dos kits de viagem – mas não me importo. Coloco um bocadinho do Allure aftershave e escolho bem a gravata porque hoje há sessão de fotografia no escritório – estou farto do meu sorriso pepsodente nas revistas profissionais mas passa-me ao lado. No elevador encontro o avô coronel com a sua neta Beatriz que olha para mim com os olhos esbugalhados – é gira a criança. O VW está com umas rotações perfeitas – adoro os motores a gasolina alemães e a música que passa na Radar. Estou atrasado, eu sei, mas abrando ao passar à porta da Versailles – e sorrio. Tenho uma entrevista com uma ex-BCG que não lhe corre bem mas eu aturo-a – porque recebo uma mensagem tua no BB. Almoço com um mentorado afável e decido levá-lo ao Suntory – hoje estou um mãos largas. Sessão-fotográfica-sorriso-pepsodente – estas vão sair bem. Saio para um cliente cujo CA quer um desconto de 17% na última proposta – saldos, era o que faltava! Passo 3 horas a orientar o delivery das minhas equipas – quero que se sintam confortáveis, consultoria é mesmo giro! Saio para um jantar – mas antes passo por uma lojinha de conveniência para comprar gel para a barba. Envias-me nova mensagem – e eu acho que estás com saudades. Um destes dias, isto desenlaça-se...

Tuesday, April 6, 2010

relógios de bolso

O meu avô materno era muito alto e encorpado também. Tinha uns olhos do azul mais profundo que a Terra já viu, um azul que não reflectia o céu nos dias de sol mas que tomava tons de cinza nos dias de tempestade. Sentava-se numa grande poltrona, que era só dele, e ficava para ali a observar os campos de oliveiras, por entre a esquadria de madeira que compunha a janela, a olhar para a serra de Bornes à distância. Bafejado comerciante num meio rural, possuía a sagacidade do judeu, para os negócios, mas era antes de tudo um descendente dos godos, respeitado e correcto com todos. Importava nitratos do Chile que chegavam ao destino em magníficos comboios a vapor, que eu insistia em ir ver à estação, embora me assustassem ao perto. Abastado que era, para a época, e desligado das questões políticas do tempo, passava férias em família no Palace Hotel do Vidago e quando se deslocava ao Porto, a negócios, instalava-se no imponente Grande Hotel de Paris. Mesmo sendo gentio, permitiu-lhe a fortuna que casasse com minha avó, filha da “petite noblesse” transmontana. Como ficava bem naquela altura, possuía um belo relógio de bolso, encrostado numa caixa de ouro branco que polia cuidadosamente contra o colete – ele usava sempre colete – cada vez que decidia ver as horas. No próprio dia em que faleceu, a minha avó ofereceu o dito relógio ao meu primo António que, recém-entrado na adolescência e pouco mais velho do que eu, acompanhara estoicamente o meu avô na sua última viagem para o Porto, numa ambulância. Naquele dia de tristeza e legados, também eu recebi o relógio de bolso que pertencera ao meu tio-avô Daniel, homem de letras e fiel irmão de meu avô, de quem sempre ouvi o melhor, apesar de o não ter conhecido. E é essa a beleza dos relógios de bolso, que hoje já ninguém usa, repletos da vida e brilhantes do polimento pelas mãos trémulas dos nossos avós.

Monday, April 5, 2010

Quem dera que ainda fosse dia...

E com o cair da noite e o sentir do frio primaveril chegou aquela insegurança repleta de “what if?”, “now what?” e o turbilhão de questões que acompanham um aperto do coração – vá-se lá saber porque é que nestas coisas, apesar de se pensar com a cabeça é o peito que dói. Química, tem que ser química e se esta não resultar, pés no chão e aproveita mas é a sensação, Ricardo.
E vou ter que roubar o post de uma “amiguita” aqui do lado porque, mesmo sem ela saber, hoje acertou em cheio:

Saturday, April 3, 2010

Kaffeehaus, Chiado

A mente prega-nos cada partida! Não é que sonhei contigo e acordei (sem vontade de acordar) com um sorriso parvo. Basta propor um estímulo minimamente plausível e os neuróticos dos neurónios arranjam logo uma panaceia irresponsável. Fazia sol (e hoje até choveu lá) e tu chegavas ao encontro marcado, com um sorriso aberto e lindo. Muito descontraída e com um andar afirmativo. Eu não sabia se eras tu mas, está claro, tu sabias ao que vinhas, confiante, arranjada mas não pretensiosa. Simpática, cumprimentaste-me – “Olá Ricardo”, e disseste-me o teu nome. Sentaste-te ao meu lado e, antes de tudo, inquiriste a empregada sobre o bolo do dia que encomendaste juntamente com um chá exótico, olhando para mim pelo canto do olho. E eu ali parado e fraco, estarrecido com a situação, embevecido com a novidade, a tentar manter o fluxo de oxigénio dos malditos neurónios. E falámos, muito tempo e muito, sem nos atropelarmos e sem nos colocarmos as questões idiotas a que os recém-conhecidos se dedicam. Mais no presente do que sobre o passado. E era como se tudo encaixasse, como se estivesse destinado a ser assim mesmo. E em segundo pensamento, eu reparava como eras giraça: o rosto delicado, o cabelo loiro bonito, os olhos encantadores semi-escondidos pelas pestanas e aquele sorriso magnífico. E notava que, mesmo não parecendo surpreendida, também tu gostavas do miúdo que tinhas pela frente a ganhar confiança. E sem medo, agarrei-te ao de leve na mão, por debaixo da mesa, para comprovar a compatibilidade que como sei começa com a facilidade do toque e o sentir agradável do contacto da minha mão na tua mão. E eu, miúda, que nem sou muito de me lembrar dos sonhos, estou para aqui a recordar a partida que os sagrados neurónios me pregaram (e a matar mais alguns com 0,9 mg de nicotina), novamente com um sorriso parvo enquanto escrevo isto, e a encomendar-lhes a cena dos próximos capítulos.

Friday, April 2, 2010

fragments of an Easter season

O que eu mais gosto na Páscoa – logo a seguir às amêndoas envoltas em chocolate – é desta sensação de imensidão de tempo para escrever. Três dias inteirinhos de calmaria quase absoluta numa cidade praticamente despida de gente – mesmo que meio invadida por espanholitos na semana santa deles – sem grandes compromissos sociais ou festividades em formato de obrigações familiares. Tranquilidade quase suficiente para retomar o enredo do romance que me apetece pôr no papel há tantos anos e a facilidade de fazer pausas não programadas para ir dar uma volta até ao Chiado ou pousar numa qualquer esplanada com os amigos que também por cá decidiram ficar.

Thursday, April 1, 2010

And now for something completely different… (and very macho?)

Gosto imensamente de alguns personagens que cruzam a minha vida. Não sou um animal de hábitos mas fora algumas temporadas passadas no estrangeiro, vou ao mesmo barbeiro desde que deixei de deixar que me cortassem o cabelo à tigela. O local é conhecido como o barbeiro dos engenheiros (o que me assenta bem) e é uma daquelas barbearias tradicionais que ainda existem em Lisboa, e onde alguns dos ditos ainda vão mesmo fazer a barba. O meu barbeiro dá pelo nome de Jorge (nome que lhe assenta na perfeição) e é um personagem. Para além de tratar das melenas de algumas cabeças de IQ superior, é um audiófilo convicto. Daqueles que alugam salas de som, para ouvir o som cristalino do último vinil, tomam beberagens de filtros para apurar o ouvido e não acreditam na fidelidade do CD quanto mais do mp3. No tempo em que ainda se compravam Hi-Fi systems (i.e., antes do advento do Wi-Fi e das músicas partilhadas em bytes) foi ele quem me recomendou a bela Denon D-M7S cá de casa à qual ligo o Pod (shame on me, sou um herege). Invariavelmente, quando vou cortar o cabelo (situação em que a maior parte dos homens troca conversa de circunstância sobre bola com o seu barbeiro) eu e o Jorge trocamos ideias sobre as últimas tecnologias do bom som, ele informa-me sobre o último vinil que comprou, sobre a pureza da voz da Ella Fitzgerald ou, intelectualmente, sobre o estado da arte dos últimos tenores portugueses, porque é um apreciador de ópera. E eu adoro o privilégio, e orgulho-me por ser um dos clientes de um barbeiro com uma paixão destas, que verdadeiramente aprecia o Barbeiro de Sevilha.


Wednesday, March 31, 2010

Ainda afectado... sai um post de “gaja” mas no masculino – os perfumes da minha vida (ui, isto promete!)

Na adolescência o arrebata corações Drakkar Noir...




No início da idade adulta, aventura a rodos com o Antaeus...



No fase dos trinta, montes de charme com o Allure...

Monday, March 29, 2010

partiu para parte incerta

O que eu gosto desta cidade quando apesar do frio e da ameaça de chuva parece que Lisboa partiu para parte incerta e a lateral da Avenida da República se faz em menos de 2 minutinhos mesmo com os carros em segunda fila à porta da Versailles.

Sunday, March 28, 2010

Bairro de encontros

Já há muito que não me aguentava no Bairro até os bares começarem a fechar – o facto de a hora mudar também ajudou. Mas é certo que quando se apanha uma daquelas noites loucas, em que circular pelas ruas e vielas se torna complicado por causa da multidão incandescente, o Bairro é o sítio para se reencontrar gente que não se vê há muito. Entre o velhinho Suave e o mais recente Maria Caxuxa, reencontram-se amigos da escola, colegas da universidade e conhecidos com quem nos divertimos, muito, entre copos, quando o Bairro era o poiso recorrente duas ou três noites por semana. É claro que também há muitos ausentes, que imaginamos recatados em casa, a cuidar dos filhos, e que estamos mais velhos, e sem paciência para o fluxo circulante dos “miúdos” agarrados a copos que parecem baldes de cerveja – como alguém dizia, “isto hoje está uma macacada” – mas mesmo assim, há gente gira q.b. e conversa interessante para as noites de primavera.

Saturday, March 27, 2010

très très bon...

Estes são do mais catita que há na música contemporânea. Daqueles que se eu tivesse uma sala para concertos ao vivo, gostaria que lá tocassem noite após noite de primavera – Nouvelle Vague em acústico, ao vivo no Olga Cadaval (excelente sala, com um som magnífico).

Wednesday, March 24, 2010

Temple Bar 1995

Recordo-me que naquele verão Dublin estava pejada de crianças, os irlandeses pareciam assemelhar-se a martas na época do cio e passeavam os filhotes em carrinhos chicco pelos parques verdes da cidade. Naquela noite, passada entre pubs de desventura nas margens do Liffey, experimentando copos de Paddy whiskey misturados com pints de Kilkenny, encontrei-te a ti, com as tuas sardas e o teu cabelo ruivo de miúda anglo-saxónica no meio da multidão feliz de Temple Bar. E foi assim, sem aviso, que retive o teu rosto na memória todo o tempo em que recém-encartado e meio alucinado, conduzi pelas estradas em volta da bela ilha esmeralda, clockwise e em sensação de contra-mão, e sonhei contigo numa terrinha encantadora do Donegal chamada Letterkenny, mística até à exaustão.

Tuesday, March 23, 2010

write a book

You asked me to write a book and I thought about all my life self-contained in a movie, fast-forwarding the scenes where you didn’t play a role. Seeing you as the Best Actress award winner, on the podium, proud to make the speech, not that tall on your high-heels, with your curly dark hair beautifully dressed, just proud to be there and have all those photographers produce their digital cameras from the stand, trying to take that unique picture of you that would make the morning magazine cover. How amazing this life has been, either travelling around the World and sensing it spin-around or discovering those unpretentious tiny places, where our minds captured images that make the spine go crazy and burst a shiver through my earthling body.

Monday, March 22, 2010

amêndoas da Páscoa

More than 80% of the world’s almonds are grown in California and, to pollinate them, the 7,000 or so growers hire about 1.4m of America’s 2.3m commercial hives. Thousands of trucks deliver the hives in February - from Maine, Florida, the Carolinas and elsewhere - and will soon pick them up again. The bees’ job is to flit from one blossom to the next, gorging themselves and in the process spreading the trees’ sexual dust.

Since 2006, however, bees have been suffering from “colony collapse disorder” (CCD), a mysterious affliction that has drastically reduced their numbers. Its cause may be mobile-telephony radiation, viruses, fungi, mites and pesticides - or none of the above.

O mundo deve estar doido e só me faltava mais esta. Eu que sou apaixonado por amêndoas, simples ou, particularmente, cobertas de chocolate, e que só regozijo com a chegada da Páscoa por causa da tradicional fartura das ditas, vejo assim ameaçado mais um dos prazeres da vida...

Thursday, March 18, 2010

Eu sei pela tua ausência que quando regressas de viagem gostas de ler o meu blog...

Eu sei (ou imagino) pela tua ausência que quando regressas de viagem gostas de ler o meu blog...


Wednesday, March 17, 2010

Palm Springs 2009

Nunca o calor do verão foi tanto. Tínhamos descido de San Francisco para LA num carro alugado ficando a conhecer o Big Sur, e apesar de não o recomendarem, decidíramos passar uns dias a descansar em Palm Springs. Escolheste, bem, o hotel e encontrámos um sítio encantador com poucos hóspedes e um staff atencioso q.b.. Fazia um calor insuportável durante o dia, com uma aragem seca vinda do deserto, mas as noites eram agradáveis. Tínhamos duas piscinas catitas por nossa conta e água com limão à discrição por debaixo dos chapéus-de-sol de triângulos amarelos. Mas apesar de tudo, do conforto, do teu carinho e da sensação de férias eu não me sentia relaxado, nem feliz. Sentia saudades do que fôramos no passado, das sensações fortes de aventura de outras férias que passámos juntos noutros destinos. E assim, mesmo sem intenção, começou o fim do que éramos, debaixo do sol abrasador e das palmeiras da Califórnia, sem sentido.

Tuesday, March 16, 2010

Tunbridge Wells 1990

Nunca fui tão puto como naquela noite. Tínhamos escapado aos alarmes de incêndio do palácio, saltando perigosamente pela janela do quarto que tinha papel-de-parede aos elefantes. Corrêramos tão rapidamente quanto nos era permitido, sem fazer barulho, para o pavilhão junto à piscina onde alguns do grupo optaram por um banho nocturno. Estava uma noite perfeita, com uma lua nova que emanava aquela claridade única, apenas possível à meia altura do hemisfério norte. Alguém trazia uma garrafa de champanhe e copos de plástico, e para não termos que partilhar, fugimos para uma das salas de aula mais isolada. Ainda em grupo, passámos horas a jogar ao “se eu fosse um animal, seria...”. Tu querias ser um golfinho, obviamente assentava-te bem, e eu uma gaivota – que animal tão estúpido – creio que induzido pela música do Zeca Afonso que alguém te ensinara e tentavas cantar em português. E quando os outros já recolhiam com o despontar da alvorada, nós deixámo-nos ficar mais um pouco. Dançámos um slow, mesmo que com música imaginária, e eu passei-te a mão pelo rosto, fixando-te o olhar e arrastando-te o cabelo curto, cor de prata com aquela luz, para detrás da orelha, e beijei-te com todo o amor que tinha para dar.

Dali 2002

Nunca fui tão infeliz como naquela noite. Perdidos no meio do Yunnan, desidratado por uma violenta intoxicação alimentar que a dimicina insistia em não debelar, num estranhamente moderno hotel encerrado entre muralhas, decidiste rejeitar-me, pôr-me na ordem e mandar-me de volta para a minha cama, naquele quarto que era só de nós dois. Creio que chovia lá fora, e eu sob o torpor do meu mal-estar físico, passei a noite acordado, a soluçar para dentro, para que não me ouvisses, e a desejar que o meu mundo acabasse ali mesmo, sem contemplações. A pensar, exageradamente, que nada mais fazia sentido. Que não queria voltar a ver o sol nascer. Que não merecias que alguém gostasse assim tanto de ti e que eu não merecia aquele sofrimento atroz. E então, para meu espanto completo, quando a lua já ia alta no sudoeste asiático e a chuva tinha, finalmente, parado de cair, deste por mim, e vieste deitar-te sobre o meu corpo e dormimos juntos aquelas horas que restavam.



Monday, March 15, 2010

Paris 1989

Nunca fui tão feliz como naquele verão em Paris. O meu pai tinha um apartamento alugado sobre o Sena e eu um passe RATP que me deixava deambular por toda a cidade de “Mêtro”, autobus ou RER. Na flor da minha adolescência, com francês suficiente para impressionar e mesada paga em francos, era livre e fiquei a conhecer a capitale du monde como poucos. Eles celebravam o bicentenário da revolutión com espectáculos e festividades improvisadas e eu possuía um walkman com as duas cassetes do ao vivo “Supertramp à Paris”. Perdia-me entre as novidades dos Les Halles, viajava furiosamente até à La Défense, “papava” os filmes 3D na Géode, passava tardes no jardim do Rodin, invariavelmente, escalava a Eiffel ou observava as gentes nas corridas de Longchamps. Os almoços eram, normalmente, compostos de croque-madame, acompanhados de Orangine, os pequenos-almoços de croissants não mergulhados no café-au-lait, e os jantares experimentando os restaurantes exóticos do Quartier latin. Na biblioteca da La Villette ou no Pompidou, em que se entrava à borla, trocava conversas com belas francesas da minha idade, enquanto assistíamos às exibições de jograis ou músicos africanos. Paris 1989.

Sunday, March 14, 2010

not today

Eixo Norte-Sul 8h30 da manhã em sentido contrário ao trânsito: não concebo como será viver em prédios justamente colocados sobre a via rápida ou aturar-se, dia após dia, meia hora de tráfego entre o Lumiar e Sete Rios.

Vasco da Gama com amanhecer de sol: sinto saudades de um Inverno menos chuvoso em que diariamente atravessava a ponte rumo ao sul, despertando para o dia a 120 km/h sobre as brumas do Tejo.

Silêncios do Alentejo: fascinante como custa adormecer no meio do silêncio do campo mas como se acorda revigorado depois de uma noite sem o ruído constante da cidade.

Pequeno-almoço de Pousada: luxo seria poder comer sempre ovos mexidos acamados sobre uma fatia de queijo em cima de pão de forno com sabor a província.

Auto-estrada em cruise-control: hipnose total induzida pelas curvas e tracejados no alcatrão, abusando nos decibéis dos Siouxsie & Banshees.

Wednesday, March 10, 2010

youth

Embarco no Bruxelas - Lisboa, depois de um fim-de-semana prolongado passado com uma “ex” por terras do norte da Alemanha, de carro alugado, em que tínhamos descoberto mais um lugar místico para a colecção – Schwerin, ainda com alguns resquícios do jugo da RDA e por isso ainda encantadora. Ao meu lado senta-se uma miúda gira, de piercing na orelha, e alguns anos mais nova do que eu. Decide meter conversa durante o voo: tinha estado a fazer Erasmus, regressava agora a Lisboa, já tinha saudades da terrinha, os Belgas assim-assim, mas os colegas estrangeiros eram “porreiros” e Ghent tinha uma vida fantástica. O que tinha eu ido fazer à Alemanha, o que tinha achado de Hamburgo, pormenores de Schwerin, etc. e tal... 2 horas de converseta não muito profunda mas entretida. Aterramos em Lisboa, esperamos juntos pela bagagem e quando estou para me despedir envolve-me com os braços e espeta-me uma “beijoca molhada”, dizendo-me adeus com um: tchauu, até à próxima!

Sunday, March 7, 2010

Get a life...

Fim-de-semana entretido com o último do Philip Roth e as suas recordações da infância judia. Um pouco insípidas demais para este descendente de Suevos e Cristãos-novos perdido na vida...

Wednesday, March 3, 2010

Nick Hornby’s top-lists-technique

Há uns anos atrás apaixonei-me violentamente, puerilmente e temporariamente, por uma jornalista catalã que trabalhava na Bloomberg em Londres. Conheci-a numa festa tresloucada a bordo de um barco no Tamisa. Impressionaram-me os seus olhos castanhos e grandes, o seu sorriso único, a sua imersão no auge do estilo de vida da capital inglesa em formato capitalista, a forma orgulhosa como perspectivava o futuro, a gentileza das suas referências dos portugueses e a Barcelona. Enfim, depois de um par de horas passado na companhia dela estava futilmente apaixonado. De regresso a Lisboa, escrevi-lhe uma carta de amor – apenas um excerto, da parte não (muito) lamechas da coisa:

“I guess I’m quite friendly, considered a nice person by most people. My closest friends consider me a bit of an arrogant – they tend to say that I always act as if I have an answer for everything. I’m really timid, at least by portuguese or spanish standards. A seeker of knowledge, an humanist, non-superstitious, a believer in equilibriums who thinks to have found some answers for the big questions.
What else? Adopting Nick Hornby’s top-lists-technique, as a way to get to know someone else – and hoping that you find some references within these. Favourite movies: “Until the end of the world”, by Wim Wenders, “In the name of the father”, by Jim Sheridan, and “Cinema Paradiso” – latest best, “Lost in Translation”. Books: definitively nº1 is “Hadrian Memories”, by Marguerite Yourcenar, then “Focault’s Pendulum”, by Umberto Eco and on the entertaining front, Douglas Coupland’s anarchic stories. Music: I guess I’m a pop fan, James (ever heard of them?), Peter Gabriel, Suzanne Vega (as a sample) and more recently Air and some portuguese bands, I also like it classic, Purcell, Bach and Brahms, or Michael Nyman and Ryuichi Sakamoto. On the cities front: Rome, Lisbon and Barcelona. Countries: Ireland, Italy and China. Art: although my mother is nowadays becoming a professional painter, I don’t have it in my genes and am utterly incapable of drawing an apple, but as a child I wanted to become an architect.”

Tuesday, March 2, 2010

E o tempo importa?

Saturday's Chile earthquake was so powerful that it likely shifted an Earth axis and shortened the length of a day, NASA announced Monday.

By speeding up Earth's rotation, the magnitude 8.8 earthquake – the fifth strongest ever recorded, according to the USGS – should have shortened an Earth day by 1.26 millionths of a second, according to new computer-model calculations by geophysicist Richard Gross of NASA's Jet Propulsion Laboratory in California.


E isto significa que as nossas vidinhas se encurtam? É uma preciosidade da espécie humana, esta obsessão pelo tempo e a forma como medimos as nossas existências pelas voltinhas que damos em volta de um corpo celeste. Heliocêntricos, como somos, viajamos a 108 mil km/hora em volta do Sol, mas na dimensão maior, aceleramos a qualquer coisa como 220 km/segundo à volta do centro da galáxia – pelo menos é o que diz a Wiki!

E tu hoje disseste-me da altivez da tua idade ainda jovem “...estamos a ficar velhos” como só se aplicasse a mim e eu olhei para ti e pensei para os meus botões: um destes dias ainda me apaixono por ti.




Monday, March 1, 2010

Miguel Sousa Tavares – o Torquemada

Apanhei agorinha o novo programa do Miguel Sousa Tavares, de quem gosto q.b.. Será impressão minha ou decidiu encarnar o grande inquisidor general qual Torquemada renascido? E o formato da coisa não faz lembrar os Gato Fedorento e o “Esmiuça aqui, esmiuça ali”. Miguel, estás a ficar velhote... (e eu ando a ver demasiada tv)


Sunday, February 28, 2010

Chuva (de euros) na Madeira

É impressão minha ou o Alberto João (grande personagem!) acabou de inflacionar o pedido de há uns dias atrás dos 1.000 milhões de euros para 1,3 biliões – à americana, espera-se! Ele há gente com lata...

Nota: A Despesa Pública prevista para 2010 na dita Região Autónoma, antes da tempestade, era de 1,6 mil milhões de euros.

Friday, February 26, 2010

you are now untouchable

Tens agora 26 anos e apesar de mais madura permaneces criança. Amuas, fazes beicinho, encostas a mão à cara evidenciando as tuas faces rosáceas. Olhas para mim com cara de má quando me dirijo a ti. E ao mesmo tempo fixas-me com o olhar carregando as pálpebras e dás-me o teu “look” de miúda rebelde. Não sei o que fazes nos teus tempos livres mas imagino-te, imagino-nos muitas vezes no loft em dias quentes, com o sol do final da manhã a entrar pelas janelas, eu agarrado a ti, deitados, tu sobre mim. Abraço-te e agarro-te, tu de costas para mim, e tu rodas o pescoço, bonito, olhando para mim, com carinho, com as pestanas longas e arrebitadas, como a dizer que me amas também.

you are the brightest diamond
i can see you shining for miles and miles
i can see you shining

you are the brightest diamond hidden in my pocket
oh how glorious you must feel splendid
you must feel splendid

you are the brightest diamond hidden on my wrist
you are now untouchable
now untouchable

reaching through the space between your universe and mine a warm light shines





Wednesday, February 24, 2010

Strange songs

Eu cá chego sempre atrasado a estas coisas, as novidades do que melhor se vai fazendo pela música neste (ainda) início de século. Há umas semanas atrás descobri os “Animal Collective”, excelente banda em consagração com o magnânimo (e único) “Merriweather Post Pavilion”. Como diria alguém que conheço “... highly recommended!” e repare-se na ilusão óptica (capa do álbum):




Desde já, também se recomendam o “Strawberry Jam” e “Fall Be Kind” - em EP. Atente-se ainda na sagacidade (e subtileza) de um dos rapazinhos da banda:

In 2004, [Noah] Lennox [aka as Panda Bear] moved from New York to Lisbon, after he went there for the first time at the end of a long Animal Collective tour with Dave Portner in 2003 for a short vacation. Lennox says about Lisbon: "Since I got off the airplane here [for the first time] I had a good feeling about this place." ... Lennox eventually decided to move to Europe because he also felt “connected to the European way of life”, considering himself as a “slow moving kind of person” and Lisbon as a “slow moving kind of place”.