Tenho que ir cortar o cabelo e sinto que vou apagar História. São as madeixas que já te fizeram calor no rosto, as pontas que já se enrolaram nas tuas e as raízes por onde os teus dedos já passearam, com carinho. Os rapazes usam o cabelo curto e vão menos ao barbeiro (cabeleireiro), mas isso não parece diminuir a memória destes pedacinhos de ti que a tesoura vai cortar. E hesito, entre ir hoje ou adiar para a semana, mesmo sabendo que já pareço um ciganito.
Saturday, July 31, 2010
Friday, July 30, 2010
escrita
Escrevo porque gosto muito. Escrever é, para mim, o exercício supremo. A inteligência humana colocada perante o desafio de dizer o que lhe vai na alma. Escrevo mais, muito mais, do que o que vou publicando por aqui. Desde muito novo, em cadernos de folhas brancas, depois em Moleskines e no Word. Hoje em dia, até no Blackberry, de teclado completo. Já escrevi em inglês, espanhol e até um pouco em francês, para além do português, dependendo da vontade. Já escrevi ficção e muita realidade. Histórias curtas e capítulos avulsos, como esboços de um romance que um dia vou escrever numa janela com vista sobre Siena. Para além de quem gosta de me ler aqui, tenho fãs de carne e osso, que foram tendo a sorte de lhes escrever algo dedicado. Acho isso equivalente a pintar um quadro, ou compor uma melodia para se oferecer a alguém. Muito do que escrevi foi plenamente oferecido. Talvez não tão valorizado, porque o sentido da estética na escrita é menos imediato do que as sensações permitidas por um Rothko pendurado na parede, a perfeição das mãos de um Rodin ou o deslumbramento das Valquírias do Wagner. Actualmente, escrevo mais do que leio, porque escrever bem perdeu-se com a democratização da literacia, e restam poucos autores que mereçam realmente ser lidos. Estranhamente, creio que ao contrário da maior parte das pessoas, escrevo mais com o tempo quente do que no inverno, e gosto, particularmente, de ter água por perto. Uma praia é quase um lugar perfeito para eu escrever. Há também alguns lugares que me inspiram, para além do labirinto de Siena. Aviões. Quase sempre que voo apetece-me escrever, em particular se tenho a janela com uma vista sobre as nuvens ou a Terra. Já escrevi coisas bonitas no terraço da Tate Modern, no alto da escadaria da Piazza di Spagna e em algumas esplanadas com vista para Lisboa. Creio que o turbilhão das gentes lá em baixo, os telhados e a vista do céu me inspiram. Escrever tem o dom de não acompanhar o pensamento, escreve-se necessariamente mais lento do que se pensa e isso é fascinante porque obriga ao “ralenti”, permitindo o duplo ou triplo pensamento.
Thursday, July 29, 2010
o percurso
Foi talvez quando voltou a ouvir, por sugestão, o Keith Jarrett de há meia vida atrás, ou debaixo do chuveiro num final de tarde muito quente, que se apercebeu de que estava a mudar. Uma mudança astronómica que tinha parecido disciplinada no meio do turbilhão das sensações.
Constatou-o pela quantidade de palavras que vinha escrevendo, em crescendo, desde há uns 6 meses atrás. Constatou-o pela forma mais sentida como começava a interpretar a vida. Constatou-o pelas últimas conversas verdadeiramente profundas que havia tido. Constatou-o com o imenso calor do verão que lhe envolvia o corpo.
Alguns meses antes sentia-se feliz consigo mesmo, sem obrigações ou grandes desejos. Vivera uma larga temporada de olhos fechados e tranquilo, mesmo se entretido. Depois acontecera-lhe tudo de forma sinfónica e isso ajudara a despertá-lo.
Percebeu que na vida profissional estava a um passo do cume e que os novos desafios, a partir dali, seriam apenas uma questão de tempo ou vontade – sentiu-se realizado. Percebeu que sobre o significado da vida já muito havia explorado – as respostas importantes continuariam a surgir ao acaso. Percebeu que conhecia mais e melhor o mundo do que alguma vez concebera – faltava-lhe o imprevisto. Percebeu então o que realmente queria…
quadro à vista
Gosto muito quando as reuniões de trabalho me levam mesmo ao centro mais bonito da cidade. Hoje tive de ir ao Chiado às 3 da tarde e subir a Rua do Carmo com 35 graus à sombra, para uma reunião com este quadro à vista:
Elvis no evil
Aceitei o convite, bom, para o concerto do Costello. Fiquei com vontade de ouvir aquelas canções mesmo tristes que só ele sabe. Afinal enganou-me e mudou-se para a country music. Valeram os encores lamechas e a noite muito quente de Cascais.
She
Who always seems so happy in a crowd
Whose eyes can be so private and so proud
No one's allowed to see them when they cry
She
May be the love that cannot hope to last
May come to me from shadows of the past
That I'll remember till the day I die
Tuesday, July 27, 2010
Apontamentos
Apontamentos para o sucesso de uma relação amorosa (após um almoço com a ex-namorada):
1) Nunca sintas nem provoques ciúmes – não há nada mais cáustico para um amor que se quer verdadeiro.
2) Sê sempre irredutível no que toca às tentações – elas têm memória de elefante e uma imaginação assustadora.
3) Assume que a tua proporção do amor é sempre a maior dos dois – começar repetitivamente do zero é sempre melhor.
4) Pára, escuta-a e olha-a nos olhos, antes de começares a divagar – ela vai notar que conheces o sentido das prioridades e que és um cavalheiro.
5) Nunca hesites em demonstrar o amor que sentes – ser romântico nunca fica mal.
Nota: Ela hoje está apaixonada por um miúdo 6 anos mais novo e eu desejo, mesmo, que tudo lhes corra bem.
Monday, July 26, 2010
contrastes
Tenho um amigo que usa o facebook para anunciar ao mundo as novidades: “Just getting divorced and starting a GREAT LIVE”.
Admito ou assumo que esteja genuinamente feliz… ou então é só mesmo um truque.
Sunday, July 25, 2010
2ª Mãe
As pessoas que marcam definitivamente a minha vida, fazem-no deixando-me imagens gravadas na memória que sei nunca vou esquecer. Lembrei-me hoje de ti e de uma longa conversa que tivemos no meio da vinha, mesmo no início da época das vindimas. Eu acabara de fazer 15 anos e enfrentava uma temporada de mudanças significativas e que me assustavam. Tu que eras a mãe daqueles quatro miúdos maravilhosos que foram como irmãos para mim desde o momento em que me conheci, e que na verdade assumias o teu papel de 2ª Mãe como se eu fosse o teu mais novo, que aliás tinhas ajudado a trazer ao mundo, apercebeste-te ali, no meio das uvas carregadas por onde passeávamos, que o teu "mais novo" sofria, apesar de ser um estóico. Perguntaste-me o que se passava e conseguiste explicar-me com toda a tua sabedoria e experiência de grande médica que a vida era feita disso mesmo, de mudanças, e que estas eram geralmente boas. E foi tudo como adivinhaste, aquele ponto médio da minha adolescência revelou-se marcante e fez muito de mim, o que hoje sou.
Há menos anos atrás quando ficaste realmente doente, escreveste-me uma carta de despedida, desde a cama do hospital. Uma carta que me fez chorar perdidamente porque mencionavas o episódio na vinha. Estavas enganada com a despedida, e depois disso, quando recuperaste por uns tempos bons, levei-te a almoçar, reservando a mesa com a melhor vista de Lisboa. Só eu e tu no nosso último momento de cumplicidade, voltámos a conversar longamente, eu de executivo e tu de garrafa de oxigénio. Lembro-me que pediste salmonetes e gravei o teu sorriso de felicidade por estares ali com o teu “mais novo” transformado num homem.
Se tu soubesses, 2ª Mãe, a falta que me fazes por estes dias, creio que viajarias no tempo para me voltares a encontrar no meio da vinha.
a praia
Encontravam-se a meio da tarde no empedrado e desciam pela passadeira de madeira até à areia, lado a lado. Caminhavam, olhando um para o outro sem se falarem, num silêncio que ambos sabiam confortável, enquanto apreciavam os tons da pele um do outro que tão bem conheciam. Ele de cabelo algo comprido, meio despenteado e castanho esbatido pelo sol, de bermudas caqui e t-shirt azul-escura com a toalha na mão. Ela com um vestido giro sobre o bikini, saco gigante ao ombro, o cabelo loiro meio enfiado no chapéu de palha e olhos protegidos pelos óculos de sol. O vento soprava quente vindo do mar e por isso escolhiam estender as toalhas junto à protecção de um muro de pano para alugar. Deitavam-se na perpendicular com as caras muito próximas e ela tirava os óculos para se verem olhos nos olhos. Não se viam há muito tempo mas não se tinham perdido. Os dois sabiam o que havia ali, apesar da distância e da ausência quase extrema. Não precisavam de se tocar para continuarem a sentir-se enfeitiçados, embora o toque fosse verdadeiramente encantador para um e para o outro. Conversavam então, longamente e ao sabor do vento, mais sobre o presente do que sobre a história passada. Contavam-se as novidades e ansiedades do momento, de forma perfeita e em sintonia. Trocavam algumas ideias sobre o futuro, sabendo que se poderiam tornar reais. Ela passava-lhe a mão sobre a face percorrendo-a até às pontas do cabelo solto. Ele fazia-lhe festinhas no braço até à altura do ombro. Procuravam o beijo no preciso momento em que o vento os atacava do outro lado do muro e tinham que fechar os olhos para se protegerem da areia. Sorriam por saberem tão bem que só a eles lhes poderia acontecer assim, como se até os elementos conspirassem para que tudo fosse tão único. Adiavam então o beijo, e caminhavam pelas dunas com as mãos presas apenas pelas pontas dos dedos, finalmente.
“Queres haxe mano?”
Vestiu uma camisa fresca e as calças azul-escuras e saiu para a noite quente. Jantou com os amigos numa esplanada engraçada no centro cosmopolita de Lisboa e a conversa discorreu-lhes alegre, por entre os idiomas diferentes que os rodeavam. O casal da mesa anunciou que vão mudar de casa em Setembro, deixando desde logo o convite para uma festa. Pediram jarros de sangria branca e maravilharam-se com os pratos bem servidos aquelas horas tardias. Foram esmorecendo, entretidos pela excitação de um grupo de espanholas em despedida de solteira e pelo efeito do vinho misturado com a fruta fresca. Pediram sobremesas e deixaram-se levar pelo torpor induzido pelo calor da noite. Ele pediu um banana split, lembrando-se de prevenir a cãibra que o atormentara pela manhã. No caminho para o carro ofereceram-lhe “Queres haxe mano?” e ele respondeu “Não, obrigado!”. Regressou a casa cedo, sem desfrutar a noite como inicialmente desejara, mas a sentir-se ligeiramente feliz.
Saturday, July 24, 2010
Calor em Lisboa
Acordo triplamente atacado por uma melga que me entrou no quarto, uma cãibra aguda na barriga da perna esquerda e uma enxaqueca que me esmaga os olhos. Ainda tenho sono mas já não vou conseguir dormir mais. Abro a janela e constato que já faz um calor assustador em Lisboa. Um calor daqueles capaz de sublimar a água da chuva oculta no solo. Na bancada da cozinha encontro uma banana que decido comer, enquanto preparo um café muito forte, sem açúcar. No frigorífico descubro um pepino que me deixa a pensar em colocar rodelas sobre os olhos doridos. E o calor em Lisboa deixa-me indeciso entre ir destilar para a praia ou esparramar-me no sofá a dormir mais um pouco. Apetece-me mudar a estação.
Friday, July 23, 2010
the end of the affair
Ele tinha claro que não iria deixar de gostar dela de um momento para o outro. Isso nunca poderia fazer sentido, depois do que havia vivido. No entanto, compreendia que tinha esgotado as possibilidades, e que ao contrário do que queria já não havia ali felicidade. Mesmo indeciso, deixou-se levar no sentido contrário ao que desejava. Sabia que tinha que respeitar o que ela lhe dissera, porque era essa a natureza dele. Não entendia mas aceitava, resignado, e aqui sim, contra uma das mais-valias da sua personalidade. Fechou profundamente os olhos e recordou-a mais uma vez, como se aqueles olhos dela e aquela expressão muito meiga estivessem ainda à distância das suas mãos. E ficou quieto, com os olhos bem fechados, por alguns minutos, para garantir que não a iria esquecer.
Thursday, July 22, 2010
desperdício de amor
Chegou a casa a horas tardias e a sentir-se cansado. Continuava a sentir-se perdido, sem rumo e vindo dos subúrbios já nem a visão da cidade o parecia animar. Com fome, abriu o frigorífico e retirou dois ovos que partiu, despreocupadamente, sobre a frigideira. Juntou-lhes meia dúzia de ingredientes também perdidos no frigorífico. Restos de refeições passadas que, sem escolher muito, atirou para cima dos ovos em ponto mexido. Afagou-os rapidamente com uma colher-de-pau. Por cima, colocou muitas folhas de coentros e sentiu-se o melhor cozinheiro do mundo. Enquanto se deleitava com o garfo na mão direita, sentiu-se inspirado e decidiu chamar aquele “prato” desperdício de amor. Experiência a não repetir.
Tuesday, July 20, 2010
“Homem moderno”
Ser homem moderno implica manter um certo distanciamento. Sobreviver aos silêncios. Resistir à vontade de abraçar. Fazer as vontades. Saber respeitar. Não ser demasiado lamechas. Cumprir objectivos. Estar disposto a mudar por se amar. Ir ao encontro dos sonhos. Garantir o carinho, mesmo sem reciprocidade. Ser capaz de dar. Fazer muitas das coisas de que só elas gostam, com um sorriso sincero. Conseguir arriscar, mesmo sabendo que nos podemos magoar. Esperar o melhor, sem nos desviarmos com todas as tentações à nossa volta. Saber falar com profundidade mas sem assustar. Ser forte para além do sentido estético. E parece que também implica aceitar um pouco das tendências modernas: estar na moda, alguma depilação, civismo na condução, emancipação, como se nós fossemos capazes de sobreviver sozinhos, limpezas do rosto e abdominais em forma, sem muito suor. Chorar, exclusivamente nos momentos certos. Amar porque é isso o que se quer. E tudo isto, não necessariamente por esta ordem, compensa? Parece que não...
de volta
A única constante destes últimos tempos passados na cidade: chuva em Lisboa. Acabaram de cair um pingos!
Sunday, July 18, 2010
o amor dos outros - Stratégie de la Rupture
Final de dia na praia, com algum vento vindo do noroeste. Eu a ouvir Wim Mertens – Stratégie de la Rupture no iPod. Vejo-os aproximarem-se. Ela de vestido azul. Ele de calção de banho e t-shirt encarnada. Vejo-os encontrarem-se. Beijam-se nas faces. Ficam ali, a dois metros da água. Falam muito, devagar, um com o outro. Pés fixos, semi-enterrados na areia. A maré vai subindo. As gentes vão abandonado a praia, à medida que o vento começa a levantar areia. Eles recuam meio metro e voltam a fixar os pés na areia molhada. Observo-os. Continuam a falar, uma vez um, depois o outro. Ponho o Wim em repeat. Falam mais e ela começa a chorar. Ele olha-a com ternura e coloca a mão direita sobre a cintura, nas costas dela. São jovens, vinte e poucos anos. O mar cobre-lhes os tornozelos. Ela leva as mãos à água e passa-as pelos olhos, para disfarçar as lágrimas. Falam mais um pouco. Despedem-se com mais dois beijos. Ela diz-lhe qualquer coisa e começa a afastar-se. Passa à minha frente, claramente triste e com vontade de chorar. Ele fica a olhá-la enquanto ela se afasta, ele com os pés ainda enterrados. Muito tempo, enquanto ela desaparece pelo meio da praia. Ele vira costas e corre pela areia, direcção sul.
Saturday, July 17, 2010
Back to New Wok
Elas - O que vais fazer nas férias?
Eu - Ainda não sei, só tenho uma semana. Talvez um cruzeiro de solteiros ou Ibiza.
Ela 1 - Um cruzeiro de solteiros... ainda fazes um “amigo”.
Eu - Não, um cruzeiro hetero!
Ela 2 - Agora a sério, o que vais fazer nas férias?
Eu - Já disse: um cruzeiro de solteiros ou então Ibiza. Ou então, Escandinávia. Nunca fui e já fui apaixonado por uma sueca.
Ela 1 - Por uma sueca? Quando?
Ela 2 - Ah, num colégio em Inglaterra, daqueles de verão.
Eu (para os meus botões) - (Pois foi... bons tempos)
Estampei-me
Estampei-me de forma mariquinhas. Sem airbags a saltarem, sem ferimentos graves, sem direito a férias de sopas e descanso no hospital, e visitas dos amigos para me verem enrolado em gaze. Limitei-me a ficar a sangrar de um dedo, porque a mão me escorregou do volante. Estupidamente, hoje até fiz parte da A5 em excesso de velocidade e podia ter-me despistado e capotado, dando cabo do Golf e encontrando motivo para comprar o novo Touareg. Mas não, limitei-me a enfiar o capot no carro da frente a 40 km/h em plena Defensores de Chaves – que nome de rua tão parvo, para se colocar na “declaração amigável”, à pressa e atrasado para uma reunião...
Thursday, July 15, 2010
estirpe surrealista
Chamava-se Maria e tinha um coração enorme, três vezes maior do que o comum dos corações. Na meninice sofrera de uma virose que lhe tinha afectado o coração e este crescera desmesuradamente, apertando-lhe o peito por dentro, mesmo à medida que crescia. E ela cresceu, tornando-se uma miúda bonita, primeiro, e transformando-se numa mulher perfeita, depois. Viveu sempre a vida despreocupada mesmo com aquele aperto vindo do interior. Encantava as pessoas com o seu jeito e com aquelas batidas compassadas que se ouviam quando ao perto. No dia em que conheceu o amor, encontrou-o numa esplanada abafada pelo sol quente do início da tarde. Era o final da época dos dias de chuva e ele apresentava-se constipado. Surgiu-lhe sem aviso, metendo conversa desde a mesa ao lado enquanto ela fumava um cigarro que o fizera sentir-se incomodado, com o fumo a interpor-se entre os olhos e o livro que lia. E logo ali, quando ele a interpelou, olhos nos olhos, ela sentiu o coração grande a querer sair do peito para fora, descompassado. E não se fez rogada, aprofundando a conversa, que surgira do nada, e apagando o cigarro. Ao cair da noite ambos estavam dominados um pelo outro, conhecendo-se tão devagar quanto o tempo, pausado, havia permitido. E ele arriscou beijá-la profundamente mas sem a agarrar ao que ela correspondeu prendendo-o simplesmente com os lábios. E sentiram-se bem, desejados um pelo outro como nunca ninguém. E com aquele beijo bem preso no ar, ela deixou-se contaminar por aquela estirpe de vírus moldada pela personalidade dele que se instalou no coração grande dela. Maravilha da genética, passaram a amar-se.
Abstand
Os alemães têm destas palavrinhas mágicas que, para além de produzirem um som delicioso tanto gritadas como sussurradas, conseguem condensar um estado de espírito em poucas sílabas arranhadas. “Abstand” pode servir para “dá-me espaço” e hoje, cansado que estou, é isto que me apetece: espaço e distância. Por isso vão lá às vossas vidinhas mais ou menos maravilhosas, repletas de sonhos idiossincráticos, objectivos preconcebidos e desejos de reconhecimento acumulados, e deixem-me ficar sossegadinho, vago das vossas preocupações terrenas e aberto a novas experiências.
Subscribe to:
Posts (Atom)

