Chegou a casa a horas tardias e a sentir-se cansado. Continuava a sentir-se perdido, sem rumo e vindo dos subúrbios já nem a visão da cidade o parecia animar. Com fome, abriu o frigorífico e retirou dois ovos que partiu, despreocupadamente, sobre a frigideira. Juntou-lhes meia dúzia de ingredientes também perdidos no frigorífico. Restos de refeições passadas que, sem escolher muito, atirou para cima dos ovos em ponto mexido. Afagou-os rapidamente com uma colher-de-pau. Por cima, colocou muitas folhas de coentros e sentiu-se o melhor cozinheiro do mundo. Enquanto se deleitava com o garfo na mão direita, sentiu-se inspirado e decidiu chamar aquele “prato” desperdício de amor. Experiência a não repetir.
Thursday, July 22, 2010
Tuesday, July 20, 2010
“Homem moderno”
Ser homem moderno implica manter um certo distanciamento. Sobreviver aos silêncios. Resistir à vontade de abraçar. Fazer as vontades. Saber respeitar. Não ser demasiado lamechas. Cumprir objectivos. Estar disposto a mudar por se amar. Ir ao encontro dos sonhos. Garantir o carinho, mesmo sem reciprocidade. Ser capaz de dar. Fazer muitas das coisas de que só elas gostam, com um sorriso sincero. Conseguir arriscar, mesmo sabendo que nos podemos magoar. Esperar o melhor, sem nos desviarmos com todas as tentações à nossa volta. Saber falar com profundidade mas sem assustar. Ser forte para além do sentido estético. E parece que também implica aceitar um pouco das tendências modernas: estar na moda, alguma depilação, civismo na condução, emancipação, como se nós fossemos capazes de sobreviver sozinhos, limpezas do rosto e abdominais em forma, sem muito suor. Chorar, exclusivamente nos momentos certos. Amar porque é isso o que se quer. E tudo isto, não necessariamente por esta ordem, compensa? Parece que não...
de volta
A única constante destes últimos tempos passados na cidade: chuva em Lisboa. Acabaram de cair um pingos!
Sunday, July 18, 2010
o amor dos outros - Stratégie de la Rupture
Final de dia na praia, com algum vento vindo do noroeste. Eu a ouvir Wim Mertens – Stratégie de la Rupture no iPod. Vejo-os aproximarem-se. Ela de vestido azul. Ele de calção de banho e t-shirt encarnada. Vejo-os encontrarem-se. Beijam-se nas faces. Ficam ali, a dois metros da água. Falam muito, devagar, um com o outro. Pés fixos, semi-enterrados na areia. A maré vai subindo. As gentes vão abandonado a praia, à medida que o vento começa a levantar areia. Eles recuam meio metro e voltam a fixar os pés na areia molhada. Observo-os. Continuam a falar, uma vez um, depois o outro. Ponho o Wim em repeat. Falam mais e ela começa a chorar. Ele olha-a com ternura e coloca a mão direita sobre a cintura, nas costas dela. São jovens, vinte e poucos anos. O mar cobre-lhes os tornozelos. Ela leva as mãos à água e passa-as pelos olhos, para disfarçar as lágrimas. Falam mais um pouco. Despedem-se com mais dois beijos. Ela diz-lhe qualquer coisa e começa a afastar-se. Passa à minha frente, claramente triste e com vontade de chorar. Ele fica a olhá-la enquanto ela se afasta, ele com os pés ainda enterrados. Muito tempo, enquanto ela desaparece pelo meio da praia. Ele vira costas e corre pela areia, direcção sul.
Saturday, July 17, 2010
Back to New Wok
Elas - O que vais fazer nas férias?
Eu - Ainda não sei, só tenho uma semana. Talvez um cruzeiro de solteiros ou Ibiza.
Ela 1 - Um cruzeiro de solteiros... ainda fazes um “amigo”.
Eu - Não, um cruzeiro hetero!
Ela 2 - Agora a sério, o que vais fazer nas férias?
Eu - Já disse: um cruzeiro de solteiros ou então Ibiza. Ou então, Escandinávia. Nunca fui e já fui apaixonado por uma sueca.
Ela 1 - Por uma sueca? Quando?
Ela 2 - Ah, num colégio em Inglaterra, daqueles de verão.
Eu (para os meus botões) - (Pois foi... bons tempos)
Estampei-me
Estampei-me de forma mariquinhas. Sem airbags a saltarem, sem ferimentos graves, sem direito a férias de sopas e descanso no hospital, e visitas dos amigos para me verem enrolado em gaze. Limitei-me a ficar a sangrar de um dedo, porque a mão me escorregou do volante. Estupidamente, hoje até fiz parte da A5 em excesso de velocidade e podia ter-me despistado e capotado, dando cabo do Golf e encontrando motivo para comprar o novo Touareg. Mas não, limitei-me a enfiar o capot no carro da frente a 40 km/h em plena Defensores de Chaves – que nome de rua tão parvo, para se colocar na “declaração amigável”, à pressa e atrasado para uma reunião...
Thursday, July 15, 2010
estirpe surrealista
Chamava-se Maria e tinha um coração enorme, três vezes maior do que o comum dos corações. Na meninice sofrera de uma virose que lhe tinha afectado o coração e este crescera desmesuradamente, apertando-lhe o peito por dentro, mesmo à medida que crescia. E ela cresceu, tornando-se uma miúda bonita, primeiro, e transformando-se numa mulher perfeita, depois. Viveu sempre a vida despreocupada mesmo com aquele aperto vindo do interior. Encantava as pessoas com o seu jeito e com aquelas batidas compassadas que se ouviam quando ao perto. No dia em que conheceu o amor, encontrou-o numa esplanada abafada pelo sol quente do início da tarde. Era o final da época dos dias de chuva e ele apresentava-se constipado. Surgiu-lhe sem aviso, metendo conversa desde a mesa ao lado enquanto ela fumava um cigarro que o fizera sentir-se incomodado, com o fumo a interpor-se entre os olhos e o livro que lia. E logo ali, quando ele a interpelou, olhos nos olhos, ela sentiu o coração grande a querer sair do peito para fora, descompassado. E não se fez rogada, aprofundando a conversa, que surgira do nada, e apagando o cigarro. Ao cair da noite ambos estavam dominados um pelo outro, conhecendo-se tão devagar quanto o tempo, pausado, havia permitido. E ele arriscou beijá-la profundamente mas sem a agarrar ao que ela correspondeu prendendo-o simplesmente com os lábios. E sentiram-se bem, desejados um pelo outro como nunca ninguém. E com aquele beijo bem preso no ar, ela deixou-se contaminar por aquela estirpe de vírus moldada pela personalidade dele que se instalou no coração grande dela. Maravilha da genética, passaram a amar-se.
Abstand
Os alemães têm destas palavrinhas mágicas que, para além de produzirem um som delicioso tanto gritadas como sussurradas, conseguem condensar um estado de espírito em poucas sílabas arranhadas. “Abstand” pode servir para “dá-me espaço” e hoje, cansado que estou, é isto que me apetece: espaço e distância. Por isso vão lá às vossas vidinhas mais ou menos maravilhosas, repletas de sonhos idiossincráticos, objectivos preconcebidos e desejos de reconhecimento acumulados, e deixem-me ficar sossegadinho, vago das vossas preocupações terrenas e aberto a novas experiências.
Wednesday, July 14, 2010
tenacidade (*)
Ela insistiu, provocando-o com um segundo email e ele admirou-lhe a tenacidade. Só por isso, convidou-a para jantar sushi numa esplanada selecta. A noite nem estava particularmente quente, mas ele decidiu dar uma oportunidade ao que poderia ser amor. Desta vez fixou-lhe o rosto, definitivamente bonito, e deixou-se levar pela conversa tornando-a agradável. Mas quando a viu baralhar-se com os pauzinhos, ele sentiu saudades. E a partir daí, ele já não estava ali e nada daquilo poderia resultar. Sentiu-se triste porque sabia que ela tinha algo para lhe dar. Good placebos are hard to find...
(*) cada vez admiro mais esta qualidade.
Monday, July 12, 2010
Os amigos dos filhos dos amigos
Ontem, no mais esplêndido areal de que já nem me recordava, conheci esta menina de 7 ou 8 anos, carente de pai (divorciados?), e muito maravilhosa, que me deixou derretido e a pensar na vida, quando me pediu para lhe preparar “...um pão com manteiga... tio Ricardo” e me encantou com as suas certezas muito absolutas, para a idade minorca:
Ela - Eu odeiooo camarões...
Eu - Ah sim? E bife com batatas fritas?
Ela – Gosto muuuito...
Ela - Eu odeioo espanhóis...
Eu - Mas porquê, C.? Fizeram-te algum mal?
Ela - Porque odeiooo...
Eu - Mas C., tu conheces algum espanhol?
Ela - Eu não, mas odeiooo espanhóis...
Eu - Miúda, tens que ser mais positiva!
Ela (depois do jantar) - Quem ganhou o jogo?
Eu - Más novidades, os que nós não queríamos!
Ela - Nãooo! Eu odeiooo espanhóis...
(tudo dito)
Sunday, July 11, 2010
Destilar
Passo o dia a destilar a vodka da noite passada deitado na Praia Grande com os olhos muito fechados. Ouço o som do mar atlântico muito característico deste lugar. Conheço bem quem já tenha sido feliz nesta praia de sol incerto.
Friday, July 9, 2010
Sucesso é...
Esta semana ganhei um projecto muito importante, novo cliente e muito trabalho para o verão – logo para mim que nem estou nada a precisar de férias... Fiquei a saber que vou ter um aumento chorudo, mesmo em tempo de vacas magras – ainda não é oficial mas já sabe bem, apesar do novo escalão dos impostos... O primeiro “briefing” como candidato a Partner também correu bem – apesar das vacas escanzeladas, pode ser este o ano entre 48 candidatos para 15 promoções... Senti-me um par de vezes brilhante e a gostar do que faço – não está nada mal, às vezes nem sei como continuo nesta vida... Hoje até joguei no euromilhões – só não sei que ganhei porque ainda não fui ver a chave... E agora vou ali meter-me nos copos – para festejar...
Mariana
Conheceu-a numa reunião profissional. Ela sentou-se ao seu lado numa cadeira giratória que rodou com destreza, sem movimentos bruscos, para o observar. Ele fixou-lhe a cor das unhas, bem pintadas de azul, e as flores da camisola, encarnadas e engraçadas, mas não o rosto, simplesmente bonito. Ela olhou-o de soslaio, sorrindo-lhe, enquanto ele falava, e ele concentrou-se no que apresentava. Quando ele terminou, ela fez dois ou três comentários pispirretas, e ele sentiu-se demasiado criticado. Despediram-se com um aperto de mão, bem dado, e ficaram a pensar um no outro durante o que sobejava do dia. Ela tinha o contacto dele e arriscou enviar-lhe um email. Encontraram-se num bar de Lisboa, logo na noite seguinte. Poderia ter sido o efeito do fato de linho azul, meio amarrotado, ou o cabelo já comprido mas com ar macio, de que elas parecem gostar. Conversaram por uma hora ou duas, entretendo-se com banalidades, e ele sentiu-a cativada, mesmo sem usar do seu charme. Ele não se sentiu entusiasmado e ela sofreu um desgosto.
Wednesday, July 7, 2010
Amor portátil (geek post)
O amor devia ser portátil. Aliás, a paixão também. Portátil com “plug-in”. Desligava-se desta pessoa de quem se gostava, a bateria mantinha o processador em funcionamento, e ligava-se o coração a outra pessoa pronta para ser amada. Sem necessidade de “reboot” à memória. Imediatismo total, sem ponto final. Tudo o que de bom se havia sentido passava para a opção seguinte, sem tempo de arrefecimento, sem sofrimento. Acho que seríamos todos muito felizes e também faríamos os outros mais felizes. Mas afinal, somos uns imperfeitos – seres humanos, humpff!
O bom destes dias
O bom destes dias de calor africano é sentarmo-nos com os amigos, que por cá estão, junto ao rio largo onde corre uma aragem agradável, a trocarmos histórias corriqueiras, intercaladas com visões profundas de como a vida pode ser boa. E rirmo-nos dos disparates que a temperatura faz sobressair e das divagações, como se amanhã fosse um dia de praia com as toalhas ao sol e o mar pronto para mergulhar.
Tuesday, July 6, 2010
Porque será
Porque será que recebo um sms quando a noite já vai tão alta e quente, e não é o que eu quero, quem eu quero. Estas noites de calor vindo do Saara ameaçam tornar-se insuportáveis e eu tenho saudades do “Chá no Deserto”.
Sunday, July 4, 2010
Old friends
A sensação mais estranha é que parece que nos conhecemos desde sempre. Parece que somos todos irmãos e que não deixámos de crescer separados. Parece que sabemos as histórias que um e outro vai contar, a forma como alguém se vai rir, outro sorrir, e outro responder. E é uma impressão muito boa e que, creio, interpretamos todos como confortável. Praticamente todos têm já filhos, alguns vão no terceiro, outro há que já vai no segundo casamento e tem um enteado. Fomos todos aos diversos casamentos e alguns a muitos dos baptizados. Saímos juntos quando éramos recém-adultos. Fizemos férias juntos. Conhecemos as namoradas e os namorados que foram passando pela história do grupo. Acompanhámos as novelas, os sucessos e insucessos das nossas vidas amiúde partilhadas. E conhecemo-nos há muito e muito tempo, alguns desde os 5 anos de tenra idade.
Can you imagine us years from today, sharing a parkbench quietly
How terribly strange to be seventy
Old friends, memory brushes the same years, silently sharing the same fears
Coisa de que eu realmente gosto e já nem me lembrava
De chegar a casa com a noite semi-cerrada e de me enfiar debaixo do duche para sacudir a areia de um dia de praia.
E hoje estavam 37º à ida, na ponte sobre o Tejo, e 31º C à vinda – finalmente o calor dos trópicos deu à costa!
Saturday, July 3, 2010
brit
E eis que chego a casa depois de uma noite demasiado quente – apesar da temperatura até amena para a época do ano – e dou por mim a pensar onde raio a minha amiga S. desencantou aquela personagem de nome K. absolutamente neurótica – even by british standards –, que insistiu em oferecer rodadas de cerveja a toda a gente que cumprimentámos no bairro enquanto se agarrava a mim, pedindo-me que lhe contasse a minha história – como se a minha história tivesse algo de interessante para se contar, ainda para mais em inglês – e afagando-me o cabelo já comprido. E dou por mim a pensar porque, volta e meia, com a chegada do verão, a minha vidinha se vê invadida de gente “non-sense” em vez de repleta do que eu quero para mim. E ainda sem sono, e meio assustado, volto aqui e ponho-me a ouvir Animal Collective, semi-alucinados, enquanto leio um dos melhores blogs do circuito, escrito por um miúdo que eu sei que conheço da vida real.
Friday, July 2, 2010
Big love... still
Muitos dias haviam passado. Demasiados dias pelas contas dele. Demasiadas manhãs em que despertara solitário e aplicara o ritual muito treinado – duche, barba, fato, nó da gravata, café de filtro com um farrapo de leite e algo para trincar, dentes escovados e saída para a garagem. No carro, invariavelmente, o ar condicionado e “the xx” a tocar repetitivamente.
Watch things on VCRs
With me and talk about big love
I think we’re superstars
You say you think we are the best thing
You’ve applied the pressure
To have me crystalised
And you’ve got the faith
That I can bring paradise
I am yours now
So now I don’t ever have to leave
I’ve been found out
So now I’ll never explore
Please don’t say we’re done
When I’m not finished
I could give so much more
Make you feel, like never before
Welcome, they said, welcome to the floor
For the desired effect
Would you come back August or June, June
And I hate that tomorrow’s too soon
I’ll take you in pieces
We can take it all apart
I’ve suffered shipwrecks right from the start
I’ve been underwater, breathing out and in
I think I’m losing where you end and I begin
I can't give it up
To someone else's touch
Because I care too much
But if stars, shouldn’t shine
By the very first time
Then dear it’s fine, so fine by me
Cos’ we can give it time
So much time
With me
Fragmentos. Muitos fragmentos cheios de significado e em “repeat” – too many for me! E acelerava para mais um dia sem o “Bom dia :-)”, ultrapassando pela esquerda e pela direita aquela sensação de vida repetitiva e complexamente desordenada, dia após dia.
Thursday, July 1, 2010
viciado no blog!
Apago e apago o que escrevi ontem, anteontem e há semanas atrás. Sentir-me vazio deve ser mesmo isto, ando com uma produtividade ímpar a escrever mas pouco me sai de que realmente goste. Começo logo de manhã com notas no BB e depois tudo aquilo perde o sentido durante o longo do dia e quando finalmente acendo um cigarro em frente do teclado, sinto-me vazio das ideias que podiam dar uma obra-prima. Como diria alguém que me conhece, devo estar viciado no blog!
Tuesday, June 29, 2010
Férias e um placebo
Ele nem gostava nada do Saramago, mas desde que o senhor falecera tudo na vida lhe parecia correr pelo pior. Tinha lido “A Jangada de Pedra” ainda novo, e gostara do conceito da separação da península do resto do continente. Recordava-se que o grupo perseguia pássaros pela meseta ibérica e que a páginas tantas já não podia mais com a descrição ornitológica. Ainda assim, fora capaz de terminar o livro. Alguns anos mais tarde, experimentara o “Memorial do Convento” mas aí, mais maduro, já utilizava a técnica de abandonar os romances que o não seduziam ao terço do volume. Sentia-se exausto de Lisboa onde o verão, de praia à séria, parecia não querer chegar. Ansiava por férias e um placebo. Mas tinha a agenda preenchida de trabalho por Julho dentro, e os níveis de confiança subitamente em baixo demais para a arte da sedução. Na realidade não queria nada um placebo, queria era amar a sério. Dava-se conta de que nas últimas saídas nocturnas bebia demais, e que passava os dias seguintes a ressacar sem qualidade de vida. Entendia agora o conceito de “mastigar” o, ou a, vodka que preferia diluído com dois terços de água tónica. Compreendia agora que a dificuldade de uma relação está na proporção certa do amar e do ser amado e que não faz sentido nenhum um sentir-se apaixonado, se o outro não está para aí virado, como quem não passa do terço do romance.
Sunday, June 27, 2010
oráculo
Sentei-me com ela na beira da piscina com os pés enfiados na água e o corpo protegido do sol pela sombra da casa branca. Discorri durante uns quarenta minutos sobre o que me está a acontecer. Ela escutou-me em silêncio, olhando-me com carinho e movendo lentamente as pernas para provocar remoinhos encantadores na água azul. Não me interrompeu uma única vez, nem quando eu balbuciei com os olhos molhados. Contei-lhe tudo o que considerei essencial para obter uma opinião. O meu estado de alma antes de te conhecer. Os actos únicos da peça de teatro. Os sentimentos diários nas tuas ausências. As mensagens. Os últimos fins-de-semana, enfatizando os pormenores relevantes. As nossas diferenças. Os silêncios que não consigo interpretar entre a incerteza e o desprezo. Quando terminei, ela sentiu-me mesmo triste e atirou-me água para me animar. Passou-me a mão pelo cabelo, puxando-o ao de leve como só ela o sabe fazer. Ambos sabemos que já me amou, mesmo a sério, e que eu não correspondi. Foi há tantos anos que dizer há mais de uma década me faz sentir antigo. Talvez por isso a decidi procurar. Não ficámos melhores amigos, mas ambos sabemos com o que podemos contar. Honestidade, sinceridade e cumplicidade quanto baste. Entretanto ela descobriu o mundo, fez o “move on” com toda a classe, cresceu, e podemos falar sobre quase tudo como se fôssemos íntimos. Disse-me que entendia bem porque me és tão especial. Desculpou-se com singeleza porque não te conhece e as gerações, ainda para mais no feminino, são bem diferentes. Mesmo assim, procurou palavras sábias e frontais e disse-me: “Ricardo, por muito que isso te seja estranho, não está nas tuas mãos. Ela decidirá o que vai querer, e tu só podes esperar pelo melhor”
Amor perfeito em 3 actos
Acto I
Ela (de cabelo solto enquanto fazemos amor) - Estou muito apaixonada por ti, Ricardo...
Acto II
O corpo perfeito dela completamente encaixado sobre o meu depois de fazermos amor...
Acto III
O abraço exclusivo e bem apertado dela à beira do chafariz... (para a alma recordar na eternidade)
3
Ela (de cabelo solto enquanto fazemos amor) - Estou muito apaixonada por ti, Ricardo...
Acto II
O corpo perfeito dela completamente encaixado sobre o meu depois de fazermos amor...
Acto III
O abraço exclusivo e bem apertado dela à beira do chafariz... (para a alma recordar na eternidade)
3
Saturday, June 26, 2010
doutrina (*)
A característica que mais me arrelia na natureza humana é a falta de vontade, a falha do querer, a cobardia, a incapacidade de lutar, o “deixa lá ver se passo por entre a chuva”, o deixar-se encostar, a falta de energia para se correr pelo que se deseja. A vida, em sentido lato, é já demasiado imperfeita para se descortinar o que é mesmo importante para cada um, o que verdadeiramente se quer dela. Quando se tem a sorte de descobrir o objectivo, achar alguém absolutamente especial, sonhar ou imaginar algo de bom, há que ser determinado, convicto, ambicioso e ter a certeza de que o resultado está lá para nos fazer sentir bem. Como tudo o que faz realmente sentido, será difícil e complexo de alcançar, mas isso faz parte do desafio.
(*) desde que não interfira com a liberdade dos outros.
Wednesday, June 23, 2010
Primeiro amor
Primeiro amor. Quem os não teve? Lembrei-me hoje dele por causa deste aperto no coração com que acordei. Esta sensação insalubre de quem ama e não é correspondido. Esta motivação de me deixar entreter com tudo aquilo que me faça esquecer a dor no peito. Esta certeza parva de que a experiência só vai contribuir para enrijecer um coração já maduro. Esta noção nefasta de desperdiçar possibilidades. E isto dói, muito, como se ainda fosse um miúdo.
Monday, June 21, 2010
flares
É difícil imaginar uma coisa assim mas quando se sobrevoa a costa da Arábia Saudita durante a noite, sem nuvens, a imensidão de flares que se vêem parece quase infinita. E eu vou ali com os headphones a debitarem som para os meus ouvidos, hesitante entre a novidade do Sébastien Tellier, que profeticamente dá pelo nome de Sexuality, o “La Ritournelle” do mesmo mas já mais antiga, em repeat, e o canal 6 que passa o Alcorão cantado para muçulmano ouvir, atentamente, ou cristão se deixar encantar, a espreitar pela pequena janela do Airbus e a reflectir na imensidão dos campos de petróleo que nos alimentam o lifestyle moderno.
Oh nothing’s gonna change my love for you
I wanna spend my life with you
So we make love on the grass under the moon
No one can tell, damned if I do
Forever journeys on golden avenues
I drift in your eyes since I love you
I got that beat in my veins for only rule
Love is to share, mine is for you
La Ritournelle by Sébastien Tellier
Thursday, June 17, 2010
eu transparente
Naquela manhã, eu vi-te, pela primeira vez, com todo o teu glamour profissional, o cabelo bem escovado e a echarpe, que te faria companhia a muitos pés de altitude, já enrolada nesse teu pescoço absolutamente bonito. Se eu já estava apaixonado, naquele momento senti que te queria ainda mais e gravei o teu retrato no pensamento para recordar durante todos aqueles dias da tua ausência. E esta noite, à falta de inspiração, retomo o texto que deixei perdido, tão estranhamente perdido como tu me fazes sentir quando afinal estás apenas a ser natural, tu própria, e me deixas a hesitar entre a desordem das ideias difíceis de absorver mas que me fazem sentir simultaneamente enfeitiçado e tranquilo. Uma mistura deliciosa de sensações que me fazem apreciar este meu amor verdadeiro.
Wednesday, June 16, 2010
O vício
E hoje sou eu que chego a casa exausto mas com muita vontade de ti. Com muito desejo da tua meiguice e de voltar a adormecer com o teu cheiro nas minhas mãos...
Monday, June 14, 2010
à beira do chafariz
Foi um momento muito especial e muito nosso. Como tu me dizes, eu sou melhor com as palavras escritas e apetece-me registar aquela sensação muito especial. O graffiti meio apagado no chafariz iluminado gritava “Cláudia”. E eu, por um minuto, pus-me a pensar naquela alma apaixonada que um dia decidira empoleirar-se bem alto para gritar ao mundo o nome da amada, escrevendo-o em azul sobre a pedra branca. Dei então por mim a observar a multidão muito alegre a cantar ao som da música, gente bonita de Lisboa, e a ver-te aos pulos de contente, e a pensar para os meus botões como te assemelhas à perfeição, para mim. E então, tu vieste, aproximaste-te esplendorosa, e beijaste-me de forma deslumbrante, completando-me infinitamente o pensamento e abraçando-me com um aperto meigo que me diz muito mais do que qualquer palavra.
Wednesday, June 9, 2010
Chuva de Junho
Abro a torneira de água tépida e processo H2O por entre os dedos. Mergulho o rosto nas mãos cheias e arrebito as pestanas com as pontas dos dedos. Coloco um pouco de gel nas falanges e espalho-o pela pele húmida. É um gel de cheiro neutro que me faz lembrar uma mistura de aromas entre o sabão-macaco e o gin vertido sobre água tónica. Um bocadinho inebriante. Como por magia, o gel transforma-se em espuma e olho-me no espelho com o rosto coberto de branco. Adorno as patilhas com a lâmina, primeiro a esquerda depois a direita. Produzo movimentos rápidos ora de cima para baixo, ora de baixo para cima. Termino com mais água atirada para a cara e arrebito mais uma vez as pestanas. Volto a olhar-me no espelho mas desta vez vejo-me. Concluo que persisto no estado apaixonado.
Tuesday, June 8, 2010
Home is where the heart is… too many miles away
Já não me recordo há quantos anos não passava este dia em Lisboa. No ano passado estava em Boston. Há dois anos em Paris. Há três anos em Atenas. Há quatro anos em Oreposa. E logo este ano é que me havia de apetecer estar num outro lugar... many miles away... home is, definitively, where your heart is.
Monday, June 7, 2010
Awkward love ou a crise da meia-idade
Ele estava habituado a ser bem tratado. Nas palminhas, costumava pensar. Tinha uma certa dose de sucesso, especialmente entre as mulheres de vinte e alguns que se deixavam deslumbrar pelo charme. Ele encantava-as, quando era isso o que queria. Não pela aparência, não pelo embrulho. Mas se decidia meter conversa no seu estado espirituoso, era certo que ao fim de uns minutos, vá 1/2 hora, as coisas estariam encaminhadas para o que ele quisesse. Com o passar dos anos, foi percebendo que não queria muito, ou que o queria poucas vezes. Ficava-se pelo sabor do sucesso e, ocasionalmente, por uma ou outra relação infrutífera que depois trabalhava em sentido inverso, de forma a que o esquecessem sem mágoa. Ele gostava dessa sua capacidade, de fazer esquecer ou reduzir as relações passadas a recordações carinhosas. Chegava a considerar essa sua capacidade uma virtude. O seu dom. Gostava disso em si e aturava temporalmente as perseguições até alcançar o resultado pretendido.
Ah, mas ele não estava preparado para provar do seu próprio veneno. E descobriu-o quando se deixou encantar. Compreendeu então que afinal gostava pouco de montanhas-russas, porque se transformavam em circuitos fechados. E ele queria mais possibilidades. Caminhos de liberdade, sem destino. Então, encheu-se de coragem, ponderou o desconhecido e a viagem sem bússola. Sentiu-se um valente e deixou-se levar. Passou a amar.
Ah, mas ele não estava preparado para provar do seu próprio veneno. E descobriu-o quando se deixou encantar. Compreendeu então que afinal gostava pouco de montanhas-russas, porque se transformavam em circuitos fechados. E ele queria mais possibilidades. Caminhos de liberdade, sem destino. Então, encheu-se de coragem, ponderou o desconhecido e a viagem sem bússola. Sentiu-se um valente e deixou-se levar. Passou a amar.
Sunday, June 6, 2010
My Rijksmuseum’s t-shirt
Depois de Canal Street embrenhámo-nos no Soho. Final de tarde em New York. Chegamos a Tribeca e reencontramos o Michael Imperioli com a sua mulher, a filha pela mão e o filho às cavalitas, a passearem, alegres e contentes. Entramos numa loja fashion e uma cliente gaba-me a t-shirt, como se eu fosse um modelito e ela a quisesse comprar... it’s from Rijksmuseum, Amsterdam.
Gajo alheado em post fútil
Obrigado por hoje me terem explicado o significado do 2 coberto de “lantejoulas” que de há uns dias para cá me intrigava ali plantado no Saldanha – Sex and the City 2. Hummpf!
Thursday, June 3, 2010
Sweet May
Chego a casa cansado mas ainda sem sono. Ligo o iPod e sai-me expressamente Au Revoir Simone – “Through the Backyards of Our Neighbors”: Baby tell me please, Is this a dream, Spending the night with you, Beneath the cherry trees, Just make a wish and everything comes true… (esta sei que já a ouvi enquanto deixávamos os nossos corpos brincar um com o outro, e o CD a tocar na sala ao lado). Ponho-me a ler Maio no blog e constato que foi o mês recorde, 25 posts em apenas 31 dias – estado de alma: apaixonado. Produção literária não particularmente destacável, mas ainda assim muito cheia de significado. E dou por mim a pensar em ti, e sinto-me deliciado com o que Maio me (nos) deu, em crescendo...
Wednesday, June 2, 2010
non-mainstream
Tenho para mim que a maior parte dos que vivemos nesta época contemporânea não chegamos a dar-nos conta da maravilha dos tempos que correm. Findo o apogeu da globalização, é possível usufruir de quase tudo, em qualquer lugar. A sensação provocada pela liberdade do acesso a praticamente tudo o que faz o mundo é uma recompensa única para as aflições que nos traz o excesso de informação. Desde que se ganhe uma certa capacidade de abstracção, este início de século tem tudo de bom para se viver. O meu eu conservador mantém-se um profundo apreciador dos tempos do pós-modernismo, mas hoje dou por mim embevecido por tudo aquilo que a vida tem para dar. Viaja-se muito. Lê-se o que se quer. Descobrem-se novos ritmos e melodias. É possível ser-se original. Existem menos tabus. Observa-se tudo. Conhece-se o que se quer. Pouco se esconde. Há não muitos anos atrás, estávamos condenados ao “mainstream”. Toda a gente ia de férias para sul. Liam-se os clássicos. A música era imposta pela FM. Vestia-se o que estava na moda. A imprensa nacional ditava o pensamento. Existia censura a rodos, marcada pelo estado da civilização a que chegáramos. Hoje, vivemos como queremos e as escolhas são infinitas, desde que não se assuma o espírito da “carneirada”.
ps- dei por mim a concluir isto enquanto te “enchia” o .mp3 player de música indie, alternativa ou clássica não convencional, de que tenho a certeza que vais gostar!
Tuesday, June 1, 2010
A parvoeira dos trópicos
A geografia importa muito. Mesmo quando se vive na amenidade do clima mediterrânico, quando se acorda para os primeiros dias a 30º C já se sabe que o rectângulo à beira mar plantado vai ficar infestado de criaturinhas com pouco que fazer e com calor demais para ficarem quietas no seu canto. Subitamente, parece que meio-mundo fica afectado pela parvoeira dos trópicos e decide sair da casca. Depois de passarem o inverno quietinhos a carpirem as mágoas, sentem-se despertos pela temperatura e convertem-se em arrojados “stalkers” prontos a chatear o vizinho. Não tenho paciência para isto e acabei de ligar o modo censura no blog. Sorry!
As regras do jogo
Ela não conhecia as regras, as regras daquele jogo de palavras juntas em frases bonitas. Ela tinha passado incólume pela idade dos amores, provavelmente sempre convicta do seu namoro. Ela não tinha vivido e sofrido o amor do início da idade adulta ou o do final da adolescência. Ela não sabia que a um “gosto de ti” se responde com amor sincero mesmo de palavras feitas. E eu quis ensinar-lhe tudo o que tinha aprendido, muito devagarinho. Mas afinal quem me mostrava o caminho era ela, porque sabia agradar-me como ninguém...
How I tried to catch you while
You ran ahead of me, I lassoed Mars
To see if you were hiding there
But you'd already ran past Jupiter to Pluto's moon
And my rope won't reach that moon
This a state of electrical shock
You were so beautiful
I thought you'd last forever
But you came and you went
When the lights went out
You went like you came
In a lightning bolt
Why did you go like this?
I slam against the wall
It's crushing my skull
Why did you go like this?
I slam against the wall
Of permanence, permanence
Permanence
Why did you go like this?
I slam against the wall
It's crushing my skull
Why did you go like this?
I slam against the wall
Of permanence, permanence
And like a ghost
I'm spinning with you
In circles
The dance of Pluto's moon
Monday, May 31, 2010
amigos
Proponho uma esplanada para nos encontrarmos a apanhar sol. Sei que tenho andado desaparecido mas também sei que para vocês isso é bom sinal. Não foi hoje que nos consegui juntar, uns optam pela praia e outros pela festa da criança no Museu da Electricidade. Acabo por passar a tarde com apenas uma parte, num magnífico recanto de Lisboa à sombra desta magnífica árvore:
[o espaço chama-se “Fabric Infinit”, Rua D. Pedro V ao Príncipe Real – highly recommended]
Sunday, May 30, 2010
Caras comentaristas anónimas:
1) Arrelia-me a falta de coragem para se darem a conhecer – aliás, sou irascível no que toca a perseguições
2) Não estou disponível e muito menos “à procura” – como bem se percebe pelo que escrevo, estou apaixonado, como tal as vossas provocações não me trazem nada
3) O conceito BILF assusta-me – vá-se lá saber como alguém se pode tornar sexualmente apetecível pelo que escreve, quando muito BILL
4) Por estas e por outras é que este blog já teve que mudar de casa umas quantas vezes – há também a opção dos comentários censurados ou desactivados mas eu sou a favor da liberdade de expressão, não me obriguem a isso
e já agora:
5) Não gosto da coisa dos “selinhos”
6) Também não alinho em “desafios postados”
Fiquem bem!
ps- Eu não escrevo neste blog para que me leiam, muito menos para ser descoberto enquanto BILF, BILL ou qualquer outra coisa. Escrevo porque gosto, e publico aqui porque sou suficientemente arrogante para querer partilhar metade do que me passa pela alma.
ps- Eu não escrevo neste blog para que me leiam, muito menos para ser descoberto enquanto BILF, BILL ou qualquer outra coisa. Escrevo porque gosto, e publico aqui porque sou suficientemente arrogante para querer partilhar metade do que me passa pela alma.
Saturday, May 29, 2010
“A inspiração não me importa para nada...”
Eu lá sou miúdo de ídolos e cultos... mas se me dessem a escolher conhecer, conversar, discorrer longamente, tranquilamente, com alguém, nem hesitava: Oscar Ribeiro de Almeida Niemeyer Soares Filho, 102 anos vividos a criar eternidades num tempo que já não está para estas causas. Senador da Humanidade, por direito próprio – digo eu! – é para além de um grande Arquitecto, o verdadeiro pensador, com quem eu trocaria alegremente a vida vivida. Atente-se na perspicácia (contraditória quanto basta) do Senhor:
“Na vida, nada é importante, somos pequenos demais em relação ao Universo.”
“Não me sinto importante. Arquitectura é meu jeito de expressar meus ideais: ser simples, criar um mundo igualitário para todos, olhar as pessoas com optimismo. Eu não quero nada além da felicidade geral.”
“Não é o ângulo recto que me atrai. Nem a linha recta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual. A curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, nas nuvens do céu, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o Universo. O Universo curvo de Einstein.”
“Acho o optimismo uma coisa ridícula, uma coisa que não leva a nada. Nós não queremos o niilismo, mas queremos uma vida dentro do que existe, não é? É duro, mas existe realismo.”
“Sou pessimista diante da ideia de que o homem, quando nasce, já começa a morrer... é preciso, então, aproveitar o lado bom da vida, usufruir o melhor possível e aceitar os outros como eles são. Sempre digo: o importante é o homem sentir como é insignificante, é o homem olhar para o céu e ver como somos pequeninos.”
“Todo mundo tem um lado bom e um lado ruim. O homem nasce numa lotaria: é bom, é ruim, é inteligente ou não. Se a gente aceita este facto como uma condição inevitável, a gente tem de ser mais paciente com as pessoas, aceitá-las como elas são.”
“Acredito na natureza: tudo começou não se sabe quando nem como. Eu bem que gostaria de acreditar em Deus. Mas não. Sou pessimista diante da vida e do homem.”
“Quando eu estava em Paris, andava sempre com um grupo do qual fazia parte um cientista, um físico muito inteligente que tinha sido incumbido de estudar a lua, no laboratório em que trabalhava... nos mostrou pedrinhas brancas da lua. O engraçado é que era uma pedrinha como outra qualquer. Tive vontade de ficar com uma daquelas pedrinhas...”
“A gente tem que sonhar, senão as coisas não acontecem.”
O Talentoso Mr. Ridley
Matt Ridley possui uma daquelas qualidades que tornam os homens ímpares: a capacidade de decifrar para o comum dos mortais a essência da vida, expondo-a prosaicamente em palavras inscritas no papel. Parece que decidiu voltar a fazê-lo, e depois de há muitos anos atrás este humilde miúdo de ciências ter devorado o “Genome: The Autobiography of a Species in 23 Chapters”, apetece-me entrar de férias e dedicar-me ao “The Rational Optimist: How Prosperity Evolves”.
Pequena lista de outras obras monumentais, muito recomendadas para a compreensão das coisas (porque a divulgação científica é, mesmo, uma arte):
The Periodic Table, Primo Levi
The Dragons of Eden, Carl Sagan
A Short History of Nearly Everything, Bill Bryson
Deep Simplicity, John Gribbin
Guns, Germs, and Steel, Jared Diamond
(e ainda, num registo muito próprio: Calvin and Hobbes, Bill Watterson)
tiro e queda
E foi logo ali, enquanto regressava pela 2ª circular, ligeiramente acima da velocidade permitida e a olhar o azul do céu compassado pela lua quase cheia, um crepúsculo que mais parecia saído do filme do Bertolucci, que tive a certeza de que iria escrever muito por estes dias, e também procurar um refúgio no Adriático ou no Egeu para acordarmos juntos, quando tu quiseres.
Friday, May 28, 2010
acelerado
Ponho-me a ouvir My Brightest Diamond e apetece-me gravar-te este CD: “A Thousand Shark's Teeth” – “Inside a boy”. Hoje estou acelerado, apetece-me escrever para ti, para nós...
Inside a boy (that’s me)
I found a universe (this is us)
And in his eyes (or your eyes)
Are a thousand stars (and you’re the special one)
On a dark sky (not that dark)
We are clouds (aren’t we?)
We are whispers (like we do it when we ML)
Like fawns and shape-shifters
Our edges can never be found out
No, our edges keep moving further out (that’s why we fit so well)
We are stars colliding (yes we are!)
Now we crash
Like lightning into love
Love
In his arms (my arms)
I’m unwinding (relaxing…)
Under his kiss (my kisses)
I'm falling into love (are you, really?)
We are stars colliding
Now we crash
Like lightning into love
We are stars colliding
Now we crash
Like lightning into love
Love
Thursday, May 27, 2010
When the world opens your eyes
When the world opens your eyes you realize that you’ve spent your whole life seeking for the unimaginary. Looking for it in familiar places where you surely wouldn’t find love. Dreaming of that slow motion “déjà vu” fitting upon your body and making your soul rejoice. And then... you already miss the taste of mango and vanilla sweetly kissing your lips and you wonder if this is real life or if you’ve just been dreaming of togetherness with your soul-mate. And you choose not to wake up and just keep quiet while sensing her smooth skin on your fingers.
Wednesday, May 26, 2010
A paixão nos tempos da blogosfera
Nos tempos inóspitos os amantes escreviam longas cartas de amor, profundas de palavras pensadas e dedicadas, elegantemente assinadas com pena de pato, cuidadosamente dobradas e firmemente lacradas. Sabendo que cada uma expedida, demoraria dias a chegar ao destino, arriscavam escrevê-las em catadupa, diariamente, sem a facilidade da resposta mas apostando na devoção permitida pela paixão, sem saber o que o correio já trazia no caminho. Eu ainda vivi no tempo da transição das cartas escritas à mão para a propagação do e-mail, do messenger e dos blogs. É diferente, sem dúvida, muito mais tempo real, pergunta e resposta, dedicatória, comentário aposto, provocação e glória, anónima ou declarada. E a paixão fiel adapta-se aos tempos modernos, com a mesma esperança de um dia se tornar certeza, vã ou verdadeira.
Monday, May 24, 2010
Veredicto paralelo
Ela - Explica…
Eu - Há uns dias atrás estávamos juntos, de mãos dadas, e disseram uma frase cheia de significado que me pôs a pensar: “Uma vida perfeita é uma sucessão de acasos de sorte”. Tu és isso para mim, um enorme acaso que me faz sentir pleno de sorte. Alguém de quem apetece cuidar muito e bem, e essa não é uma sensação que aconteça muitas vezes durante uma vida.
Ela - Humm Ricardo, isso parece uma daquelas tuas respostas de “porque não” ou “porque sim”…
Eu - Sim miúda, e no fundo é dessas mesmas que se trata. Gostar de alguém a sério não vem com argumentos, vem carregado de misticismo, difícil de verbalizar, difícil de racionalizar. Por isso é tão bom e único, porque foge às leis da física, como flutuar no espaço sem regras ou referenciais cartesianos. Entendes?
Ela - Humm, não me convenceste…
Saturday, May 22, 2010
o pretenso alternativo e a sofisticada
O amor pleno surgiu-lhes quando já não acreditavam ou não o desejavam. Apaixonaram-se suavemente por entre as melodias e o cheiro do verão. Namoriscam a pele um do outro com desejo. Ela tem as costas mais perfeitas que ele já sonhou, ele o regaço confortável onde ela gosta de se aninhar. Perdem-se no tempo com os cafunés dedicados um ao outro. Brincam, muito, com os corpos e palavras de amor segredadas ao ouvido. Enroscadinhos pela manhã, ela quer as legendas do que ele pensa, enquanto ele deseja aquele olhar meigo à distância dos dedos. São felizes, mesmo, o pretenso alternativo e a sofisticada.
Tuesday, May 18, 2010
Oia
E foi quando vi a tua fotografia no Facebook, tirada por mim, iluminada pelo mais fantástico pôr-do-sol da Terra que me apercebi da tristeza romântica da nossa relação passada e porque choravas há uns dias atrás. Naquele dia, de que eu gostei imenso, tínhamos passeado muito. Eu ao volante do Jimny percorrendo estreitas estradas à beira dos precipícios encantadores da ilha, ultrapassando furiosamente os autocarros de turistas. Tu, divertida, com a máquina fotográfica a disparar, sem parar, imagens, muitas imagens, que mais tarde seleccionarias com o “delete-confirm-delete”. E o mar de gente, de diferentes povos e nacionalidades, que naquela noite, depois do sol posto, se deixaria encantar pela justaposição de Vénus a querer esconder-se da Lua crescente.
Monday, May 17, 2010
naquela noite
Aproveitei aqueles momentos só meus. Esperava por ti mas apetecia-me escrever mais uma história e as palavras brotavam ao som da música que ouvia. Era o final de mais uma noite, o início de um novo dia, e o ritmo do meu coração acelerava. Queria ver-te, mais do que tudo queria sentir-te perto de mim, outra vez. Queria as sensações, também, outra vez, mesmo que calmas, queria o teu cheiro e a tua meiguice para me deixar levar. Mas sentia-te assustada, mais do que com a profundidade do mar. Pensava se te teria afectado o equilíbrio, tão teu. Sentia-nos tão diferentes, eu com os meus altos e baixos, tu com a tua maneira de ser, ponderada. Mas eu queria-te, apetecias-me. E as palavras não acompanhavam o que eu queria dizer-te, naquela noite, embalada. Pensava também se te perderia por entre as palavras do texto, mas ainda assim deixava-me levar pela facilidade de escrever, pela miríade do que tinha para te dizer, inconformado, naquela noite.
Thursday, May 13, 2010
as nossas praias
A tua praia tem uma vista deslumbrante – 270º de amplitude sobre a cidade reluzente e muita exclusividade. A minha praia tem ruas estreitas e gente diferente – muitos peixinhos diversos e bem com a vida. As nossas praias são próximas e dão para o mesmo mar. Quando a chuva cai é a mesma água que as molha e nós encontramo-nos a caminhar sobre a calçada cheia de histórias para partilharmos, suavemente, sob o encanto do toque das nossas mãos dadas e felizes.
Wednesday, May 12, 2010
Não quero “Um caso mais”
Não gosto do efémero. Já o tinha experimentado e hoje percebo que me deixou a marca do não terno na alma. Não entendo o gosto pelo futuro acabado ou simplesmente adiado, para sempre. Surrealismo total com umas pinceladas de niilismo à mistura, não quero a minha vida feita disto...
Enquanto foi só um bom momento, deu
Enquanto foi só um pensamento meu
Deu só num caso forte a mais
Enquanto achávamos graça ao que se escondeu
E as horas eram mais longas do que a verdade fez
Para ser só outro caso mais
Enquanto for só ternura de verão, eu vou
Enquanto a excitação der para um carinho eu dou
Traz... essa leveza, ai!
Mas concerteza eu dou, um outro melhor Bom dia!
Já trocámos nortadas por vento sul
Enquanto demos risadas foi-se o azul
Nem sei qual deles foi azul demais
Mas não ficará só a sensação de cor
Nem sei o que o coração irá dizer decor
Se o inverno for depois duro demais
Enquanto for só ternura de verão, eu vou
Enquanto a excitação der para um carinho eu dou
Traz... essa leveza, ai!
Mas concerteza eu dou, um outro melhor Bom dia!
In - Trovante - Uma Noite Só
Tuesday, May 11, 2010
Num mundo paralelo
Eu - Porque estás tão calada?
Ela - Porque tenho medo…
Eu - Medo de quê? De não gostares de mim?
Ela - Não Ricardo, medo de me apaixonar por ti.
Eu - Ah miúda, mas isso é justo e só tens que deixar-te levar, porque eu já estou cá à tua espera…
Monday, May 10, 2010
the story within the story
Ele escrevia sem senso em novos ficheiros. Histórias de amor vividas ou imaginadas. Cenas a dois, românticas e apaixonadas. Momentos únicos para recordar. Ele deixava-se deslumbrar com tudo o que tinha para lhe dizer, mesmo em silêncio. Pequenas metragens por coreografar, os movimentos daqueles dois corpos prontos para agradar. E da sua janela perscrutava o céu com vontade de a amar. Ele sentia-se a divagar, por entre os personagens cuidadosamente criados, pelas altas horas da noite. A esperar por mais uma mensagem dela. Ele lembrava-se com desejo daquele corpo sedoso. Aquelas sensações absolutamente únicas antes da madrugada. O seu braço envolvendo-a enquanto ela dormia, profundamente. O acordar sobressaltado e com calor ao movimento brusco do corpo dela. O beijá-la no ombro redondo como a dizer “já gosto tanto de ti”. O olhá-la pela escuridão, enquanto se vestia. O caminhar pelo recanto, observando o banco no jardim onde tinham pousado horas antes, lábios nos lábios. E os pássaros a chilrear quando a noite ainda ia alta e ele já sentia saudades dela.
Saturday, May 8, 2010
Agora a sério
Vacilar não é um verbo muito comum na minha vida. Contam-se pelos dedos as situações em que dei por mim a pensar que deveria ter procedido de outra forma, tomado outro caminho ou opção. Isso faz de mim um miúdo um bocadinho arrogante, sempre com demasiada certeza nas palavras que digo e nas decisões que tomo. Afirmativo e convicto, embora haja quem prefira classificar-me como convencido. Faz ainda com que me falte o tacto ou a sensibilidade para antever certas coisas.
Estranhamente, hoje, para além dos “pormaiores” que gostaria que tivessem sido diferentes e de tudo o que me apeteceu fazer de outra forma nas últimas horas, dou por mim a desejar que houvesse uma opção “rewind” na minha vida, e já agora também um “replay in slow-motion” para a maravilha da noite de ontem. Certamente, também não teria ido jogar squash com a fúria acumulada que agora me faz doer o ombro, nem discutido com um amigo por causa de nada. Apetecia-me sim, ter-te levado ao teatro para assistirmos a um dos melhores textos do Tom Stoppard (“The Real Thing”), de mãos dadas e sorrisos apaixonados.
a chuva de volta a Lisboa
A dream of togetherness
Turned into a brighter mess
A faint sign my spoken best
Now, now
Make way for the simple hours
No finding the time its ours
A fate or it's a desire
I know
So I was the lucky one
Reading letters, not writing them
Taking pictures of anyone
I know
So let the sunshine
So let the sunshine
So let the sunshine let it come
To show us that tomorrow is eventual
We know it when the day is done
Turned into a brighter mess
A faint sign my spoken best
Now, now
Make way for the simple hours
No finding the time its ours
A fate or it's a desire
I know
So I was the lucky one
Reading letters, not writing them
Taking pictures of anyone
I know
So let the sunshine
So let the sunshine
So let the sunshine let it come
To show us that tomorrow is eventual
We know it when the day is done
Thursday, May 6, 2010
Saint-Exupéry
Ainda tenho 10 minutos e perdo-me em ti, qual principezinho, andando, andando através das areias, das rochas e das neves, até por fim descobrir uma estrada, a estrada que me leva mesmo a ti, para me deixar “cativar”. – Cativa-me, por favor, com aquele teu sorriso, cheio de surpresas...
Wednesday, May 5, 2010
As minhas aventuras na República Portuguesa (ou, eu quero o mundo privatizado)
Afortunadamente nunca tive que fazer projectos para clientes do Sector Público. Esta manhã em solidariedade com um colega dei por mim numa reunião numa Agência do Estado criada pelo nosso Primeiro. “Dei por mim” é como quem diz, porque antes da dita tivemos direito a todo um cerimonial de espera e contra-espera com direito a visita ao “bar” onde se concentra toda a produtividade inútil dos nossos funcionários públicos para um cafézinho matinal (às 10 horas da manhã, entenda-se). Entre a parcimónia da espera pelo 2º pequeno-almoço, deles, feito do pãozinho-de-leite com fiambre e rematado pelo belo do galão à portuguesa, encontrei uma preciosidade da arcaica realidade sindical, que não resisti em trazer como “recuerdo”:
De saída da dita reunião, que se prolongou por horas infindáveis sem objectivo aparente, dei por mim perdido no mais suburbano dos bairros sociais que já tive oportunidade de “visitar”. Prédios que mais parecem caixas de cartão, paredes muito sujas, gentes descuidadas à porta das casas. Manfios à porta do café-tasca do bairro, a palitar os dentes, com ar de quem vai devorar o incauto consultor perdido à procura da saída dali para fora.
Serviu-me a experiência para estabelecer que, nesta República Portuguesa, não troco a civilização do Business District por nada, e que os clientes do sector privado são o melhor que há.
Tuesday, May 4, 2010
Let’s get real...
Ela via-o quase todos os dias. Esperava por ele junto ao embarcadouro da Rialto. Percorria demoradamente as margens do Canal Grande pelo passadiço do lado do bairro de San Polo. Desesperava por vê-lo avançar ao final de cada tarde na sua lancha de madeira reluzente. Perdia-se a observar os pares de namorados e amantes, a maior parte turistas encantados pela sua cidade, que atravessavam a ponte de mãos dadas ou que se sentavam na pedra quente, enquanto se beijavam, com as pernas descaídas para a amurada à beira da água. E instintivamente, quando o via vir na sua direcção, invariavelmente de pé e apenas com uma mão a segurar o volante, sabia que também ele a observava, por detrás dos seus óculos escuros, que escondiam aqueles grandes olhos negros que ela tão bem conhecia. E pensava para si mesma: só quem nunca amou ao ponto de ter que saber conquistar, resiste assim ao que eu tenho para lhe dar.
shallow transurban myth (sai um post fútil!)
Parece que já chegou cá a modinha das “pulseirinhas mágicas”. Hoje ao jantar era esta a conversa. Um fulanito brilhante qualquer (que só pelo brilhantismo, merece ser recompensado) apostou no conceito básico da pulseirita de plástico que desperta ou induz o equilíbrio individual – de acordo com o texto um bocadinho charlatão: “Power Balance is performance technology that uses holograms embedded with frequencies that react positively with your body’s natural energy field”. Eu já experimentei uma, há uns tempos atrás, emprestada por uns minutos, e não sei se hipnotizado pelas descrição de quem emprestou, senti-me subitamente muito equilibrado – para a demonstração completa, puxaram-me os braços, antes e depois, e a coisa parece que faz mesmo efeito. Enfim, experimentem pela graça, mas não comprem!
Monday, May 3, 2010
Enternecedor
Continuo cheio de vontade de escrever mas estou cansado do meu registo. Apetece-me um bocadinho da vida dos outros e é por aí que vou.
Ontem à noite quando chegava a casa e estacionava o carro na garagem quase fui atropelado por um puto que conheço desde os meus 15 anos e que hoje é apresentador da MTV. E é ele que me reconhece, salta do carro, com o seu ar de “twenty-ager” ainda rebelde, cabelo comprido e barba de uma semana, para me cumprimentar efusivamente, enquanto me explica que é o “baixo” da banda dele que mora no meu prédio e que veio só deixar o material. Da última vez que o tinha visto, há uns anos atrás, a situação foi ainda mais engraçada: estávamos a chegar ao Meco quase no final da tarde, e a praia continuava cheia, excepto aquele espacinho ao pé do parzinho meloso de serviço e nós conformámo-nos, eis senão quando ele (o puto) desagarra a miúda para me vir falar e acaba a oferecer-nos convites para os MTV Awards.
Esta noite fui ver “a bola” para casa de um amigo que se juntou com uma miúda divorciada e já com dois filhos. É certo que o jogo não nos foi favorável, nem particularmente animado, mas às tantas dou por ele (o meu amigo) estirado na cadeira a pretender fechar os olhos, com o “filho” mais novo já a dormir profundamente sobre a barriga. Enternecedor, digo eu.
Sunday, May 2, 2010
excertos #5
9
Think of a time when you accomplished something challenging – something you were proud of… What emotions can you remember? Who did you rely on to make it happen? - write down the names
- Peter Senge
Think of a time when you accomplished something challenging – something you were proud of… What emotions can you remember? Who did you rely on to make it happen? - write down the names
- Peter Senge
Naquela época eu apaixonei-me a sério. No dia em que as incertezas me invadiram o coração dorido, juntei-me com o Tomás na esplanada do Bamako e, ao contrário do meu costume nestas coisas do amor, contei-lhe tudo o que havia para contar:
- Sabes Tomás, ela surgiu-me do nada. Sem contexto, sem processos de apresentação, sem histórias pré-concebidas. E isto encanta-me, a descoberta absolutamente casual do que pode ser uma “alma-gémea”. E tu sabes como eu sou com estas coisas, completamente amansado pelas desilusões acumuladas na vida. Totalmente descrente das possibilidades da fortuna.
- Mas como foi que a conheceste?
- Isso não interessa para nada. Como te disse foi do nada, sem expectativas nem influências alheias. Foi porque ia acontecer e como tu imaginas, apesar de disponível, eu nem andava à procura. Queria algum sossego e estava farto dos “happy-endings” de que tu gostas tanto nos teus filmes.
- Humm, e qual é o “ending” que tu imaginas para esse teu filme?
- Sabes Tomás, quando se chega a esta fase das nossas vidas, agradece-se um acontecimento destes, mesmo que seja só pelas sensações que julgávamos perdidas. E na circunstância arrisca-se muito, mesmo sabendo que pode não dar em nada, apenas porque faz todo o sentido deixarmo-nos levar, à procura da realidade com que sempre pretendemos sonhar.
- E como é ela?
- Ela é, obviamente, linda! Mas como tu bem sabes, não é isso que faz a diferença para mim. É tudo o resto e o todo, o puzzle no conjunto, os pequenos pormenores que encaixam na perfeição. A forma e os movimentos juntos e acumulados com as histórias encantadoras que tem para me contar. Mas apesar de fazer parte, não é o passado, não são as vivências que me fazem vibrar, são muito mais as sensações do momento presente. O charme total e próprio como sorri para mim, a capacidade que tem de me deslumbrar e pôr a pensar, sem conceitos formados, como um céu imenso para pintar.
- E ela o que sente por ti? Como é que esse argumento se vai desenlaçar?
- Sabes Tomás, eu estou sempre a sentir que já não estou com ela há demasiadas horas, e por estranho que pareça é esta nossa ausência que me traz a segurança de já a amar. Mas quando estamos juntos, só dou por mim a confirmar isto mesmo, sem receio nenhum do que se vai seguir e ao mesmo tempo sei que não vale de nada correr, porque tudo vai acontecer quando tiver que ser.
- Sabes Tomás, ela surgiu-me do nada. Sem contexto, sem processos de apresentação, sem histórias pré-concebidas. E isto encanta-me, a descoberta absolutamente casual do que pode ser uma “alma-gémea”. E tu sabes como eu sou com estas coisas, completamente amansado pelas desilusões acumuladas na vida. Totalmente descrente das possibilidades da fortuna.
- Mas como foi que a conheceste?
- Isso não interessa para nada. Como te disse foi do nada, sem expectativas nem influências alheias. Foi porque ia acontecer e como tu imaginas, apesar de disponível, eu nem andava à procura. Queria algum sossego e estava farto dos “happy-endings” de que tu gostas tanto nos teus filmes.
- Humm, e qual é o “ending” que tu imaginas para esse teu filme?
- Sabes Tomás, quando se chega a esta fase das nossas vidas, agradece-se um acontecimento destes, mesmo que seja só pelas sensações que julgávamos perdidas. E na circunstância arrisca-se muito, mesmo sabendo que pode não dar em nada, apenas porque faz todo o sentido deixarmo-nos levar, à procura da realidade com que sempre pretendemos sonhar.
- E como é ela?
- Ela é, obviamente, linda! Mas como tu bem sabes, não é isso que faz a diferença para mim. É tudo o resto e o todo, o puzzle no conjunto, os pequenos pormenores que encaixam na perfeição. A forma e os movimentos juntos e acumulados com as histórias encantadoras que tem para me contar. Mas apesar de fazer parte, não é o passado, não são as vivências que me fazem vibrar, são muito mais as sensações do momento presente. O charme total e próprio como sorri para mim, a capacidade que tem de me deslumbrar e pôr a pensar, sem conceitos formados, como um céu imenso para pintar.
- E ela o que sente por ti? Como é que esse argumento se vai desenlaçar?
- Sabes Tomás, eu estou sempre a sentir que já não estou com ela há demasiadas horas, e por estranho que pareça é esta nossa ausência que me traz a segurança de já a amar. Mas quando estamos juntos, só dou por mim a confirmar isto mesmo, sem receio nenhum do que se vai seguir e ao mesmo tempo sei que não vale de nada correr, porque tudo vai acontecer quando tiver que ser.
And so it is (definitivamente lamecha)
E foi assim que entraste definitivamente na minha vida, pronta e convicta em deixar a tua marca como o reflexo da lua nova sobre o Tejo. Águas calmas mas completamente diferentes de tudo o que conhecia até esta noite. O teu olhar sorridente e aquele abraço confuso, indelével. Aquela sensação única do teu cheiro misturado com as minhas palavras atabalhoadas. O conforto de estar com alguém que ainda não se conhece mas que sabemos ter tanto para nos dar. A vontade imediata de voltar a abraçar-te, ainda que imperfeitamente, enquanto se conduz para casa. A certeza de que a vida pode ser mesmo muito mais. A cumplicidade aceite de que a realidade se sobrepõe ao que te escrevo. E a música que me ecoa no espírito:
And so it is
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time
And so it is
The shorter story
No love, no glory
No hero in her sky
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
Friday, April 30, 2010
My new life...
My new life is surprisingly imperfect. Time seems to fall short and synchronism fails us, again. I dream of you and me laying very still on a beach. Both of us enjoying the perfect sound of the waves and each other’s presence. I picture us kissing warmly while the sun sets on the sea horizon. I see us wishing for a future that is still to come. You feeling sleepy while my right hand caresses your golden long hair. You smiling and me desiring you, your semi-tanned skin and its sweet scent that flutters my existence. The strange shadows your beautiful body casts over my own skin. The small talk of kids playing with sand. The sense of happiness all-around. The extent of perfection drawn upon the curves of your neck. Your eyes searching for mine.
os códigos
Encontrou-a no meio do deserto de gente anónima. Deixou-se seduzir por ela, entre os estereótipos que a tinham conhecido e abraçado ao longo do tempo. Sentiu-se apaixonar pelos códigos que eram só deles os dois. Amou as entrelinhas e as perspectivas a que ela dava tamanha importância. Não hesitou em viciar-se naquelas conversas ao final da noite. Apreciou cada minuto miúdo que passou com ela ao sol ou nas primeiras noites quentes do ano. Ofereceu-lhe o livro que para ele era sagrado, inscrevendo cuidadosamente a dedicatória que seria só dela. Soltaram-se com um abraço e gostaram do primeiro beijo imperfeito. Gostam do aconchego quando dormem juntos e ele sonha com ela mesmo deitada a seu lado. Amam-se com tudo o que a vida já lhes ensinou e quando ela lhe pergunta se é para sempre, ele sente-se eternamente apaixonado pelo seu sorriso único.
Wednesday, April 28, 2010
a novela mexicana (ou o reality-show?)
Ele acordou mal dormido mas ainda assim descansado. Ainda macambúzio, reconheceu-se no espelho e reparou nas grandes olheiras que trazia do sono. Tomou o seu duche matinal e quando se plantou, novamente, diante do espelho para fazer a barba deu-se conta do magnífico terçolho que assolava o seu olho esquerdo. Sentiu-se arreliado e inconsistente. Já fazia muito calor naquela manhã, demasiado verão para o mês de Abril. Aconchegou-o o CD tocado no carro: “This is not a love song... I'm adaptable and I like my new role...”. Por oposição, desconfortável com a queda da bolsa e o dinheiro que perdia em menos de 2 horas de mercado. Recebeu o primeiro SMS já passava da tarde e sentiu-se novamente adolescente por cada vez que escolheu o “Send” em mais uma mensagem para ela. Apaixonado, até ver. Quem sabe, para sempre. Sentiu-se apanhado pelo grande sorriso que lhe rasgava o rosto e recordou com vontade a meiguice dela, imaginando-a ao sol a olhar o mar com o telemóvel na mão...
Monday, April 26, 2010
melancólico até à exaustão
Naquele verão voei para Berlim sentado no lugar 23F de um Fokker 100 sem ninguém a fazer-me companhia. Passei as 3 horas da viagem a espreitar pela janela, desperto pelo ruído monótono e ensurdecedor dos motores, a observar a paisagem por entre um céu cristalino sem a sombra de uma única nuvem. Sentia-me vazio e absolutamente insensível, incapaz de me deixar maravilhar pela imagem dos campos da Alemanha – ninguém deveria deixar de viver sem ver os campos da planície alemã a 30.000 pés – esplendor máximo de civilização entrecortados a castanho e verde. Pensava em mim, puramente em mim, e onde o destino perdido me levava. Sem qualquer fulgor da alma, sem qualquer resquício da minha personalidade. Ausente naquela manhã de ausência com o sol nascente pela frente. Era eu e só eu, a imaginar vidas passadas, até que na distância surgiu a metrópole espraiada pela imensidão da Prússia e cortada pelas curvas do Spree e eu acordei para a vida real.
Sunday, April 25, 2010
não sabe a nada
É oficial, sair à noite depois de “ontem” não sabe a nada. Procuro-te em vão entre as caras que passam, cheio de esperança e de vontade que me venhas resgatar. Consulto o BB a cada sensação de vibração, na expectativa de mais um “aqui, agora” que me faça abandonar a causa dos copos com os amigos. Aposto na probabilidade ínfima do “por acaso” mantendo o sorriso adolescente porque estou mas é a pensar em ti. Entretenho a conversa porque me sinto feliz, em modo agri-doce, quando na realidade anseio pela teu sorriso e companhia novamente. E gosto tanto disto, da sensação dos químicos auto-gerados e das endorfinas únicas que despertaste em mim.
Saturday, April 24, 2010
O teu charme
Tu tens aquela graciosidade que me faz acreditar na perfeição. A maneira de estar que me faz sonhar. O sorriso que é tudo o que se pode pedir à vida e a gargalhada bem colocada. A destreza transformada em beleza e a expressão leve como o levante quente, vindo do sul. Emanas felicidade e vens cheia de complexidade. Trazes contigo o aroma do deserto perdido no castanho e verde dos teus olhos. És sofisticada mas gostas de chá com casca de limão. As tuas histórias conduzem-me suavemente pelo desconhecido e ao desejo de saber mais. És impertinentemente meiga e suave quando me ofereces o conforto de uma almofada. Quero deixar-me levar e apaixonar-me. Apetece-me dar-te a mão e mimar-te até à exaustão.
In a Manner of speaking
I just want to say
That I could never forget the way
You told me everything
By saying nothing
In a manner of speaking
I don't understand
How love in silence becomes reprimand
But the way that i feel about you
Is beyond words
Oh give me the words
Give me the words
That tell me nothing
Ohohohoh give me the words
Give me the words
That tell me everything
In a manner of speaking
Semantics won't do
In this life that we live we only make do
And the way that we feel
Might have to be sacrified
So in a manner of speaking
I just want to say
That just like you I should find a way
To tell you everything
By saying nothing.
Oh give me the words
Give me the words
That tell me nothing
Ohohohoh give me the words
Give me the words
That tell me everything
Thursday, April 22, 2010
Verão 1991
Naquele ano eu quase me afoguei em São Martinho. Eu e o Francisco, fizemo-nos ao mar na baía mas este estava calmo demais e a brisa era pouca. Demos por nós parados bem no meio da concha quando o barquito começou a meter água. Saltámos borda fora para não afundarmos a embarcação e nadámos sem coletes com a barcaça a reboque. Quando alcançámos a praia estava enregelado até aos ossos e sentia a barriga cheia de água salgada. Naquele verão eu portei-me mal contigo. Deixei-me enfeitiçar por uma loirinha gira, perdi ao ping-pong com o “outro amor da minha vida” e deslumbrei-me com a liberdade das férias de rapazes. Fizemos muitos disparates: alta-velocidade pelos pinhais de São Pedro de Muel sem luzes, confusões nos torneios de snooker da Foz do Arelho, banhos de espuma na Green Hill, ao som do “Losing my Religion”, sem fé nenhuma, e desintoxicações no hospital das Caldas. No dia em que me foste visitar, convidei-te para um jantar romântico com vista para a baía mas acabámos a discutir numa tasca da vila. Tu fugiste para Palma de Maiorca e eu fui de visita para Roma que amei. Quando regressámos, eu vinha doente com uma pleurisia e tu com a pele esturricada pelo sol e chamei-te ovo estrelado. Caímos nos braços um do outro, nos jardins do Campo Grande, e tu estavas tão bonita e eras tudo o que eu pedia à vida, mas nada, nunca mais, voltaria a ser como dantes. E eu hoje, abraçava-te enquanto caminhávamos, e pensava para os meus botões, porque nos perdemos em 1991...
A minha montanha russa (ainda lamechas, isto passa-me)
Na minha montanha russa tu és a equilibrista. Quando parece que vou cair, tu hesitas. Quando vamos a subir, tu encantas-me. Quando o carrinho acelera e eu anseio por saber o que vem a seguir, perdemo-nos em subterfúgios. Quando o ar custa a respirar, deixamo-nos levar e a imensidão do tempo que falta parece maior do que o espaço que nos separa. Falta-nos o sincronismo e falha-nos a vontade. Eu gosto da emoção do desconhecido e tu gostas da certeza do adquirido. Mais uma voltinha? Está bem, vamos lá!
Monday, April 19, 2010
Suavemente lamecha (para não variar)
Cheguei a casa depois de uma noite “suave”. Fui jantar ao restaurante da moda e gostei muito. Isto pode não parecer romântico, mas pensei em ti entre cada garfada dos filetes de linguado enrolados em vieira. Lembrei-me da tua gargalhada a cada história engraçada que me contavam. Especulei o nosso “por acaso” em cada loirinha que me olhava. Insistiram em falar-me da vista do Silk e eu ri-me a bandeiras despregadas. Gritaram o teu nome ao longe e eu corri para ver se eras tu. Pareço um adolescente demente e isso reflecte-se no excesso da minha produção literária de fraca qualidade. Se a minha vida podia andar mais baralhada do que isto? Poder podia, mas não seria tão divertida.
Sunday, April 18, 2010
Schwarz-Weiß-Welt
Quando eu nasci não havia televisão em casa dos meus pais – deviam achar-se muito intelectuais ou hippie-fashion e só tocavam música no gira-discos. Talvez para o miúdo não ficar totalmente alienado, quando tinha uns 4 anos fizeram-me o favor de comprar um pequeno aparelho Grundig-design cuja parte da frente era toda ecrã, a que eu chamava de cubo branco – muito precoce com as formas geométricas! – e onde via os desenhos animados que vinham da Checoslováquia. Por alturas da invasão Espanhola com o “Naranjito” e o “Verão Azul” o cubo branco foi substituído por uma televisão a cores que me levou a perguntar se o mundo real era a cores ou a preto e branco – meio retardado com a percepção das cores! E hoje estava a ver uma tele-reportagem sobre o advento da televisão 3D made in Korea e a imaginar se os miúdos se colocarão a mesma questão sobre as dimensões do mundo...
BlackBerry Blinking
As I was wakening, the red LED blinked at me four times. As it happens ever since I fell for you, it was your beautiful smile I thought of, definitively wishing for some news, a new text message or e-mail. Sigur Ros was playing on the radio and a strange character was sitting by my side. I didn’t feel like talking but the man needed to be listened to. He introduced himself but I was unable to catch his foreign name. He started talking about the end of the world because on the southern part of Iceland Eyjafjallajökull had abruptly erupted and it was meant to cast a new age of darkness over the continent. He made remarks about what a beautiful place Europe was and I agreed. He went on, predicting that as the cloud of dust fills the sky, people will turn themselves inward once again, and mysticism become king. That human spirit shall surrender itself to the wilderness of times to come. That even if everyone dreams of “par-delà les nuages”, there will be no more sun over the Mediterranean beaches. And all this kind of demise he was describing made sense to me as a return to the 19th century. It’s the end of the world as we know it (And I Feel Fine).
boatos
Muito pior do que os rótulos, de que até gosto, são as conclusões absolutistas e finais que me irritam. Hoje disseram-me que um velho amigo está “agarrado” à cocaína e que outro menos íntimo é alcoólico. E eu que nestas coisas não sou de me ficar e dar por aceites as certezas de quem traz as novidades, ponho-me a desfazer o novelo para facilmente concluir que o diz que disse (fundamental para manter a atenção da audiência) não passa, a maior parte das vezes, de uma premonição frugal de quem tende a entreter-se com as desgraças alheias (e que quem conta um conto, acrescenta um ponto). “So what?” se o meu velho amigo frequenta festinhas animadas pelo pó branco, isso não faz dele um drogadito e o menos íntimo também não caiu em desgraça só porque frequenta reuniões de anónimos, porque por si só isso demonstra consciência. E eu gosto de pessoas bem formadas e não suporto boatos.
Saturday, April 17, 2010
hoje
Quero um sábado tranquilo. Curar a ressaca e afastar-te da cabeça, tirar-te do sistema. Doem-me as órbitas dos olhos e falta-me o sentido do equilíbrio. Quero parar um bocadinho, ficar quietinho a sentir-me vazio. Não sei nada de ti há demasiadas horas. Como eu, deves ter passado a noite na rambóia ou então voaste para longe. Quando cheguei tu não estavas e eu queria tanto que nos tivéssemos encontrado. Mas hoje não sou boa companhia, tenho o sangue por destilar. E apesar de tudo, sinto-te a falta.
Friday, April 16, 2010
You're the measure of my dreams
Isto está a ficar pior que mau. Entre o desejo, o querer e a expectativa, para além de viverem alucinados com o "dance with me... little stranger" a tocar no iPod, os meus neurónios decidiram entrar na fase da fantasia semi-erótica. Imaginam-nos em carícias entre lençóis muito brancos. Eu a beijar-te o pescoço cheiroso, encostando-te cuidadosamente contra a parede. Nós a caminho da praia, ora contigo a conduzir e eu concentrado em ti, maravilhado com o teu sorriso, ora comigo ao volante e tu a achares graça à conversa. Eu e tu a descermos as dunas com as mãos presas apenas pelas pontas dos dedos. Tu a resmungar carinhosamente comigo porque queres companhia para ir a água e eu a insistir no esturricar. Tu encostada no meu regaço a folhear uma leitura qualquer. Eles a partilharem os headphones contigo, apreciando a música em mono, satisfeitos. Nós de regresso à cidade com a brisa a correr sobre o rio. Eu e tu a sacudirmos a areia dos pés, em competição pela água tépida do chuveiro. Eu a passar-te o sabão pelas costinhas e a reparar na textura bonita da tua pele, enquanto seguras o cabelo. Nós a sairmos para jantar, fresquinhos apesar do calor do verão. Tu de vestido giro, eu de bermudas com a pele a estalar. E Lisboa cheira bem, como nem sempre acontece, a alfazema e a água doce. Nós a caminhar de mãos dadas, apaixonados pelo que a vida tem para nos dar.
Thursday, April 15, 2010
Hi Ricardo! Here is your Daily Horoscope…
Sei que despertei 1 hora depois, olhei para o relógio vi 4h06 e desesperei atordoado a pensar que ainda não tinha dormido nada. Na verdade era apenas 1h06 e quando acordei mesmo, perto das 8, sentia-me fresco que nem uma alface. Duche, barba, gravata e corrida para o escritório. Estive muito bem na reunião com o COO global e com o CEO cá do burgo. Marquei os pontos todos e senti-me brilhante. Eu gosto de me sentir brilhante, fico confiante e com vontade de desafios. Aproveito para enviar um mail pertinente para o CBDO – isto dos “chiefs” disto-e-daquilo diverte-me! Fast-lunch by Go natural e entrevista com uma candidata que espero venha a ser a nova Manager da equipa, em crescimento. “Tiro a tarde” para ir ouvir um dos capitalistas de sucesso em Portugal, num evento promovido por uma faculdade. Conta a história de quando começou como trainee na Alemanha e não gostava da Schnaps que lhe ofereciam. Está velhote mas ainda assim é brilhante e encanta a assistência repleta de estudantes, que espero também venham a ser brilhantes. Passo por um supermercado e divirto-me a observar uma jovem “veggie” que arruma cuidadosamente os brócolos, a beringela e a salada “ready-made” no seu cesto ecológico de serapilheira. Estranhamente, tem um poodle que deixou “atracado” junto à caixa. Encarno o espírito, e a sugestão de quem acredita nestas coisas, e procuro o meu horóscopo na web – curiosamente, tem tudo a ver:
Sunday, April 11, 2010
Casa dos Espíritos
Como esta tarde recordavas, eu e tu entramos num filme: “A Casa dos Espíritos”. Não é um bom filme, tal como o livro também não é grande coisa, e apesar do elenco fabuloso nem sequer recebeu uma nomeação para os óscares. Mas ainda assim é um filme muito conhecido e na cena em que a Winona reencontra o Banderas, filmada na Praça do Município, lá estamos nós, eu e tu, a beijarmo-nos como nos pediram. Eu com uma camisola de rugby da Escócia que, por acaso, foste tu que me ofereceste, completamente desajustada para a época que se pretendia, e tu com um vestido às flores, plausível. E naquela altura, já não éramos mais que tudo, um para o outro, mas “sacrificámo-nos pelo espírito da 7ª arte”.
Saturday, April 10, 2010
Primeiras amêijoas do ano
Aniversário do progenitor. Almoço sobre o rio. Dia de sol e de regatas no Tejo. Primeiras amêijoas do ano cozinhadas com coentros frescos, grandes e carnudas, daquelas que há que comer com o garfo. Peixinho grelhado e vinho branco. Saudades de fazer vela como em Inglaterra. Os primeiros dias soalheiros à séria são sempre uma maravilha.
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