Friday, August 13, 2010

Ghardaia

Naquele dia, há cerca de 1 ano atrás, chegámos cedo ao Meco e alugámos uma palhota na 1ª linha. Ao contrário de hoje, não fazia vento. Emprestaste-me o “No teu deserto” que eu devorei em 3 horas, mesmo fazendo intervalos de tempos a tempos para conversar contigo. Partilhámos uma sangria enquanto eu te falava de Ghardaia e Le Corbusier. Quando terminei o livro, disse-te por palavras suaves e escolhidas que necessitava de voltar a amar. Tu não me quiseste entender e desfizeste a conversa, dizendo-me com lágrimas nos olhos que talvez se tratasse de uma fase. Não era assim. Amanhã, partes para o Nepal e eu só espero que já não me leves contigo, porque sei o que isso dói. Eu por mim, também partia, já amanhã, para Ghardaia.

Thursday, August 12, 2010

wish upon a star

Recebo duas mensagens iguais através do Facebook: "Na noite de 12 para 13 de agosto, dezenas de estrelas cadentes por hora podem ser vistas a olho nú ;) Boa sorte!"
Já tinha visto duas e pedido os respectivos desejos, será que estou a abusar!?

The day I decided to write the novel | 34º Celsius cooking my brain

So Rick and Kate have been in love for quite some time. They look like English characters in a French movie. Some shyness on the first scenes, too much perfection in the middle chapters, a lot of drama by the last ones. An extraordinary soundtrack, rightly chosen among indie musicians. Deep feelings all over the screenplay. Dialogs written in strong words, an exchange of thoughts hard to understand. They met on a spring night, fell on each-other’s arms on a park bench, made love in the sweetest way every time. They held hands in small concerts, beautiful theatre plays and while walking through the narrow streets of their city. They embarked on a dream of togetherness and seemed ready to change some of their deepest convictions, in a way that would impress their souls, making sense of one another even throughout the periods they were apart. Then Rick’s senseless personality surfaced and he made the wrong moves, mistook his lines and remained silent when he should not. It scared Kate and made her loose faith. Time, that unbeatable foe, passed very slowly, while they were together no more, although still remembering the sweet taste of the good times. And nowadays, they find themselves a world apart. Rick still deeply in love, not wanting to give that feeling up, and strangely betting on the possibilities. Kate only seeing herself getting even more hurt, and imagining him as he really is not. Time passing doesn’t seem to help these two, even if there is still a lot of film to shoot further scenes.

Wednesday, August 11, 2010

Já ninguém morre de amor?

Naquela manhã ele voltou a acordar muito cedo, pouco passava das 7 da manhã. Vestiu uma t-shirt cinzenta, os calções desportivos e calçou os ténis por cima das meias caneladas. Saiu para a rua onde já fazia calor. Dirigiu-se ao caminho de tartan e começou a correr. A primeira volta custou-lhe, sentiu os músculos doridos pelo esforço dos dias anteriores. Percebeu que estava a dar passos curtos e alargou bastante a passada. Na segunda volta ao percurso sentiu o coração descompassado mas a respiração já estava segura. Concentrou o pensamento naquilo mesmo, no coração descompassado, tentando interpretar se seria por causa da corrida ou ainda pela dor imensa que lhe ocupava o peito. Começou a terceira volta, a correr a bom ritmo, pensando como tudo deveria ser diferente, mais justo. Foi então que deu por si no meio de uma dúzia de trabalhadores que se dirigiam às obras, em contra-mão. Observou-lhes os rostos carregados e as mãos calejadas, segurando sacolas aos ombros. Gritou-lhes “bom dia” e imaginou-se um personagem do Tolstoy, daqueles cujos nomes terminam sempre em “itch” e que garbosamente vestidos, reflectem sobre a cena em que montando a cavalo, no meio da floresta, dão por si no meio dos camponeses esfarrapados e ao frio. Sentiu-se um príncipe dos tempos modernos, a fazer jogging concentrado nos males da paixão, quando a vida tem tantas outras preocupações. Já ninguém morre de amor?

Saturday, August 7, 2010

excertos #6

10
I was born when you kissed me. I died when you left me. I lived a few weeks while you loved me.
- Humphrey Bogart


Alguns dias mais tarde voltei a encontrar-me com o Tomás, desta vez no Timbuctu ao início da tarde. Eu sentia-me confuso com os desenvolvimentos da minha nova relação, ao ponto de nem saber se devia classificá-la assim ou se seria mais uma ligação, e aproveitava o facto de já ter aberto o coração com o Tomás.
- Sabes Tomás, isto evoluiu muito e muito rapidamente e eu estou a sentir-me muito perdido, sem norte. Ela enche-me tanto, mas tanto, as medidas que eu sinto-me realmente com medo de onde isto vai parar. E tu sabes como sentir-me inseguro é contra-natura para mim que sou sempre tão convicto das minhas certezas, opiniões e decisões. Mas ela tem aquela característica única de me fazer vacilar, tremer, e querer entregar-me como nunca me tinha acontecido antes. E tu sabes, o desconhecido pode ser extremamente fascinante mas também nos faz hesitar e eu tenho realmente medo de errar em algum pormenor que faça tudo isto desabar. É quase como se me estivesse a tornar supersticioso, logo eu que não suporto o místico.
- Isso não é definitivamente bom. Já te estou a ver a meteres os pés pelas mãos e a estragares tudo do dia para a noite. Estás a deixar-me cada vez mais curioso, por conhecer essa mulher tão fascinante que te faz querer entregar assim os pontos.
- Sim, é mesmo isso, alguém que me toca a alma e me faz duvidar sobre a existência antes de a conhecer. Alguém que me desperta os sentidos que eu desconhecia possuir até aqui. E isto até parece uma paixão bacoca, mas é tanto mais que isso que eu já não sinto os pés firmes na terra. E ela apetece-me muito, tantas vezes, que quase se torna real, mesmo quando não estamos verdadeiramente juntos. E depois tem aquela forma única de me abraçar, que oscila entre o imperfeito e o aperto profundo que me faz sentir desmesuradamente vivo.
- Humm… já pareces o Humphrey com a Bacall, em abraços cinematográficos.
- Ah pois, também penso nisso, ela encostada ao meu peito e os beijos perfeitos, mas isto não é cinema, é vida real.

Friday, August 6, 2010

Mar de sabedoria

E foi durante aquele jantar a dois, naquela esplanada num recanto da cidade, mergulhado num vento quente e seco, que ela lhe chamou de “Dalai Lama” e traduziu-lhe o significado das palavras tibetanas para: tu és o meu “mar de sabedoria”. Conheciam-se há alguns anos, 6 ou 7. Ele era mais velho, também 6 ou 7 anos, mais experiente, mais capaz de interpretar aqueles olhos azuis, inseguros, que o observavam desde o outro lado da mesa. Ele sempre soubera que não devia deixar-se levar pelo encantamento daquela miúda mais nova. Soubera-o desde o momento, alguns anos antes, em que se haviam encontrado pela última vez, num almoço tardio, numa outra esplanada aquecida pelo sol, apenas os dois, numa mesa isolada e envolta pelo calor do pino do verão. Fora talvez esse mesmo calor que lhes havia aguçado o apetite e a memória um do outro, e por isso tinham combinado aquele jantar. Ele conhecia-lhe o fascínio pelas religiões orientais e a admiração pelos costumes tibetanos. Ele falou-lhe vagamente sobre um artigo que havia lido recentemente, que propunha a mesma raiz genética para os povos Han e Tibetano – extremamente ofensivo para os dois “credos” que se consideravam reciprocamente superiores um ao outro. O pormenor das diferenças marcado por 3 mil anos de apuramento da “raça” e da vida a grande altitude. Em qualquer caso, deixava a questão no ar: seriam os Tibetanos descendentes dos Han ou vice-versa? Mas aquela conversa, mesmo se a dois, não passava dali e foi quando ela soltou aquela frase, verdadeira para ela, que ele se sentiu cansado de tudo aquilo, olhou-a nos olhos, bonitos, e deu-lhe o seu “namasté”.

Wednesday, August 4, 2010

O passado presente | “apetece... ou ias comigo”

E foi porque decidiu percorrer ignobilmente a lista de contactos no telefone que voltou a sentir-se capaz. Nos As não havia nada, amigas casadas e um affair passado a que jamais regressaria. Nos Bs uma espanhola que dele gostara. Nos Ds nem sequer existiam nomes no feminino. Nos Es apenas a mãe de uma antiga namorada. Nos Fs uma possibilidade demasiado problemática. Pelos Gs e Hs passou rapidamente, sem sequer parar. E quando chegou ao I descobriu o que desejava e enviou-lhe uma mensagem. E ela respondeu-lhe:
“Ricardo, perante esse sms apetece... Mas tenho 1 jantar + copos na fábrica braço de prata... Que ou ias comigo ou fica complicado, por isso sugiro: 'se amanhã ficar em lisboa, posso convidar-te para sushi ao jantar?'”
E ele fixou-se primeiro no “apetece”, depois no “...ou ias comigo” a tentar perceber se seria um convite. Definitivamente, I. tinha o dom de o surpreender e de o fazer sonhar. Uns olhos lindos, muito bom gosto, um espírito alegre misturado com um bocadinho de insegurança latente para uma miúda feita, do signo balança e solteira. E respondeu-lhe rápido:
“Humm, amanha tenho eu um jantar. O sushi parece-me muito bem, se quiseres domingo ou durante a proxima semana - ja foste ao novo do Olivier, no Tivoli Forum? Beijo”
Mas o sms não saiu logo e ele agradeceu o controlo de espontaneidade. Algumas horas mais tarde, chegou-lhe a resposta:
“Não.. Mas parece-me bem. Ou esse ou o umai. Então jantamos ou domingo ou próx semana. :) Beijo.”
E ele ficou a sentir-se feliz e um pouco fútil também, encantado com o smile, porque finalmente se abriam possibilidades.

Tell me a line, make it easy for me
Open your arms
Dance with me until I feel all right

But there's love in your eyes
Love in your eyes, love in your eyes
But maybe that's just what your lover finds

Tuesday, August 3, 2010

O pretensioso-e-fútil-em-transporte-alternativo

E pronto, tenho o carro na oficina por uns dias e dou por mim a recorrer ao táxi mais do que o trabalho me exige. Não bastavam os Mercedes fumegantes e a cair aos pedaços, que eu imagino sempre saídos de um filme turco, saem-me também os taxistas broncos que nem sabem o caminho para minha casa – que diga-se é numa das ruas emblemáticas de Lisboa. Hoje de manhã saiu-me um velho de suspensórios e com mãos de cavador que quase não conseguia escrevinhar o recibo que lhe pedi. Esta noite, um mancebo cavalgadura a quem tive que explicar como virar à esquerda depois do hotel, enquanto ele me confessava que era “novo aqui” – está certo, veio das berças, ainda existe disso?

O dilema

Como se explica a uma miúda cheia de vontade de entrar na minha vida, alguém que nos oferece muitas possibilidades de felicidade, que tenho o coração aberto em sangue e que tem que me dar o tempo suficiente para arrumar as ideias, porque não, não me vou apaixonar, à séria, duas vezes de seguida. "Vemo-nos depois das férias"?

O banho-maria

O banho-maria é aquele estado em que “se é” mas “não se é bem”. Aquela fase, regra geral infinita, em que “se poderia ser” mas “é melhor assim”. Aquela sensação dúbia e interessante do “pode vir a ser mais” mas “está tão bom como está”. O MEC que teve a graça de ser brilhante, antes de vivermos o pós-modernismo, percebia mesmo disto e escreveu sobre isto dos amores requentados e em banho-maria, dos bicos de fogão que se acedem e apagam para se manter a temperatura, numa crónica muito brilhante que agora não consigo encontrar, entre os livros cá de casa, para plagiar aqui. Mas também não interessa para nada, porque toda a gente sabe do que estou a falar. São aquelas paixões que se mantêm em “hibernação”, só porque “nunca se sabe” o que podem dar, um dia. E isto é bom? Já não sei.

Monday, August 2, 2010

Remember all

Enches-me muitas vezes o pensamento. Eu e tu no concerto das três miúdas, a tua conversa inteligente e charmosa, os beijos fortuitos “em público”, as nossas mãos bem dadas e a tua expressão muito apaixonada na cadeira ao meu lado.

Sunday, August 1, 2010

O princípio do princípio

Ontem fui ver o muito falado “A Origem” que passa por ser o melhor filme do ano – até ver. Para além de ter saído do cinema com muita vontade de condução furiosa – valeu-me Lisboa estar mais ou menos deserta de bólides –, a história não é muito original. Já todos os que temos dois neurónios a funcionar em condições, nos pusemos a questão do “viver dentro de um sonho” à espera de acordarmos para a “vida real”. Fiquei preocupado sim, com os que tendo algum neurónio menos funcional possam sair do filme cheios de vontade de porem um pião a girar ou a probabilidade de simplesmente cortarem os pulsos…
Quanto ao DiCaprio, até pode ser um galã mas de grande actor tem pouco – até a miúda do “Juno” vai melhor no filme – e mesmo assim arrisca-se a ganhar o perseguido Oscar.

Fútil em mais um dia de praia

Eu - Estou a pensar em trocar de carro… por um Alfa Romeu… o Spider. O que achas? Gostas?
Ela (minha amiga) - Ai Ricardo, se continuas assim não há quem te ature… ninguém tem paciência para depressivos!
Eu - …

Saturday, July 31, 2010

Corte de cabelo

Tenho que ir cortar o cabelo e sinto que vou apagar História. São as madeixas que já te fizeram calor no rosto, as pontas que já se enrolaram nas tuas e as raízes por onde os teus dedos já passearam, com carinho. Os rapazes usam o cabelo curto e vão menos ao barbeiro (cabeleireiro), mas isso não parece diminuir a memória destes pedacinhos de ti que a tesoura vai cortar. E hesito, entre ir hoje ou adiar para a semana, mesmo sabendo que já pareço um ciganito.

Friday, July 30, 2010

escrita

Escrevo porque gosto muito. Escrever é, para mim, o exercício supremo. A inteligência humana colocada perante o desafio de dizer o que lhe vai na alma. Escrevo mais, muito mais, do que o que vou publicando por aqui. Desde muito novo, em cadernos de folhas brancas, depois em Moleskines e no Word. Hoje em dia, até no Blackberry, de teclado completo. Já escrevi em inglês, espanhol e até um pouco em francês, para além do português, dependendo da vontade. Já escrevi ficção e muita realidade. Histórias curtas e capítulos avulsos, como esboços de um romance que um dia vou escrever numa janela com vista sobre Siena. Para além de quem gosta de me ler aqui, tenho fãs de carne e osso, que foram tendo a sorte de lhes escrever algo dedicado. Acho isso equivalente a pintar um quadro, ou compor uma melodia para se oferecer a alguém. Muito do que escrevi foi plenamente oferecido. Talvez não tão valorizado, porque o sentido da estética na escrita é menos imediato do que as sensações permitidas por um Rothko pendurado na parede, a perfeição das mãos de um Rodin ou o deslumbramento das Valquírias do Wagner. Actualmente, escrevo mais do que leio, porque escrever bem perdeu-se com a democratização da literacia, e restam poucos autores que mereçam realmente ser lidos. Estranhamente, creio que ao contrário da maior parte das pessoas, escrevo mais com o tempo quente do que no inverno, e gosto, particularmente, de ter água por perto. Uma praia é quase um lugar perfeito para eu escrever. Há também alguns lugares que me inspiram, para além do labirinto de Siena. Aviões. Quase sempre que voo apetece-me escrever, em particular se tenho a janela com uma vista sobre as nuvens ou a Terra. Já escrevi coisas bonitas no terraço da Tate Modern, no alto da escadaria da Piazza di Spagna e em algumas esplanadas com vista para Lisboa. Creio que o turbilhão das gentes lá em baixo, os telhados e a vista do céu me inspiram. Escrever tem o dom de não acompanhar o pensamento, escreve-se necessariamente mais lento do que se pensa e isso é fascinante porque obriga ao “ralenti”, permitindo o duplo ou triplo pensamento.

Thursday, July 29, 2010

o percurso

Foi talvez quando voltou a ouvir, por sugestão, o Keith Jarrett de há meia vida atrás, ou debaixo do chuveiro num final de tarde muito quente, que se apercebeu de que estava a mudar. Uma mudança astronómica que tinha parecido disciplinada no meio do turbilhão das sensações.
Constatou-o pela quantidade de palavras que vinha escrevendo, em crescendo, desde há uns 6 meses atrás. Constatou-o pela forma mais sentida como começava a interpretar a vida. Constatou-o pelas últimas conversas verdadeiramente profundas que havia tido. Constatou-o com o imenso calor do verão que lhe envolvia o corpo.
Alguns meses antes sentia-se feliz consigo mesmo, sem obrigações ou grandes desejos. Vivera uma larga temporada de olhos fechados e tranquilo, mesmo se entretido. Depois acontecera-lhe tudo de forma sinfónica e isso ajudara a despertá-lo.
Percebeu que na vida profissional estava a um passo do cume e que os novos desafios, a partir dali, seriam apenas uma questão de tempo ou vontade – sentiu-se realizado. Percebeu que sobre o significado da vida já muito havia explorado – as respostas importantes continuariam a surgir ao acaso. Percebeu que conhecia mais e melhor o mundo do que alguma vez concebera – faltava-lhe o imprevisto. Percebeu então o que realmente queria…

quadro à vista

Gosto muito quando as reuniões de trabalho me levam mesmo ao centro mais bonito da cidade. Hoje tive de ir ao Chiado às 3 da tarde e subir a Rua do Carmo com 35 graus à sombra, para uma reunião com este quadro à vista:

Elvis no evil

Aceitei o convite, bom, para o concerto do Costello. Fiquei com vontade de ouvir aquelas canções mesmo tristes que só ele sabe. Afinal enganou-me e mudou-se para a country music. Valeram os encores lamechas e a noite muito quente de Cascais.

She
Who always seems so happy in a crowd
Whose eyes can be so private and so proud
No one's allowed to see them when they cry

She
May be the love that cannot hope to last
May come to me from shadows of the past
That I'll remember till the day I die

Tuesday, July 27, 2010

Apontamentos

Apontamentos para o sucesso de uma relação amorosa (após um almoço com a ex-namorada):
1) Nunca sintas nem provoques ciúmes – não há nada mais cáustico para um amor que se quer verdadeiro.
2) Sê sempre irredutível no que toca às tentações – elas têm memória de elefante e uma imaginação assustadora.
3) Assume que a tua proporção do amor é sempre a maior dos dois – começar repetitivamente do zero é sempre melhor.
4) Pára, escuta-a e olha-a nos olhos, antes de começares a divagar – ela vai notar que conheces o sentido das prioridades e que és um cavalheiro.
5) Nunca hesites em demonstrar o amor que sentes – ser romântico nunca fica mal.

Nota: Ela hoje está apaixonada por um miúdo 6 anos mais novo e eu desejo, mesmo, que tudo lhes corra bem.

Monday, July 26, 2010

contrastes

Tenho um amigo que usa o facebook para anunciar ao mundo as novidades: “Just getting divorced and starting a GREAT LIVE”.

Admito ou assumo que esteja genuinamente feliz… ou então é só mesmo um truque.

Sunday, July 25, 2010

2ª Mãe

As pessoas que marcam definitivamente a minha vida, fazem-no deixando-me imagens gravadas na memória que sei nunca vou esquecer. Lembrei-me hoje de ti e de uma longa conversa que tivemos no meio da vinha, mesmo no início da época das vindimas. Eu acabara de fazer 15 anos e enfrentava uma temporada de mudanças significativas e que me assustavam. Tu que eras a mãe daqueles quatro miúdos maravilhosos que foram como irmãos para mim desde o momento em que me conheci, e que na verdade assumias o teu papel de 2ª Mãe como se eu fosse o teu mais novo, que aliás tinhas ajudado a trazer ao mundo, apercebeste-te ali, no meio das uvas carregadas por onde passeávamos, que o teu "mais novo" sofria, apesar de ser um estóico. Perguntaste-me o que se passava e conseguiste explicar-me com toda a tua sabedoria e experiência de grande médica que a vida era feita disso mesmo, de mudanças, e que estas eram geralmente boas. E foi tudo como adivinhaste, aquele ponto médio da minha adolescência revelou-se marcante e fez muito de mim, o que hoje sou.
Há menos anos atrás quando ficaste realmente doente, escreveste-me uma carta de despedida, desde a cama do hospital. Uma carta que me fez chorar perdidamente porque mencionavas o episódio na vinha. Estavas enganada com a despedida, e depois disso, quando recuperaste por uns tempos bons, levei-te a almoçar, reservando a mesa com a melhor vista de Lisboa. Só eu e tu no nosso último momento de cumplicidade, voltámos a conversar longamente, eu de executivo e tu de garrafa de oxigénio. Lembro-me que pediste salmonetes e gravei o teu sorriso de felicidade por estares ali com o teu “mais novo” transformado num homem.
Se tu soubesses, 2ª Mãe, a falta que me fazes por estes dias, creio que viajarias no tempo para me voltares a encontrar no meio da vinha.

a praia

Encontravam-se a meio da tarde no empedrado e desciam pela passadeira de madeira até à areia, lado a lado. Caminhavam, olhando um para o outro sem se falarem, num silêncio que ambos sabiam confortável, enquanto apreciavam os tons da pele um do outro que tão bem conheciam. Ele de cabelo algo comprido, meio despenteado e castanho esbatido pelo sol, de bermudas caqui e t-shirt azul-escura com a toalha na mão. Ela com um vestido giro sobre o bikini, saco gigante ao ombro, o cabelo loiro meio enfiado no chapéu de palha e olhos protegidos pelos óculos de sol. O vento soprava quente vindo do mar e por isso escolhiam estender as toalhas junto à protecção de um muro de pano para alugar. Deitavam-se na perpendicular com as caras muito próximas e ela tirava os óculos para se verem olhos nos olhos. Não se viam há muito tempo mas não se tinham perdido. Os dois sabiam o que havia ali, apesar da distância e da ausência quase extrema. Não precisavam de se tocar para continuarem a sentir-se enfeitiçados, embora o toque fosse verdadeiramente encantador para um e para o outro. Conversavam então, longamente e ao sabor do vento, mais sobre o presente do que sobre a história passada. Contavam-se as novidades e ansiedades do momento, de forma perfeita e em sintonia. Trocavam algumas ideias sobre o futuro, sabendo que se poderiam tornar reais. Ela passava-lhe a mão sobre a face percorrendo-a até às pontas do cabelo solto. Ele fazia-lhe festinhas no braço até à altura do ombro. Procuravam o beijo no preciso momento em que o vento os atacava do outro lado do muro e tinham que fechar os olhos para se protegerem da areia. Sorriam por saberem tão bem que só a eles lhes poderia acontecer assim, como se até os elementos conspirassem para que tudo fosse tão único. Adiavam então o beijo, e caminhavam pelas dunas com as mãos presas apenas pelas pontas dos dedos, finalmente.

“Queres haxe mano?”

Vestiu uma camisa fresca e as calças azul-escuras e saiu para a noite quente. Jantou com os amigos numa esplanada engraçada no centro cosmopolita de Lisboa e a conversa discorreu-lhes alegre, por entre os idiomas diferentes que os rodeavam. O casal da mesa anunciou que vão mudar de casa em Setembro, deixando desde logo o convite para uma festa. Pediram jarros de sangria branca e maravilharam-se com os pratos bem servidos aquelas horas tardias. Foram esmorecendo, entretidos pela excitação de um grupo de espanholas em despedida de solteira e pelo efeito do vinho misturado com a fruta fresca. Pediram sobremesas e deixaram-se levar pelo torpor induzido pelo calor da noite. Ele pediu um banana split, lembrando-se de prevenir a cãibra que o atormentara pela manhã. No caminho para o carro ofereceram-lhe “Queres haxe mano?” e ele respondeu “Não, obrigado!”. Regressou a casa cedo, sem desfrutar a noite como inicialmente desejara, mas a sentir-se ligeiramente feliz.

Saturday, July 24, 2010

Calor em Lisboa

Acordo triplamente atacado por uma melga que me entrou no quarto, uma cãibra aguda na barriga da perna esquerda e uma enxaqueca que me esmaga os olhos. Ainda tenho sono mas já não vou conseguir dormir mais. Abro a janela e constato que já faz um calor assustador em Lisboa. Um calor daqueles capaz de sublimar a água da chuva oculta no solo. Na bancada da cozinha encontro uma banana que decido comer, enquanto preparo um café muito forte, sem açúcar. No frigorífico descubro um pepino que me deixa a pensar em colocar rodelas sobre os olhos doridos. E o calor em Lisboa deixa-me indeciso entre ir destilar para a praia ou esparramar-me no sofá a dormir mais um pouco. Apetece-me mudar a estação.

Friday, July 23, 2010

the end of the affair

Ele tinha claro que não iria deixar de gostar dela de um momento para o outro. Isso nunca poderia fazer sentido, depois do que havia vivido. No entanto, compreendia que tinha esgotado as possibilidades, e que ao contrário do que queria já não havia ali felicidade. Mesmo indeciso, deixou-se levar no sentido contrário ao que desejava. Sabia que tinha que respeitar o que ela lhe dissera, porque era essa a natureza dele. Não entendia mas aceitava, resignado, e aqui sim, contra uma das mais-valias da sua personalidade. Fechou profundamente os olhos e recordou-a mais uma vez, como se aqueles olhos dela e aquela expressão muito meiga estivessem ainda à distância das suas mãos. E ficou quieto, com os olhos bem fechados, por alguns minutos, para garantir que não a iria esquecer.

Thursday, July 22, 2010

desperdício de amor

Chegou a casa a horas tardias e a sentir-se cansado. Continuava a sentir-se perdido, sem rumo e vindo dos subúrbios já nem a visão da cidade o parecia animar. Com fome, abriu o frigorífico e retirou dois ovos que partiu, despreocupadamente, sobre a frigideira. Juntou-lhes meia dúzia de ingredientes também perdidos no frigorífico. Restos de refeições passadas que, sem escolher muito, atirou para cima dos ovos em ponto mexido. Afagou-os rapidamente com uma colher-de-pau. Por cima, colocou muitas folhas de coentros e sentiu-se o melhor cozinheiro do mundo. Enquanto se deleitava com o garfo na mão direita, sentiu-se inspirado e decidiu chamar aquele “prato” desperdício de amor. Experiência a não repetir.

Tuesday, July 20, 2010

“Homem moderno”

Ser homem moderno implica manter um certo distanciamento. Sobreviver aos silêncios. Resistir à vontade de abraçar. Fazer as vontades. Saber respeitar. Não ser demasiado lamechas. Cumprir objectivos. Estar disposto a mudar por se amar. Ir ao encontro dos sonhos. Garantir o carinho, mesmo sem reciprocidade. Ser capaz de dar. Fazer muitas das coisas de que só elas gostam, com um sorriso sincero. Conseguir arriscar, mesmo sabendo que nos podemos magoar. Esperar o melhor, sem nos desviarmos com todas as tentações à nossa volta. Saber falar com profundidade mas sem assustar. Ser forte para além do sentido estético. E parece que também implica aceitar um pouco das tendências modernas: estar na moda, alguma depilação, civismo na condução, emancipação, como se nós fossemos capazes de sobreviver sozinhos, limpezas do rosto e abdominais em forma, sem muito suor. Chorar, exclusivamente nos momentos certos. Amar porque é isso o que se quer. E tudo isto, não necessariamente por esta ordem, compensa? Parece que não...

de volta

A única constante destes últimos tempos passados na cidade: chuva em Lisboa. Acabaram de cair um pingos!


Sunday, July 18, 2010

o amor dos outros - Stratégie de la Rupture

Final de dia na praia, com algum vento vindo do noroeste. Eu a ouvir Wim Mertens – Stratégie de la Rupture no iPod. Vejo-os aproximarem-se. Ela de vestido azul. Ele de calção de banho e t-shirt encarnada. Vejo-os encontrarem-se. Beijam-se nas faces. Ficam ali, a dois metros da água. Falam muito, devagar, um com o outro. Pés fixos, semi-enterrados na areia. A maré vai subindo. As gentes vão abandonado a praia, à medida que o vento começa a levantar areia. Eles recuam meio metro e voltam a fixar os pés na areia molhada. Observo-os. Continuam a falar, uma vez um, depois o outro. Ponho o Wim em repeat. Falam mais e ela começa a chorar. Ele olha-a com ternura e coloca a mão direita sobre a cintura, nas costas dela. São jovens, vinte e poucos anos. O mar cobre-lhes os tornozelos. Ela leva as mãos à água e passa-as pelos olhos, para disfarçar as lágrimas. Falam mais um pouco. Despedem-se com mais dois beijos. Ela diz-lhe qualquer coisa e começa a afastar-se. Passa à minha frente, claramente triste e com vontade de chorar. Ele fica a olhá-la enquanto ela se afasta, ele com os pés ainda enterrados. Muito tempo, enquanto ela desaparece pelo meio da praia. Ele vira costas e corre pela areia, direcção sul.

Saturday, July 17, 2010

Back to New Wok

Elas - O que vais fazer nas férias?
Eu - Ainda não sei, só tenho uma semana. Talvez um cruzeiro de solteiros ou Ibiza.
Ela 1 - Um cruzeiro de solteiros... ainda fazes um “amigo”.
Eu - Não, um cruzeiro hetero!
Ela 2 - Agora a sério, o que vais fazer nas férias?
Eu - Já disse: um cruzeiro de solteiros ou então Ibiza. Ou então, Escandinávia. Nunca fui e já fui apaixonado por uma sueca.
Ela 1 - Por uma sueca? Quando?
Ela 2 - Ah, num colégio em Inglaterra, daqueles de verão.
Eu (para os meus botões) - (Pois foi... bons tempos)

Estampei-me

Estampei-me de forma mariquinhas. Sem airbags a saltarem, sem ferimentos graves, sem direito a férias de sopas e descanso no hospital, e visitas dos amigos para me verem enrolado em gaze. Limitei-me a ficar a sangrar de um dedo, porque a mão me escorregou do volante. Estupidamente, hoje até fiz parte da A5 em excesso de velocidade e podia ter-me despistado e capotado, dando cabo do Golf e encontrando motivo para comprar o novo Touareg. Mas não, limitei-me a enfiar o capot no carro da frente a 40 km/h em plena Defensores de Chaves – que nome de rua tão parvo, para se colocar na “declaração amigável”, à pressa e atrasado para uma reunião...


Thursday, July 15, 2010

estirpe surrealista

Chamava-se Maria e tinha um coração enorme, três vezes maior do que o comum dos corações. Na meninice sofrera de uma virose que lhe tinha afectado o coração e este crescera desmesuradamente, apertando-lhe o peito por dentro, mesmo à medida que crescia. E ela cresceu, tornando-se uma miúda bonita, primeiro, e transformando-se numa mulher perfeita, depois. Viveu sempre a vida despreocupada mesmo com aquele aperto vindo do interior. Encantava as pessoas com o seu jeito e com aquelas batidas compassadas que se ouviam quando ao perto. No dia em que conheceu o amor, encontrou-o numa esplanada abafada pelo sol quente do início da tarde. Era o final da época dos dias de chuva e ele apresentava-se constipado. Surgiu-lhe sem aviso, metendo conversa desde a mesa ao lado enquanto ela fumava um cigarro que o fizera sentir-se incomodado, com o fumo a interpor-se entre os olhos e o livro que lia. E logo ali, quando ele a interpelou, olhos nos olhos, ela sentiu o coração grande a querer sair do peito para fora, descompassado. E não se fez rogada, aprofundando a conversa, que surgira do nada, e apagando o cigarro. Ao cair da noite ambos estavam dominados um pelo outro, conhecendo-se tão devagar quanto o tempo, pausado, havia permitido. E ele arriscou beijá-la profundamente mas sem a agarrar ao que ela correspondeu prendendo-o simplesmente com os lábios. E sentiram-se bem, desejados um pelo outro como nunca ninguém. E com aquele beijo bem preso no ar, ela deixou-se contaminar por aquela estirpe de vírus moldada pela personalidade dele que se instalou no coração grande dela. Maravilha da genética, passaram a amar-se.

Abstand

Os alemães têm destas palavrinhas mágicas que, para além de produzirem um som delicioso tanto gritadas como sussurradas, conseguem condensar um estado de espírito em poucas sílabas arranhadas. “Abstand” pode servir para “dá-me espaço” e hoje, cansado que estou, é isto que me apetece: espaço e distância. Por isso vão lá às vossas vidinhas mais ou menos maravilhosas, repletas de sonhos idiossincráticos, objectivos preconcebidos e desejos de reconhecimento acumulados, e deixem-me ficar sossegadinho, vago das vossas preocupações terrenas e aberto a novas experiências.

Wednesday, July 14, 2010

tenacidade (*)

Ela insistiu, provocando-o com um segundo email e ele admirou-lhe a tenacidade. Só por isso, convidou-a para jantar sushi numa esplanada selecta. A noite nem estava particularmente quente, mas ele decidiu dar uma oportunidade ao que poderia ser amor. Desta vez fixou-lhe o rosto, definitivamente bonito, e deixou-se levar pela conversa tornando-a agradável. Mas quando a viu baralhar-se com os pauzinhos, ele sentiu saudades. E a partir daí, ele já não estava ali e nada daquilo poderia resultar. Sentiu-se triste porque sabia que ela tinha algo para lhe dar. Good placebos are hard to find...


(*) cada vez admiro mais esta qualidade.

Monday, July 12, 2010

Os amigos dos filhos dos amigos

Ontem, no mais esplêndido areal de que já nem me recordava, conheci esta menina de 7 ou 8 anos, carente de pai (divorciados?), e muito maravilhosa, que me deixou derretido e a pensar na vida, quando me pediu para lhe preparar “...um pão com manteiga... tio Ricardo” e me encantou com as suas certezas muito absolutas, para a idade minorca:

Ela - Eu odeiooo camarões...
Eu - Ah sim? E bife com batatas fritas?
Ela – Gosto muuuito...

Ela - Eu odeioo espanhóis...
Eu - Mas porquê, C.? Fizeram-te algum mal?
Ela - Porque odeiooo...
Eu - Mas C., tu conheces algum espanhol?
Ela - Eu não, mas odeiooo espanhóis...
Eu - Miúda, tens que ser mais positiva!

Ela (depois do jantar) - Quem ganhou o jogo?
Eu - Más novidades, os que nós não queríamos!
Ela - Nãooo! Eu odeiooo espanhóis...

(tudo dito)

Sunday, July 11, 2010

Destilar

Passo o dia a destilar a vodka da noite passada deitado na Praia Grande com os olhos muito fechados. Ouço o som do mar atlântico muito característico deste lugar. Conheço bem quem já tenha sido feliz nesta praia de sol incerto.

Friday, July 9, 2010

Sucesso é...

Esta semana ganhei um projecto muito importante, novo cliente e muito trabalho para o verão – logo para mim que nem estou nada a precisar de férias... Fiquei a saber que vou ter um aumento chorudo, mesmo em tempo de vacas magras – ainda não é oficial mas já sabe bem, apesar do novo escalão dos impostos... O primeiro “briefing” como candidato a Partner também correu bem – apesar das vacas escanzeladas, pode ser este o ano entre 48 candidatos para 15 promoções... Senti-me um par de vezes brilhante e a gostar do que faço – não está nada mal, às vezes nem sei como continuo nesta vida... Hoje até joguei no euromilhões – só não sei que ganhei porque ainda não fui ver a chave... E agora vou ali meter-me nos copos – para festejar...

Mariana

Conheceu-a numa reunião profissional. Ela sentou-se ao seu lado numa cadeira giratória que rodou com destreza, sem movimentos bruscos, para o observar. Ele fixou-lhe a cor das unhas, bem pintadas de azul, e as flores da camisola, encarnadas e engraçadas, mas não o rosto, simplesmente bonito. Ela olhou-o de soslaio, sorrindo-lhe, enquanto ele falava, e ele concentrou-se no que apresentava. Quando ele terminou, ela fez dois ou três comentários pispirretas, e ele sentiu-se demasiado criticado. Despediram-se com um aperto de mão, bem dado, e ficaram a pensar um no outro durante o que sobejava do dia. Ela tinha o contacto dele e arriscou enviar-lhe um email. Encontraram-se num bar de Lisboa, logo na noite seguinte. Poderia ter sido o efeito do fato de linho azul, meio amarrotado, ou o cabelo já comprido mas com ar macio, de que elas parecem gostar. Conversaram por uma hora ou duas, entretendo-se com banalidades, e ele sentiu-a cativada, mesmo sem usar do seu charme. Ele não se sentiu entusiasmado e ela sofreu um desgosto.

Wednesday, July 7, 2010

Amor portátil (geek post)

O amor devia ser portátil. Aliás, a paixão também. Portátil com “plug-in”. Desligava-se desta pessoa de quem se gostava, a bateria mantinha o processador em funcionamento, e ligava-se o coração a outra pessoa pronta para ser amada. Sem necessidade de “reboot” à memória. Imediatismo total, sem ponto final. Tudo o que de bom se havia sentido passava para a opção seguinte, sem tempo de arrefecimento, sem sofrimento. Acho que seríamos todos muito felizes e também faríamos os outros mais felizes. Mas afinal, somos uns imperfeitos – seres humanos, humpff!

O bom destes dias

O bom destes dias de calor africano é sentarmo-nos com os amigos, que por cá estão, junto ao rio largo onde corre uma aragem agradável, a trocarmos histórias corriqueiras, intercaladas com visões profundas de como a vida pode ser boa. E rirmo-nos dos disparates que a temperatura faz sobressair e das divagações, como se amanhã fosse um dia de praia com as toalhas ao sol e o mar pronto para mergulhar.


Tuesday, July 6, 2010

Porque será

Porque será que recebo um sms quando a noite já vai tão alta e quente, e não é o que eu quero, quem eu quero. Estas noites de calor vindo do Saara ameaçam tornar-se insuportáveis e eu tenho saudades do “Chá no Deserto”.

Sunday, July 4, 2010

Old friends

A sensação mais estranha é que parece que nos conhecemos desde sempre. Parece que somos todos irmãos e que não deixámos de crescer separados. Parece que sabemos as histórias que um e outro vai contar, a forma como alguém se vai rir, outro sorrir, e outro responder. E é uma impressão muito boa e que, creio, interpretamos todos como confortável. Praticamente todos têm já filhos, alguns vão no terceiro, outro há que já vai no segundo casamento e tem um enteado. Fomos todos aos diversos casamentos e alguns a muitos dos baptizados. Saímos juntos quando éramos recém-adultos. Fizemos férias juntos. Conhecemos as namoradas e os namorados que foram passando pela história do grupo. Acompanhámos as novelas, os sucessos e insucessos das nossas vidas amiúde partilhadas. E conhecemo-nos há muito e muito tempo, alguns desde os 5 anos de tenra idade.


Can you imagine us years from today, sharing a parkbench quietly
How terribly strange to be seventy

Old friends, memory brushes the same years, silently sharing the same fears

Coisa de que eu realmente gosto e já nem me lembrava

De chegar a casa com a noite semi-cerrada e de me enfiar debaixo do duche para sacudir a areia de um dia de praia.

E hoje estavam 37º à ida, na ponte sobre o Tejo, e 31º C à vinda – finalmente o calor dos trópicos deu à costa!

Saturday, July 3, 2010

brit

E eis que chego a casa depois de uma noite demasiado quente – apesar da temperatura até amena para a época do ano – e dou por mim a pensar onde raio a minha amiga S. desencantou aquela personagem de nome K. absolutamente neurótica – even by british standards –, que insistiu em oferecer rodadas de cerveja a toda a gente que cumprimentámos no bairro enquanto se agarrava a mim, pedindo-me que lhe contasse a minha história – como se a minha história tivesse algo de interessante para se contar, ainda para mais em inglês – e afagando-me o cabelo já comprido. E dou por mim a pensar porque, volta e meia, com a chegada do verão, a minha vidinha se vê invadida de gente “non-sense” em vez de repleta do que eu quero para mim. E ainda sem sono, e meio assustado, volto aqui e ponho-me a ouvir Animal Collective, semi-alucinados, enquanto leio um dos melhores blogs do circuito, escrito por um miúdo que eu sei que conheço da vida real.


Friday, July 2, 2010

Big love... still

Muitos dias haviam passado. Demasiados dias pelas contas dele. Demasiadas manhãs em que despertara solitário e aplicara o ritual muito treinado – duche, barba, fato, nó da gravata, café de filtro com um farrapo de leite e algo para trincar, dentes escovados e saída para a garagem. No carro, invariavelmente, o ar condicionado e “the xx” a tocar repetitivamente.

Watch things on VCRs
With me and talk about big love
I think we’re superstars
You say you think we are the best thing

You’ve applied the pressure
To have me crystalised
And you’ve got the faith
That I can bring paradise

I am yours now
So now I don’t ever have to leave
I’ve been found out
So now I’ll never explore

Please don’t say we’re done
When I’m not finished
I could give so much more
Make you feel, like never before
Welcome, they said, welcome to the floor

For the desired effect
Would you come back August or June, June
And I hate that tomorrow’s too soon

I’ll take you in pieces
We can take it all apart
I’ve suffered shipwrecks right from the start
I’ve been underwater, breathing out and in
I think I’m losing where you end and I begin

I can't give it up
To someone else's touch
Because I care too much

But if stars, shouldn’t shine
By the very first time
Then dear it’s fine, so fine by me
Cos’ we can give it time
So much time
With me

Fragmentos. Muitos fragmentos cheios de significado e em “repeat” – too many for me! E acelerava para mais um dia sem o “Bom dia :-)”, ultrapassando pela esquerda e pela direita aquela sensação de vida repetitiva e complexamente desordenada, dia após dia.

Thursday, July 1, 2010

viciado no blog!

Apago e apago o que escrevi ontem, anteontem e há semanas atrás. Sentir-me vazio deve ser mesmo isto, ando com uma produtividade ímpar a escrever mas pouco me sai de que realmente goste. Começo logo de manhã com notas no BB e depois tudo aquilo perde o sentido durante o longo do dia e quando finalmente acendo um cigarro em frente do teclado, sinto-me vazio das ideias que podiam dar uma obra-prima. Como diria alguém que me conhece, devo estar viciado no blog!

Tuesday, June 29, 2010

Férias e um placebo

Ele nem gostava nada do Saramago, mas desde que o senhor falecera tudo na vida lhe parecia correr pelo pior. Tinha lido “A Jangada de Pedra” ainda novo, e gostara do conceito da separação da península do resto do continente. Recordava-se que o grupo perseguia pássaros pela meseta ibérica e que a páginas tantas já não podia mais com a descrição ornitológica. Ainda assim, fora capaz de terminar o livro. Alguns anos mais tarde, experimentara o “Memorial do Convento” mas aí, mais maduro, já utilizava a técnica de abandonar os romances que o não seduziam ao terço do volume. Sentia-se exausto de Lisboa onde o verão, de praia à séria, parecia não querer chegar. Ansiava por férias e um placebo. Mas tinha a agenda preenchida de trabalho por Julho dentro, e os níveis de confiança subitamente em baixo demais para a arte da sedução. Na realidade não queria nada um placebo, queria era amar a sério. Dava-se conta de que nas últimas saídas nocturnas bebia demais, e que passava os dias seguintes a ressacar sem qualidade de vida. Entendia agora o conceito de “mastigar” o, ou a, vodka que preferia diluído com dois terços de água tónica. Compreendia agora que a dificuldade de uma relação está na proporção certa do amar e do ser amado e que não faz sentido nenhum um sentir-se apaixonado, se o outro não está para aí virado, como quem não passa do terço do romance.


Sunday, June 27, 2010

oráculo

Sentei-me com ela na beira da piscina com os pés enfiados na água e o corpo protegido do sol pela sombra da casa branca. Discorri durante uns quarenta minutos sobre o que me está a acontecer. Ela escutou-me em silêncio, olhando-me com carinho e movendo lentamente as pernas para provocar remoinhos encantadores na água azul. Não me interrompeu uma única vez, nem quando eu balbuciei com os olhos molhados. Contei-lhe tudo o que considerei essencial para obter uma opinião. O meu estado de alma antes de te conhecer. Os actos únicos da peça de teatro. Os sentimentos diários nas tuas ausências. As mensagens. Os últimos fins-de-semana, enfatizando os pormenores relevantes. As nossas diferenças. Os silêncios que não consigo interpretar entre a incerteza e o desprezo. Quando terminei, ela sentiu-me mesmo triste e atirou-me água para me animar. Passou-me a mão pelo cabelo, puxando-o ao de leve como só ela o sabe fazer. Ambos sabemos que já me amou, mesmo a sério, e que eu não correspondi. Foi há tantos anos que dizer há mais de uma década me faz sentir antigo. Talvez por isso a decidi procurar. Não ficámos melhores amigos, mas ambos sabemos com o que podemos contar. Honestidade, sinceridade e cumplicidade quanto baste. Entretanto ela descobriu o mundo, fez o “move on” com toda a classe, cresceu, e podemos falar sobre quase tudo como se fôssemos íntimos. Disse-me que entendia bem porque me és tão especial. Desculpou-se com singeleza porque não te conhece e as gerações, ainda para mais no feminino, são bem diferentes. Mesmo assim, procurou palavras sábias e frontais e disse-me: “Ricardo, por muito que isso te seja estranho, não está nas tuas mãos. Ela decidirá o que vai querer, e tu só podes esperar pelo melhor”

Amor perfeito em 3 actos

Acto I
Ela (de cabelo solto enquanto fazemos amor) - Estou muito apaixonada por ti, Ricardo...


Acto II
O corpo perfeito dela completamente encaixado sobre o meu depois de fazermos amor...


Acto III
O abraço exclusivo e bem apertado dela à beira do chafariz... (para a alma recordar na eternidade)


3

Saturday, June 26, 2010

doutrina (*)

A característica que mais me arrelia na natureza humana é a falta de vontade, a falha do querer, a cobardia, a incapacidade de lutar, o “deixa lá ver se passo por entre a chuva”, o deixar-se encostar, a falta de energia para se correr pelo que se deseja. A vida, em sentido lato, é já demasiado imperfeita para se descortinar o que é mesmo importante para cada um, o que verdadeiramente se quer dela. Quando se tem a sorte de descobrir o objectivo, achar alguém absolutamente especial, sonhar ou imaginar algo de bom, há que ser determinado, convicto, ambicioso e ter a certeza de que o resultado está lá para nos fazer sentir bem. Como tudo o que faz realmente sentido, será difícil e complexo de alcançar, mas isso faz parte do desafio.


(*) desde que não interfira com a liberdade dos outros.

Wednesday, June 23, 2010

Primeiro amor

Primeiro amor. Quem os não teve? Lembrei-me hoje dele por causa deste aperto no coração com que acordei. Esta sensação insalubre de quem ama e não é correspondido. Esta motivação de me deixar entreter com tudo aquilo que me faça esquecer a dor no peito. Esta certeza parva de que a experiência só vai contribuir para enrijecer um coração já maduro. Esta noção nefasta de desperdiçar possibilidades. E isto dói, muito, como se ainda fosse um miúdo.

Monday, June 21, 2010

flares

É difícil imaginar uma coisa assim mas quando se sobrevoa a costa da Arábia Saudita durante a noite, sem nuvens, a imensidão de flares que se vêem parece quase infinita. E eu vou ali com os headphones a debitarem som para os meus ouvidos, hesitante entre a novidade do Sébastien Tellier, que profeticamente dá pelo nome de Sexuality, o “La Ritournelle” do mesmo mas já mais antiga, em repeat, e o canal 6 que passa o Alcorão cantado para muçulmano ouvir, atentamente, ou cristão se deixar encantar, a espreitar pela pequena janela do Airbus e a reflectir na imensidão dos campos de petróleo que nos alimentam o lifestyle moderno.


Oh nothing’s gonna change my love for you
I wanna spend my life with you
So we make love on the grass under the moon
No one can tell, damned if I do
Forever journeys on golden avenues
I drift in your eyes since I love you
I got that beat in my veins for only rule
Love is to share, mine is for you

La Ritournelle by Sébastien Tellier

Thursday, June 17, 2010

eu transparente

Naquela manhã, eu vi-te, pela primeira vez, com todo o teu glamour profissional, o cabelo bem escovado e a echarpe, que te faria companhia a muitos pés de altitude, já enrolada nesse teu pescoço absolutamente bonito. Se eu já estava apaixonado, naquele momento senti que te queria ainda mais e gravei o teu retrato no pensamento para recordar durante todos aqueles dias da tua ausência. E esta noite, à falta de inspiração, retomo o texto que deixei perdido, tão estranhamente perdido como tu me fazes sentir quando afinal estás apenas a ser natural, tu própria, e me deixas a hesitar entre a desordem das ideias difíceis de absorver mas que me fazem sentir simultaneamente enfeitiçado e tranquilo. Uma mistura deliciosa de sensações que me fazem apreciar este meu amor verdadeiro.

Wednesday, June 16, 2010

O vício

E hoje sou eu que chego a casa exausto mas com muita vontade de ti. Com muito desejo da tua meiguice e de voltar a adormecer com o teu cheiro nas minhas mãos...


Monday, June 14, 2010

à beira do chafariz

Foi um momento muito especial e muito nosso. Como tu me dizes, eu sou melhor com as palavras escritas e apetece-me registar aquela sensação muito especial. O graffiti meio apagado no chafariz iluminado gritava “Cláudia”. E eu, por um minuto, pus-me a pensar naquela alma apaixonada que um dia decidira empoleirar-se bem alto para gritar ao mundo o nome da amada, escrevendo-o em azul sobre a pedra branca. Dei então por mim a observar a multidão muito alegre a cantar ao som da música, gente bonita de Lisboa, e a ver-te aos pulos de contente, e a pensar para os meus botões como te assemelhas à perfeição, para mim. E então, tu vieste, aproximaste-te esplendorosa, e beijaste-me de forma deslumbrante, completando-me infinitamente o pensamento e abraçando-me com um aperto meigo que me diz muito mais do que qualquer palavra.

Wednesday, June 9, 2010

Chuva de Junho

Abro a torneira de água tépida e processo H2O por entre os dedos. Mergulho o rosto nas mãos cheias e arrebito as pestanas com as pontas dos dedos. Coloco um pouco de gel nas falanges e espalho-o pela pele húmida. É um gel de cheiro neutro que me faz lembrar uma mistura de aromas entre o sabão-macaco e o gin vertido sobre água tónica. Um bocadinho inebriante. Como por magia, o gel transforma-se em espuma e olho-me no espelho com o rosto coberto de branco. Adorno as patilhas com a lâmina, primeiro a esquerda depois a direita. Produzo movimentos rápidos ora de cima para baixo, ora de baixo para cima. Termino com mais água atirada para a cara e arrebito mais uma vez as pestanas. Volto a olhar-me no espelho mas desta vez vejo-me. Concluo que persisto no estado apaixonado.

Tuesday, June 8, 2010

Home is where the heart is… too many miles away

Já não me recordo há quantos anos não passava este dia em Lisboa. No ano passado estava em Boston. Há dois anos em Paris. Há três anos em Atenas. Há quatro anos em Oreposa. E logo este ano é que me havia de apetecer estar num outro lugar... many miles away... home is, definitively, where your heart is.


Monday, June 7, 2010

Awkward love ou a crise da meia-idade

Ele estava habituado a ser bem tratado. Nas palminhas, costumava pensar. Tinha uma certa dose de sucesso, especialmente entre as mulheres de vinte e alguns que se deixavam deslumbrar pelo charme. Ele encantava-as, quando era isso o que queria. Não pela aparência, não pelo embrulho. Mas se decidia meter conversa no seu estado espirituoso, era certo que ao fim de uns minutos, vá 1/2 hora, as coisas estariam encaminhadas para o que ele quisesse. Com o passar dos anos, foi percebendo que não queria muito, ou que o queria poucas vezes. Ficava-se pelo sabor do sucesso e, ocasionalmente, por uma ou outra relação infrutífera que depois trabalhava em sentido inverso, de forma a que o esquecessem sem mágoa. Ele gostava dessa sua capacidade, de fazer esquecer ou reduzir as relações passadas a recordações carinhosas. Chegava a considerar essa sua capacidade uma virtude. O seu dom. Gostava disso em si e aturava temporalmente as perseguições até alcançar o resultado pretendido.
Ah, mas ele não estava preparado para provar do seu próprio veneno. E descobriu-o quando se deixou encantar. Compreendeu então que afinal gostava pouco de montanhas-russas, porque se transformavam em circuitos fechados. E ele queria mais possibilidades. Caminhos de liberdade, sem destino. Então, encheu-se de coragem, ponderou o desconhecido e a viagem sem bússola. Sentiu-se um valente e deixou-se levar. Passou a amar.

Sunday, June 6, 2010

My Rijksmuseum’s t-shirt

Depois de Canal Street embrenhámo-nos no Soho. Final de tarde em New York. Chegamos a Tribeca e reencontramos o Michael Imperioli com a sua mulher, a filha pela mão e o filho às cavalitas, a passearem, alegres e contentes. Entramos numa loja fashion e uma cliente gaba-me a t-shirt, como se eu fosse um modelito e ela a quisesse comprar... it’s from Rijksmuseum, Amsterdam.


Gajo alheado em post fútil

Obrigado por hoje me terem explicado o significado do 2 coberto de “lantejoulas” que de há uns dias para cá me intrigava ali plantado no Saldanha – Sex and the City 2. Hummpf!

Thursday, June 3, 2010

Sweet May

Chego a casa cansado mas ainda sem sono. Ligo o iPod e sai-me expressamente Au Revoir Simone – “Through the Backyards of Our Neighbors”: Baby tell me please, Is this a dream, Spending the night with you, Beneath the cherry trees, Just make a wish and everything comes true… (esta sei que já a ouvi enquanto deixávamos os nossos corpos brincar um com o outro, e o CD a tocar na sala ao lado). Ponho-me a ler Maio no blog e constato que foi o mês recorde, 25 posts em apenas 31 dias – estado de alma: apaixonado. Produção literária não particularmente destacável, mas ainda assim muito cheia de significado. E dou por mim a pensar em ti, e sinto-me deliciado com o que Maio me (nos) deu, em crescendo...

Wednesday, June 2, 2010

non-mainstream

Tenho para mim que a maior parte dos que vivemos nesta época contemporânea não chegamos a dar-nos conta da maravilha dos tempos que correm. Findo o apogeu da globalização, é possível usufruir de quase tudo, em qualquer lugar. A sensação provocada pela liberdade do acesso a praticamente tudo o que faz o mundo é uma recompensa única para as aflições que nos traz o excesso de informação. Desde que se ganhe uma certa capacidade de abstracção, este início de século tem tudo de bom para se viver. O meu eu conservador mantém-se um profundo apreciador dos tempos do pós-modernismo, mas hoje dou por mim embevecido por tudo aquilo que a vida tem para dar. Viaja-se muito. Lê-se o que se quer. Descobrem-se novos ritmos e melodias. É possível ser-se original. Existem menos tabus. Observa-se tudo. Conhece-se o que se quer. Pouco se esconde. Há não muitos anos atrás, estávamos condenados ao “mainstream”. Toda a gente ia de férias para sul. Liam-se os clássicos. A música era imposta pela FM. Vestia-se o que estava na moda. A imprensa nacional ditava o pensamento. Existia censura a rodos, marcada pelo estado da civilização a que chegáramos. Hoje, vivemos como queremos e as escolhas são infinitas, desde que não se assuma o espírito da “carneirada”.


ps- dei por mim a concluir isto enquanto te “enchia” o .mp3 player de música indie, alternativa ou clássica não convencional, de que tenho a certeza que vais gostar!

Tuesday, June 1, 2010

A parvoeira dos trópicos

A geografia importa muito. Mesmo quando se vive na amenidade do clima mediterrânico, quando se acorda para os primeiros dias a 30º C já se sabe que o rectângulo à beira mar plantado vai ficar infestado de criaturinhas com pouco que fazer e com calor demais para ficarem quietas no seu canto. Subitamente, parece que meio-mundo fica afectado pela parvoeira dos trópicos e decide sair da casca. Depois de passarem o inverno quietinhos a carpirem as mágoas, sentem-se despertos pela temperatura e convertem-se em arrojados “stalkers” prontos a chatear o vizinho. Não tenho paciência para isto e acabei de ligar o modo censura no blog. Sorry!

As regras do jogo

Ela não conhecia as regras, as regras daquele jogo de palavras juntas em frases bonitas. Ela tinha passado incólume pela idade dos amores, provavelmente sempre convicta do seu namoro. Ela não tinha vivido e sofrido o amor do início da idade adulta ou o do final da adolescência. Ela não sabia que a um “gosto de ti” se responde com amor sincero mesmo de palavras feitas. E eu quis ensinar-lhe tudo o que tinha aprendido, muito devagarinho. Mas afinal quem me mostrava o caminho era ela, porque sabia agradar-me como ninguém...


How I tried to catch you while
You ran ahead of me, I lassoed Mars
To see if you were hiding there
But you'd already ran past Jupiter to Pluto's moon
And my rope won't reach that moon

This a state of electrical shock
You were so beautiful
I thought you'd last forever
But you came and you went
When the lights went out
You went like you came
In a lightning bolt

Why did you go like this?
I slam against the wall
It's crushing my skull
Why did you go like this?
I slam against the wall
Of permanence, permanence
Permanence

Why did you go like this?
I slam against the wall
It's crushing my skull
Why did you go like this?
I slam against the wall
Of permanence, permanence

And like a ghost
I'm spinning with you
In circles
The dance of Pluto's moon

Monday, May 31, 2010

amigos

Proponho uma esplanada para nos encontrarmos a apanhar sol. Sei que tenho andado desaparecido mas também sei que para vocês isso é bom sinal. Não foi hoje que nos consegui juntar, uns optam pela praia e outros pela festa da criança no Museu da Electricidade. Acabo por passar a tarde com apenas uma parte, num magnífico recanto de Lisboa à sombra desta magnífica árvore:

[o espaço chama-se “Fabric Infinit”, Rua D. Pedro V ao Príncipe Real – highly recommended]

Sunday, May 30, 2010

Caras comentaristas anónimas:

1) Arrelia-me a falta de coragem para se darem a conhecer – aliás, sou irascível no que toca a perseguições
2) Não estou disponível e muito menos “à procura” – como bem se percebe pelo que escrevo, estou apaixonado, como tal as vossas provocações não me trazem nada
3) O conceito BILF assusta-me – vá-se lá saber como alguém se pode tornar sexualmente apetecível pelo que escreve, quando muito BILL
4) Por estas e por outras é que este blog já teve que mudar de casa umas quantas vezes – há também a opção dos comentários censurados ou desactivados mas eu sou a favor da liberdade de expressão, não me obriguem a isso
e já agora:
5) Não gosto da coisa dos “selinhos”
6) Também não alinho em “desafios postados”
Fiquem bem!

ps- Eu não escrevo neste blog para que me leiam, muito menos para ser descoberto enquanto BILF, BILL ou qualquer outra coisa. Escrevo porque gosto, e publico aqui porque sou suficientemente arrogante para querer partilhar metade do que me passa pela alma.

Saturday, May 29, 2010

“A inspiração não me importa para nada...”

Eu lá sou miúdo de ídolos e cultos... mas se me dessem a escolher conhecer, conversar, discorrer longamente, tranquilamente, com alguém, nem hesitava: Oscar Ribeiro de Almeida Niemeyer Soares Filho, 102 anos vividos a criar eternidades num tempo que já não está para estas causas. Senador da Humanidade, por direito próprio – digo eu! – é para além de um grande Arquitecto, o verdadeiro pensador, com quem eu trocaria alegremente a vida vivida. Atente-se na perspicácia (contraditória quanto basta) do Senhor:
“Na vida, nada é importante, somos pequenos demais em relação ao Universo.”
“Não me sinto importante. Arquitectura é meu jeito de expressar meus ideais: ser simples, criar um mundo igualitário para todos, olhar as pessoas com optimismo. Eu não quero nada além da felicidade geral.”
“Não é o ângulo recto que me atrai. Nem a linha recta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual. A curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, nas nuvens do céu, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o Universo. O Universo curvo de Einstein.”
“Acho o optimismo uma coisa ridícula, uma coisa que não leva a nada. Nós não queremos o niilismo, mas queremos uma vida dentro do que existe, não é? É duro, mas existe realismo.”
“Sou pessimista diante da ideia de que o homem, quando nasce, já começa a morrer... é preciso, então, aproveitar o lado bom da vida, usufruir o melhor possível e aceitar os outros como eles são. Sempre digo: o importante é o homem sentir como é insignificante, é o homem olhar para o céu e ver como somos pequeninos.”
“Todo mundo tem um lado bom e um lado ruim. O homem nasce numa lotaria: é bom, é ruim, é inteligente ou não. Se a gente aceita este facto como uma condição inevitável, a gente tem de ser mais paciente com as pessoas, aceitá-las como elas são.”
“Acredito na natureza: tudo começou não se sabe quando nem como. Eu bem que gostaria de acreditar em Deus. Mas não. Sou pessimista diante da vida e do homem.”
“Quando eu estava em Paris, andava sempre com um grupo do qual fazia parte um cientista, um físico muito inteligente que tinha sido incumbido de estudar a lua, no laboratório em que trabalhava... nos mostrou pedrinhas brancas da lua. O engraçado é que era uma pedrinha como outra qualquer. Tive vontade de ficar com uma daquelas pedrinhas...”
“A gente tem que sonhar, senão as coisas não acontecem.”

O Talentoso Mr. Ridley

Matt Ridley possui uma daquelas qualidades que tornam os homens ímpares: a capacidade de decifrar para o comum dos mortais a essência da vida, expondo-a prosaicamente em palavras inscritas no papel. Parece que decidiu voltar a fazê-lo, e depois de há muitos anos atrás este humilde miúdo de ciências ter devorado o “Genome: The Autobiography of a Species in 23 Chapters”, apetece-me entrar de férias e dedicar-me ao “The Rational Optimist: How Prosperity Evolves”.
Pequena lista de outras obras monumentais, muito recomendadas para a compreensão das coisas (porque a divulgação científica é, mesmo, uma arte):
The Periodic Table, Primo Levi
Deep Simplicity, John Gribbin
Guns, Germs, and Steel, Jared Diamond
(e ainda, num registo muito próprio: Calvin and Hobbes, Bill Watterson)

tiro e queda

E foi logo ali, enquanto regressava pela 2ª circular, ligeiramente acima da velocidade permitida e a olhar o azul do céu compassado pela lua quase cheia, um crepúsculo que mais parecia saído do filme do Bertolucci, que tive a certeza de que iria escrever muito por estes dias, e também procurar um refúgio no Adriático ou no Egeu para acordarmos juntos, quando tu quiseres.

Friday, May 28, 2010

acelerado

Ponho-me a ouvir My Brightest Diamond e apetece-me gravar-te este CD: “A Thousand Shark's Teeth” – “Inside a boy”. Hoje estou acelerado, apetece-me escrever para ti, para nós...

Inside a boy (that’s me)
I found a universe (this is us)
And in his eyes (or your eyes)
Are a thousand stars (and you’re the special one)
On a dark sky (not that dark)

We are clouds (aren’t we?)
We are whispers (like we do it when we ML)
Like fawns and shape-shifters
Our edges can never be found out
No, our edges keep moving further out (that’s why we fit so well)

We are stars colliding (yes we are!)
Now we crash
Like lightning into love
Love

In his arms (my arms)
I’m unwinding (relaxing…)
Under his kiss (my kisses)
I'm falling into love (are you, really?)

We are stars colliding
Now we crash
Like lightning into love

We are stars colliding
Now we crash
Like lightning into love
Love

Thursday, May 27, 2010

When the world opens your eyes

When the world opens your eyes you realize that you’ve spent your whole life seeking for the unimaginary. Looking for it in familiar places where you surely wouldn’t find love. Dreaming of that slow motion “déjà vu” fitting upon your body and making your soul rejoice. And then... you already miss the taste of mango and vanilla sweetly kissing your lips and you wonder if this is real life or if you’ve just been dreaming of togetherness with your soul-mate. And you choose not to wake up and just keep quiet while sensing her smooth skin on your fingers.

Wednesday, May 26, 2010

A paixão nos tempos da blogosfera

Nos tempos inóspitos os amantes escreviam longas cartas de amor, profundas de palavras pensadas e dedicadas, elegantemente assinadas com pena de pato, cuidadosamente dobradas e firmemente lacradas. Sabendo que cada uma expedida, demoraria dias a chegar ao destino, arriscavam escrevê-las em catadupa, diariamente, sem a facilidade da resposta mas apostando na devoção permitida pela paixão, sem saber o que o correio já trazia no caminho. Eu ainda vivi no tempo da transição das cartas escritas à mão para a propagação do e-mail, do messenger e dos blogs. É diferente, sem dúvida, muito mais tempo real, pergunta e resposta, dedicatória, comentário aposto, provocação e glória, anónima ou declarada. E a paixão fiel adapta-se aos tempos modernos, com a mesma esperança de um dia se tornar certeza, vã ou verdadeira.

Monday, May 24, 2010

Veredicto paralelo

Ela - Explica…
Eu - Há uns dias atrás estávamos juntos, de mãos dadas, e disseram uma frase cheia de significado que me pôs a pensar: “Uma vida perfeita é uma sucessão de acasos de sorte”. Tu és isso para mim, um enorme acaso que me faz sentir pleno de sorte. Alguém de quem apetece cuidar muito e bem, e essa não é uma sensação que aconteça muitas vezes durante uma vida.
Ela - Humm Ricardo, isso parece uma daquelas tuas respostas de “porque não” ou “porque sim”…
Eu - Sim miúda, e no fundo é dessas mesmas que se trata. Gostar de alguém a sério não vem com argumentos, vem carregado de misticismo, difícil de verbalizar, difícil de racionalizar. Por isso é tão bom e único, porque foge às leis da física, como flutuar no espaço sem regras ou referenciais cartesianos. Entendes?
Ela - Humm, não me convenceste…


Saturday, May 22, 2010

o pretenso alternativo e a sofisticada

O amor pleno surgiu-lhes quando já não acreditavam ou não o desejavam. Apaixonaram-se suavemente por entre as melodias e o cheiro do verão. Namoriscam a pele um do outro com desejo. Ela tem as costas mais perfeitas que ele já sonhou, ele o regaço confortável onde ela gosta de se aninhar. Perdem-se no tempo com os cafunés dedicados um ao outro. Brincam, muito, com os corpos e palavras de amor segredadas ao ouvido. Enroscadinhos pela manhã, ela quer as legendas do que ele pensa, enquanto ele deseja aquele olhar meigo à distância dos dedos. São felizes, mesmo, o pretenso alternativo e a sofisticada.

Tuesday, May 18, 2010

Oia

E foi quando vi a tua fotografia no Facebook, tirada por mim, iluminada pelo mais fantástico pôr-do-sol da Terra que me apercebi da tristeza romântica da nossa relação passada e porque choravas há uns dias atrás. Naquele dia, de que eu gostei imenso, tínhamos passeado muito. Eu ao volante do Jimny percorrendo estreitas estradas à beira dos precipícios encantadores da ilha, ultrapassando furiosamente os autocarros de turistas. Tu, divertida, com a máquina fotográfica a disparar, sem parar, imagens, muitas imagens, que mais tarde seleccionarias com o “delete-confirm-delete”. E o mar de gente, de diferentes povos e nacionalidades, que naquela noite, depois do sol posto, se deixaria encantar pela justaposição de Vénus a querer esconder-se da Lua crescente.



Monday, May 17, 2010

naquela noite

Aproveitei aqueles momentos só meus. Esperava por ti mas apetecia-me escrever mais uma história e as palavras brotavam ao som da música que ouvia. Era o final de mais uma noite, o início de um novo dia, e o ritmo do meu coração acelerava. Queria ver-te, mais do que tudo queria sentir-te perto de mim, outra vez. Queria as sensações, também, outra vez, mesmo que calmas, queria o teu cheiro e a tua meiguice para me deixar levar. Mas sentia-te assustada, mais do que com a profundidade do mar. Pensava se te teria afectado o equilíbrio, tão teu. Sentia-nos tão diferentes, eu com os meus altos e baixos, tu com a tua maneira de ser, ponderada. Mas eu queria-te, apetecias-me. E as palavras não acompanhavam o que eu queria dizer-te, naquela noite, embalada. Pensava também se te perderia por entre as palavras do texto, mas ainda assim deixava-me levar pela facilidade de escrever, pela miríade do que tinha para te dizer, inconformado, naquela noite.

Thursday, May 13, 2010

as nossas praias

A tua praia tem uma vista deslumbrante – 270º de amplitude sobre a cidade reluzente e muita exclusividade. A minha praia tem ruas estreitas e gente diferente – muitos peixinhos diversos e bem com a vida. As nossas praias são próximas e dão para o mesmo mar. Quando a chuva cai é a mesma água que as molha e nós encontramo-nos a caminhar sobre a calçada cheia de histórias para partilharmos, suavemente, sob o encanto do toque das nossas mãos dadas e felizes.

Wednesday, May 12, 2010

Não quero “Um caso mais”

Não gosto do efémero. Já o tinha experimentado e hoje percebo que me deixou a marca do não terno na alma. Não entendo o gosto pelo futuro acabado ou simplesmente adiado, para sempre. Surrealismo total com umas pinceladas de niilismo à mistura, não quero a minha vida feita disto...


Enquanto foi só um bom momento, deu
Enquanto foi só um pensamento meu
Deu só num caso forte a mais

Enquanto achávamos graça ao que se escondeu
E as horas eram mais longas do que a verdade fez
Para ser só outro caso mais

Enquanto for só ternura de verão, eu vou
Enquanto a excitação der para um carinho eu dou
Traz... essa leveza, ai!
Mas concerteza eu dou, um outro melhor Bom dia!

Já trocámos nortadas por vento sul
Enquanto demos risadas foi-se o azul
Nem sei qual deles foi azul demais

Mas não ficará só a sensação de cor
Nem sei o que o coração irá dizer decor
Se o inverno for depois duro demais

Enquanto for só ternura de verão, eu vou
Enquanto a excitação der para um carinho eu dou
Traz... essa leveza, ai!
Mas concerteza eu dou, um outro melhor Bom dia!


In - Trovante - Uma Noite Só

Tuesday, May 11, 2010

Num mundo paralelo

Eu - Porque estás tão calada?
Ela - Porque tenho medo…
Eu - Medo de quê? De não gostares de mim?
Ela - Não Ricardo, medo de me apaixonar por ti.
Eu - Ah miúda, mas isso é justo e só tens que deixar-te levar, porque eu já estou cá à tua espera…

Monday, May 10, 2010

the story within the story

Ele escrevia sem senso em novos ficheiros. Histórias de amor vividas ou imaginadas. Cenas a dois, românticas e apaixonadas. Momentos únicos para recordar. Ele deixava-se deslumbrar com tudo o que tinha para lhe dizer, mesmo em silêncio. Pequenas metragens por coreografar, os movimentos daqueles dois corpos prontos para agradar. E da sua janela perscrutava o céu com vontade de a amar. Ele sentia-se a divagar, por entre os personagens cuidadosamente criados, pelas altas horas da noite. A esperar por mais uma mensagem dela. Ele lembrava-se com desejo daquele corpo sedoso. Aquelas sensações absolutamente únicas antes da madrugada. O seu braço envolvendo-a enquanto ela dormia, profundamente. O acordar sobressaltado e com calor ao movimento brusco do corpo dela. O beijá-la no ombro redondo como a dizer “já gosto tanto de ti”. O olhá-la pela escuridão, enquanto se vestia. O caminhar pelo recanto, observando o banco no jardim onde tinham pousado horas antes, lábios nos lábios. E os pássaros a chilrear quando a noite ainda ia alta e ele já sentia saudades dela.

Saturday, May 8, 2010

Agora a sério

Vacilar não é um verbo muito comum na minha vida. Contam-se pelos dedos as situações em que dei por mim a pensar que deveria ter procedido de outra forma, tomado outro caminho ou opção. Isso faz de mim um miúdo um bocadinho arrogante, sempre com demasiada certeza nas palavras que digo e nas decisões que tomo. Afirmativo e convicto, embora haja quem prefira classificar-me como convencido. Faz ainda com que me falte o tacto ou a sensibilidade para antever certas coisas.
Estranhamente, hoje, para além dos “pormaiores” que gostaria que tivessem sido diferentes e de tudo o que me apeteceu fazer de outra forma nas últimas horas, dou por mim a desejar que houvesse uma opção “rewind” na minha vida, e já agora também um “replay in slow-motion” para a maravilha da noite de ontem. Certamente, também não teria ido jogar squash com a fúria acumulada que agora me faz doer o ombro, nem discutido com um amigo por causa de nada. Apetecia-me sim, ter-te levado ao teatro para assistirmos a um dos melhores textos do Tom Stoppard (“The Real Thing”), de mãos dadas e sorrisos apaixonados.

a chuva de volta a Lisboa

A dream of togetherness
Turned into a brighter mess
A faint sign my spoken best
Now, now

Make way for the simple hours
No finding the time its ours
A fate or it's a desire
I know

So I was the lucky one
Reading letters, not writing them
Taking pictures of anyone
I know

So let the sunshine
So let the sunshine
So let the sunshine let it come
To show us that tomorrow is eventual
We know it when the day is done

Thursday, May 6, 2010

Saint-Exupéry

Ainda tenho 10 minutos e perdo-me em ti, qual principezinho, andando, andando através das areias, das rochas e das neves, até por fim descobrir uma estrada, a estrada que me leva mesmo a ti, para me deixar “cativar”. – Cativa-me, por favor, com aquele teu sorriso, cheio de surpresas...