Passou três dias no Mondrian, perdido entre as refeições encomendadas no quarto, a vista nebulosa da baixa de Los Angeles, passagens breves pela piscina repleta de beldades e uma saída fortuita até aos bares do Boulevard, demasiado gays para o seu estado de espírito. Ao quarto dia, pediu que lhe encontrassem uma casa para alugar em Malibu. Percorreu a Pacific no Mustang e enfiou-se numa villa com 6 divisões e uma escada de acesso directo à praia. Encomendou víveres para uma semana inteira, presenteando o porto-riquenho que lhe trouxe o supermercado a casa com uma nota de 5 dólares, e preparou-se para o que imaginava ser um retiro espiritual. Na primeira manhã, optou por estender-se na praia a olhar o mar, e pensou para si mesmo “suponho que, em teoria, já passei por piores bocados, mas não foram muitos, e não foram muito piores”. Sentiu-se em segurança.
Monday, August 30, 2010
Sunday, August 29, 2010
Diálogo (dos surreais)
Eu - Miúda, já te esqueci...
Ela - Ainda bem Ricardo, começava a ficar preocupada contigo.
Eu - Sim? Mas agora apetece-me voltar a amar-te! Deixas?
Ela - Ainda bem Ricardo, começava a ficar preocupada contigo.
Eu - Sim? Mas agora apetece-me voltar a amar-te! Deixas?
Mondrian Hotel | sem conforto
Fez a incrível recta perdida no meio do deserto com o prego a fundo e o sol do meio-dia a bater-lhe forte no cabelo ao vento, sentindo o inóspito Mojave enquanto ultrapassava carro após carro. Chegou à “cidade dos anjos” quando esta já se mostrava cansada de mais um dia de tráfego pesado e virou, cuidadosamente, em cada placa que lhe indicava West Hollywood, sem vontade de se perder. Entregou a chave do bólide ao rapaz mexicano e entrou para o lobby do Mondrian. Sentiu-se subitamente melhor no meio da decoração minimalista que sempre o deixava tranquilo e pediu a penthouse, puxando do cartão de crédito. Subiu no elevador com outro rapaz latino que lhe carregava a única mala e entregou-lhe quatro notas de dólar à porta do quarto, pedindo que o não incomodassem. Deitou-se na cama larga, com a roupa ainda vestida, e adormeceu rapidamente. Acordou passado uns minutos a pensar porque ela não lhe largava o pensamento se já não o amava. Sentiu-se sem conforto.
Thursday, August 26, 2010
Arrábida (blasé)
Aquele foi um ano de aventuras grandes e emoções férteis. Num verão não demasiado quente de calor, recordo-me de esperar por ela, mal desperto, pouco passava das 7 da manhã. Papillion selado e com os arreios bem postos, esperei uns bons 20 minutos, numa manhã fria para Agosto, até ouvir os cascos do Rouxinol a passo pelo alcatrão. Nunca entendi, porque decidiu dar nome de passarinho a um cavalo – há lá espécies mais diferentes. Saí pelo portão da quinta ao seu encontro e inclinámo-nos para nos beijarmos. Descemos a passo e a par pela estrada até ao cruzamento. Ali, metemos pela terra batida e começámos o trote. Ela a olhar-me de esguia, enquanto eu lhe dava primazia, com o cabelo ondulado e selvagem pretensamente preso por um “frufru”, daqueles que se usavam na época. No final do caminho encontrámos o que sabíamos, campo livre e Arrábida à vista para o galope em corrida, mesmo que cautelosa. “Até ao outeiro, Ricardo!”, gritou-me e, naturalmente, ganhou-me porque sabia montar tão melhor que eu, medroso, mesmo sendo o Papillion mais rápido que o grosso Rouxinol. Sorriu para mim, competitiva, sabendo o que isso me agradava – sempre gostei de miúdas assim, desafiantes para depois se tornarem meigas, como com aquele sorriso. Ela poderia ter sido a “mulher da minha vida”, se naquele tempo eu não me tivesse perdido de amores por outra ainda menos dócil. Voltei a vê-la há uns dias, mãe e feliz – como provavelmente não teria sido se tivesse continuado comigo. Deve ter-me achado triste e estranhado como ainda estou “sozinho”.
Wednesday, August 25, 2010
Hoover Dam | sem ar
Tomou a 215, depois a 95 e cortou para a 93. Sintonizou uma rádio que passava ópera e aumentou o volume enquanto percorria as curvas e contra-curvas sob o bafo do calor da manhã, com a capota aberta. Observou as montanhas que o rodeavam, sentindo-se cercado por fora e apertado por dentro. Atravessou a Hoover Dam e estacionou do outro lado. Saiu do carro pisando a gravilha do Arizona. Caminhou lentamente até ao meio da estrutura e debruçou-se sobre o precipício de betão. Ficou ali parado, por longos minutos, fixado na torrente de água que saía das turbinas à sua direita, a pensar em como ali havia chegado. Amor descoberto com profundidade, prazer inusitado, carinho desmesurado por parte daquele ser, único e tão perfeito. À medida que lhe começou a doer o peito, encostado com força ao parapeito, apercebeu-se que já não lhe recordava o rosto, como queria, e sentiu-se sem ar.
femme heureuse (pas fatale)
Encontrava-o perdido na vida. Agarrava-lhe as duas mãos com firmeza. Sorria para ele enquanto lhe contava uma história de encantar. Envolvia-o com os braços e fazia-lhe uma festa carinhosa através do cabelo. Beijava-o repetidamente nas bochechas. Enchia-lhe novamente o coração de sentimentos doces, como se nada tivesse passado de uma pequena anomalia no filme das suas vidas.
Ele nunca conhecera uma mulher assim. Tão capaz de o encantar apenas com o olhar. Tão clara na forma como lhe dizia que gostava dele. Tão complexa no abraçar. Assustadora na ausência. Persistente na distância. Convicta no silêncio.
Ele nunca conhecera uma mulher assim. Tão capaz de o encantar apenas com o olhar. Tão clara na forma como lhe dizia que gostava dele. Tão complexa no abraçar. Assustadora na ausência. Persistente na distância. Convicta no silêncio.
Tuesday, August 24, 2010
Wynn | sem destino
Passou quatro dias a deambular pelo Wynn Resort, aproveitando os 92º F na piscina pelas tardes, jogando Blackjack ao início das noites, e conhecendo miúdas estereotipadas no XS pelas noites fora. Dormiu pelas manhãs, acordando sempre a pensar no que sentia e se ainda sentia alguma coisa. Fartou-se disso e dos cocktails que foi experimentando ao longo daqueles dias. Na quinta manhã, já com um bronzeado invejável, levantou-se cedo e alugou um Ford Mustang descapotável, percorreu a strip em direcção a sul, sem destino.
AirTrain | sem saudades
Chegou ao Liberty muito adiantado para o voo que tinha marcado. Podia mudar os planos e apanhar um avião mais cedo, pagando mais 50 dólares. Não hesitou e apanhou o AirTrain para o terminal C da Continental Airlines. Perdeu-se a olhar o skyline de Manhattan, uma última vez. Chegou em cima da hora à porta de embarque. Naturalmente, calhou-lhe a penúltima fila e o lugar do meio ensanduichado entre um estudante estrangeiro e gordo de iPod enfiado nos ouvidos, e uma americana mal-cheirosa de iPad ligado a percorrer revistas femininas. Adormeceu de imediato, como nunca lhe acontecia, sem saudades.
Monday, August 23, 2010
Get a life or else get a new car
Neste final de Agosto desinteressante, a “grande decisão” da minha vida resume-se ao carro que vou escolher para fugir aos exagerados novos escalões de impostos do filósofo de serviço. Bom, é certo que também estou a precisar de um carro novo porque o Golf já tem 4 aninhos em cima e, desta vez, vou por um que não seja meu, mesmo que me saia do bolso na mesma, só para evitar as chatices da propriedade.
Após aturada pesquisa (nem por isso) as opções trazem conotações diferentes que me põem a pensar na vida:
- O Spider – verdinho e “bora lá” impressionar as miúdas de vinte-e-alguns:
Após aturada pesquisa (nem por isso) as opções trazem conotações diferentes que me põem a pensar na vida:
- O Spider – verdinho e “bora lá” impressionar as miúdas de vinte-e-alguns:
- O Série 5 – azulinho e vamos lá pensar, seriamente, em constituir família:
- O “amostra de jipe” Q5 – cinzento e deixa-me cá chegar a Administrador, solteiro e com uma amante fiel:
Central Park | sem retorno
Deixou-o sair para a sua corrida matinal no Central Park, fingindo-se adormecida e aconchegada pelo édredon. Levantou-se quando ouviu a porta bater e pôs-se a espreitar pela janela do quarto, observando-o a atravessar a 59ª, pela passadeira, e começar a correr pela East Drive. Sabia que dispunha de aproximadamente 1 hora até que regressasse com os bagels barrados com queijo creme, como todas as manhãs daqueles últimos dias. Olhou-se no espelho e gostou da sua imagem, meio despenteada e com cara de sono. Enfiou-se no chuveiro e abriu apenas a torneira da água quente, lavando-se profundamente com a água a escaldar e sentindo-se certa da sua decisão. Enxugou-se com a toalha de turco macio e vestiu-se de forma casual, calçando uns ténis que sabia confortáveis. Tirou a mala de rodas do armário e enfiou nela todas as suas coisas, de forma desordenada. Antes de sair escreveu-lhe um bilhete que depositou sobre a almofada, ainda com a forma da cabeça dele lá marcada: “Amor, desta vez é que te deixo mesmo. Sem retorno.”.
Sunday, August 22, 2010
Yellow cab | sem álibi
Apanharam um táxi amarelo, direcção norte, na 1ª avenida. Tinham acabado de jantar no Yaffa Café e dado um passeio demorado por Tompkins Park, repleto de East Villagers a passear os caninos, onde ela parara para fazer festas a um cachorrito dálmata que achara encantador. Indicaram o nome do hotel ao motorista de turbante Sikh e afundaram-se no estofo de plástico. Ele tomou-lhe a mão direita e percorreu-lhe, vagarosamente, o antebraço com as pontas dos dedos. Ela olhava fixamente os prédios que lhe apareciam pelo vidro sujo, sentindo o movimento dos olhos, da direita para a esquerda, acompanhando o movimento do carro. Ao mesmo tempo, ele escrevia-lhe, com o indicador, o seu nome na palma da mão, com doçura. À altura das Nações Unidas, ela virou-se finalmente para ele e, enquanto observava o edifício, disse-lhe: “Tu vais ser o meu fim… porque será que não aprendes que tudo na vida pode passar de mau a pior!”. Deixou-o sem álibi.
Friday, August 20, 2010
fast love
Apercebi-me das inconsequências do amor rápido enquanto lia de enfiada emails há algum tempo trocados. Acho que as pessoas, em geral, tendem a apaixonar-se muito aceleradamente apenas porque querem acreditar. Acreditar está na moda e acreditar que estamos apaixonados faz-nos sentir úteis num mundo repleto de futilidade. Gostamos dos appetizers mesmo sem sabermos ao que vão saber, devoramos as sensações da nova companhia, abusamos no tempero quando os corpos se encontram, rematamos com beijos doces que parecem cheios de significado. E é bom, como não poderia deixar de ser, tudo o que é novidade para a alma. Depois ficam os restos. Recordações boas ou más. Intenções falhadas e convicções esmagadas. E eu que não sou nada disto, sinto-me inadaptado, frugal e parvamente romântico, a querer acreditar que as causas eram mais profundas.
Wednesday, August 18, 2010
das leituras de verão (as dos outros e a minha)
O que os bimbos lêem nas férias (títulos percebidos num final de tarde na piscina de um aparthotel-kitsch-na-moda):
Vários do Nicholas Sparks – nunca li, dizem que é mais ou menos o Paulo Coelho dos anglo-saxónicos… tudo dito!
“Um amor em tempos de guerra”, Júlio Magalhães – isto dos pivots acharem que são escritores, ainda acaba mal… recomendo antes o plagiado “Amor em tempos de cólera” do GGM, esse sim é um escritor a sério!
“[título não percebido]”, Francisco Moita Flores – quem?
“[um título qualquer]”, Nick Hornby – uma bimba com melhor gosto… ajuda a confirmar a regra.
“A Ilha”, Victoria Hislop – fui ver na Amazon, passa-se numa antiga colónia de leprosos… não se arranja um destino mais macabro?
A minha leitura de férias (modo-arrogante-sou-tão-melhor-que-os-bimbos): “Money” by Martin Amis – um grande, grande, clássico de 1984 que nunca tinha lido; Nova Iorque na década da decadência e Londres no fim da era punk; sexo, drogas e um pouco de rock-n-roll, q.b.; egocentrismo a roçar o extremismo; pós-modernismo capitalista; o fascínio pela “princesa” Diana antes do casamento real… condimentos mais que suficientes para uma Grande história.
Retomo o MEC numa crónica “ante-pós-modernismo” (i.e., mais ou menos do tempo do Grande clássico) que li há muitos anos atrás, no monte-branco – que já não existe – ali na Arrábida:
De todo o tempo que perdem os portugueses, não há eternidade como o tempo que perdem a não ler. Durante o Verão, o país enche-se de turistas estrangeiros e quase todos – seja na praia, seja no hotel – andam quase permanentemente com um livro na mão. Esta estranha proclividade deixa o português perplexo: Estes bifes são todos malucos – pagam um balúrdio para cá virem e depois, em vez de aproveitarem, passam o tempo todo a ler… até usam os livros abertos para marcar lugares!”
É o facto cultural mais assustador de todos – os portugueses não lêem livros. Em nenhum outro país da Europa é tão raro ver alguém a ler um livro em público. Causa genuína aflição vê-los a não ler. Na praia, nas salas de espera, nos comboios, enquanto almoçam sozinhos, nos cafés… em toda a parte se vê uma população atarefadamente dedicada à actividade de não-ler. Porque é que não aproveitam estes tempos mortos?
Não se sabe. Uma das causas será o facto de o português ter horror à solidão. Esteja onde estiver, e por muito entediada que seja a sua condição, o português prefere estar a olhar para os outros – os tais que, por sua vez (e em vez de estar a ler), estão a olhar para ele. O português tem medo de se mergulhar num livro, porque isso significa que deixa de estar à coca. Não pode estar em lado nenhum sem sentir que está de serviço, a controlar a situação. Olha os que entram, os que saem; os que ficam, os que voam e fazem “Bzzz…”. Nem é só por bisbilhotice – é por desconfiança. Não pegam num livro porque têm medo de apanhar uma paulada nas costas enquanto estão distraídos. Para um português, ler é estar desprevenido.
Os preconceitos contra a leitura são terríveis. Entre o povo, diz-se que faz mal à digestão ler a seguir ao almoço ou ao jantar.
Existe também a noção grosseira de que ler “cansa a vista”, porque “faz mal puxar muito pela cabeça”. O típico brutamontes defende-se destas acusações dizendo que “ando a trabalhar todo o dia e, quando chego a casa, é para descansar, não é para ler”. A realidade é triste, mas tem de ser revelada: o português prefere cansar-se a trabalhar (e lembremo-nos que tem a capacidade singular de cansar-se muito a trabalhar pouco) ao descanso que seria ele ler. Resiste aos livros como aos castelhanos.
Inexperiência! Aí está a raiz do mal. Viver é experimentar, enquanto ler é deixar de viver. É por isso que, nos lugares públicos, preferem passar o tempo a viver – a ver a vida dos outros. No fundo, os portugueses querem saber o que se passa, mais do que querem, através da leitura de livros, passar a saber. Se lêem jornais, é com esta mesma intenção de “saber o que se passa”- folhear as páginas é como estar fechado num café ainda maior.
Têm medo de entrar nas livrarias, que pensam serem só para intelectuais, segundo a definição corrente de “intelectual” – alguém que lê um livro de vez em quando, por estrita obrigação profissional. Preferem receber os livros pelo correio, num invólucro castanho, como outros povos encomendam publicações pornográficas e clandestinas. Livros esses que não são geralmente para ler, mas para ver, e chamam-se quase sempre “Os animais da Terra”.
Em contrapartida, não há português que não escreva. O português é uma criatura maravilhosa – assim como fala, mas não ouve; escreve, mas não lê. Uma das consequências deste desnível entre quem escreve e quem lê é o seguinte: em Portugal há somente quarenta leitores para cada trinta mil autores. Não há nada mais fácil, hoje em dia, que escrever um livro e publicá-lo. E nada mais difícil que achar alguém que o compre e que o leia.
É um círculo vicioso. Como os que escrevem não lêem, não escrevem muito bem. E como, de qualquer modo, não há quem os leia, ainda escrevem pior. É por isso que tantos escritores produzem livros absolutamente ilegíveis.
A tranquilidade necessária à leitura (que nem é assim tanta) não parece abundar no nosso povo. Dizem que o povo é sereno, mas um polvo com epilepsia é mais. Nas salas de espera, passam horas a folhear revistas velhas a um ritmo alucinante, como se estivessem a tentar criar um efeito televisivo de animação com os bonecos. Curiosamente, os analfabetos ainda são os que mais se interessam pela leitura propriamente dita. Como não sabem ler, os livros têm para eles um mistério e uma dignidade que só os bons leitores ainda lhes atribuem.
E pronto, passados muitos anos, os factos já não são exactamente assim, mas as leituras de verão dos portugueses são no mínimo assustadoras (as dos outros e a minha)!
Tuesday, August 17, 2010
O silêncio
O melhor silêncio é o que se ouve quando se encontra uma praia com um areal gigante deserto de gente. Tranquilidade absoluta acompanhada pelo som do mar. Adormeço profundamente, sob a protecção de pequenas nuvens, e sonho contigo. Esta poderia ter sido a nossa praia. O teu silêncio é o pior e magoa-me muito.
Monday, August 16, 2010
Diálogo (dos alternativos)
Ela - ...
Eu - O que se passa, miúda?
Ela - Ricardo, já não sei o que fazer com todo esse teu amor...
Eu - Toma-o, e corresponde-me com um daqueles abraços.
…ou então urbanista
Sou só eu que acho Lisboa tão mais agradável nestas semanas de Agosto em que a turba se muda quase toda para sul? (ou para Maiorca que parece estar na moda e em conta)
É que esta cidade seria ainda mais bela se houvesse sempre pouca gente, menos carros, filas diminutas e muita qualidade de vida. E pergunta o consultor, porque raio não “deslocalizam”, de vez, os jobs desta gentinha para o “Allgarve”?
Sunday, August 15, 2010
a noite
Passo a noite entre amigos no “hotspot” de Lisboa. Amigos daqueles que sei nunca me vão esquecer, por mais tempo que passe – dizem que faz bem, nesta situação. Um deles, espanhol, conta-me que projectou o aeroporto das Bahamas, parte do T5 de Heathrow e um estádio de criquet, na Índia para 55 mil pessoas. Invejo-o, porque já criou coisas concretas – eu devia mesmo ter sido arquitecto. Depois de 4 vodka-tónicos, acho que já não me vou lembrar de ti, mas afinal continuas a encher-me o pensamento.
Friday, August 13, 2010
Ghardaia
Naquele dia, há cerca de 1 ano atrás, chegámos cedo ao Meco e alugámos uma palhota na 1ª linha. Ao contrário de hoje, não fazia vento. Emprestaste-me o “No teu deserto” que eu devorei em 3 horas, mesmo fazendo intervalos de tempos a tempos para conversar contigo. Partilhámos uma sangria enquanto eu te falava de Ghardaia e Le Corbusier. Quando terminei o livro, disse-te por palavras suaves e escolhidas que necessitava de voltar a amar. Tu não me quiseste entender e desfizeste a conversa, dizendo-me com lágrimas nos olhos que talvez se tratasse de uma fase. Não era assim. Amanhã, partes para o Nepal e eu só espero que já não me leves contigo, porque sei o que isso dói. Eu por mim, também partia, já amanhã, para Ghardaia.
Thursday, August 12, 2010
wish upon a star
Recebo duas mensagens iguais através do Facebook: "Na noite de 12 para 13 de agosto, dezenas de estrelas cadentes por hora podem ser vistas a olho nú ;) Boa sorte!"
Já tinha visto duas e pedido os respectivos desejos, será que estou a abusar!?
The day I decided to write the novel | 34º Celsius cooking my brain
So Rick and Kate have been in love for quite some time. They look like English characters in a French movie. Some shyness on the first scenes, too much perfection in the middle chapters, a lot of drama by the last ones. An extraordinary soundtrack, rightly chosen among indie musicians. Deep feelings all over the screenplay. Dialogs written in strong words, an exchange of thoughts hard to understand. They met on a spring night, fell on each-other’s arms on a park bench, made love in the sweetest way every time. They held hands in small concerts, beautiful theatre plays and while walking through the narrow streets of their city. They embarked on a dream of togetherness and seemed ready to change some of their deepest convictions, in a way that would impress their souls, making sense of one another even throughout the periods they were apart. Then Rick’s senseless personality surfaced and he made the wrong moves, mistook his lines and remained silent when he should not. It scared Kate and made her loose faith. Time, that unbeatable foe, passed very slowly, while they were together no more, although still remembering the sweet taste of the good times. And nowadays, they find themselves a world apart. Rick still deeply in love, not wanting to give that feeling up, and strangely betting on the possibilities. Kate only seeing herself getting even more hurt, and imagining him as he really is not. Time passing doesn’t seem to help these two, even if there is still a lot of film to shoot further scenes.
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