Sunday, November 14, 2010

Interminável

Ouvia a música inconfundível enquanto abria a porta. Encontrava-a deitada no sofá com as pernas atiradas para cima do encosto dos braços e os longos cabelos espraiados sobre uma almofada, a sua posição favorita para relaxar. Ela recebia-o com um sorriso rasgado e mágico e dizia-lhe:

- “Olá meu querido! Como foi o teu dia?”

Ele ficava parado por um momento, dois segundos, a fixá-la com os olhos semi-cerrados, observando-a fascinado, como que a querer guardar mais aquela imagem nas “polaroids” daquela vida a dois, enquanto sentia o seu próprio sorriso a abrir-se, encantado.

- “Deslumbrante… os meus dias são sempre deslumbrantes, quando te encontro assim.”

Descalçava os sapatos e pendurava o casaco no encosto de uma cadeira e dirigia-se ao sofá, sentando-se cuidadosamente para substituir a almofada em que ela se encostava. Passava-lhe carinhosamente as mãos pelos cabelos, estendendo-os sobre o seu regaço. Enquanto ela fechava os olhos de contentamento, falava-lhe baixinho:

- “Estavas a ouvir as nossas músicas…”

E ela:

- “Sim, estava aqui a pensar em ti, à espera que chegasses. Já te sentia saudades…”

Ficavam assim longos minutos a ouvir a música e a desfrutar da companhia um do outro. Ele movendo os dedos por entre os cabelos dela em cafunés doces e intermináveis.

I see you out sometimes by coincidence
Been reading about you, I know where you've been
You don't know how much I liked you and I think of you
So much to tell you, to fill you in
Where you go is where I want to be
Wherever you go is where I want to be
I wonder if it's right to call you a friend
I remember your eyes, they made me way too late
Now if I'm standing at a party waiting for the train
I know you're out there, can't wait till we meet again
Where you go is where I want to be
Wherever you go is where I want to be
Where you go is where I want to be
Wherever you go is where I want you to lead me, to lead me
So much to tell you, I have to find you
It's time I see you, I wish we were alone
And it was late at night, I met you at a party
It was a crowded room, I couldn't hear you talking
You tried to hold my hand and then you left without me
But don't you know that where you go is where I want to be



A música chegava ao fim e ela puxava-o pela gravata, devagarinho, fazendo-o curvar-se para o poder beijar e afagando-lhe o cabelo junto à nuca enquanto os lábios se encontravam.

- “O que queres fazer hoje? Saímos para jantar ou pedimos para entregar?”

- “Humm, ainda é cedo. Se te apetecer tomo um banho enquanto tu pões aquele teu vestido preto e os teus brincos, e saímos para jantar num sítio giro”

- “Sim, apetece-me sair. Mas conduzes tu.”

- “Miúda, tu estás relaxadinha, conduzias tu e íamos a um daqueles com valet-parking…”

- “És um preguiçoso, e eu faço-te as vontades… só mais uma música”

Do you think (When you know you know it)
If we could go back in time (When you know you know it)
Do you think (Listen now, listen now)
That I'd like you then (I will look for you there)

Would you try (when you see, you see it)
Not to be so mean (when you see, you see it)
And we'd ne- (Won't be long, it won't be long)
-ver just be friends (I will wait for you there)

Do you think (When you know you know it)
If we could go back in time (When you know you know it)
Do you think (Listen now, listen now)
That I liked you there (I will look for you there)

Won't you try (when you see, you see it)
Not to be so mean (when you see, you see it)
And we're now (Won't be long, it won't be long)
For just be friends (I will wait for you there)

There are times that I
Felt that this was right
There are times that I
Felt that this was right

Why do you think
This will never work
Why do you think
This will never work

There are times that I
Felt that this was right
There are times that I
Felt that this was right

Why do you think
This will never work
Why do you think
This will never work



Então, ela abria os olhos para lhe dizer:

- “Ainda bem que isto nos passou…”

E ele voltava a inclinar-se, elevando-a para si, para a beijar. Voltava a colocar-lhe a almofada confortável por debaixo da cabeça e a espraiar-lhe os cabelos, enquanto se erguia do sofá, ainda com o sorriso encantado.

Na fase do apetecível (corrigido)

Na fase do apetecível, o fácil é encontrar miúdas giras que nos deixam interessados. O difícil é ficar com a mulher brilhante que nos desperta para a vida.

Saturday, November 13, 2010

Na festa do moinho

Tinha 16 anos e apaixonou-se. Sabia que era apenas e só uma daquelas paixões fúteis de verão mas ainda assim achou que valia a pena arriscar. Na festa do moinho, agarrou-a pela mão e levou-a para um local sossegado. Declarou-se e viu que os olhos dela se lhe abriam e que não era por causa da lua cheia. Gostou daquela luz reflectida nos olhos dela e beijou-a com paixão. Ela correspondeu e depois, só depois, hesitou. Disse-lhe que não e de repente a lua escureceu. Ele não disse mais nada. Saiu a correr pelo monte abaixo na companhia de um amigo daquelas férias. Voltou para o que era seu, no final daquele verão.

My Nighttime Saving Time

A alegoria da isenção de horário é magnífica. Dois dias consecutivos com reuniões às 9h da manhã dão-me cabo do circuito. Gosto tanto mais de sair de casa no 2º turno. De não ter que “apanhar” o trânsito dos pais que deixam as crianças na escola às 8 e tal. De não ter que “gramar” as filas de trânsito dos que têm que entrar a horas para “picar o ponto”. Não fui feito para profissões de horário fixo. Não gosto de me sentir preso pela pressão do relógio logo pela manhã. Não gosto de me sentir farto do que ainda tenho para fazer quando chegam as 6 da tarde, quando meia Lisboa se encaixota nos carros em direcção a casa. Gosto das noites longas, dos jantares tardios, tipicamente latinos, e da sensação de que o dia não termina logo quando o sol se põe. Gosto do meridiano mediterrânico em que o bom das noites dura para lá da meia-noite, passado à conversa, a ler um livro ou a escrever. Não gosto de chegar a esta hora a sentir-me com o sono de quem despertou antes das 8. Gosto de persianas corridas que filtram os primeiros raios de sol. Gosto de acordar com vontade e não por obrigação. Gosto de me deitar tarde porque, então, me apetece.

Friday, November 12, 2010

A minha Secretária intelectual

Fui ao teatro e encontrei a minha Secretária com o namorado. Era uma peça para a intelligentsia, profunda, mesmo se encenada de forma descontraída e propositadamente embriagada (eu às tantas já desconfiava se os actores bebiam mesmo vodka...). Quem diria? A minha Secretária, ruiva natural (??? – os homens nunca sabem realmente a verdade sobre estas coisas), de olho azul (bom, ainda assim não faz jus à Christina Hendricks) e simpática, para além de eficiente – quando está para aí virada –, é uma intelectual. Gosto disto!

Wednesday, November 10, 2010

Para quê?

Para quê questionar? Para quê duvidar? Ele era um miúdo maravilhoso, capaz de a fazer sonhar. Perfeito? Não, claro que não. A perfeição só existe no mundo das estátuas e a maior parte das realmente perfeitas são do tempo dos clássicos. Ele também era um clássico, imperfeito é certo, mas dos bons. Mais tarde ou mais cedo toda a gente gosta, a sério, dos clássicos, nem que seja pelo efeito da idade. Bom rapaz, pleno de vontade, perfeito no olhar. Convicto e absolutamente convencido. Então, para quê questionar? Para quê pesar tanto os contras se também existem os prós? Para quê insistir em achar que não, quando sim, a felicidade mora a dois passos de distância. Mesmo...

Antecipar alternativo (porque o subconsciente não deixa de procurar o caminho)

Queria muito abraçá-lo mas ia resistir. Vinha investindo demasiado tempo, demasiado sofrimento, para agora deitar tudo a perder. Obstinada, sentou-se ao seu lado e olhou-o sem profundidade e com pouca vontade:

- Diz-me, o que pensas quando me lês?

- Eu? Eu já perdi completamente a capacidade de te interpretar. Sinto-me um índio perdido no meio do mato, incapaz de regressar a casa apesar dos sinais. Tu escreves “cair” e eu penso nas miúdas. Tu escreves Março e eu penso no “clique”. Tu escreves sobre fragrâncias e eu vou ver os compostos do meu perfume – e estão lá. É estranho e é ambivalente – eu não gosto de não perceber os significados. Não consigo interpretar-te e isso aborrece-me. 

Tuesday, November 9, 2010

Do concerto

Foi deslumbrante. Já me tinham dito que o homem, apesar de Belga e excêntrico, cola as mãos ao piano com uma intensidade que torna a música única.
E ao intervalo, encontrei-o. Creio que já o esperava, que já o sabia. Foi ele quem me ensinou a gostar daquelas melodias. Foi ele quem assumiu o papel de irmão mais velho, fazendo de mim o irmão mais novo que não tem. Era ele quem nas férias de verão punha as clássicas a tocar na Marantz quando acordávamos, tarde, de mais uma noite de borga, abrindo a janela para as vinhas que faziam crescer as uvas ao som daqueles acordes vespertinos. Era ele quem me assaltava as prateleiras de livros bons, da mesma forma que eu assaltava as dele. Temos tantos livros trocados, os meus em casa dele, os dele na minha que por vezes penso no significado verdadeiro da palavra influenciar. Gosto disso. Gosto de conhecer bem as pessoas que me marcam a vida, da dedicação que foram capazes de colocar em mostrar, apresentar, indicar, as coisas boas que a minha vida tem. E ele estava ali sozinho, recém-separado e meio macambúzio, deixando-me triste por não o ter convidado, a ele, para me fazer companhia no concerto:
- Estás a gostar?
- Muito!
- Magnífico, não?
- Sim, e a Tatiana – ou Tatjana –, a violinista: hipnótica.
- Sim, já o tinha visto aqui em 2005 e este está a ser ainda melhor.

Monday, November 8, 2010

Calzedonia

Entra-me no carro e reclama com a música que estou a ouvir: “Ricardo, essa música é deprimente”. E eu respondo-lhe que não, que é o Concerto para saxofone e violoncelo do Michael Nyman, que pode até ter umas partes tristes, mas que acaba em Allegro crescendo e que quem está a tocar é “só” o Julian Lloyd Webber.
Deprimentes ou deprimidos são os portugueses que param para observar minuciosamente cada batida de carros provocada pela chuva que cai, entupindo o trânsito à nossa frente. Deprimentes são os nossos governantes incapazes de controlar a situação a que os mercados acham que o país chegou. Deprimente é o Benfica levar uma goleada das sérias, sabendo que isso vai afectar metade do povo cá do rectângulo. Deprimentes são os jornalistas que não dão uso à boa cortiça nacional para enfiarem umas belas rolhas pelas bocas, insistindo em debitar notícias negativas e em perseguir mais um desgraçado de um funcionário público que teve o azar de se destacar e merecer um aumento em ano de apertar o cinto.
E depois chego a casa e na televisão passa este anúncio deslumbrante, cheio de vida, da Calzedonia (Calzedonia - Speriamo che sia femmina) e pergunto-me porque é que nestas alturas de depressão colectiva ninguém se lembra do importante que são as imagens boas do “West Coast of Europe”, do “Wonderful Portugal” ou do “Vá para fora cá dentro”.

Sunday, November 7, 2010

o banzé

Estes dias em que durmo até tarde e sonho contigo (connosco) horas a fio são um banzé. Sentir-te assim tão intensamente próxima, como se estivesses mesmo ao meu lado, é um banzé dos grandes. E quando acordo, tenho o cabelo comprido todo espetado como o do meu cartoon favorito.

Saturday, November 6, 2010

O schmuck em “A Woman to Love”

“Yes, honey. The schmuck, who deserves to die, worries about you. Sometimes worrying about you feels like a full-time job.”
- Jack Nicholson – brilhante, como só ele sabe

a Muralha

Mesmo depois de afirmar que não acreditava em muros, construiu uma Muralha. Uma Muralha mesmo grande, daquelas com “M” grande e com a largueza da Muralha da China. Fechou-se do lado de lá, do lado do Reino do Meio. Apesar de dizer que não gostava, foi lá que se refugiou, deixando-o do lado de cá. Do lado de cá das pedras intransponíveis, mesmo para um David Copperfield (foleiro) desesperado pela Claudia Schiffer (gira, mas kitsch). Deixou-o perdido por tempo indeterminado, sem saber nada mais do que a ilusão do que ainda sonhava, com ela.

(David Copperfield Going Through Great Wall of China Revealed - um bocadinho seca, mas sempre dá ver como se cria uma ilusão.)

Nick Hornby’s top-lists-technique – Japoneses em Lisboa

Depois de completar a ronda pelas novidades que este ano trouxe, temos:
1. Suntory
2. Sushi Bar @ Bica do Sapato
3. Yakuza
4. Assuka
5. SushiRio
Fora da lista mas dignos de menção ficam: Clube do Sushi, Café Sushi e Origami.
O melhor na categoria Oriental-degustação (definitivamente, a novidade do ano): Umai
O melhor (pra' sempre?) na categoria Oriental-noodles-descontraído: New Wok

Thursday, November 4, 2010

Ainda o brilho complicado e complexo das mulheres

Não sei se é efeito deste início de pequeno Verão de São Martinho em que depois do fim-de-semana de chuva copiosa parece que toda a gente decidiu sair da toca, mas estes últimos dias têm sido um manancial de reencontros. Será também por causa do avançar da idade, eu gosto cada vez mais de reencontros do que de encontros, definitivamente.
Saí para jantar e reencontrei a R. que para quase todos os homens que conheço e a conhecem a ela é sinónimo de “a mulher perfeita”. Bonita, bem-disposta, com neurónio e bem sucedida, tem aquele brilho suave e encantador de miúda que foi capaz de ultrapassar todos os obstáculos da vida e conseguir o que sempre quis. Admiro-a por isto tudo e também porque consegue ser, honestamente, simpática com todos, como só as miúdas do norte. Mas (nestas reflexões sobre o alheio, há sempre um “mas”) eu que a conheço bem e que durante largos meses com ela privei, dia após dia, sei que lá por dentro é uma complicada das fortes. Um dia chegará a CEO de uma qualquer grande empresa, porque tem “garra” para isso e, provavelmente, até será casuisticamente feliz com o, por agora, namorado que por acaso também é meu conhecido, por intermédio de um amigo em comum que recordo me costumava dizer “complicado, nada é complicado, quando muito complexo... complicadas são as mulheres!”.
(Nota: este post está no mínimo confuso mas não me apetece desfazer o novelo)
De volta ao bom dos reencontros, a parte singular destes é que nos trazem sempre à memória o encontro anterior. Da última vez que tinha visto a R., ela estava no meio de uma multidão, numa espécie de concerto, e eu, naquela noite, estava tão próximo da felicidade suprema, tão próximo do apaixonado absoluto, absolutamente convicto do meu amor por uma miúda verdadeiramente complexa e que me sabia derreter com a sua complexidade brilhante, que me lembro de ao ver aquela “mulher perfeita”, para todos os outros, me ter apanhado num pensamento paralelo e linear a concluir que o encanto das mulheres depende mesmo do grau do complexo e não do complicado.

Monday, November 1, 2010

mar de prata

Mais um almoço de domingo junto ao rio, com os progenitores e uma prima. Dia de chuva, sem regatas. Na mesa ao lado, senta-se uma miúda loira e gira, muito gira mesmo, alta e com um corpo fabuloso, tão afirmativa que chega a ser provocadora. Mas falta-lhe o charme, falta-lhe o brilho, na realidade falta-lhe quase tudo. E eu dou por mim a olhar o rio marcado pelo sol, um mar de prata, e a concluir que nem tudo o que reluz é ouro.

Saturday, October 30, 2010

do outro lado do mundo

Enquanto ela acordava lá, adiantada, ele adormecia, tardiamente, do lado de cá. Entre o final da noite e o início do dia, marcados pelo girar do sol em volta do berlinde perdido, encontravam-se no pensamento. Lá, como cá, fazia frio, uma temperatura pouco agradável para a conjectura do que eram, um para o outro. Cá, como lá, com toda aquela distância de permeio, a vontade de serem mais. Lá e cá, o desejo de que tudo esteja bem, do outro lado do mundo.

Thursday, October 28, 2010

Mad Women

As miúdas da agência de publicidade que sobem comigo no elevador, em cada manhã, começam por ter um ar fresquinho e bem-disposto. Parecem confiantes e cheias de vontade de acontecer. Regra geral, nesta fase, dizem-me “bom dia” com um sorriso simpático e (eu acho que) pensam: “Olha, que executivo engraçado!”
Um mês passado já têm um ar um bocadinho desgrenhado e nota-se que vão quase sempre agarradas ao Blackberry com ar preocupado e nervosamente atrasadas para qualquer coisa. Já não há cá “bom dia” para ninguém.
Quando as volto a encontrar, ocasionalmente, vários meses depois, apresentam-se com um ar gasto, olheiras despreocupadas e involuntariamente mal-encaradas. Qual “bom dia”, qual quê!
Depois desaparecem subitamente e para sempre, deixando-se substituir por outras em algum dos estágios anteriores. O mundo da publicidade criativa deve ser tramado e com altos índices de rotação.


melhor

Gosto do conceito “Best of”. Aprendi ainda miúdo que é importante distinguirmos o melhor da vida do “assim-assim”, sem os confundir. O “Best of” não tem que ser único ou inequívoco, seria triste se assim fosse, e depende, obrigatoriamente, do estado de espírito e do estágio da vida em que nos encontramos. Há momentos próprios para cada “Best of” e por isto mesmo é-nos possível marcar vários “Best of” que são mesmo do melhor. Hoje, apeteceu-me marcar os “Best of” deste blog, correlacionados com esta vida, ali ao lado – nos labels.

Wednesday, October 27, 2010

excertos #7

12

Clavo mi remo en el agua
llevo tu remo en el mío.
Creo que he visto una luz
al otro lado del río.

- Jorge Drexler en "Al Otro Lado del Río"


Saio para a noite de Lisboa com o Tomás e o Guilherme – já não fazia isto há tanto tempo que me parece estranho. Apesar do cabelo demasiado curto, vale-me o bronzeado notável e a boa forma física para ganhar confiança. O “spot” esta noite está “hot”. Miúdas giras, também bronzeadas, com ares saudáveis – vantagens do verão. Nós os três temos bom ar, apesar das idades acumuladas. Comentamos que em somatório, perfazemos 106 anos – já fazíamos um velhote rígido a desafiar a cova, mas dividido em três dá no charme dos trinta-e-alguns com estilos diversos. Um quase careca, o outro com muita barriga, e eu, bem, ainda “bem conservado” – que trio… As miúdas dos vinte-e-poucos reparam, as miúdas dos vinte-e-muitos aos quarenta-e-qualquer-coisa, vê-se que gostam. Nós comentamos as que passam – os homens nestas coisas conseguem ser realmente parvos. Deveras.
Rodadas de bebidas brancas, pedidas à vez aos miúdos, demasiado jovens, atrás do balcão. Surgem caras conhecidas, trocam-se dedos de conversa e algumas apresentações. Troco olhares com uma morena gira com o cabelo preso atrás que deixa ver uns brincos com estilo. Sinto-me bem e arrisco meter conversa. Ela está com uma amiga, que fica meio pendurada, enquanto eu lhe falo ao ouvido. Cheira bem, o que é sempre um bom princípio, e sorri com o que lhe digo – conversa fiada. Pergunto-lhes se querem juntar-se a nós e elas dizem que sim. Passamos às apresentações, a morena chama-se Cláudia e a amiga Rute, comentam que é a primeira vez que ali vão e que depois seguem para o Lusaka. Ah, o Lusaka… há 10 anos atrás era uma varanda de encontros. Contamos-lhes a história, gasta, de quando eu e o meu amigo, agora quase careca, entrávamos pela porta da direita porque achavam que éramos gays. Elas acham-nos graça e a amiga da morena, pispirreta, pergunta se o éramos mesmo. A conversa flui ao sabor das parvoíces que saem naturalmente quando tudo parecem possibilidades. Para acompanhar a situação, o DJ passa uma música que diz “…so tell the girls that I’m back in town”.
E então, do nada, para me deixar sem refúgio, vejo-a. É mesmo ela, com os amigos que lhe conheço e apresso-me para sair dali, quase a correr para não a reencontrar.

Lógica singular (post de gaja!)

A vantagem de não estarmos juntos é não te sentir mais (tanto) a falta quando vais de viagem. De outra forma, terias mesmo que me levar junto com a tua mala (sim, eu pagaria pelo excesso de bagagem).