Recebe-me com o distanciamento próprio de quem tornou cativo o sorriso. Faz magia com chá quente e china ao quadrado. Adormece sobre o meu peito, a meio dos meus filmes em idioma teutónico. É capaz de dormir tranquila apesar do meu riso. Enche-me as camisolas da substância branca que nos limita o encontro dos lábios. Enrosca-se nos meus braços com pequenas carícias nas mãos. Gosta de me sentir quente contra o seu corpo. Deixa-me com vontade de escrever, mais uma vez. Acho que já me topou: por isto, por estas pequenas sensações, estou disposto a investir horas de sono.
Wednesday, February 9, 2011
Tuesday, February 8, 2011
o fotógrafo com vontade de escrever
Tira-te fotografias deliciosas para guardar na mente. Surpreende-se com as linhas que deitas cá para fora, espontaneamente. Apetece-lhe alargar a noite continuamente quando te sente a adormecer, aconchegada. Quem foi quem disse que a primavera não chega em Fevereiro?
Monday, February 7, 2011
let’s make spring together...
Com o teu cheiro colado à minha pele em sintonia perfeita e uma vontade imensa de te tratar dos lábios secos, só me ocorre um jogo de palavras: let’s make spring together...
Sunday, February 6, 2011
inércia
Há poucas coisas que me arreliam na vida – eu não sou de me zangar. A inércia é uma delas. Para mim, inércia não é bem a mesma coisa que preguiça, apesar do que diz o Priberam. Preguiça tem aquele sentido do tempo gozado, bem passado do “dolce fare niente”, positivo e prazenteiro. Isso, eu suporto – até sou capaz de gostar. O que não suporto são pessoas inertes, sem vontade de se mexerem, incapazes de decidir – como se tivessem os neurónios presos num baraço –, para quem o fácil é deixarem-se arrastar – que também não é bem a mesma coisa que deixar-se levar. Dou-lhes o desconto todo – sou bom nisto – a conjuntura, as preocupações terrenas, o cansaço acumulado, o frio da noite… o que quiserem, mas não me deixem a falar sozinho. É que tenho mais o que fazer, onde ir e com quem estar. Não “tirei” a noite para os aturar, assim.
Friday, February 4, 2011
o contraponto
Fez umas gravações para a televisão a precisar de ponto porque as frases não lhe saiam como queria. (camisa às riscas para baralhar!? ...a rolar ...acção ...corta ...acção ...corta ...já está)
Tomou um duche quente, custando-lhe o acordar. (água com pouca pressão)
Combinou um ovo mexido em manteiga com atum em lata. (não gostou... empanturrou-se com batatas fritas do pacote)
Assinou meia dúzia de missivas completando o legado. (caneta de tinta permanente a ameaçar ficar sem tinta)
Desceu no elevador compondo o cabelo com a mão. (mensagem no telemóvel: Tem um cachecol muita giro :p)
Petrificou a equipa num discurso correcto. (mensagem no telemóvel: Muitos muitos parabéns... Ainda a digerir :-)
Quase atropelou um miúdo esgrouviado na passadeira. (pálpebras a pesar)
Tomou um duche quente, custando-lhe o acordar. (água com pouca pressão)
Combinou um ovo mexido em manteiga com atum em lata. (não gostou... empanturrou-se com batatas fritas do pacote)
Assinou meia dúzia de missivas completando o legado. (caneta de tinta permanente a ameaçar ficar sem tinta)
Desceu no elevador compondo o cabelo com a mão. (mensagem no telemóvel: Tem um cachecol muita giro :p)
Petrificou a equipa num discurso correcto. (mensagem no telemóvel: Muitos muitos parabéns... Ainda a digerir :-)
Quase atropelou um miúdo esgrouviado na passadeira. (pálpebras a pesar)
ao nível do mar
Sentia sono mas apetecia-lhe o calor reconfortante do abraço, como quem sente o ar frio vindo do alto da montanha, projectado contra o nariz, e descobre que é capaz de respirar fundo para, em seguida, deitar cá para fora palavras sentidas, capazes de serem ouvidas na altitude e ao nível do mar.
Thursday, February 3, 2011
Wednesday, February 2, 2011
exacto
Eu, em estado cansado acumulado e melancólico, ponho-me a ler Fevereiro e já havia tanto ali, apesar de tudo o que estava por descobrir e do tanto que havia para mudar a minha vida.
Para o dilema as soluções são múltiplas, mais que muitas, o que importa é o resultado e esse é exacto.
Para o dilema as soluções são múltiplas, mais que muitas, o que importa é o resultado e esse é exacto.
Monday, January 31, 2011
music
E há esta música que foi a primeira do nosso concerto. Eu e tu descontraídos, tão encantados um com o outro. Oblívios a tudo o que nos rodeava. Absolutamente expectantes com o que o futuro, bom, nos reservava mas concentrados apenas no presente, de mãos dadas. Maravilhosos, eu e tu, miúda, muito tranquilos como só os amantes quando se começam a conhecer bem, alcançam. E eu, miúda, quando ouço esta música, desejo tanto que tivéssemos uma fotografia das nossas expressões apaixonadas, para hoje retomarmos o que é inexplicavelmente nosso.
Don't tell me
It's another likely story
Could've pinned it on you from the start
Well I’m new here
Doesn't mean I have to answer
Silly questions or a shot in the dark
You know I’m a child
I keep this alive
It gets harder
I remember to remember
Waking up again all over again
If there's an echo
Repeat days I’d likely let go
And be the changes we are noticing
When we're running wild
We keep this alive
Still I wonder
Sights around us fade and underneath
The ground shakes, things fall apart
And no other than the voice of one another
Keeps us safely moving on in the dark
You know I’m a child
I keep this alive
Don't tell me
It's another likely story
Could've pinned it on you from the start
Well I’m new here
Doesn't mean I have to answer
Silly questions or a shot in the dark
You know I’m a child
I keep this alive
It gets harder
I remember to remember
Waking up again all over again
If there's an echo
Repeat days I’d likely let go
And be the changes we are noticing
When we're running wild
We keep this alive
Still I wonder
Sights around us fade and underneath
The ground shakes, things fall apart
And no other than the voice of one another
Keeps us safely moving on in the dark
You know I’m a child
I keep this alive
Sunday, January 30, 2011
os meninos
No outro dia saí à rua, a seguir ao almoço, para fumar um cigarro junto às colunas, como nunca faço. E estava entretido a ver o meu próprio sorriso, narciso, reflectido nas portas de vidro do outro lado da rua, quando se aproxima um mendigo que quase sem voz me pergunta se lhe dava algo para ele comer. E eu penso para comigo que o mínimo que tenho são notas de 10 e digo-lhe que não. E observo-o pelo canto do olho a cirandar por ali e a receber mais “nãos” entre os fumadores habituais ou de ocasião. E passado um bocado, quando termino o meu cigarro, dou com ele a dialogar, já com a voz desperta, com o seu próprio reflexo numa outra porta de vidro, narciso: “… isto é só meninos, cheios de valores... Tivessem passado pelo mesmo que eu e logo viam…”. E lembrei-me da minha conversa fácil, de menino, de que não há crise nenhuma, e espetei-lhe com uma nota de 20 entre as mãos abertas em concha.
turbilhão
Tu sentes subitamente frio quando aterras na cidade e estão 6 graus.
Tu sentes-te triste quando a tua mãe te dá um abraço sentido para te informar que alguém partiu.
Tu sentes-te esquecido quando reencontras uma mulher que já tomaste como a miúda perfeita, há muitos anos atrás, e a confundes com a mãe dela.
Tu sentes-te revoltado quando observas os rostos dos que te são próximos marcados pelas lágrimas dos dias que passaram e não podes mais do que passar-lhes a mão pelos ombros caídos.
Tu sentes-te sem palavras quando o ouves a ler na missa com a voz trémula e sabes que para ele o ano que passou foi horribilis.
Tu sentes-te mal quando anuncias a novidade e uma amiga fica petrificada.
Tu sentes-te acordado quando sonhas com o jogo dos vossos corpos em movimentos feitos de uma intensidade perfeita.
Tu sentes-te impotente quando interpretam o teu sorriso quase sempre aberto como um efeito de deslumbramento.
Tu sentes-te confiante quando sabes que não tens a resposta mas que há sempre uma solução melhor.
Tu sentes-te triste quando a tua mãe te dá um abraço sentido para te informar que alguém partiu.
Tu sentes-te esquecido quando reencontras uma mulher que já tomaste como a miúda perfeita, há muitos anos atrás, e a confundes com a mãe dela.
Tu sentes-te revoltado quando observas os rostos dos que te são próximos marcados pelas lágrimas dos dias que passaram e não podes mais do que passar-lhes a mão pelos ombros caídos.
Tu sentes-te sem palavras quando o ouves a ler na missa com a voz trémula e sabes que para ele o ano que passou foi horribilis.
Tu sentes-te mal quando anuncias a novidade e uma amiga fica petrificada.
Tu sentes-te acordado quando sonhas com o jogo dos vossos corpos em movimentos feitos de uma intensidade perfeita.
Tu sentes-te impotente quando interpretam o teu sorriso quase sempre aberto como um efeito de deslumbramento.
Tu sentes-te confiante quando sabes que não tens a resposta mas que há sempre uma solução melhor.
a dupla dos verbos
Ele - Sabes, apetece-me ter uma relação “real” contigo.
Ela - Se pões as coisas assim, também quero querer isso...
Ela - Se pões as coisas assim, também quero querer isso...
Tuesday, January 25, 2011
Do amor e outros demónios
Não lhe chegava o desassossego do amor empolado pela distância, ainda tinha que despertar para uma insónia brutal a meio da noite.
Ligou a televisão e saiu-lhe o início de um bom filme que nunca tinha visto: “Before the devil knows you're dead” do Sidney Lumet.
Prendeu-o por mais de duas horas, à conta da história bem engendrada e do cliché da Marisa Tomei, mais uma diva de segurança para o que sabe bem.
Felizmente, amanhã é dia de aniversário do Tom Jobim, descobriu pelo Google.
Ligou a televisão e saiu-lhe o início de um bom filme que nunca tinha visto: “Before the devil knows you're dead” do Sidney Lumet.
Prendeu-o por mais de duas horas, à conta da história bem engendrada e do cliché da Marisa Tomei, mais uma diva de segurança para o que sabe bem.
Felizmente, amanhã é dia de aniversário do Tom Jobim, descobriu pelo Google.
Ah!, se eu pudesse te encontrar serena
Eu juro, pegaria sua mão pequena
E juntos vendo o mar
Dizendo aquilo tudo, quase sem falar
Eu juro, pegaria sua mão pequena
E juntos vendo o mar
Dizendo aquilo tudo, quase sem falar
Monday, January 24, 2011
a trovoada
De cada vez que desaba a trovoada com raios de luz sobre os arranha-céus, que tem sido muitas vezes nestes dias, lembro-me de ti a dizeres que gostas muito disto.
Sunday, January 23, 2011
do Facebook e o outro
Entre as opções só considero duas: o filme do Facebook e o outro. Com a minha tendência, pretensiosa, para o intelectual escolho o outro. É um filme fácil, com o Michael Douglas. O Michael começa a parecer-me um melhor actor – mas eu já vou no 5º whisky e entretanto troquei o Dewars pelo Glenfiddich –, para além das oportunidades que teve de contracenar com actrizes boas. Também entram o puto do Facebook e o Danny DeVito – porque será que os baixinhos gordos são sempre bem-humorados? O filme tem alguns silêncios estranhos que me fazem duvidar sobre o bom funcionamento dos auscultadores, mas a “cenas tantas” sai esta barbaridade ao Michael: “No one over forty is thick-thin really, trust me” – não se podem dizer estas coisas quando se contracena com a Marie-Louise Parker e eu próprio conheço quem desafie o postulado. Mas o bom do Michael, que faz um bom papel, óbvio e escorreito para lá da crise da meia-idade, é a conclusão que oferece ao puto do Facebook, referindo-se às mulheres: “sometimes you get a good one, they’re rare...”. (creio que é nesta cena que nós os homens choramos, se quiserem experimentar, levem-nos a ver “Solitary Man” – o filme em si não é nada de especial mas vale a pena na mesma)
as garotas e os saltos altos
Incrível como todas as garotas daqui se esforçam por esticar o pernão à custa dos saltos altos. Nem assim te chegam aos calcanhares porque tu és muito à frente.
Friday, January 21, 2011
chocalhar
Apesar da tentativa de anestesia com bom whisky, passei a noite a chocalhar debaixo de uma tormenta que não me deixou pregar o olho mais de 30 minutos seguidos. Para ajudar, chegado ao destino, entre o cansaço e o inóspito do verão, caiu-me uma trovoada bestial em cima, que ainda não decifrei se também é emocional. Preciso de descansar mas esta gente ainda quer ir chocalhar.
Thursday, January 20, 2011
o nosso complicómetro
Para mim, o melhor de viajar é a visão alargada do mundo que me entra forçosamente pelos olhos adentro. Hoje de manhã, vinha pespegado à janela do A319 e quando passámos as nuvens, logo à saída de Lisboa, dei por mim bafejado pelo sol nascente e quente sobre o meu rosto. Só por isso e pelo contraste deslumbrante das nuvens escuras lá em baixo, tive logo meia dúzia de ideias brilhantes para coisas que quero fazer, negócios milionários e textos para escrever. Entre os negócios, lembrei-me que talvez seja viável proporcionar voltinhas de avião em formato solário nas temporadas de Inverno: os ciclos no hemisfério Norte ou Sul asseguram facturação todo o ano; voar está cada vez mais barato; e apenas seria necessário investir numa fuselagem em plexiglass, mais umas cadeiras de respaldo e nuns guarda-sóis listados. Brilhante, eu sei (mais uma ideia de borla para quem lê o blog).
Agora, estou aqui em modo solitário no “lounge” do “home hub” da “flagship”, à espera do transatlântico (com esta palavra imagino sempre um grande navio, pr’aí do tamanho do Titanic, a atracar, quando na realidade o que se vê daqui são aviões a levantar). Entalado entre o buffet onde pairam duas tortillas de espécies diferentes mas que sabem igualmente a “patatas” e uma escolha demasiado abundante de Riojas já abertos à espera que eu me sirva (quando eu queria que alguém me servisse). O espaço (grande) está pejado de israelitas (suspeitosamente existem dois voos para Tel Aviv com diferença de 70 min…) que parecem todos da Mossad (devem ser colegas…) a arranharem o hebreu, enquanto olham para mim como se fosse a ovelha negra (talvez por ser o único que me vou meter no transatlântico de fato).
Voltando às ideias (feito o tributo aos agentes aqui do lado, por serem inovadores como poucos povos), nós os portugueses parece que ligámos)em definitivo o complicómetro:
- Há uns dias atrás, foi a cena das vacinas dos viajantes que supostamente passaram a ser pagas (há uns locais em que ainda não, porque não foram capazes de interpretar correctamente as novas regras), excepção feita (no reino do complicómetro, esta expressão é chave) a quem viaja em trabalho humanitário ou ao abrigo do interesse nacional (como se prova isso, ninguém pensou).
- Uns meses antes, foi a história da cobrança das portagens “sem custos” que, lá para o Norte, parece que resultou na procura da A3, porque essa se cobra da forma tradicional e sem a confusão das excepções às excepções das complicações.
- Hoje, a novidade (leio na imprensa nacional) é que os “veículos mais poluentes vão ser proibidos de entrar na Baixa de Lisboa” e eu pergunto-me se alguém no país do complicómetro pensou como vai controlar isso e o que vão fazer com os Mercedes 180 D importados da Turquia.
E pensar que este povo, modesto mas iluminado já foi capaz de feitos tão simples quanto plantar um pinhal a pensar no futuro ou lançar-se mar adentro sem destino conhecido.
Nesta altura já vou no meu terceiro whisky, para ajudar à digestão das “patatas” e ainda me falta 1 hora para o embarque no transatlântico, mas pelo menos vou dormir que nem um bebé (dos tranquilos).
Agora, estou aqui em modo solitário no “lounge” do “home hub” da “flagship”, à espera do transatlântico (com esta palavra imagino sempre um grande navio, pr’aí do tamanho do Titanic, a atracar, quando na realidade o que se vê daqui são aviões a levantar). Entalado entre o buffet onde pairam duas tortillas de espécies diferentes mas que sabem igualmente a “patatas” e uma escolha demasiado abundante de Riojas já abertos à espera que eu me sirva (quando eu queria que alguém me servisse). O espaço (grande) está pejado de israelitas (suspeitosamente existem dois voos para Tel Aviv com diferença de 70 min…) que parecem todos da Mossad (devem ser colegas…) a arranharem o hebreu, enquanto olham para mim como se fosse a ovelha negra (talvez por ser o único que me vou meter no transatlântico de fato).
Voltando às ideias (feito o tributo aos agentes aqui do lado, por serem inovadores como poucos povos), nós os portugueses parece que ligámos)em definitivo o complicómetro:
- Há uns dias atrás, foi a cena das vacinas dos viajantes que supostamente passaram a ser pagas (há uns locais em que ainda não, porque não foram capazes de interpretar correctamente as novas regras), excepção feita (no reino do complicómetro, esta expressão é chave) a quem viaja em trabalho humanitário ou ao abrigo do interesse nacional (como se prova isso, ninguém pensou).
- Uns meses antes, foi a história da cobrança das portagens “sem custos” que, lá para o Norte, parece que resultou na procura da A3, porque essa se cobra da forma tradicional e sem a confusão das excepções às excepções das complicações.
- Hoje, a novidade (leio na imprensa nacional) é que os “veículos mais poluentes vão ser proibidos de entrar na Baixa de Lisboa” e eu pergunto-me se alguém no país do complicómetro pensou como vai controlar isso e o que vão fazer com os Mercedes 180 D importados da Turquia.
E pensar que este povo, modesto mas iluminado já foi capaz de feitos tão simples quanto plantar um pinhal a pensar no futuro ou lançar-se mar adentro sem destino conhecido.
Nesta altura já vou no meu terceiro whisky, para ajudar à digestão das “patatas” e ainda me falta 1 hora para o embarque no transatlântico, mas pelo menos vou dormir que nem um bebé (dos tranquilos).
abraço sem profundidade
Combinámos encontro no estacionamento. À hora marcada telefonei-lhe e ela apareceu-me com dois sacos cheios de coisas minhas que foi acumulando: os livros de estudo para o gmat, uns quantos DVDs, mais alguns livros, um jogo de xadrez (bonito) que me ofereceu para as férias que fazíamos a dois, e o meu adaptador de tomadas internacionais, que era tudo o que eu lhe havia pedido. Dei-lhe um beijinho e pedi-lhe um abraço, que nos saiu sem profundidade. Começou a dizer "Ricardo, não te quero mal..." (e eu pensei: "right, porque havias de querer?"), ela ia continuar mas eu disse-lhe adeus. Enquanto nos afastávamos, concluí que não amei, a sério, muitas vezes.
Wednesday, January 19, 2011
as palavras com sentido ao acaso
Gosto muito disto. Descobri-o no outro dia e faz sentido. De estender a mão e abrir ao acaso um livro da prateleira – Brideshead Revisited (Evelyn Waugh), que era também aquela série muito adulta que me prendia à caixinha mágica, às terças-feiras (eu lembro-me), quando era miúdo:
This was the creature, neither child nor woman, that drove me through the dusk that spring evening, untroubled by love, taken aback by the power of her own beauty, hesitating on the cool edge of life; one who had suddenly found herself armed, unawares; the heroine of a fairy story turning over in her hands the magic ring; she had only to stroke it with her fingertips and whisper the charmed word, for the earth to open at her feet and belch forth her titanic servant, the fawning monster who would bring her whatever she asked, but bring it, perhaps, in unwelcome shape.
She had no interest in me that evening; the jinn rumbled below us uncalled; she lived apart in a little world, within a little world, the innermost of a system of concentric spheres, like the ivory balls laboriously carved in China; a little problem troubling her mind – little, as she saw it, in abstract terms and symbols. She was wondering, dispassionately and leagues distant from reality, whom she should love.
Muito bom. Muito “on the cool edge of life”.
This was the creature, neither child nor woman, that drove me through the dusk that spring evening, untroubled by love, taken aback by the power of her own beauty, hesitating on the cool edge of life; one who had suddenly found herself armed, unawares; the heroine of a fairy story turning over in her hands the magic ring; she had only to stroke it with her fingertips and whisper the charmed word, for the earth to open at her feet and belch forth her titanic servant, the fawning monster who would bring her whatever she asked, but bring it, perhaps, in unwelcome shape.
She had no interest in me that evening; the jinn rumbled below us uncalled; she lived apart in a little world, within a little world, the innermost of a system of concentric spheres, like the ivory balls laboriously carved in China; a little problem troubling her mind – little, as she saw it, in abstract terms and symbols. She was wondering, dispassionately and leagues distant from reality, whom she should love.
Muito bom. Muito “on the cool edge of life”.
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