Saturday, March 26, 2011

nas nuvens

Apetecem-me os superlativos e as hipérboles sem descontos. Isto tudo é tão único, tão especial, tão sensacional e bom, que só se descreve com composições inovadoras de palavras:
Hoje, ou ontem, emergimos nas nuvens.
Não “mergulhámos” nem “saímos das”, a forma correcta é “emergimos nas”, como quem alcança um novo estado, não antes descoberto e que se quer permanente. É então que as opções se transformam em soluções, muito concretas, e as listas se compõem por si, como se fizessem parte de uma partitura harmoniosa.
Quero aprender muito sobre as nuvens.

Thursday, March 17, 2011

filme redescoberto

E há esta cena em que o Brosnan descobre as costas da Russo – ou melhor, é ela quem descobre as costas para ele – num cenário de vista paradisíaca na Martinica, e eu lembro-me das tuas costas bonitas. Muito bonitas, mesmo.

Tuesday, March 15, 2011

a réplica ou "o podia ter sido assim"

Há pouco mais de um ano atrás a filha da Embaixadora da Noruega, uma espevitada chamada Inga que conhecera numa noite de verão, convidou-o para o tradicional jantar do corpo diplomático em Lisboa. Chegou atrasado e com o fato meio amarfanhado porque perdera o convite entre os tapetes do automóvel. Estacionara mal o dito, engavetado entre um Mini Cooper descapotável e um Jeep, mas pensando para os seus botões que era carro de miúda com estilo, deixara um papelinho com o telemóvel à vista na expectativa do contacto. Apesar de desalinhavado percorreu os salões em modo solene, encontrando Inga já meio-enfrascada em vodka, divertida em conversa com outros imberbes expatriados que a pareciam conhecer. Ela atirou-se para os seus braços, beijando-o muitas vezes nas faces, repetidamente e em doses ímpares, e fazendo questão de o apresentar a um Paolo, um Paco e a um Pierre, por demais fascinados com o corpo daquela miúda de metro e noventa de altura. Pediu um copo de vinho e afastou-se daquela azáfama, cumprimentando simpaticamente os convidados espalhados por aqui e acolá, entretidos com o sorteio para a quermesse. Ao longe, reparou na miúda de vestido bonito preto e escorreito, aprumado sobre um corpo clássico-magnífico, com uns longos cabelos louros bem penteados e prolongados sobre as costas. Observou-a cuidadosamente enquanto ela conversava com um grupo, afastando-se de tempos em tempos para “atacar” um prato de macarons cor-de-rosa plantado numa mesa próxima. Deleitou-se a ver o seu movimento, discreto, de vai-e-vem, entre os senhores a quem encantava com a conversa e a pratada de macarons de framboesa. Fixou o olhar intensamente, naquele ser absolutamente fantástico e na sua postura irrepreensível a devorar os macarons sem contemplações. E ela viu-o a observá-la mas não se fez rogada nem parou com o movimento fortuito do “assalto” aos macarons. Ele admirou-lhe a confiança e o à-vontade e soube, naquele instante, que queria conhecê-la, para o bem e para o mal. E quando a noite já ia alta, deviam ser para aí umas onze da noite, puseram música para dançar, um slow lento dos anos oitenta. Ela que o vira a observá-la muito tempo, aproximou-se sem contemplações e puxou-o para dançar. Passos firmes, agarrados um ao outro com dois graus de cumplicidade. E ele sentiu pela primeira vez a sensação única do amor que viria a ser seu. Não voltaria a perder-lhe o rasto, mesmo quando teve que imaginar a história feita de felicidade e aprender a esperar pela réplica.

Sunday, March 13, 2011

i'll try anything

Ten decisions shape your life,
you'll be aware of 5 about,
7 ways to go through school,
either you're noticed or left out,
7 ways to get ahead,
7 reasons to drop out,
when i said ' I can see me in your eyes',
you said 'I can see you in my bed',
that's not just friendship that's romance too,
you like music we can dance to...

Saturday, March 12, 2011

Público – informação numerológica

Pois, deve ter sido enquanto o Japão se movia 2,5 metros, o eixo da Terra se deslocava 25 centímetros e o tempo acelerava 1,6 microsegundos que eu me entretinha a provocar-te pequenos sismos quânticos à flor da pele, justamente naquele espaço único e bem-cheiroso, junto às cervicais, que (entre muitas outras coisas) faz de ti A Mulher para amar.

Wednesday, March 9, 2011

do que elas pensam (como prometido e comprometido)

Entregamo-nos. Somos capazes disso. Sabemos bem o que queremos e sabe-nos bem. Disso e de muito mais. Com certeza e com sentido. Com o sentido certo e com entusiasmo. Não há hesitações, não há complicações e não há compensações. Apesar do que elas pensam, são palavras novas num vocabulário alargado, com vontade de ser mais, maior do que antes. Vasto, mesmo se parece sem nexo. Descobre-se, gosta-se e sente-se. Entregamo-nos e é bom.

Tuesday, March 1, 2011

bloggers & stalkers

Para mim os blogs são do melhor que a Web nos trouxe. Não sou fã do Facebook e nunca experimentei o Twitter, ambos me parecem demasiado “entertainment” feito de frases curtas e ideias fúteis quando eu gosto de profundidade q.b.. Naturalmente, gosto do conceito da Wikipedia, e da facilidade que a Web trouxe no acesso às artes, em geral e à música, em particular – sou pouco ortodoxo no que respeita a isto, acho que o “verdadeiro artista” não se importa de ser pirateado desde que alargue a propagação e usufruto da obra, e os mesmo bons sobreviverão, i.e., ganharão muito dinheiro na mesma.
De volta aos blogs, há aqui nas redondezas quem escreva melhor que muitos ensaístas publicados, há quem fotografe mesmo bem e quem “componha” podcasts melhores que os DJs e radialistas profissionais. Destes gosto. Já não gosto dos que apostam no copy&paste do YouTube, dos blogs com música obrigatória nem daqueles que colam uma foto e insistem no pensamento “hoje acordei assim…”. Como em tudo na vida, trata-se de um 80-20. E infelizmente para os 20% que valem realmente a pena, existem os stalkers que decidem acordar com os primeiros dias de calor do ano. Não suporto anónimos, nem quem aqui vem sem ter nada para partilhar ou com sentido voyeurista, a esses apago-lhes os comentários (tenho mais o que fazer do que aprová-los). Dito e feito. De resto, recomendo vivamente isto, porque há por aqui pessoas engraçadas, mentes brilhantes e complexidades estimulantes.

Saturday, February 26, 2011

o febrão (não se trata de carne no churrasco)

Gosto do efeito que 2 graus de temperatura a mais provocam no meu neurónio. Pode ser cansativo mas o aumento na velocidade do processador revela-se sempre interessante. Neste estado, sonho mais, com algum despropósito, mas os sonhos misturam-se bem com boas ideias (o termo certo para isto só existe em inglês: “to blend”), e então as ideias exploram novos, e outros, rumos, e faz-me falta a capacidade de as fixar, guardar, para mais tarde dissecar, repensar e aproveitar.

Friday, February 25, 2011

normal people

Sentava-se com ela no banco do jardim e olhava-a com carinho parafraseando mentalmente: "mi amor...". Acariciava-lhe a mão devagarinho, concentrando as palavras que lhe queria dizer: "eu amo você...". Dizia-lhe isso mesmo num tom meloso: "eu amo vocêee...". Ela, que não esperava aquilo nem estava preparada, abria os olhos grandes e bonitos perguntando-lhe: "o quê?". Não se fazia desentendida, simplesmente não o entendera. E ele respirava fundo repetindo com convicção e um aperto suave da mão: "eu amo você!". Então, ela envolvia-o num abraço profundo e procurava-lhe os lábios para um beijo apaixonado. Wunderbar!

Wednesday, February 23, 2011

à rasca, Maria vai com as outras

Com o novo horário e o time lag alargado sinto-me mais desencontrado do meu mundo. Ponho-me a ler as notícias fora de horas:

Manifestação a 12 de Março - Adesão ao protesto da “geração à rasca” já ultrapassa as 20 mil pessoas.

Nos últimos dias juntaram-se mais de duas mil pessoas por dia à página do protesto “geração à rasca” no Facebook, conta a organização do movimento que desafia os jovens precários e desempregados do país, ou todos os que os queiram apoiar, a fazerem ouvir a voz numa manifestação nacional no dia 12 de Março. São já mais de 20.500 os subscritores da acção.
O movimento protesta pelo direito ao emprego e à educação, pela melhoria das condições de trabalho e o fim da precariedade O movimento protesta pelo direito ao emprego e à educação, pela melhoria das condições de trabalho e o fim da precariedade.
João Labrincha, 27 anos, é um dos organizadores deste movimento que se inspirou pela música “Parva que sou”, dos Deolinda. Licenciado em Relações Internacionais há quatro anos, acumulou, desde que se formou, experiências precárias de trabalho. E acabou por ficar desempregado.
“Todos conhecemos uma imensidão de pessoas à nossa volta na mesma situação”, conta ao PÚBLICO, confessando que a dimensão que o movimento tem atingido não o surpreende, apesar de se sentir muito comovido com a solidariedade de todas as pessoas, de todas as idades, que têm assinado o manifesto que ele e mais três amigos, que conheceu na Universidade de Coimbra, decidiram lançar nas redes sociais.
“Incluímos no nosso movimento toda a geração com 20, 30, 40 anos”, diz sobre o conceito de “geração à rasca” que criaram. “E há outras gerações afectadas com isso como os pais que nos têm de sustentar. Todo o país é afectado económica e socialmente por este quadro”, diz João Labrincha.
“Chegam-nos até os relatos de pessoas mais velhas, já quase na casa dos cinquenta, e que se identificam com o movimento porque estão desempregados, ou são precários e não têm como alimentar os filhos”, diz sobre as histórias que têm chegado à página do Facebook do movimento e que mais o impressionam.
João acredita que o facto do movimento ser apartidário fez com que crescesse mais: “Somos apartidários, o que não quer dizer que sejamos anti-partidos. Mas o facto é que as pessoas estão muito cansadas da política. O nosso objectivo é reforçar a democracia, não derrubar governos”, frisa o organizador. “Queremos fazer ouvir a nossa voz e apresentar soluções”. Por isso o movimento pede, aos que saírem para a rua a 12 de Março, que levem uma filha A4 onde expõem a razão do seu protesto e onde apontam uma solução. Os documentos serão entregues na Assembleia da República.
O que gostaria, confessa, é que desta experiência surgissem mais movimentos. E para já conta que muitos grupos se estão a organizar para fazer manifestações a 12 de Março, tal como a que está marcada para a Avenida da Liberdade, em Lisboa, em várias partes do país: no Porto, na Praça da Batalha, em Coimbra, no Funchal ou Ponta Delgada há já manifestações marcadas.
“Seria interessante transformar este movimento numa manifestação nacional”.


Não bastava o sentido de periferia, a comparação com os enganos estatísticos dos Gregos e as reminiscências transformadas numa debandada geral para sul do equador, a “geração à rasca” ainda nos quer transformar num sucedâneo do Magreb. Anos e anos de educação investida nos neurónios dos meninos e mesmo assim não somos capazes de perceber que temos um lugar de destaque no mundo. Optamos pela depressão colectiva quando na verdade temos, somos, tanto ou mais que os outros, digo eu do meu ponto de observação privilegiado. Dizem eles que queremos “movimentos” mas a mim parece-me que queremos mesmo é o belo do estado social, como sempre desde há alguns séculos para cá. Devíamos, podíamos, ser capazes de mais, muito mais. De empreendermos, em lugar de ficarmos à espera de passar entre a chuva ou que nos dêem um chapéu-de-chuva (com esta lembro-me sempre da imagem dos emigrantes sub-saharianos a venderem os ditos em cidades onde nem chove muito). Devíamos, podíamos, dar uso às nossas vantagens competitivas (cultura, identidade, facilidade com as línguas, simpatia, faculdade de adaptação, perspectiva e, apesar de tudo, capacidade de sacrifício) para fazermos acontecer, individualmente mas em massa, primeiro, porque o colectivo vem depois e não se chega longe com o princípio “Maria vai com as outras”. Mas isto é só o que eu acho.

Monday, February 21, 2011

eixo céu

Sem conseguir explicar se por efeito da idade ou dela, deu-lhe para apreciar pequenas e grandes coisas. Um mergulho rápido e deitou-se sobre uma toalha estendida na pedra aquecida pelo sol, assentando a nuca numa outra toalha enrolada em almofada. Sentiu o calor apertar-lhe os dois lados do corpo e abriu os olhos para a vertical absoluta. Sky, cielo, ciel, simplesmente céu, ou na sua forma favorita, himmel: esta cidade ganha no eixo do céu. Pelo menos em Fevereiro, com o compasso das nuvens brancas e espessas, a espaços cortadas por helicópteros ou “jatinhos”, e com os pares de águias (ou serão condores?) aos círculos lá bem no alto.

Saturday, February 19, 2011

O mago e o feitiço

E de repente, justamente hoje, apareceu-me uma borbulha na borda do lábio superior. Só a descobri há pouco mas deve ter despontado a altas horas da madrugada, quando os pensamentos se encontraram num meridiano intermédio. E eu que gosto (muito) de significados fiquei a conjecturar o que meu organismo me está a querer dizer com este pequeno detalhe confundido entre a proximidade do lábio e a realidade a milhas de distância.
Não posso, não quero e não vou deixar o definitivamente importante para trás.

O mago

Pouco a pouco, com o passar do tempo, começou a fazer a sua magia peculiar. Começou devagarinho e sentiu-se a ganhar forças com aquela primeira conversa à boleia num carro de estofos de pele, num dia de chuva. Ele era mais novo, apenas alguns anos. Claramente um tipo inteligente. Contou-lhe que trabalhava desde os 14 e que tirara o curso, com sacrifício, em simultâneo. Um empreendedor que montara um negócio semi-legal, enquanto trabalhava e estudava. Viajara pelo continente fazendo a coisa crescer até se tornar perigoso do ponto de vista fiscal. Então, consciente, decidiu abandoná-lo e dedicar-se apenas à profissão. Gosta do que faz, por agora, mas não se esqueceu que existem outras oportunidades à espera de serem exploradas. E eu que preciso deste empreendedor, sagaz e de espírito irrequieto na minha equipa, abri o livro da retórica, acalmando-lhe as inquietações da época e abrindo-lhe os olhos para um futuro risonho.

eixo arquitectura & urbanismo

Acordei com vontade e empanturrei-me ao pequeno-almoço. Entre outros almoços e muitos jantares, sinto que estou num processo de engorda e pouco me importa. Contra o meu hábito, rematei com um café forte e arruinei o plano de voltar para dormir até tarde. Subi ao 25º andar para descobrir a piscina enganadoramente pequena e estirei-me por um momento numa das poucas espreguiçadeiras. Mais uma manhã quente e nublada que não deixa ver a estrela maior. Observei o skyline interessante e pus-me a pensar seriamente sobre tudo isto. Na matriz quantitativa do que quero para a vida, decidi subir o peso do eixo arquitectura & urbanismo. Neste, esta cidade não sai a ganhar.


Friday, February 18, 2011

Local Hero (outras viagens...)

Percorri a costa da Escócia em busca daquele lugar único a que se chegava por estradas estreitas. Procurava a Aurora Borealis como tinha visto no filme. Encontrei uma terra perdida e marcada por uma sonolência própria do Atlântico Norte. Entrei num pub vazio repleto de copos mal lavados. Senti-me descrente daquela gente, até encontrar um pescador de oleado amarelo a puxar o seu barco a remos pela rampa apertada. Fiz dele o meu "Local Hero" embaraçado pelas redes de pesca e meti-me no carro de volta a Edimburgo.

o beicinho e o beijinho

Ela faz beicinho e sabe que eu me vou derreter. Estou atafulhado de trabalho com emails das duas geografias sempre a chegarem mas ela ganha a prioridade. É amor, é saudade, é um misto de certeza e vaidade por termos chegado aqui. É a vontade do beijinho e de não complicar. É a minha segurança absoluta de que tudo vai correr bem porque fui aprendendo com ela a confiar nas sensações simples da vida e estas coisas não vêm na literatura.

Sunday, February 13, 2011

intimidade real

A intimidade é real quando sentimos o gosto por conversar, devagar, pela noite dentro, com as vozes sonolentas em frases trocadas, histórias contadas, perguntas colocadas e palavras simples. Que si y que no… Sem complicações, sem grandes divagações. Porque sim. Porque nos apetece e não importa o sono adiado. Porque é bom. Porque nos enche de conforto. Porque se repete com mais gosto. Porque se sente que é para durar e não há lugar para o efémero.

Saturday, February 12, 2011

o backup

Faço um backup, cuidadoso, das coisas profissionais que não posso perder. Enquanto copio as pastas dos projectos, dos clientes e dos outros assuntos, penso como seria bom poder guardar num disco seguro estes nossos dias e noites. Tudo pronto* a recuperar, a retomar, com vontade e cuidado no dia do regresso, tudo o que não quero perder. Nós**.

(* ah, o homem dos “prontos” que um dia acertou na expressão certa, como eu no sentimento manifesto)
(** ah, palavra bonita)

Wednesday, February 9, 2011

o melhor da vida

Recebe-me com o distanciamento próprio de quem tornou cativo o sorriso. Faz magia com chá quente e china ao quadrado. Adormece sobre o meu peito, a meio dos meus filmes em idioma teutónico. É capaz de dormir tranquila apesar do meu riso. Enche-me as camisolas da substância branca que nos limita o encontro dos lábios. Enrosca-se nos meus braços com pequenas carícias nas mãos. Gosta de me sentir quente contra o seu corpo. Deixa-me com vontade de escrever, mais uma vez. Acho que já me topou: por isto, por estas pequenas sensações, estou disposto a investir horas de sono.

Tuesday, February 8, 2011

o fotógrafo com vontade de escrever

Tira-te fotografias deliciosas para guardar na mente. Surpreende-se com as linhas que deitas cá para fora, espontaneamente. Apetece-lhe alargar a noite continuamente quando te sente a adormecer, aconchegada. Quem foi quem disse que a primavera não chega em Fevereiro?