Por vezes sinto-a tão distante que a lógica sobrepassa a razão. Por vezes submete-me à dúvida que me recorda a fase em que achava que era feliz (sem o saber de facto). Por vezes tudo é sensação de algo mais do que admitia possível (e bom). Ela oscila (ambas oscilam) como se me interpretasse fascinado por montanhas-russas quando eu quero mesmo é calmaria (eu sou difícil de interpretar), como naqueles abraços (dados) em que o encontro das costas dela nas minhas mãos (grandes) e o peito aconchegado ao (meu) peito me fazem sentir realmente vivo.
Monday, May 16, 2011
Sunday, May 15, 2011
da alegoria dos marshmallows
Leio um artigo numa revista muito atrasada. Descreve uma experiência simples com humanóides de 4 anos que são deixados sozinhos numa sala com um marshmallow numa mesa e duas opções: i. comer o marshmallow; ii. esperar pelo regresso do “cientista” e ganhar dois marshmallows.
(ver aqui: http://www.youtube.com/watch?v=4ZikfUI0G5o)
Replicada muitas vezes e seguindo os percursos de vida das “cobaias”, a experiência traz resultados estatísticos óbvios: os miúdos que aguardaram pela recompensa dupla, conseguiram melhores resultados na escola, chegaram à universidade e a níveis de rendimento superiores do que os que optaram pela satisfação mais imediata da gula que, naturalmente, vieram a ter problemas de drogas e alcoolismo…
Uma experiência norte-americana, está claro. A replicar com amêndoas de chocolate para saber quem são os espertos.
(ver aqui: http://www.youtube.com/watch?v=4ZikfUI0G5o)
Replicada muitas vezes e seguindo os percursos de vida das “cobaias”, a experiência traz resultados estatísticos óbvios: os miúdos que aguardaram pela recompensa dupla, conseguiram melhores resultados na escola, chegaram à universidade e a níveis de rendimento superiores do que os que optaram pela satisfação mais imediata da gula que, naturalmente, vieram a ter problemas de drogas e alcoolismo…
Uma experiência norte-americana, está claro. A replicar com amêndoas de chocolate para saber quem são os espertos.
moradas
Uma das primeiras imagens que guardo da vida é a de descer os degraus de cimento da estação do metropolitano em Sete-Rios pela mão do meu pai e de o fazer voltar para trás quando o metro chegou à estação. Devia ter uns quatro anos e naquela altura o metropolitano de Lisboa começava (ou acabava) ali mesmo, junto ao Jardim Zoológico. Naquela altura eu vivia ao pé de uma Estrada percorrida por eléctricos dos amarelos que não me assustavam e eu gostava de ver passar. Reencontrei os eléctricos, em formato mais moderno, quando vivi junto a uma Diagonal, num tempo em que fui feliz de uma forma muito superficial. Hoje moro ao lado de uma Marginal, onde o corrupio de automóveis, comboios, bicicletas na ciclovia, helicópteros a aterrar e aviões em aproximação é maior do que podia imaginar. Aqui não passam eléctricos e também não se vêem barcos a navegar a espécie de rio mas as possibilidades são maiores.
Saturday, May 14, 2011
do Socialismo – parte II (só para ver se o blogger me censura duas vezes)
Tese experimentada: as sociedades Socialistas são tão boas a fazer embalagens que são impossíveis de abrir!
Imaginem este miúdo desesperado a ter que recorrer a uma faca para abrir a película transparente do maço de Lucky Strike. E isqueiros não há – ainda bem que decidiu comprar fósforos suficientes para uma vida inteira, aaargh!
Imaginem este miúdo desesperado a ter que recorrer a uma faca para abrir a película transparente do maço de Lucky Strike. E isqueiros não há – ainda bem que decidiu comprar fósforos suficientes para uma vida inteira, aaargh!
Thursday, May 12, 2011
do Socialismo
Por enquanto é só uma tese, à espera de ser experimentada, mas enquanto contemplo o World Trade Center constato, mais uma vez, que o mundo, a sociedade e o ponto da evolução a que chegámos na representação da espécie adoptou uma nova lógica, um estilo já gasto e uma doutrina vencedora não imaginada: o Socialismo.
Hoje visitei uma cidade planeada. Primeira-letra-do-alfabeto grego-ville. “Rematei” o que já sabia: o futuro, no presente, é do Marx e do Engels, uns visionários antes do tempo certo. A capacidade de apropriarem as massas de um significado para a vida quando as vidas assim não fazem sentido nenhum porque são absolutamente dirigidas, sem factor de escolha. A ocupação dos indigentes, apenas e só porque faz sentido para quem tem o poder de decidir. Eu não compreendo, não concebo, as vidas assim vividas. Viver é escolher e com grandiosidade. Aprende-se para se ser capaz de discernir, de tomar opções. Compreender e optar faz parte do sentido e do valor que damos às coisas e às causas. Viver de forma planeada e dirigida é castrador do mais puro que a “alma humana” possibilita. Não chegámos até aqui para isto, queremos, devíamos querer mais, devíamos ser capazes de mais. Mas na realidade existem muitas, demasiadas, vidas condicionadas pelo que os outros decidiram, como se parte da espécie assumisse o papel de formigas andrejantes.
Hoje visitei uma cidade planeada. Primeira-letra-do-alfabeto grego-ville. “Rematei” o que já sabia: o futuro, no presente, é do Marx e do Engels, uns visionários antes do tempo certo. A capacidade de apropriarem as massas de um significado para a vida quando as vidas assim não fazem sentido nenhum porque são absolutamente dirigidas, sem factor de escolha. A ocupação dos indigentes, apenas e só porque faz sentido para quem tem o poder de decidir. Eu não compreendo, não concebo, as vidas assim vividas. Viver é escolher e com grandiosidade. Aprende-se para se ser capaz de discernir, de tomar opções. Compreender e optar faz parte do sentido e do valor que damos às coisas e às causas. Viver de forma planeada e dirigida é castrador do mais puro que a “alma humana” possibilita. Não chegámos até aqui para isto, queremos, devíamos querer mais, devíamos ser capazes de mais. Mas na realidade existem muitas, demasiadas, vidas condicionadas pelo que os outros decidiram, como se parte da espécie assumisse o papel de formigas andrejantes.
a fruteira e o regresso (lamechas ao quadrado, como a mesa :)
Deixou-lhe exactamente sete maçãs, um cacho muito grande de uvas, um kiwi e duas bananas (ele não gosta de kiwi e acabou de comer a segunda banana já amadurecida).
Deixou-lhe uma casa montada em três dias e meio, com muitos parafusos apertados com paciência de chinês.
Deixou-lhe um jasmim pequenino com vontade de crescer e uma orquídea para cuidar com receita estipulada.
Deixou-lhe os lençóis da risota e quatro almofadas marcadas pelo cheiro dela para ele sonhar muito.
Deixou-lhe dois castiçais com recarga de velas prontos para acederem nos jantares românticos que têm pela frente.
Deixou-lhe a vontade de sentir a pele dela encostada à sua, nas múltiplas formas perfeitas que têm de se abraçarem.
Deixou-o no outro hemisfério com todos os pontos de referência que compõem uma história que ninguém viveu antes, a expectativa do regresso dentro de uns dias e a certeza de que tudo o que desejam será deles nas noites quentes que aí vêm.
Deixou-lhe uma casa montada em três dias e meio, com muitos parafusos apertados com paciência de chinês.
Deixou-lhe um jasmim pequenino com vontade de crescer e uma orquídea para cuidar com receita estipulada.
Deixou-lhe os lençóis da risota e quatro almofadas marcadas pelo cheiro dela para ele sonhar muito.
Deixou-lhe dois castiçais com recarga de velas prontos para acederem nos jantares românticos que têm pela frente.
Deixou-lhe a vontade de sentir a pele dela encostada à sua, nas múltiplas formas perfeitas que têm de se abraçarem.
Deixou-o no outro hemisfério com todos os pontos de referência que compõem uma história que ninguém viveu antes, a expectativa do regresso dentro de uns dias e a certeza de que tudo o que desejam será deles nas noites quentes que aí vêm.
Tuesday, May 10, 2011
O tigre e a mariposa
Tu saíste de motorista com ar solene, e eu refugiei-me na piscina com a esperança de a água clorada me neutralizar o sal das lágrimas. Respeitei as regras todas – excepto a dos sapatos de vela – e fiz 2 piscinas, uma em crawl e outra a bruços. Depois, fiquei parado a flutuar ofegante e com os óculos embaciados. Descansei e tentei mais uma, desta vez a nadar debaixo de água mas a água é pouco profunda e 25 metros são demais. Acabei em mariposa a molhar o tecto baixo que ficou a pingar. Ao sair do tanque azul intensifiquei a dor no fundo das costas, mas pelo menos acabei a sentir-me cansado e não somente triste com o primeiro impacto das saudades de ti.
Em seguida tomei um dos meus banhos demorados com o chuveiro que montei para nós e que nos vai provocar uma infiltração na parede antes de terminado. Reparei então que me tinhas deixado uma das tuas marcas, uma mensagem subliminar na mesinha de cabeceira: os teus botões de punho Calvin & Hobbes.
És o amor da minha vida, tigre.
Em seguida tomei um dos meus banhos demorados com o chuveiro que montei para nós e que nos vai provocar uma infiltração na parede antes de terminado. Reparei então que me tinhas deixado uma das tuas marcas, uma mensagem subliminar na mesinha de cabeceira: os teus botões de punho Calvin & Hobbes.
És o amor da minha vida, tigre.
Saturday, April 23, 2011
bear right(ly) – lamechas… há 1 ano (e mais qualquer coisa) de ti, de nós :)
You don’t get to choose whom you fall in-love with. It will just happen, and you’ll have to understand how lucky you are. That’s the hardest part, to get it. So, get it... For this, you have to be a believer. Just be it... a believer. She will appear before you, while you’re distractedly looking at the right bearing and she will also set eyes on you. Then everything you (haven’t) wished for will happen... magically, as her soul settles within your heart. That’s the instant you get trapped for life. You’ll just know it, because everything she does (or does not do) will look unique and she will definitively look astonishing even when she’s not actually beside you. And there you have it... you’re truly and utterly in-love, and the future will be yours to take.
Saturday, April 16, 2011
o melhor do inesperado
Dizia-lhe há umas semanas atrás que ela era o melhor do que não imaginara possível. Explicava-lhe, por palavras difusas, que gostava mesmo da sensação de ir absorvendo os pormenores da pessoa que ela era para o íntimo do seu coração, transformando-os em mensagens inteligíveis e apaixonantes para a sua alma. Tentava que ela entendesse como o descrédito do predestinado contribuíam para o enlevo do que sabia que era deles, com certeza e com carinho. Pretendia que as palavras, pouco sincronizadas, lhe transmitissem com robustez a magia do que sentia como inesperado: uma profusão de sentimentos que não julgava possíveis, há um ano atrás, e o desejo de prosseguir a descoberta.
Thursday, April 14, 2011
message in a bottle came across the ocean
Desta vez, enquanto me arrastava sem vontade até à última porta do terminal custou-me mesmo. Não gosto de me arrastar. Não gosto de fazer nada sem vontade. Coloquei os headphones novos e procurei o sossego que sei impossível sem a companhia de quem se ama. Senti o olho direito a humedecer. Senti-me mais perdido do que alguma vez desde que encontrei o que desejo. Senti-me furiosamente lamechas e ponderei várias vezes não embarcar. Não embarcar desta vez, não voltar a embarcar sem a companhia de quem amo. Desta vez dói-me qualquer coisa cá dentro, qualquer coisa não muito óbvia entre o coração grande e a alma pseudo-alternativa.
Monday, April 11, 2011
um pouco mais a norte
Aterrei espancado pelos subtropicais e liguei o BB durante o taxiing. Tinha à espera mais um daqueles emails que reconfirmam tudo o que já sei que quero para a vida.
Durante o voo “papei” dois bons filmes, bem melhores do que a comida servida: o “Discurso do Rei” que ainda tinha em falta, sem dúvida uma delícia ajudada pela virtude da H. Bonham Carter e o novo “Hereafter”, um bocadinho parado mas ainda assim recomendado para quem gosta de after-life experiences ;) – basta dizer que o realizador é o Clint Eastwood.
Apanhei o táxi (muito barato) para o maior hotel cá do sítio e reconheci de imediato o set de um filme único com o Pierce Brosnan – este “rapaz” persegue-me nas sensações boas da minha nova vida.
Fiquei contente com o quarto espaçoso e colorido, que (também) não tendo bidé pelo menos tem uma banheira digna do nome.
Pedi uma Caesar salad que veio bem condimentada e acompanhada de dois pãezinhos e dois pacotinhos de manteiga New Zealand capazes de se deixarem abrir – há certas coisas em que a globalização compensa.
Acabei a noite a reler coisas boas, bebericando a bebida típica daqui e a sentir (muitíssimas) saudades de ti.
Sunday, April 10, 2011
o espaço e o tempo
Ao reconhecer o espaço, apercebeu-se, sem aviso, que vai ser feliz. Sentiu o coração a bater forte, consolidando as peças do puzzle. Respirou fundo e pensou com orgulho como o tempo dedicado ao presente da sua vida é a melhor decisão que podia tomar.
Saturday, April 9, 2011
o japonês das pílulas, o gordo do bluetooth, o cartão de crédito, a minha insónia e o seatguru
Passei os últimos dias a debelar uma constipação provocada pelos excessos da maior invenção do século passado – o ar condicionado. Pensar assim, no século passado, faz-me sentir antigo e, a espaços, isso até é engraçado.
Num destes dias tomei o pequeno-almoço ao lado de um japonês de meia idade. Quando terminou de comer a sua taça de arroz – sim, os japoneses comem arroz, e peixe também, ao pequeno-almoço – desembrulhou de um lenço cor-de-rosa pelo menos uma dúzia de pílulas que tomou vagarosamente, uma a uma e uma a seguir à outra, com o auxílio de um copo de água.
Noutro destes dias passei o dia com um gordo que passou o dia com um daqueles aparelhómetros bluetooth que se pespegam na orelha para se falar ao telefone sem mãos e sem fios. Não o vi tirar o dito para as refeições e também não lhe deu descanso quando se agarrou ao microfone no karaoke.
Esta noite, quando puxei do cartão de crédito para oferecer o jantar à equipa de projecto, constatei uma vez mais a imbecilidade da cor de alguns cartões que deixam sempre os empregados confusos com o chip e insistem em passa-lo pela banda magnética insistindo em estragar-me o plástico do qual dependo para sobreviver.
Praticamente curado da constipação sou assolado por uma grande insónia, confirmando que uma king size me faz sentir perdido no espaço quando me faltam os abraços e as longas conversas cúmplices pela noite fora.
Amanhã embarco para a primeira mão da maratona de 18 horas sentado num avião a tentar contrariar os ventos subtropicais de ambos os hemisférios, sabendo de antemão pelo seatguru que me calhou o lugar do meio encalhado numa configuração 2-3-2 de um Boeing 777. O tipo que inventou os lugares marcados com a reserva devia ser chacinado.
Num destes dias tomei o pequeno-almoço ao lado de um japonês de meia idade. Quando terminou de comer a sua taça de arroz – sim, os japoneses comem arroz, e peixe também, ao pequeno-almoço – desembrulhou de um lenço cor-de-rosa pelo menos uma dúzia de pílulas que tomou vagarosamente, uma a uma e uma a seguir à outra, com o auxílio de um copo de água.
Noutro destes dias passei o dia com um gordo que passou o dia com um daqueles aparelhómetros bluetooth que se pespegam na orelha para se falar ao telefone sem mãos e sem fios. Não o vi tirar o dito para as refeições e também não lhe deu descanso quando se agarrou ao microfone no karaoke.
Esta noite, quando puxei do cartão de crédito para oferecer o jantar à equipa de projecto, constatei uma vez mais a imbecilidade da cor de alguns cartões que deixam sempre os empregados confusos com o chip e insistem em passa-lo pela banda magnética insistindo em estragar-me o plástico do qual dependo para sobreviver.
Praticamente curado da constipação sou assolado por uma grande insónia, confirmando que uma king size me faz sentir perdido no espaço quando me faltam os abraços e as longas conversas cúmplices pela noite fora.
Amanhã embarco para a primeira mão da maratona de 18 horas sentado num avião a tentar contrariar os ventos subtropicais de ambos os hemisférios, sabendo de antemão pelo seatguru que me calhou o lugar do meio encalhado numa configuração 2-3-2 de um Boeing 777. O tipo que inventou os lugares marcados com a reserva devia ser chacinado.
Wednesday, April 6, 2011
o rezingão e a civilização (filosofia de ponta e alguns disparates)
Será por causa da falta, da ausência e da distância (e do efeito do jet lag), ou por tudo isto acumulado (com exagero) dei por mim de regresso ao estado rezingão. Nestes (breves) momentos da minha (nova) vida tenho esta (pequena) tendência para me concentrar e deixar absorver (em grande) pelos pormenores irrelevantes do quotidiano.
Esta manhã debati-me furiosamente com pequenas embalagens de manteiga ao pequeno-almoço…
O problema é que eu gosto de torradas ao pequeno-almoço…
Torradas acabadas de saltar de dois minutos e meio passados na torradeira, quentes e prontas a serem barradas com manteiga salgada…
O problema maior é que as irritantes pequenas embalagens de manteiga com sal não se deixavam abrir, nem facilmente nem de todo…
Evidentemente, por cada vez que tentei puxar a maldita película de prata pelo canto “abrir aqui”, acabei a espetar a faca contra a pressão da câmara hermética na expectativa de não deixar as minhas torradas quentinhas arrefecerem muito…
Conclusão da manhã: eu não gosto de embalagens. É que não gosto mesmo, nem do conceito nem da realidade. Eu cá gosto é de embrulhos. Embrulhos são, por definição, invólucros, envolventes do prémio neles contidos que se deixam abrir, facilmente. Embrulhos são o disfarce da surpresa que contêm. Embrulhos são o oposto de embalagens porque deixam respirar, sem hermetismo. Embrulhos são o que se quer na vida, pelo efeito dos laços, das fitas e do papel decorado. Eu gosto de embrulhos, porque servem para enfeitar em lugar de asfixiar. Na manteiga como na vida, eu lembro-me dos tempos anteriores à asfixia do pós-modernimo em que a manteiga Vigor vinha embrulhada num papel branco e forte que se deixava abrir com os dedos em tesoura, sem necessidade de cortar, ou do fiambre directamente cortado da máquina para esse mesmo tipo de papel, vegetal ou similar, e apenas embrulhado com recurso a algumas dobras planeadas, ou das garrafinhas de leite Vigor em que bastava carregar na tampinha verde para baixo para se aceder ao prémio, em lugar de ter que esgravatar o cartão ou o plástico dos formatos tetrapak.
O grau de civilização de um país e a felicidade de uma sociedade também se medem pela facilidade com que se abrem as embalagens e pela qualidade dos embrulhos que produzem. Eu acho, mas isto sou só eu em modo rezingão.
Esta manhã debati-me furiosamente com pequenas embalagens de manteiga ao pequeno-almoço…
O problema é que eu gosto de torradas ao pequeno-almoço…
Torradas acabadas de saltar de dois minutos e meio passados na torradeira, quentes e prontas a serem barradas com manteiga salgada…
O problema maior é que as irritantes pequenas embalagens de manteiga com sal não se deixavam abrir, nem facilmente nem de todo…
Evidentemente, por cada vez que tentei puxar a maldita película de prata pelo canto “abrir aqui”, acabei a espetar a faca contra a pressão da câmara hermética na expectativa de não deixar as minhas torradas quentinhas arrefecerem muito…
Conclusão da manhã: eu não gosto de embalagens. É que não gosto mesmo, nem do conceito nem da realidade. Eu cá gosto é de embrulhos. Embrulhos são, por definição, invólucros, envolventes do prémio neles contidos que se deixam abrir, facilmente. Embrulhos são o disfarce da surpresa que contêm. Embrulhos são o oposto de embalagens porque deixam respirar, sem hermetismo. Embrulhos são o que se quer na vida, pelo efeito dos laços, das fitas e do papel decorado. Eu gosto de embrulhos, porque servem para enfeitar em lugar de asfixiar. Na manteiga como na vida, eu lembro-me dos tempos anteriores à asfixia do pós-modernimo em que a manteiga Vigor vinha embrulhada num papel branco e forte que se deixava abrir com os dedos em tesoura, sem necessidade de cortar, ou do fiambre directamente cortado da máquina para esse mesmo tipo de papel, vegetal ou similar, e apenas embrulhado com recurso a algumas dobras planeadas, ou das garrafinhas de leite Vigor em que bastava carregar na tampinha verde para baixo para se aceder ao prémio, em lugar de ter que esgravatar o cartão ou o plástico dos formatos tetrapak.
O grau de civilização de um país e a felicidade de uma sociedade também se medem pela facilidade com que se abrem as embalagens e pela qualidade dos embrulhos que produzem. Eu acho, mas isto sou só eu em modo rezingão.
Saturday, March 26, 2011
nas nuvens
Apetecem-me os superlativos e as hipérboles sem descontos. Isto tudo é tão único, tão especial, tão sensacional e bom, que só se descreve com composições inovadoras de palavras:
Hoje, ou ontem, emergimos nas nuvens.
Não “mergulhámos” nem “saímos das”, a forma correcta é “emergimos nas”, como quem alcança um novo estado, não antes descoberto e que se quer permanente. É então que as opções se transformam em soluções, muito concretas, e as listas se compõem por si, como se fizessem parte de uma partitura harmoniosa.
Quero aprender muito sobre as nuvens.
Hoje, ou ontem, emergimos nas nuvens.
Não “mergulhámos” nem “saímos das”, a forma correcta é “emergimos nas”, como quem alcança um novo estado, não antes descoberto e que se quer permanente. É então que as opções se transformam em soluções, muito concretas, e as listas se compõem por si, como se fizessem parte de uma partitura harmoniosa.
Quero aprender muito sobre as nuvens.
Thursday, March 17, 2011
filme redescoberto
E há esta cena em que o Brosnan descobre as costas da Russo – ou melhor, é ela quem descobre as costas para ele – num cenário de vista paradisíaca na Martinica, e eu lembro-me das tuas costas bonitas. Muito bonitas, mesmo.
Tuesday, March 15, 2011
a réplica ou "o podia ter sido assim"
Há pouco mais de um ano atrás a filha da Embaixadora da Noruega, uma espevitada chamada Inga que conhecera numa noite de verão, convidou-o para o tradicional jantar do corpo diplomático em Lisboa. Chegou atrasado e com o fato meio amarfanhado porque perdera o convite entre os tapetes do automóvel. Estacionara mal o dito, engavetado entre um Mini Cooper descapotável e um Jeep, mas pensando para os seus botões que era carro de miúda com estilo, deixara um papelinho com o telemóvel à vista na expectativa do contacto. Apesar de desalinhavado percorreu os salões em modo solene, encontrando Inga já meio-enfrascada em vodka, divertida em conversa com outros imberbes expatriados que a pareciam conhecer. Ela atirou-se para os seus braços, beijando-o muitas vezes nas faces, repetidamente e em doses ímpares, e fazendo questão de o apresentar a um Paolo, um Paco e a um Pierre, por demais fascinados com o corpo daquela miúda de metro e noventa de altura. Pediu um copo de vinho e afastou-se daquela azáfama, cumprimentando simpaticamente os convidados espalhados por aqui e acolá, entretidos com o sorteio para a quermesse. Ao longe, reparou na miúda de vestido bonito preto e escorreito, aprumado sobre um corpo clássico-magnífico, com uns longos cabelos louros bem penteados e prolongados sobre as costas. Observou-a cuidadosamente enquanto ela conversava com um grupo, afastando-se de tempos em tempos para “atacar” um prato de macarons cor-de-rosa plantado numa mesa próxima. Deleitou-se a ver o seu movimento, discreto, de vai-e-vem, entre os senhores a quem encantava com a conversa e a pratada de macarons de framboesa. Fixou o olhar intensamente, naquele ser absolutamente fantástico e na sua postura irrepreensível a devorar os macarons sem contemplações. E ela viu-o a observá-la mas não se fez rogada nem parou com o movimento fortuito do “assalto” aos macarons. Ele admirou-lhe a confiança e o à-vontade e soube, naquele instante, que queria conhecê-la, para o bem e para o mal. E quando a noite já ia alta, deviam ser para aí umas onze da noite, puseram música para dançar, um slow lento dos anos oitenta. Ela que o vira a observá-la muito tempo, aproximou-se sem contemplações e puxou-o para dançar. Passos firmes, agarrados um ao outro com dois graus de cumplicidade. E ele sentiu pela primeira vez a sensação única do amor que viria a ser seu. Não voltaria a perder-lhe o rasto, mesmo quando teve que imaginar a história feita de felicidade e aprender a esperar pela réplica.
Sunday, March 13, 2011
i'll try anything
Ten decisions shape your life,
you'll be aware of 5 about,
7 ways to go through school,
either you're noticed or left out,
7 ways to get ahead,
7 reasons to drop out,
when i said ' I can see me in your eyes',
you said 'I can see you in my bed',
that's not just friendship that's romance too,
you like music we can dance to...
you'll be aware of 5 about,
7 ways to go through school,
either you're noticed or left out,
7 ways to get ahead,
7 reasons to drop out,
when i said ' I can see me in your eyes',
you said 'I can see you in my bed',
that's not just friendship that's romance too,
you like music we can dance to...
Saturday, March 12, 2011
Público – informação numerológica
Pois, deve ter sido enquanto o Japão se movia 2,5 metros, o eixo da Terra se deslocava 25 centímetros e o tempo acelerava 1,6 microsegundos que eu me entretinha a provocar-te pequenos sismos quânticos à flor da pele, justamente naquele espaço único e bem-cheiroso, junto às cervicais, que (entre muitas outras coisas) faz de ti A Mulher para amar.
Wednesday, March 9, 2011
do que elas pensam (como prometido e comprometido)
Entregamo-nos. Somos capazes disso. Sabemos bem o que queremos e sabe-nos bem. Disso e de muito mais. Com certeza e com sentido. Com o sentido certo e com entusiasmo. Não há hesitações, não há complicações e não há compensações. Apesar do que elas pensam, são palavras novas num vocabulário alargado, com vontade de ser mais, maior do que antes. Vasto, mesmo se parece sem nexo. Descobre-se, gosta-se e sente-se. Entregamo-nos e é bom.
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