Sunday, September 25, 2011

o meu subconsciente gourmet

Hoje acordei de um sonho giro, em que estávamos numa terra distante a tentarmos entender uma agente de viagens de feições orientais, porque queríamos ir passar o Natal a Nova York e a passagem de ano a Paris. E ríamo-nos muito, os dois, como se fossemos uns patetas, porque ela apostava em fazer-nos um desconto se optássemos por um overnight em... Lisboa :D


a frente fria

Não me bastava a crise instalada à distância e também na cavidade torácica, e esta cidade é assolada por uma frente fria que faz cair a temperatura 14ºC. Quando decido sair para ir espevitar com os miúdos de cá, a electricidade cai e pelo intercomunicador fico a saber que a companhia só prevê restabelecer a “normalidade” em duas horas. Desço 14 andares a pé e meto-me na perua mas enquanto conduzo cai a trovoada mais estranha que já vi, junto com chuva miudinha. Se “o tipo” não joga aos dados, acordou maldisposto e encenou uma conspiração no sábado em que eu precisava mesmo era do sol na piscina.

Friday, September 23, 2011

tirar o cavalinho da chuva


Passamos tanto tempo a tentar pretender saber e decidir que por vezes estes verbos todos nos confundem. Desejar é próprio de uma alma jovem, apetecer é característico de uma alma pronta, querer é o que faz uma alma firme, cuidar é de uma alma completa.
Eu estou algures entre o terceiro e o quarto estado e não vou regredir.

Wednesday, September 21, 2011

a trança dos dias

Um dia descobri-te, vinhas de botas confortáveis e cheia de charme, e eu sorri muito, para ti, por entre os dedos.
Um dia apareceste-me de calças de ganga e óculos escuros, e eu quis muito ver-te os olhos verdes.
Um dia vieste ter comigo de camiseira às riscas, deste-me boleia, e envolveste-me para me dar um beijinho.
Um dia recebeste-me com um vestido negro semi-transparente nos braços e confuso de despir, e eu perdi-me no embaraço.
Um dia convidei-te para jantar, vinhas com o vestido preto mais bonito que já vi, e fizemos amor para recordar.
Um dia fomos a um concerto, contigo num vestido giro, e demos os melhores beijos da minha vida.
Um dia despertei-te, estavas com uma camisa de noite e um calção transparente, e acabámos num abraço encaixado.
Um dia saímos para as festas, contigo de rato Mickey, e demos o melhor abraço do mundo.
Um dia apareceste-me de jardineiras, com um olhar estrábico, e eu debrucei-me para te beijar fazendo-te festinhas no pescoço.
Um dia fui acordar-te de pijama com a Minie sorridente, e tirei-te muitas “fotografias” com a luz da manhã.
Um dia cheguei a tua casa, encontrei-te confortável no sofá com uma trança linda no cabelo, e apaixonei-me outra vez.
Um dia saímos para jantar depois de muitas horas que passámos juntos, e agarrei-te o olhar.
Um dia chegaste com roupa quente e prometeste-me um avental, e eu soube que eras minha.
Um dia caminhaste muito, de ténis calçados, para me encontrares, e passeámos de mãos dadas.
Um dia fomos a uma festa de aniversário contigo de laço saliente, e encantaste-me como nunca.
Um dia puseste um vestido com cobertura de seda, e eu aqueci-te com as mãos enquanto namorámos à vista dos arranha-céus.
Um dia saímos para um jantar formal, contigo vestida de preto e de anel no dedo, e eu soube que me querias para sempre.
Um dia vestiste três vestidos diferentes antes de escolheres o que querias, e eu gostei de todos.
Um dia combinámos um jantar com os meus amigos, e eu amei-te no balcão do bar.
Um dia cobriste a cabeça com um véu de marca e original, e eu fiz fotografias de ti à sombra do palácio.
Um dia vestiste-te toda de branco, fizemos macacadas numa rede, e eu tirei-te mais fotografias desfocadas.
Um dia deitaste-te no meu colo a muitos pés de altura, e eu fiz-te festinhas o tempo todo, com gosto.
Um dia vínhamos da praia, trazias o ar mais descontraído que já percebi, e eu adorei a tua firmeza.
Um dia acordámos, apanhei-te desprevenida, quase nua, e rimo-nos de verdade.
Um dia cheguei a casa, encontrei-te de pijama cinzento coberta por uma manta, e eu fiz-te muitas festinhas dedicadas na barriga.
Um dia deixaste-me, pronta para a viagem, deste-me um abraço daqueles, e eu fiquei a observar-te na fila muitos minutos seguidos enquanto confirmava tudo.

Égoiste - as coisas que as mulheres não sabem como os homens gostam (post de borla!)


Sem surpresas, os homens gostam de tudo o que vos faz femininas, com ênfase nos pequenos pormenores, mas sem conhecerem o trabalho que deram a alcançar.
Sim, da lingerie que vos assenta na perfeição mas sem a noção dos dias que demoraram a encontrá-la e das horas que passaram a namorá-la.
Sim, das unhas bem pintadas mas sem saberem que se trata do Chanel 473.
Sim, do vestido negro que vos realça as formas mas sem imaginarem as sobremesas de que abdicaram para nele caberem.
Sim, do veludo da vossa pele mas sem vislumbrarem os boiões de creme que lhe dedicaram.
Sim, do tom único do vosso cabelo mas sem conceberem que implicou 4 horas passadas no cabelereiro.
Sim, os homens conseguem ser uns fúteis e deixam-se levar muito pela imagem, desde que seja cuidada, bem cheirosa e resplandecente. Não, os homens não querem saber para nada do que vos custou consegui-la e muito menos terem que opinar a pedido. Não há cá “gostas mais deste do que do trazia ontem?”, “ajudas-me a escolher o vestido?” ou “o que achas do meu novo corte de cabelo?”.
E sim, gostamos de vocês assim. De verdade.

Sunday, September 18, 2011

o mundo é enorme | Bogotá #2

Devo ter estado a sonhar contigo ou então a dormir acordado. De qualquer das formas, acordei a ocupar a cama na diagonal, como faço, às vezes, quando dormimos juntos e tu aqueces os pés contra as minhas pernas. O édredon bom – capaz de me proteger do frio – mas não é o teu, que é ainda melhor. Afinal, o mundo é enorme, colorido e rodeado de montanhas bonitas. Afinal, existem mais lugares capazes de nos surpreenderem, gentes com vidas cheias e bailes com músicas únicas. Afinal, os bonecos sabem dançar com ritmos diferentes, vontades próprias, desejos e ambições. Afinal, a espécie tem um presente, um caminho e a capacidade de querer, ser, mais e melhor. Acordei com um valente torcicolo mas cheio de certezas.

- O que queres para nós?

- Quero o que te vai fazer feliz.

Saturday, September 10, 2011

excertos #8

17

  People stay married because they want to, not because the doors are locked.
- Paul Newman

Sentámo-nos no Cairo e eu pedi uma água com gás e um sumo de limão espremido para deitar por cima. Lembrei-me de quantas vezes já nos tínhamos encontrado assim, nas esplanadas magníficas da cidade aquecida pelo sol e a cheirar à maresia vinda do rio. A Cidade tem esta capacidade de absorver odores estranhos que quando o vento sopra ligeiro lhe dão um carisma único da mistura do Mediterrâneo e do Atlântico. Por vezes, quando respiro este ar, sinto o cheiro da memória árabe combinado com a madeira dos cascos que souberam partir. Enquanto pensava nisto, dei-me conta de que estávamos a ficar mais velhos, maiores. Eu, com a necessidade de absorver as distâncias a que me vinha habituando, o Tomás mais perdido na inconsciência dos filmes acumulados na memória. Somos amigos, do peito, cá de dentro, há tanto tempo que por vezes nos sentimos como gémeos separados nos momentos em que não estamos juntos mas com aquele sentido de ligação que dá um sentido de compreensão à meia-palavra falada, e eu já sentia saudades de deitar cá para fora as minhas.
- Sabes, do que venho absorvendo do mundo, tenho chegado a conclusões interessantes, uma delas prende-se com a razão dos humanos.
- Então?
- Existe um sentido, um caminho, que vamos percorrendo e que em determinado ponto da vida nos conduz à necessidade de equilíbrio. À procura de uma espécie de estabilidade que consideramos maior e essencial.
- Ui, vem aí filosofia de ponta…
- Sim, já sabes como eu sou com o meu sentido de profundidade arrogante. Estou sempre a pretender encontrar mais uma verdade para a vida.
- Lá vais tu…
- Vou, não me importa… Sabes, quando paras numa loja de flores e decides escolher uma combinação perfeita de crisântemos de duas cores para a pessoa que amas e, enquanto o florista de serviço prepara o conjunto, sentes o aroma dos sentimentos que queres para ti? Nesse instante, sentes-te vivo, realmente desperto e com os sentimentos recônditos do peito a chegarem à flor da pele. Então, sabes que estás a ter um cuidado especial, a dedicar toda a tua atenção a alguém que sentes único, como se fosse um superlativo e sabes que não é relativo mas, mesmo sentindo-te lamechas de todo, é isso que queres fazer. Estás concentrado no que sentes e no que queres e isso é excepcional.
- Sim, já vi isso na tela quando o Newman oferece flores à Joanne e ela retribui com um beijo encantador, frontal e pouco cinematográfico, envolvendo-o num abraço apertado de carinho sem sentido para as câmaras mas inteiramente dedicado.
- Pois, foi um desses que me ficou colado há uns dias atrás.


Saturday, September 3, 2011

bem

Não quero os dias que vêm aí. “Tenho-te” no quarto ao lado, adormecida mas confusa com o fuso horário. Vieste e se não fosse real, mesmo a sério, não terias vindo. E se o fuso fosse o da China, seria pior. Com o neurónio perdido, apetecia-me que dormisses, bem, bem agarradinha a mim. Dormir bem com outra pessoa é insofismável e nós, eu e tu, temos os nossos momentos. Dormir bem é, só por si, um gosto de que ambos desfrutamos, quando encontramos os tais “nossos momentos”, experimentados e realizados em ambos os hemisférios. Há quem apelide isto de magnetismo, eu chamo-lhe realizar, completar – que é um dos verbos meus – mesmo quando hesito – este não é um dos meus verbos –, demoro, em ir aninhar-me junto de ti. Mas gosto. Muito.

Friday, September 2, 2011

change your heart and… look around

Se sentían más jóvenes por cada día que pasaba. Se sentían más agiles y recuperaban las facultades de amarse cómo se fueran adolescentes. Sabían que el futuro les reservaba sensaciones para compartir en una vida gloriosa. Él con su obsesión por la escrita creativa y ella con la voluntad de abrazar un destino mayor, más precioso. Buscaban lugares distintos, hermosos y únicos donde besarse y descubrir abrazos con significados nuevos. Los encontraban mirando montañas no antes travesadas, campos con plantas de especies raras y playas asombradas por olas de agua acabada de pasar los múltiplos océanos en sentido contrario al movimiento de la Tierra. Se dejaban fijar los ojos en los ojos, mesclando el verde con el marrón profundo para conformar un color nunca antes visto bajo la envidia del sol.

romance urbano

Tenho esta amiga que me inspira os romances urbanos através das fotografias que tira na companhia do namorado, ambos de óculos escuros não muito “fashion”, ambos com sorrisos abertos e, ambos, sem medo da barba dele, por fazer. Já não são exactamente isso mas parecem uns putos, despreocupados com a vida, regalados com os dias de verão num país que lhes oferece um sol visível à distância e que lhes projecta a sombra sobre a pedra da calçada quente. Ela queria, quis, ser artista de teatro e investiu bastante da vida naquilo. Ele queria ser, foi, durante uns tempos, guitarrista numa banda de 2ª classe. Prometiam-se e cumpriam os encontros nas noites já entradas com a única preocupação de alimentarem o gato que a ambos esperava aninhado no sofá retro da casa partilhada. Dormiam pela manhã, antes de assumirem o volante tantas vezes partilhado do “2 Cavalos” com a capota aberta a caminho de uma praia onde namoram sobre a areia muitas vezes molhada.

Thursday, September 1, 2011

“you can always get what you want, if you try hard”


She - Why does he love her so much? I mean… what is it about her?

He - I don’t know… I guess sometimes you just get it right for the first time and then… it defines your life… it becomes what you are.


(get your ass on the plane, babe)