Monday, November 21, 2005

tiger food

Crónica do futuro – by oInimigoPúblico, a notícia é de 18 de Novembro de 2035:

“Faleceu esta semana o último português que servia num café. O funeral, organizado pelos colegas, incluiu samba, caipirinha e o desfile da Escola Unidos da Tijuca de Arroios”

mais abaixo, na mesma página, “brilhante prancha” de BD a gozar com a Pimpinha Jardim – by Nuno Markl (que é suposto tratar-se de um humorista iluminado da nossa praça) – sobre um qualquer cruzeiro do socialite nacional a Marrocos:

“Tânger é bastante feia, muito suja e as pessoas têm um aspecto assustador”

Sejamos pragmáticos. As televisões insistem em enfiar-nos pelo cérebro adentro imagens de malis e outros povos sub-saharianos a escalarem as barreiras de fronteira em Melilla, putos argelinos a incendiarem voitures nos arredores de Paris e em cada dia que passa há mais uma remessa de uzbequis descoberta num qualquer contentor acabado de chegar às ilhas britânicas. É assustador e mesmo assim ninguém pára para pensar que talvez – só talvez – esta gente não saiba ao que vem. Que repletos de uma ilusão efémera, esta gente não discerne entre o que deixa para trás e as agruras que vem enfrentar. Que o que os espera pode não ser tão melhor assim. Que dentro da fortaleza Europa ou para norte do arame farpado da Califórnia não há um mar de rosas. E ninguém se esforça por lhes explicar que talvez – só talvez – seja melhor ser-se um guardador de cabras e poder contemplar um céu intacto do que ter de lutar por um lugar ao sol no meio da multidão inerte.

4 comments:

Anonymous said...

Ricardo, Ricardo.... que romanticismo exacerbado e' esse agora, qual Constantino guardador de sonhos e rebanhos...? Claro que a Europa (nem a America) sao ainda o sitio onde tudo e' possivel, onde existem igualdades de direitos e com forca de vontade quem quer se torna milionario. Mas, o que faz esses que percorreram desertos durante 2 ou 3 anos, querer tentar uma vida melhor? Quem somos nos, sentadinhos em frente ao computador, com o jantar a nossa espera na mesa (ou quem sabe no melhor restaurante da cidade) para dizer: esquece ver a tua irma a ser violada, esquece ver os teus filhos a morrer a fome, esquece a dor e fraqueza de nao ter o que comer, esquece teres orelhas cortadas ou orgaos mutilados? gracas a um minimo de dignidade humana, como dizia o Fernando Pessoa (ou o Camoes?) "ser descontente e' ser homem". E e' preciso continuar a lutar... (que a Europa nao e' um sonho mas tambem nao e' um pesadelo).

A tua esquerdina Amelie

Anonymous said...

PS-O comentario sobre Tanger parece uma discussao legendaria e traumatizante entre ti e a Stephie, algures numa autoestrada entre Ayamonte e Malaga.

Ricardo said...

Lau-Amélie,

naturlich... confirmaram-se os meus piores receios sobre o teu comentário. Retrógrado, imbuído do espírito da Comuna Francesa que conduziu ao actual estado das coisas. Mas a malta aguenta e o povo (sans-culottes) é sereno. E como este é um blog cheio de liberdade de expressão - ou não fosse meu - fica o registo. ;)

Anonymous said...

Sim, queriducho, eu estrago a minha vida como quiser, nao e'?!

maar ik vind wel prima om oudwets& commy te zijn en geen onderbroek te hebben! Lang zal het leven aan de Mei 68!!!!!

beijocas&flores azuis, se ainda susceptiveis de serem aceites...