Thursday, April 21, 2005

Haagen-Dazs

Crescemos a comer gelados. No início dos tempos era o “Epá”, sabia a nata e trazia uma pastilha dura de trincar no fundo – adorava a mescla do corante-pastilha-cor-azul com o gelado derretido. Nos dias mais abafados comiam-se 2 e 3 daqueles gelados só de água e sabores de laranja ou ananás que custavam 2 escudos e quinhentos e consumiam a parca semanada. Na praia, deixava-se o belo do “SuperMax” meio derretido substituir o açúcar lambuzado das bolas de Berlim e ao final do dia atrevíamo-nos a experimentar as riscas garridas do belo do “Perna-de-Pau”. Aos fins-de-semana havia esporádicas visitas à Pindô, que era então a melhor geladaria de Lisboa. Isto antes de se comprovar que definitivamente não havia melhor do que o copinho de limão e chocolate do Santini em Cascais. Nas férias, o delírio passava pela visita nocturna às geladarias da marina de Vilamoura. E depois, por alturas da idade das parvoíces, apareceu o “Calippo” de que se guardavam religiosamente os últimos blocos de gelo, para derreterem, e se matar a sede no final. Na idade dos amores eternos eram as “Conchanatas” da Avenida da Igreja e o arrebatador Magnum cuja versão amêndoa esgotava demasiado depressa. E finalmente fomos invadidos pelos muito mais evoluídos Baskin&Robbin e pela Haagen-Dazs – o que eu não dava para morar mesmo por cima duma lojinha da Haagen-Dazs, para poder descer em cada noite e deleitar-me com um crepezinho Belgian Chocolate, topping de nata e amêndoas torradas regado com chocolate fudge. Seria feliz.

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