Tonight
there’s a certain scent in the air that strangely reminds me of both my youth and
of a magical night. You in a little black dress hard to get through, although
my hands were already caressing your hips, and we were sure we’d fall in love.
Thursday, December 8, 2011
Wednesday, December 7, 2011
A coisa e a mania
O meu coração tem qualquer
coisa cá dentro a que ela já chamou mania. Os entendidos chamam-lhe sentimento,
o dicionário diz que é um capricho e eu acho que é vida. Por vezes aperta-me
por dentro mas sem provocar dor e deixa-me a flutuar num sonho sobre os lençóis
da risota total onde ela e eu explorámos amor. Definitivamente, não é um
capricho mas talvez seja loucura ou desejo imoderado, como também diz o
dicionário. Seja o que for, não quero deixar escapar esta coisa, mania,
capricho ou amor que fomos capazes de conceber da matéria que antes não era
prima. E ela? Ela, eu acho que também não. E isto é reciprocidade, que não é
efémera mas etérea.
Do que tu queres
Tu só atinges o que
realmente queres quando alcançaste um certo estado de maturidade. Quando
experimentaste causas e sensações suficientes para seres capaz de distinguir.
Quando viajaste em económica e executiva para destinos vários. Quando
aprendeste que as fronteiras são relativas e uma criação de mentes pequenas.
Quando foste capaz de te fazer entender em idiomas vários. Quando compreendeste
um pouco da capacidade humana e da natureza também. Quando viveste em colmeia
urbana e também te adaptaste ao campo. Quando sabes com exactidão o que te faz
sentir feliz. Quando tens memória de locais e cenas maravilhosas, guardadas nas
sinapses sem bolor, que recordas com um sorriso aberto. Quando atingiste esse
ponto, sabes mesmo o que queres.
Tuesday, December 6, 2011
Amor príncipe e real
Ele era florista numa
lojinha próxima do Chiado e, ao contrário do que a maior parte dos clientes
julgava, não era nada gay. Todas as manhãs passava pelo Príncipe Real e fazia
um cumprimento à miúda morena da loja gourmet, antes de descer pelas calçadas
do Bairro. Com o passar do tempo, foi percebendo que fazia aquele percurso pelo
prazer dos dois dedos de conversa trocados com aquela miúda simpática e
simples, quando podia perfeitamente descer a Rua do Século. Passou a encerrar a
lojinha às primeiras horas da tarde, para trazer um arranjo de flores
cuidadosamente preparado à miúda morena, simpática e simples. Ela começou a
corresponder-lhe com pequenas iguarias, perfeitamente embrulhadas, àquele rapaz
de mãos cortadas pelos espinhos e olhar doce. Passaram a encontrar-se ao final
de cada tarde na esplanada do quiosque, deleitando-se com mazagrin ou limonada,
e desfiando conversas até se deixarem encantar. Um dia ele apareceu-lhe, a meio
da tarde, com um molho de tulipas vermelhas tão grande que mal lhe cabia nas
mãos. Sentaram-se num banco do jardim e apaixonaram-se.
Monday, December 5, 2011
Composição para a mulher perfeita - sprinkles de mulheres conhecidas(*)
A serenidade da Téa Leoni. O olhar da Katherine Strickland. A
simplicidade da Monica Potter. Os lábios da Scarlett Johansson. A profundidade
da Isabella Rossellini. A sensualidade da Mary-Louise Parker. O vigor da
Penélope Cruz. A firmeza da Rosanna Arquette. A expressão da Freida Pinto. O
estilo da Salma Hayek. A voz da Inés Sastre. O andar da Eva Mendes. A destreza
da Sarah Jessica Parker. Ah, e o sorriso da Jennifer Aniston.
Sabes, quando já encontraste tudo isto, permaneces
concentrado.
(*) Hoje, na piscina, pus-me a ouvir um podcast
engraçado de uma entrevista com a Guta Moura Guedes em que a páginas tantas ela
dizia, com razão, que a beleza só existe no feminino. Comprova-se no E Deuscriou a Mulher.
A alegria das favelas
A definição on-line diz: [Brasil] Conjunto de habitações
toscas e miseráveis, geralmente em morros e onde habita gente pobre.
Na São Paulo pós-moderna mantêm-se características
devidamente herdadas da genética dos “achadores” e em dia de decisão do
campeonato, a gente pobre passa o dia nos telhados das habitações toscas e
miseráveis a atirar foguetes. E a coisa intensifica-se durante a noite da
vitória.
Lembro-me que da primeira vez que “achei” este país (que
acaba por ser mais nação do que muitos outros territórios habitados por gente
com DNA menos adulterado), fiquei maravilhado com a espontaneidade dos miúdos
que iniciavam um pezinho de dança aos primeiros acordes saídos de um rádio a
pilhas. Hoje, com uma abundância de acompanhamentos para o “arroz com feijão”,
a alegria do povo manifesta-se com os foguetes que me vão incomodar o sono.
Saturday, December 3, 2011
O domínio descontrolado
O domínio do que sentes
deixa de ser teu, controlado, quando já não te importam as palavras que
escrevem para ti. As mensagens curtas perdem significado e queres textos
glamorosos. Os espécimes de saltos altos e pernas longas perdem-se tal como as
curvas ensaiadas. Quando te sentes assim, sabes que perdeste a pontuação e
ponderas a crise da meia-idade. Admites gastar os euros de baixo valor num
descapotável para impressionar. Sabes que as voltas na rua da moda não te vão
fazer sentir feliz, mesmo no mundo novo. Esboças um sorriso pretensamente
verdadeiro mas o que desejas está longe. Queres voltar a ser capaz e afinal é o
que sentes ainda agora que te faz sentir completo. Percebes o que significa
amar. Confuso e no entanto sem confusões.
Thursday, December 1, 2011
Diálogo do meu sonho
Ela - Como se faz alguém desistir de algo em que acredita? De alguém que julga amar?
Eu - Não sei. Nunca aprendi a desistir. É um verbo que não compreendo.
Eu - Não sei. Nunca aprendi a desistir. É um verbo que não compreendo.
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