Sunday, September 24, 2006

O despertar dos mágicos


Disseste-me há muitos anos atrás duas coisas que me ficaram na memória:

“O próximo milénio será o do regresso ao misticismo.”

“O grande negócio dos próximos anos passa pelo entreter das massas.”


Oh adivinho incauto, parece que estão dados os primeiros passos para a veracidade das tuas predestinações. Se a segunda me serviria de muito não fora eu o fruto dos teus genes, limitado empreendedor e cumulativamente desdenhoso da noção democrática de que há que permitir tudo a todos, já a primeira me assusta desmesuradamente. Dizem os arautos da desgraça que a História se repete, em ciclos temporais matematicamente demarcados. Afirmam com certeza absoluta que regressam os tempos das cruzadas, do choque das religiões ou entre civilizações. E eu papalvo inconsciente agarro-me com firmeza à ideia de que a evolução nos trouxe por um caminho sem retorno em que o racional prevalecerá sobre o místico, desprezando em bom rigor o poder do espiritual, o medo infligido pela fé sobre a lógica dos homens e não querendo acreditar no paralelo entre o “entreter das massas” e a necessidade mentecapta dos meus pares, que não semelhantes, em alimentarem as almas com o pregão dos magos.