Sunday, December 18, 2011

Bold meaning of the days that precede summer

Unready for new action. Obliviously listening to a good song by Nitin Sawhney (Shazam found to be part of his new album “Last Days Of Meaning”). Unable to decipher the meaning of a fresh smile. Undoubtedly bored by his own talk and by the need to translate it to “Brazilian Portuguese”. Consequently, judging people at the scene by their expressions of unintelligence. Amazed by the extraordinary volume of lager consumed by locals. Feeling the heat of the night amplified by the burning of his recently tanned skin. Obviously unable to think right and reacquiring his sense of existential nihilism. Mesmerizing on the emptiness of the weekend sorties. In need of a meaning to last and of becoming bold once again.

Saturday, December 17, 2011

Carménère exclusivo

O meu avô de olhar pacífico e contemplante fez fortuna graças aos Nitratos do Chile, sem nunca lá ter ido. Há alguns dias atrás estava a comparar notas sobre a vida com uma prima também expatriada mais a norte, e recordei-me da imagem guardada da infância e dos trabalhadores que descarregavam os sacos das locomotivas a vapor, chegadas àquele outro norte e que nos permitem decifrar memórias dos maravilhosos Natais passados em família. Gosto de recordações e gosto das sensações do Natal.


Friday, December 16, 2011

O jantar de Natal Peruano

Já imaginei o Peru com companhia boa, mas por estes dias são os sabores de lá que me entretêm. Nestes jantares de Natal com 31ºC e chuva a desabar lá fora, os pratos são outros, cebiche em vez do bacalhau, que vai bem com Pisco, arroz temperado com uma espécie local do peru assado, antecipado e acompanhado de caipirinha, como no outro dia, ou outra coisa qualquer com sabor único e conversa boa. Admito que, este ano, não sinto saudades dos jantares de Natal na Lisboa fria, embora os convites que vou recebendo me deixem a pensar nos amigos que encontraria em grupo nesta época. Em reminiscência, sinto falta das sensações do Natal no passado, em Trás-os-Montes, em que o prato principal era o polvo. E faz-me falta o presente que decidiu desconstruir o futuro, como ele deveria ser.

Monday, December 12, 2011

O ego (quase) déspota

Obriguei-o a girar o volante para encostar a carripana à faixa da esquerda e conduzir em modo automático. Consegui que desligasse o modo sentimentalão enquanto repetia os quilómetros do aeroporto até casa. Consegui que desligasse o ouvir do GPS que por três vezes o tentou assassinar com instruções “make a sharp right” que o levariam a entrar em sentido contrário ao trânsito. Consegui que desligasse a curiosidade que o faria consultar o blackberry a piscar para acabar enfaixado no carro da frente. Sabia que aquele caminho seria inútil se o deixasse pensar sobre as questões importantes e consegui que se concentrasse em pensamentos fúteis para se distrair. Divagou sobre a criticidade das massas críticas, concentrando os pensamentos na diferença entre viver numa cidade de 10 milhões de habitantes ou numa de escala de 20 para 1. Não chegou a lado nenhum, mas pelo menos chegou bem a casa, dele. Consegui que vestisse os calções para um mergulho fora de horas na piscina aquecida. Tentei que se libertasse com a sensação do cloro nos olhos, mas o maldito libertou-se do meu poder singelo e acabou as braçadas a sorrir e a especular sobre o futuro, bom. Estou tão tramado com este que me calhou!


Sunday, December 11, 2011

Sem luvas e sem dúvida

Escreve-me da outra longitude e diz-me “Devias vir para aqui, ias adorar. As noites agora são longas e passam-se à beira-mar. Isto está cheio de comida gourmet como tu gostas e o caro daqui é relativo.”.
Conhece-me o suficiente para me inspirar mas parece não se lembrar de que não tenho o fascínio de África. Tenho a minha quota-parte de continentes e o subsaariano não me desperta a vontade, apesar das histórias que me foram contadas por um tio apaixonado pela savana meridional.
Gosto mais do hemisfério norte – da Colômbia também – e, sem dúvida, queria marcar um voo para uma latitude conhecida e fria, com um encontro marcado, mesmo que tivesse que renovar o guarda-roupa para andar com a minha luva na tua.

Saturday, December 10, 2011

Grounded by the rain, no promenade on Óscar Freire

Chove e faz sol por entre as nuvens, mas por aqui não se forma um arco-íris. Assumo a tua posição de preguiça na varanda e deixo-me ficar, a observar o céu e a ouvir a minha chuva. Também sinto o coração a bater firme. Estou vivo e quero os passeios de mãos dadas. Há um ano atrás aprendi a pintar o quadro do futuro, hoje interessa-me colorir o céu.

Friday, December 9, 2011

Do amor aos pedaços – 1ª fatia... para saborear

As pepitas cobrem as primeiras sensações que experimentas. São as muitas palavras trocadas que te fizeram despertar quando estavas num torpor que te fazia desconfiar da possibilidade. Há um momento em que o desejo de saber mais leva a colher a estabelecer o contacto com a cobertura de quem és. Saboreias a primeira mensagem dirigida, numa tarde de calor e chuva em que estavas de gabardine, sem a certeza da origem certa e guardas a resposta para mais tarde. Ainda não há um conhecimento do que vem aí, mas já consegues imaginar quem te vai seguir pelo espelho retrovisor. À primeira vista da massa fina, sentes-te encantado pela voz e pela conversa inteligente. Sorris, e descobres que há ali um sabor a noz. É real e, sendo óbvio, tem aroma de limão. Vives intensamente os pedaços seguintes, porque é uma descoberta boa, que vai exigir o melhor de ti. Dedicação numa camada fofa, como tu gostas, momentos partilhados e ideias trocadas, antes de sentires o bolo nos lábios e de experimentares o recheio singular. O sabor envolve-te numa noite que nunca esquecerás. Estás definitivamente apanhado por este pedaço.