Wednesday, October 19, 2011

Às magníficas histórias de amor

Enquanto vou andando em marcha-lenta num trânsito nocturno e parado na Faria Lima, amadureço esta ideia que estagnou no meu pensamento, encaixada entre dois neurónios com dificuldades de sinapse.
Vive-se melhor, com uma qualidade muito esotérica, quando se ama a sério. Há um fluxo de químicos depurados e únicos que estabelecem uma razão e um futuro com sentido e intenções que não são de todo transparentes mas que são reais. Vive-se num estado de sensibilidade que nos descola da matéria das estrelas e nos transporta para um universo paralelo e definitivamente melhor. Vive-se com um significado que só é possível nas magníficas histórias de amor. É difícil abdicar disto e não é apenas uma questão da pele contra a pele, dos beijos dados, da voz que nos encanta ou do cheiro que nos permanece impregnado na alma. É uma questão repleta de palavras trocadas e que merece ser explorada.

Tuesday, October 18, 2011

Da situação de quase divórcio (dos outros)

Há uns dias atrás apanhou-me logo de manhã... inspirado:
Ele - Ontem, quando cheguei a casa tinha um recado dela a dizer que ia dormir a casa da mãe. Não dormi nada desde as quatro da manhã. Hoje, já me telefonou três vezes. Quem compreende as mulheres...?
Eu (com o meu sotaque daqui) - Aprende comigo: as mulheres não são para compreender... são para gostar!

Monday, October 17, 2011

Do ser humano e de mim

Uma das qualidades que admiro no ser humano é a facilidade com que prossegue para a frente sem lamber as feridas. É como se o conhecimento acumulado, enquanto espécie, e a certeza de que o factor tempo torna tudo inadiável o impelissem para diante, sem medo (ou sem alternativa…).
Uma das qualidades que gosto em mim, apreendida nos últimos anos é a propriedade de não me sentir magoado, mesmo se me sinto triste. É como se a aprendizagem do que sinto seguro cá no íntimo derrubassem o sentido do tempo e a noção do efémero. E é uma sensação boa.

Sunday, October 16, 2011

Arriscar, aproximar e o horário de verão

Apesar da chuva, em jeito hemisfério contrário, chegou o horário de verão para me encurtar a vida, e aproximar do mundo, uma hora, e com ele mais um email inesperado. As coisas devem estar mesmo mal no inverno com sol (inferno?) do lado de lá, quando as pessoas que considero inteligentes começam a querer vir para este fuso. Começo a apreciar o significado da palavra arriscar e já não sei o que vai ser de Portugal. Egocêntrico, não me importa, a vida é mesmo onde estamos, onde queremos estar.

Thursday, October 13, 2011

A geração das dependências

Desde segunda-feira que o meu BB não funciona como devia (o meu e os de mais uns… 70 milhões). Tenho um iPod, um iPad e dois laptops, que vivem de baterias famintas. Tenho TV a cabo e Wi-fi instalada. Tenho dois telemóveis (um local e outro de Portugal, que por vezes fica mais barato). Tenho mais de quatro contas de e-mail, pelo menos três aplicações de IM, conta no FB, a Dropbox por configurar e o Skype por instalar. Tenho uns auscultadores canceladores de ruído que (esses ao menos) vivem de pilhas AA.
Há uns 20 anos atrás só tinha um relógio no pulso, um telefone fixo (de disco) e um gira-discos e acho que era feliz na mesma – com tantas dependências, já nem sei…


ps- Ah, mas recomendo (muito) a aplicação do piano no iPad

Tuesday, October 11, 2011

- 1º C

Irrita-me isto – eu não sou nada de me irritar, com nada – coloquei um daqueles gadgets estúpidos no desktop do Windows que me dá informação sobre a temperatura na minha cidade actual e outro com a temperatura em Lisboa.
Cá, parece estar sempre - 1º C do que lá, e isto irrita-me pá! Quero o calor.

Monday, October 10, 2011

Síndrome da China

O diâmetro da Terra tem 12.742 km, mais coisa menos coisa. À superfície a distância que me separa de ti é de uns 15.661,59 km e provavelmente alguns metros mais. Quero um efeito síndrome da China, daqui até ti.


Thursday, October 6, 2011

“When the world is running down”

As notícias que me chegam por terceiros não são boas e deixam-me a pensar na injustiça imposta pela economia. Eu que os contratei e que os formei até sermos uma equipa com causas e entusiasmos comuns, sinto-me pela primeira vez um judas refugiado na condição confortável de expatriado. O pós-modernismo tirou-nos a graça. A globalização trouxe-nos a desgraça. No final o que vai ficar? Ou o que se segue? Optimismo compra-se.