Wednesday, November 16, 2011

Da censura #2

Este blog não é um diário, uma novela ou um reality-show. Eu gosto de escrever e gosto de publicar aqui uma parte do que os meus neurónios gastam em energia. Para ser sincero, tenho pena de não conseguir guardar mais sob a forma de palavras o bom que a vida me traz – regra geral, traz-me coisas boas e eu sou um poupadinho. Neste blog, mesmo depois das mudanças de link, de geografia e da evolução própria de quem vai crescendo, coexistem a história de um amor real, partes escolhidas de um romance (porque a escrita no blog também serve para treinar o que um dia quero publicar), short stories, e textos próprios de um rezingão. Algumas pessoas que me são verdadeiramente especiais vão sabendo novidades de mim pelo blog e isso também é importante porque muitas vezes não me sobra o tempo para lhes dedicar todas as palavras que merecem. Para elas e para umas quantas outras que partilham da minha filosofia sobre as possibilidades da blogosfera, os comentários estavam abertos. Porque não suporto a especulação sobre a vida alheia e imiscuir é o pior verbo que o espírito humano foi capaz de engendrar, volto a ligar o modo censura. Dediquem-se ao facebook.


Tuesday, November 15, 2011

Porvir - feriado com chuva em São Paulo

Adivinho que talvez o melhor da vida ainda esteja por vir. Comigo contigo na praia de areia grossa, protegidos do sol por um chapéu-de-sol bonito e largo, de mãos dadas e a partilharmos fruta fresca com o rebento do Mediterrâneo.

Sunday, November 13, 2011

Do amor encurralado

Comprei a edição do Expresso deste fim-de-semana mas ao ler as gordas e o escrito do MST, percebi que o pré-caos instalado só me ia fazer sentir encurralado. Decidi dedicar-me à “investigação científica” como só os tempos modernos permitem (Wikipedia):

Lust is the initial passionate sexual desire that promotes mating, and involves the increased release of chemicals such as testosterone and estrogen. These effects rarely last more than a few weeks or months.
Attraction is the more individualized and romantic desire for a specific candidate for mating, which develops out of lust as commitment to an individual mate forms. Recent studies in neuroscience have indicated that as people fall in love, the brain consistently releases a certain set of chemicals, including pheromones, dopamine, norepinephrine, and serotonin, which act in a manner similar to amphetamines, stimulating the brain's pleasure center and leading to side effects such as increased heart rate, loss of appetite and sleep, and an intense feeling of excitement. Research has indicated that this stage generally lasts from one and a half to three years.
Since the lust and attraction stages are both considered temporary, a third stage is needed to account for long-term relationships. Attachment is the bonding that promotes relationships lasting for many years and even decades. Attachment is generally based on commitments such as marriage and children, or on mutual friendship based on things like shared interests. It has been linked to higher levels of the chemicals oxytocin and vasopressin to a greater degree than short-term relationships have.

Certo, filosoficamente não há como contrariar a ciência e estamos mesmo encurralados.

Friends with benefits

Escolhemos “Friends with benefits” com a Mila Kunis (Eros no Black Swan – para mim, a Natalie era Anteros) a tentar o protagonismo do desprendimento do amor. É um filme suave, um cliché apropriado para almas jovens, uma resenha de como a vida moderna balança entre o fútil e um significado. Been there, done that, watched the movie and didn’t cry, still… I wish.

Saturday, November 12, 2011

O maravilhoso

Ele - Sabes, o que me trouxeste de melhor foi a capacidade de sonhar. Sonhar contigo e acordar com um sorriso pateta, com a sensação do teu cheiro. Gosto disto, é maravilhoso acordar assim na camada fina entre o sono e o consciente e de me perceber apaixonado com todas as cores, como nas nossas horas de ronha infinita a dois.
Ela - Bolas, também quero isso…

Thursday, November 10, 2011

O Centro

O centro do Centro é um sítio extraordinário repleto de pessoas que transmitem um calor igual ao dos fotões que conseguem passar por entre os prédios altos para alimentarem as árvores desengonçadas mas bonitas que por ali se encontram. As gentes transeuntes, que parecem caminhar sem destino nenhum, são partículas surpreendentes em número e géneros únicos sem estereótipo. Apontam-me a rua onde pela altura das compras de Natal chegam a passar 1,5 milhões por dia e eu perdo-me na imensidão do número e na sensação das almas que se conseguem concentrar sobre aquela calçada portuguesa. Formigueiro, a espécie evoluiu em modo único para um sentido de comunidade que só se pode encontrar em quatro ou cinco lugares no planeta e convive com árvores que apontam para o céu.



Wednesday, November 9, 2011

Das (o)posições – filosofia de ponta…

Gosto da diversidade humana. Se o mundo fosse mais perfeito do que já é, encontraríamos ao longo da vida muito mais pessoas capazes de nos despertarem para além do simples facto e da constatação de que estamos vivos dia-a-dia. Viver, a sério, é a faculdade de sentirmos que está ali, mesmo diante de nós, alguém inequivocamente diferente e que nos transporta para uma dimensão paralela daquela em que vivemos fisicamente.
Hoje faltava-me um fusível. Literalmente, faltava-me o fusível para ligar, no carro, o carregador do GPS sem o qual ainda me vou perdendo nesta cidade grande. Saí à hora do almoço e procurei em vão um concessionário do bólide que me foi entregue, dando a volta a uns dez quarteirões sem encontrar a maldita casa da Chevrolet e virando selectivamente à direita para evitar perder-me. Finalmente, farto da procura decidi experimentar o da FIAT (Fabbrica Italiana Automobili Torino), onde entrei e fui recebido por um vendedor de barriga protuberante e aperto de mão caloroso, provavelmente encantado com o sujeito devidamente engravatado que lhe poderia comprar mais um carrito e proporcionar um bónus adicional a tempo do Natal em família. Puxei do fusível estragado do bolso e ele percebeu que não vinha ali negócio, mas abriu um sorriso rasgado e indicou-me onde encontrar a peça, umas quantas quadras mais à frente. Quando eu já lhe voltara costas, agradecendo a informação, chamou-me e disse-me “Cara, vai ali na frente e procura pelo Alexandre!”. Eu agradeci novamente e atravessei a rua. Encontrei o dito, num pequeno barraco com as mãos mergulhadas em óleo e no motor de um carro de capot aberto. Sorriu para mim com uma expressão de paz-na-alma absolutamente única, enquanto eu lhe mostrava a peça de 20 Amperes e perguntou-me: “Quantos você quer?”. E eu: “Um basta. Não, melhor se forem dois.” Ele mergulhou no interior do barraco feito oficina e reapareceu com os dois pedacinhos de plástico, oferecendo-mos de graça quando eu lhe perguntei quanto era. Agradeci-lhe com sinceridade, pensando na dicotomia entre o eu de fato e engravatado, e o sujeito generoso das mãos cobertas a óleo, atravessei a rua em sentido contrário e instalei o fusível novo para me orientar o GPS e o caminho de volta à minha vida.
Durante a tarde e até agora, lembrei-me daqueles dois sorrisos abertos e atenciosos, baralhando-os com as posições da vida e com os sentidos opostos que esta pode assumir.